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I. HAKKÂRİ İLİ HAKKINDA GENEL BİLGİ

I.5. Hakkâri’de Sosyal ve Kültürel Yaşam

I.5.7. Hakkâri’de Masal Anlatma Geleneği

3.3. Gerçeğin Birebir Yansıması Olarak İşlenen Motifler

3.3.10. Haç İşareti Motifi

Foi na Capital da Província que Koseritz passou a construir uma trajetória social, política e intelectual bastante dinâmica, inclusive de grande repercussão histórica. Assumiu um importante papel da imprensa. Como já assinalado, tornou-se um grande expoente intelectual. Koseritz defendia princípios liberais, que se manifestavam no campo filosófico, literário, religioso, político e econômico. De maneira incisiva, tornou-se porta-voz dos projetos e das necessidades dos imigrantes alemães e de seus descendentes no Rio Grande do Sul, valendo-se da imprensa como instrumento de divulgação e alargamento do seu ideário.

Instalado definitivamente em Porto Alegre a partir de 1864, foi contratado, inicialmente, para assumir a redação do jornal de língua alemã Deutsche Zeitung, a partir do dia 1º de julho de 1864. Concomitantemente, sobrevivia com aulas particulares. Tornou-se redator do órgão do partido conservador, o jornal A Ordem, espaço no qual sustentou polêmica com Felix da Cunha157, proprietário do jornal O Mercantil, sobre a Missão Saraiva158 e a Guerra do Paraguai. Desempenhou essa função até a morte do conservador Luís Alves Leite de Oliveira Bello159, em 1865. Como o próprio Koseritz reconhecia, as polêmicas o tornavam cada vez mais conhecido em Porto Alegre.

Com o fechamento do jornal A Ordem, Koseritz foi nomeado por Francisco Xavier da Cunha agente intérprete da colonização no Rio Grande do Sul. Após a morte de Felix da Cunha, irmão de Francisco da Cunha, assumiu a redação da folha O Mercantil, além dos trabalhos que exercia como advogado, na Associação Teuta de Proteção Jurídica, o Deutscher Rechtsschutzverein, mesmo sem possuir

156

ALVES, O periodismo gaúcho..., op. cit., p. 158.

157

Felix da Cunha atuou na imprensa, foi advogado, político e homem das letras. Foi deputado da província pelo Partido Liberal.

158 A Missão Saraiva reivindicava, por parte do governo imperial brasileiro, que o presidente uruguaio Atanásio

Aguirre revogasse as leis que restringiam a presença dos estancieiros gaúchos no Uruguai, bem como uma nova delimitação para as fronteiras.

formação acadêmica.160 O Mercantil teve estreia no dia 3 de março de 1874. Estava ligado, originalmente, ao Partido Conservador, e defendeu a campanha abolicionista, mas chocava-se, abertamente, contra o ideário republicano, o que representava apoio aberto à manutenção da monarquia.161

Suas tarefas na imprensa local eram ampliadas gradativamente. Assumiu, ainda na década de 1860, a redação do Jornal do Comércio, publicando nesta folha artigos de cunho mais popular, referentes à economia, bem como se envolveu em polêmicas com os jesuítas e as instâncias religiosas de Roma. Nesse mesmo tempo, foi colaborador na folha A Sentinela do Sul162, que existiu entre julho de 1867 e janeiro de 1869, pertencente a Júlio Timóteo de Araújo e Manuel Felisberto Pereira da Silva, e impresso na Tipografia Imperial, de propriedade de Emil Wiedemann, destacando-se pela publicação de caricaturas. Koseritz, no entanto, desligou-se da função de colaborador, devido aos desentendimentos com Eudoro Brasileiro Berlink163, também autor de textos para o mesmo jornal. Em artigo no Deutsche Zeitung, “O Discurso do Senhor Eudoro Berlink”, Koseritz escreveu comentários sobre as divergências, dizendo que Berlink “odiava o elemento alemão e é o principal opositor da colonização..., ele é inimigo da colonização alemã”.164

Envolveu-se em novas disputas, como exemplifica a reação dos liberais, entre eles Koseritz, contra o conservador e presidente da província Antônio da Costa Pinto e Silva. Além disso, em 1869, o proprietário do Jornal do Comércio, Luís Francisco Cavalcanti de Albuquerque, rompera com o Partido Liberal, e Koseritz passou a dedicar alguns escritos ao jornal A Reforma, tipografia onde conviveu com Caldre e Fião, Florêncio de Abreu, Timóteo Pereira da Rosa, Félix da Cunha e Eleutério de Camargo. Nesse periódico, sua participação inicial foi breve, uma vez que a Guerra Franco-Prussiana o opunha ao proprietário – Gaspar Silveira Martins, um declarado francófilo, embora nos anos de 1880, de acordo com a conjuntura política,

160

GANS, Magda Roswita. Presença Teuta em Porto Alegre no Século XIX (1850-1889). Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004, p. 135.

161 Cf. HOHLFELDT, Antonio; RAUSCH, Fábio Flores. A imprensa sul-rio-grandense..., op. cit., loc. cit. 162

Faziam parte do quadro de redatores Júlio Timoteo de Araújo, Manuel Felisberto Pereira da Silva, Inácio Weingärtner, Karl von Koseritz e Eudoro Berlink. Cf. FERTIG, André. Valentes vingadores: os guardas nacionais riograndenses como símbolo do Império do Brasil. Escritas, Araguaína, v. 2. 2010.

Disponível em <https://revistahistoriauft.files.wordpress.com/2012/04/valentes-vingadores-os-guardas- nacionais-riograndenses-como-sicc81mbolos-do-impecc81rio-do-brasil.pdf> Acesso em 30 de abr. de 2012.

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Atuou no jornal Rio-Grandense, do Partido Conservador, e no Maçom, entre 1873 e 1875 (jornal maçônico que antecedeu A Acácia).

retornasse aos quadros do Partido Liberal e voltasse a redigir para A Reforma. Retornou às atividades do Jornal do Comércio, no qual permaneceu até 1872. Dedicou-se a avaliar os debates da Assembleia Provincial, como a reforma educacional e a viabilidade do porto de Torres, aproximando-se a velhos conhecidos seus, integrantes da ala conservadora, como o Visconde da Graça, Borges Fortes e Silva Nunes.165 Koseritz afirmava que suas discussões e polêmicas contemplavam certas questões que nunca haviam sido tratadas, nem mesmo pelos próprios liberais. Para esse contexto, existem, ainda, indicações de que Koseritz teria sido preso, em 1870, por ter cometido delito de imprensa.166 A questão é reforçada pela publicação da nota de agradecimento redigida por Koseritz, no jornal Deutsche Zeitung, em agosto de1870, pela qual agradeceu a amigos e cidadãos locais pelas visitas que recebeu durante o cativeiro.167

No ano de 1872, com as incompatibilidades criadas entre o partido conservador e Eudoro Berlink, Koseritz foi consultado para assumir a direção do órgão oficial partidário, o jornal Rio Grandense. Logo depois, em 1873, a tipografia foi vendida a Koseritz, e ele passou a ser, oficialmente, jornalista, ao lado de Carvalho de Moraes, Azevedo Castro, Araripe e Faria Lemos. Nessa folha, dedicou- se a tratar dos interesses dos alemães e seus descendentes, polemizou novamente a partir da questão religiosa, e publicou, inclusive, neste órgão conservador, propaganda pelo darwinismo e pela visão mecânica de funcionamento do mundo.

Sua permanência no periódico Rio Grandense se deu até 1878, quando se desencadeou uma crise que opôs Koseritz a todo o partido conservador. Segundo o próprio Koseritz, ao retomar sua história na imprensa brasileira em relato no ano de 1881, considerava o tempo que havia permanecido na redação do jornal como os seis anos mais difíceis e duros da sua vida até então, e a batalha contra o Partido Liberal e os ataques à Reforma tornavam-se, aos seus olhos, algo que nem mais poderia ser chamado de decente. Na política, Koseritz percebia-se como a alma do partido, campo que despertou nele a “raiva e a brabeza”. Suas lembranças mostravam que não se tratava de uma tarefa fácil, pois lidava com as conferências partidárias, com correspondências a subchefes do partido, com as mais diversas

165 Silva Nunes era Conselheiro de Estado.

166 O fato carece de fontes para compreender as razões pelas quais Koseritz foi acusado pelo delito de imprensa.

A indicação encontrada sobre a prisão de Koseritz, em 1870, encontra-se em Cf. KARL von Koseritz. <http://www.caiozip.com/koseritz.htm>. Acesso em 9 de jan. de 2015.

intrigas partidárias, e com as dificuldades econômicas para manter o empreendimento – “era um verdadeiro inferno de trabalho, de irritações e de responsabilidades”.168

Porém, sua maior queixa remetia às relações que mantinha com José Bernardino da Cunha Bittencourt169, membro do partido conservador, com o qual mantinha discussões ferrenhas quanto à questão religiosa. Os conflitos se deram também no campo político, e Koseritz acusou Bittencourt de tê-lo riscado do pleito eleitoral pelo partido conservador, no ano de 1876. A alternativa foi apresentar-se como candidato avulso, e o resultado o deixara satisfeito: Bittencourt havia alcançado quarenta votos a menos que Koseritz.

Face à crise do partido conservador ao final da década de 1870, e ao afastamento de pessoas importantes do partido, Koseritz mantinha-se desanimado e permanecia no Rio Grandense, como sinal de amizade ao presidente Francisco de Faria Lemos. No entanto, alguns episódios o colocaram na oposição do partido conservador, como atestam, também, as polêmicas sustentadas contra Antonio Antunes Ribas.170 Dedicou-se à publicação de dois novos projetos, como a fundação da folha com caricaturas A Lanterna, que perdurou por meio ano, e o periódico maçônico A Acácia.

Ao evitar novos confrontos com Bittencourt, além das dificuldades financeiras do Rio Grandense, que se amontoavam a cada dia, a tipografia foi fechada, e Koseritz lamentou a perda de grande parte do capital investido até aquele momento. Dessa forma, desligou-se da imprensa, por um curto espaço de tempo, sem redigir qualquer artigo para a imprensa brasileira, entre outubro e dezembro de 1878, momento em que passou a dedicar-se às atividades como advogado, colhendo experiências em outras localidades, como em São Sebastião do Caí e São Leopoldo.

Em 1º de janeiro de 1879, passou a dirigir a redação do jornal Gazeta de Porto Alegre, momento a partir do qual julgou poder viver sem preocupações, pois a folha estava acima dos partidos. Podia, enfim, redigir livremente as suas críticas, dedicar-se a temas úteis, explorar sua visão de mundo, divulgar os intelectuais

168Koseritz’ Deutscher Volkskalender, 1881, p. 136.

169 José Bernardino da Cunha Bittencourt era membro do Partido Conservador, médico, católico e,

frequentemente, apontado por muitos conhecidos como “ultramontano” e “jesuítico”.

170

Antonio Antunes Ribas destacou-se como magistrado, chefe de polícia (atividade para a qual foi nomeado à época das polêmicas com Koseritz), maçom, político liberal, advogado e colaborador em jornais de Porto Alegre, como A Reforma.

contemporâneos Tobias Barreto e Silvio Romero, investir na campanha do neo- criticismo, contra a teoria da criação teológica. Sem dúvida, Gazeta de Porto Alegre passou a valorizar a figura de Karl von Koseritz, uma vez que seu nome ascendia, definitivamente, para o rol de pessoas mais influentes da imprensa de língua portuguesa da segunda metade do século XIX.

Além da imprensa vernácula, sua passagem também se deu por periódicos de língua alemã, redigidos a partir de programas interessados em defender os interesses das comunidades e colônias alemãs. Como já apresentado anteriormente, Koseritz dirigira-se a Porto Alegre, onde atuou, inicialmente, no jornal Deutsche Zeitung. A ele é atribuído, inclusive, um rápido desenvolvimento da folha alemã na Capital da província. A posição anticlerical e anticatólica, assumida com firmeza, provocou a reação dos jesuítas, que fundaram o jornal Deutsches Volksblatt, em 1871. Mais tarde, em virtude dos desentendimentos provocados pela Exposição Brasileira-Alemã, da qual Koseritz era organizador, grandes rivalidades se construíram entre ele e Wilhelm ter Brüggen, um dos administradores da tipografia alemã. Após a publicação de um artigo que criticava o evento, autoria atribuída a ter Brüggen171, Koseritz pediu demissão, e dedicou-se à criação do seu próprio jornal. Assim nascia o Koseritz’ Deutsche Zeitung172, em fins do ano de 1881, alinhado aos interesses dos liberais e aos propósitos e interesses das regiões coloniais alemãs no Rio Grande do Sul.

A partir dos escritos autobiográficos, é possível perceber que Koseritz nunca se arrependeu quanto à escolha de sua carreira, ligada à imprensa e ao mundo da tipografia. Como ele próprio julgava, seu temperamento não era adequado para carreiras ditas “normais”, pois necessitava ser desacomodado, além de projetar-se, com grande gosto, para “campos de batalha” desafiadores.173 Da mesma forma, Koseritz deixou textos pelos quais é possível identificar suas concepções acerca da imprensa. Apresentava uma concepção de imprensa que se relacionava a um viés doutrinário, um poderoso instrumento de orientação. Como quarto poder, o objetivo

171 Wilhelm ter Brüggen foi, assim como Koseritz, mercenário contratado pelo império brasileiro na guerra

contra Rosas e Oribe, enfim, um Brummer. Foi um dos fundadores do jornal Deutsche Zeitung. Também destacou-se pela atuação como deputado provincial. Desentendeu-se com Koseritz, a partir da oposição que fez em relação à Exposição Brasileira-Alemã.

172 Em subcapítulo específico, o jornal Koseritz’ Deutsche Zeitung será analisado de maneira específica,

procurando destacar aspectos próprios dessa imprensa no contexto intelectual de Koseritz. Assim também se procederá com o almanaque em língua alemã editado por Koseritz, o Koseritz’ Deutscher Volkskalender.

era o de instruir e guiar a opinião, além de torná-la apta a formar juízo sobre os fatos.

A imprensa tem por principal missão doutrinar a opinião, esclarecê-la, guiá- la, dar-lhe conhecimento dos fatos que ocorreram e habilitá-la a formar juízo sobre eles.

Sua missão é das mais graves, ela representa, na frase de Canning, o 4º poder do Estado e sua influência sobre os destinos das nações é quase ilimitada, nas terras em que é um sacerdócio e não um simples meio de especulação.

É ela o mais poderoso elemento da ordem, da liberdade e da civilização e a fonte de luzes para os indivíduos e as sociedades;

É o fiel da balança que estabelece a igualdade entre o débil e o poderoso; [...].

É o mais precioso dos direitos e a primeira garantia do homem e do cidadão, segundo a constituinte francesa de 1791;

É o 6º sentido dos povos, na opinião de Seyès; [...].

É finalmente, segundo Jony, em sua ‘Moral aplicada à política’, o verdadeiro milagre de Pentecostes, que em línguas de fogo fez baixar a verdade dos céus sobre as cabeças dos apóstolos!174

Os seus discursos inflamados em defesa de uma concepção liberal do progresso agrediam e desafiavam setores historicamente influentes. Não parece estranho, portanto, afirmar que sua atuação também despertou grandes inimizades e adversários. Os seus jornais estabeleceram debates polêmicos e tempestuosos com outros periódicos, os quais demonstravam uma hostilidade recíproca acerca do seu pensamento e posicionamento. Além do mais, a imprensa da segunda metade do século XIX mostrava-se bastante agressiva de maneira geral, na qual se davam ataques pessoais e retaliações de diferentes naturezas. É frequente encontrar artigos ou notas que se desdobravam em novas respostas e replicações, que poderiam arrastar-se durante várias semanas. Embora estivesse frequentemente envolvido em polêmicas, cujo instrumento de ataque ou de defesa era a imprensa, Koseritz manifestou seu descontentamento diante da postura que repetidamente era utilizada pelos periódicos brasileiros.175 Para tanto, destacou ressalvas ao comportamento da imprensa brasileira – mesmo dizendo-se livre e neutra, ela adaptava-se aos gostos do público e aos negócios. Era esse o fator, segundo Koseritz, que despertava o interesse periodista por todos os tipos de escândalo, as acusações pessoais e as insinuações, especialmente aquelas que atingiam pessoas

174 Gazeta de Porto Alegre, 11/6/1879. 175Koseritz’ Deutsche Zeitung, 11/5/1887.

socialmente destacadas, a repercussão era, consequentemente, maior, bem como o aumentado da venda de jornais.

Quase todos os homens públicos da época foram vítimas de ataque vis, por parte dessa imprensa. É uma experiência por que passaram o Barão do Rio Branco, Dantas, Silveira Martins, Osório, Otaviano e muitos outros.

Só quando o anjo da morte leva a alma do atingido é que se começa a fazer justiça ao homem. Antes estava preso a mil vícios, mas depois de morto seus vícios são imediatamente esquecidos. Entre em cena o princípio da terra: “Dos mortos não se diz senão o que é bom”.

O próprio D. Pedro II foi vítima dessa tendência. Não foi poupado de nenhuma das injustiças vulgarmente feitas contra alguém. D. Pedro II é uma espécie de “bode expiatório” dos partidos políticos.176

Frente às divergências que se constituíram na imprensa, momentos mais tensos puderam ser sentidos na queda da monarquia para a instituição do modelo republicano. A mesma “liberdade” de imprensa não foi estendida a todos os homens ligados às casas tipográficas. Koseritz, por suas convicções políticas e pelas suas inimizades, sentiu de forma direta o peso da restrição à qual foi submetido. Tudo isso o levou a um isolamento por parte dos opositores, como bem se percebe às vésperas de sua morte, no final de maio de 1890, quanto foi mantido incomunicável, durante oito dias, em uma residência, em Pedras Brancas, por doze homens enviados pela polícia. Protestou aos colegas de imprensa e representantes do republicanismo, como o fez na carta aberta dirigida a Quintino Bocaiúva, a quem chegou a chamar de “príncipe dos jornalistas brasileiros”.177 Essa carta, publicada nos jornais A Reforma e Koseritz’ Deutsche Zeitung, questionava Bocaiúva, dizendo seu autor não compreender como alguém, filho da imprensa, em cinquenta dias no poder, seria capaz de apagar as suas memórias do passado, as lutas travadas por Bocaiúva com outros homens da imprensa, lembrando-o igualmente, que sua luta contra o adversário nunca fora solitária, engajando-se “também contra a miséria, a privação exposta, como todos os que neste país veem a imprensa como sacerdócio”.

176Koseritz’ Deutsche Zeitung, 11/05/1887. Tradução de STEYER, Egon Frederico. Aspirações da população

de origem alemã, no Rio Grande do Sul, segundo a imprensa teuto-brasileira. Porto Alegre: PUCRS, 1979. Dissertação (Mestrado em História da Cultura), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 1979, p. 102.

O Governo Provisório, ao qual V.S.ª pertence, quer cercear a liberdade de imprensa? Quer oprimir pela prepotência? O sr. não pode espezinhar aqueles que fizeram do sr. o que agora é.

O sr. não pode quebrar a gloriosa arma, não pode tirar-lhe o fio, depois que com ela abriu a vereda que o levou à fama e ao poder. Como pode o sr. permitir que a imprensa seja algemada, ela que é seu elemento, força e poder? O sr. é inteligente e conhece a História e sabe, portanto, que as ideias não são passíveis de assassinato.

Pode-se matar homens, mas não se pode matar ideias. A imprensa é o dragão da fábula. Morto o dragão, do seu sangue surgem dezenas de novos dragões.

O Império, que se deixou vencer pacificamente, jamais cortou a liberdade de imprensa. Todos faziam propaganda aberta de suas ideias. A monarquia, que na opinião dos republicanos era o símbolo da opressão, dos provilégios, da corrupção, de um governo oligárquico, nunca proibiu a liberdade de imprensa.178

As críticas dirigidas ao colega Quintino Bocaiúva refletiam parte das mudanças que estavam ocorrendo também no campo da imprensa, deslocando Koseritz para outros extremos, pouco privilegiados. Seus adversários tinham, certamente, a noção da importância e da influência que poderia exercer sobre uma considerável parte da população da província do Rio Grande do Sul.

Foi igualmente nesse intuito que fora chamado à delegacia em janeiro de 1890, como a descrição que se encontra no jornal A Reforma179, reescrito no jornal do Rio de Janeiro, O Paiz180, e no jornal de Recife, A Província181, sob o título “Liberdade de Imprensa”. O texto não traz comentários ou observações acerca do ocorrido, valendo-se, exclusivamente, de citações diretas do jornal de Porto Alegre. No entanto, basta observar o título para compreender que se tratava de um ato para denunciar a problemática sobre a questão da liberdade de expressão182 na imprensa. O que chama a atenção também é a repercussão do ocorrido, e sua projeção para as regiões sudeste e nordeste, o que pode demonstrar a representatividade de Koseritz para o cenário da imprensa nacional, assim como faz ao destacar os cerceamentos à expressão na imprensa no período posterior à Proclamação da República. A reportagem faz uma exposição sobre o “convite” entregue por Castro Matto, empregado da secretaria de polícia, a Koseritz, para que

178Koseritz’ Deutsche Zeitung, 25/1/1890. Tradução de STAYER, Aspirações da população de origem alemã...,

op. cit., p. 102-103.

179

A Reforma, 28/1/1890. Koseritz, segundo a reportagem, foi chamado no sábado anterior à publicação, o que corresponde ao dia 25 de janeiro de 1890.

180 O Paiz, 8/2/1890. Esse jornal autodeclarava-se como a folha de maior tiragem e de maior circulação na

América do Sul.

181 A Província, 22/2/1890.

se apresentasse ao chefe de polícia. Foi acompanhado pelo coronel Salgado e pelo