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I. HAKKÂRİ İLİ HAKKINDA GENEL BİLGİ

I.5. Hakkâri’de Sosyal ve Kültürel Yaşam

I.5.7. Hakkâri’de Masal Anlatma Geleneği

3.4. Sembolik Çağrışım Yoluyla İşlenen Motifler

3.4.1. Akrep Motifi

Ao estabelecer-se em Porto Alegre, Karl von Koseritz foi indicado para assumir o cargo de chefe da redação do Deutsche Zeitung, a partir do dia 1º de julho de 1864, tendo em vista a grande polêmica que se instalou com seu antecessor, Theodor Freiherr von Varnbühler. Koseritz não tinha, até então, uma grande experiência como redator de uma folha alemã. No entanto, sua habilidade permitiu que ascendesse no campo da imprensa, ao mesmo tempo em que o jornal projetasse índices de popularidade crescente.

Antes mesmo de ser anunciado como redator, nos meses de maio e junho, a assinatura de Koseritz já era encontrada em textos do jornal. Citado como correspondente, publicaram-se artigos sobre germanidade, primeira estrada de ferro, condições financeiras da província, ducados europeus, igreja alemã. No dia 2 de julho de 1864, em artigo editorial, Koseritz comunicava aos leitores sobre sua entrada como redator do Deutsche Zeitung. Já nesse primeiro momento, Koseritz anunciava seu compromisso em relação ao propósito e aos serviços do jornal, sérios e pesados, segundo o seu julgamento, de contribuir para o desenvolvimento e a elevação da germanidade186 local. De qualquer forma, garantia ser um confiável defensor para os interesses da população teuta e teuto-brasileira na província. Ao rejeitar hostilidades e posicionar-se de maneira independente a casos de cisões ou de sistemas partidários, tinha somente um único objetivo e uma única direção em sua conduta como redator: elevar a germanidade local, a salvaguarda de seus direitos e interesses, e lutar pela condição do seu progresso. Em terras provincianas, declarava que o jornal não estaria ao lado de qualquer partido político, mas estaria atento às questões que pudessem causar implicações para os teutos, no que dizia respeito às leis e às injustiças. Os temas noticiados estariam relacionados a assuntos como colonização, agricultura, indústria e comércio, bem como textos sobre noticiários locais. Ainda, não faltariam produções literárias, desconhecidas pelo público, no espaço dedicado aos folhetins. Koseritz propôs participação efetiva dos seus leitores, fosse por meio de reclamações, ou pelas perguntas dirigidas à redação da folha.187

186 A palavra “germanidade”, neste caso, não está entendida no sentido de ideologia, mas refere-se, como destaca

René Ernaini Gertz em sua obra O perigo alemão, à população de origem alemã. Cf. GERTZ, René Ernaini. O perigo alemão. Porto Alegre: Editora da Universidade, 1991, p. 34 et. seq..

A partir das fontes primárias, é possível perceber que Koseritz tornou-se o mais importante porta-voz dos anseios e das necessidades dos colonos teuto- brasileiros, coerente com aquilo que anunciou em seu programa. Não era, portanto, diferente da conclusão levantada pelo viajante Johann Jakob von Tschudi, ao ler um dos números do Deutsche Zeitung, e constatar, por meio de um comentário, o ânimo de seu editor, que era dirigido aos interesses dos colonos alemães.188

A notoriedade de Koseritz logo se fez presente. Depois de meio ano à frente como redator-chefe, articulou a execução de uma empreitada militar, que arregimentasse alemães da província para a proteção das fronteiras ao sul, tendo em vista o eminente conflito entre o Brasil e as nações vizinhas, incluindo o Uruguai e o Paraguai.189 Lembrava, em texto publicado em 17 de dezembro de 1864, que quarenta mil alemães tinham feito do Rio Grande do Sul a sua nova pátria, e que, certamente, todos eles não gostariam que a história lembrasse aos seus filhos que, enquanto a pátria era invadida por inimigos, eles estiveram de braços cruzados.190 Nessa mobilização, a Koseritz é atribuída a ideia de organizar esses corpos de defesa, convocando uma reunião no Hotel Drügg, em Porto Alegre, em 1º de janeiro de 1865, sob a presidência de Heinrich Born.191 A discussão deu-se em torno de uma formação militar pelos alemães de diferentes núcleos, o que gerou apoio por parte de alguns e rejeição por outros. Os presentes que se opuseram à proposta valiam-se das memórias da Guerra dos Farrapos, que havia dividido alemães da colônia de São Leopoldo em tropas imperiais e farrapas. Dias depois, Koseritz criticou a decisão pela neutralidade, destacando a diferença entre os momentos da guerra civil, que haviam sido motivados por questões internas, e a situação de "agressão pelo Uruguai”, um fato propriamente voltado à política externa. Ainda diria: "Não se enganem os defensores da chamada atitude de neutralidade pois, esse inimigo, não respeitará qualquer nacionalidade estrangeira".192 Reunidos novamente no dia 15 de janeiro daquele ano, as teses divergentes voltariam à tona. Concluída a discussão, Koseritz sentiu-se satisfeito pela aprovação da criação do Corpo de Defesa, o qual seria constituído em torno de 150 membros locais. Fato é que, em torno desse grande entusiasmo empreendido pela defesa dos interesses nacionais,

188

TSCHUDI, Johann Jacob. Reisen durch Südamerika. Leipzig: F. A. Brockhaus, 1867, Volume 4, p. 12.

189 Cf. BECKER, Klaus. Alemães e descendentes do Rio Grande do Sul na Guerra do Paraguai. Canoas:

Hilgert PAH & Filhos Ltda, 1968.

190

Deutsche Zeitung, 17/12/1864.

191 Heinrich Born também foi um Brummer. 192 Deutsche Zeitung, 7/1/1865.

sua figura tornou-se mais pública e admirada.193 Durante o ano de 1865, foram frequentes os seus discursos pelo alistamento nas unidades militares, chamadas de "Voluntários da Pátria", embora defendesse, igualmente, os colonos alemães que se encontravam em situações mais vulneráveis, como pais de família, filhos únicos de viúvas e viúvos com filhos menores. Chegou a denunciar a convocação forçada, junto à presidência da província, valendo-se da realidade local de muitas regiões coloniais, como as péssimas condições financeiras de muitos homens, que recentemente haviam iniciado o cultivo da terra, encontrando sérias dificuldades nas primeiras colheitas.194

Nesse mesmo momento, o Deutsche Zeitung passava a noticiar as principais ocorrências em relação à recém deflagrada Guerra do Paraguai. Para a cobertura dos fatos, Koseritz enviou o colaborador Otto Stieher, para ser o correspondente do jornal, a fim de objetivar as informações do conflito, ao contrário daquilo que, para ele, fazia a imprensa nacional, um discurso excessivamente tendencioso. A ele pode ser atribuída a autoria dos artigos editoriais sobre o conflito sul-americano. Nos anos de guerra, os textos de Stieher foram sendo publicados, e forneciam um panorama das batalhas e das consequências devastadoras que elas deixavam para trás. Conforme Klaus Becker, esse correspondente "fazia bons relatos da campanha para Carlos von Koseritz, e o público ledor do 'Deutsche Zeitung'. No final de suas cartas sempre transmitia notícias sobre a situação dos alemães e descendentes".195 Para Koseritz, a salvação e o futuro do grande Império dependiam dessa grande batalha, ao mesmo tempo em que o Brasil detinha importantes vantagens para vencê-la, como resistência, conhecimento e energia.196 Ao longo de cinco anos, a pauta de considerável parte dos números ocupou-se com a Guerra Grande, que se encerrou definitivamente, em 1870. O seu desfecho poderia trazer tempos de paz, mas para os mais críticos, o saldo não era nada animador para o Brasil, como as observações de Koseritz acerca do término da guerra. Com considerações pessimistas, mesmo com a vitória do Brasil, anunciava o jornal: "A guerra então está acabada e as tropas

193

BECKER, Imprensa em língua alemã..., op. cit., p. 274-275.

194 Deutsche Zeitung 15/7/1865; 30/8/1865. Nesse jornal, Koseritz expôs o nome de 39 colonos convocados para

a Guerra do Paraguai, todos eles com mais de um filho menor, entre eles Mathias Rockenbach (3), Johann Ludwig (5), Franz Bastian (2), Peter Martin (4), Peter Kuhn (2), Nikolaus Weizmann [sic] (3), entre outros. Mais tarde, pela atuação de Koseritz, os homens foram liberados, e uma nota de agradecimento foi publicada ao presidente provincial. Cf. Deutsche Zeitung, 27/0

9/1865; 4/10/1865.

195 BECKER, Klaus. Alemães e descendentes..., op. cit., p. 87. 196 Deutsche Zeitung, 3/12/1864.

retornam para casa. Porém, em virtude dela nós ainda não temos a paz, pois somente agora começa a luta contra a ruína e a miséria".197 Eram constatações duras para um país que se envolvera em desgastantes batalhas ao longo de cinco anos. “Lutou-se por nada”, dizia Koseritz, uma vez que o país retornava do Paraguai mais pobre do que antes, e deixava como dívida ao Império a ruína e a perda da honra. Por outro lado, não desmereceu a atuação de alemães e teuto-brasileiros na Guerra do Paraguai, mesmo que reclamasse da demora na composição das forças brasileiras. Elogiou a organização das festividades realizadas em São Leopoldo, quando da chegada do Imperador D. Pedro II, para reforçar a formação de novas fileiras por voluntários, bem como ao retorno do Batalhão Nº 39, em 1870.198 Composto por aproximadamente quinhentos homens, esse grupo contava com um número expressivo de pessoas de origem alemã. A eles, Koseritz fez referências enaltecedoras, publicando grande parte dos nomes na edição de 4 de maio de 1875, do Deutsche Zeitung.

Sem esmiuçar e esgotar aqui as possibilidades de análise, interpretação e compreensão da produção de Koseritz na imprensa, o que se fará nos capítulos a seguir, vale lembrar que a pauta do redator do Deutsche Zeitung contemplou aspectos sobre a germanidade, em especial às reivindicações da população teuta e teuto-brasileira nas colônias da província, dedicou escritos à agricultura, ao modelo de colonização norte-americana envolvendo alemães, e abriu seções para descrever as condições das regiões coloniais, como a colônia de Santa Maria da Soledade, colônia de São Pedro d’Alcântara, colônia de São Leopoldo, colônia de Monte Alverne, colônia de Santa Fé, colônia de Conventos, colônia de São Lourenço, colônia de Santa Cruz, entre tantas outras. Ainda, redigiu artigos para tratar sobre política, em especial sobre o processo de naturalização dos imigrantes, os direitos aos não-católicos, a formação dos ministérios e as rixas partidárias.

Já na década de 1860, também surgiram os primeiros textos que se dedicavam a censurar a atuação dos jesuítas. Tal aspecto intensificou-se nos anos de 1870, quando foram recorrentes as críticas dirigidas à Companhia de Jesus. Para tanto, basta lembrar o episódio dos Mucker do Ferrabraz, e do posicionamento crítico de Koseritz frente aos jesuítas, a partir desse incidente, dos textos que condenavam a religiosidade e a Igreja – católica e protestante – ou a mobilização

197 Deutsche Zeitung, 8/1/1870.

que empreendera em prol da maçonaria. Enfim, é na década de 1870 que o Deutsche Zeitung, pela redação de Koseritz, passou a assumir um posicionamento fortemente marcado pelo anticlericalismo. Aliado a esse tema que tão bem define uma de suas frentes de atuação, os textos sobre a cientificidade – filosofia, monismo, Tobias Barreto, Silvio Romero, estudos etnográficos – igualmente, aparecem com destaque na mesma década. Há, de fato, uma grande produção, ao mesmo tempo em que é múltipla e, portanto, heterogênea.

Em 1874, esse mesmo programa passava a ser ampliado, apresentando-se ao público leitor o Koseritz’ Deutscher Volkskalender199, um almanaque que conquistou significativo destaque, sob direção de Karl von Koseritz até 1890. A análise aqui apresentada contemplará alguns aspectos de alguns dos exemplares editados entre os anos de 1874 e 1890, correspondendo ao ano da primeira edição e ao momento do último exemplar apresentado ao público antes da morte de seu idealizador, respectivamente. Dentro dessa perspectiva, a intenção é promover uma historicização dessa fonte impressa, reconhecendo os elementos e as condições técnicas de sua produção, averiguando os temas a serem publicados e as suas motivações, bem como as funções sociais do impresso.200 Neste mesmo sentido, Maria Helena Rolim Capelato201 sugere que a compreensão da participação de um jornal na história passa necessariamente por algumas indagações, que possam ajudar a reconhecer os proprietários, o público ao qual o periódico se dirigia, os objetivos, e também os recursos utilizados para garantir certa fidelidade em relação aos leitores.

O primeiro exemplar do almanaque Koseritz’ Deutscher Volkskalender foi publicado no ano de 1874. Karl von Koseritz partia da constatação de que os almanaques vindos da Europa, escritos para os alemães europeus, não preenchiam as aspirações dos teuto-brasileiros. Assim, apresentava a um público específico uma espécie de “livro” para toda a família, com o “objetivo de falar sobre as relações e agir profundamente sobre a vida das pessoas” para as quais ele se destinava. Segundo as suas palavras, reconhecia nos almanaques a vantagem e a capacidade de influência que poderiam exercer, fosse nos povoados ou no próprio seio familiar.

199 O Koseritz’ Deutscher Volkskalender circulou entre os anos de 1874-1918 e 1921-1938.

200 LUCA, Tânia Regina de. História dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, Carla Bassanesi (org.).

Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, p. 111-153, 2006, p. 132.

201 CAPELATO, Maria Helena Rolim. Imprensa e História do Brasil. São Paulo: Editora da USP, 1988, p. 13-

Eram essas as principais motivações que o levaram a publicar o seu próprio calendário. Ao justificar o nome escolhido para o impresso, Koseritz assim escreveu na primeira edição, em 1874:

Não foi por arrogância e vaidade que dei meu nome para esta publicação. Eu fiz isso para deixar claro, desde o início, a tendência que ele vai assumir. Assim esse livro chama-se Koseritz’ Deutscher Volkskalender, e cada um saberá qual a direção que ele tomará. Se já no primeiro ano me foi permitido dar uma feição, o que não é tarefa fácil, os leitores avaliarão. Eu fiz tudo para elaborar este almanaque. Espero para os próximos anos brindar os leitores com mais variedades.

O almanaque irá receber e levar adiante, nos próximos anos, somente trabalhos originais, trazendo relatos da vida alemã local, como matérias sobre a germanidade na província, biografia de homens que se destacaram, estudiosos destacados, ensaios, dissertações, artigos esclarecedores sobre agricultura, indústria rural, humor, interesses comunitários. A parte estatística deste livro, que para o nosso público é uma necessidade, será engrandecido e trabalhado com muita dedicação, de forma que o almanaque, ao mesmo tempo, seja um livro estatístico desta província. Também, os pontos de distribuição, que atualmente abrangem 35 locais desta província, serão melhorados e aumentados com a preocupação e a necessidade de ir ao encontro do público alemão.202

As edições consultadas do Koseritz’ Deutscher Volkskalender seguiam as linhas gerais de todos os almanaques de língua alemã publicados na província. Apresentavam-se “dados de referência à cronologia e o calendário civil dividido em meses, acompanhado do calendário lunar, natural e de festividades profanas e religiosas”203, até mesmo dados sobre o nascente e o poente do sol para os dias do ano. As páginas iniciais eram seguidas, então, por textos, artigos, contos, instruções práticas sobre o dia a dia nas cidades e nas colônias, como tabelas com pesos e medidas, taxas postais e telegráficas, listagem de serviços e comércio nas principais colônias alemãs e orientações gerais que correspondiam à lida com os animais e com a agricultura. Em outros momentos, até informações jurídicas passaram a estar dispostas e comentadas em seções finais do almanaque.

A cada nova edição, o almanaque apresentava-se como guia prático aos leitores, instruindo, de maneira especial, os imigrantes alemães e seus descendentes. É neste propósito que Koseritz lançava o almanaque de sua própria

202Koseritz’ Deutscher Volkskalender, 1874, p. III-IV.

203 GRÜTZMANN, Imgart. Almanaques em língua alemã na América Latina (1895-1941): aproximações

autoria e seus esforços manifestavam-se, positivamente, no intuito de consolidá-lo no contexto da imprensa da província.

Almejo ter a graça de ser fiel ao público do meu calendário para que nos próximos anos possa com ânimo e amor trabalhar na sua elaboração. Eu tenho enorme desejo de dar aos teuto-brasileiros um verdadeiro e merecido livro da família, e isto vai acontecer [...].

Meus queridos colaboradores, agradeço muito pela ajuda e entrego ao público o 1º ano do meu calendário, com a esperança de que isto, ainda durante longos anos, seja um amigo em todos os lares alemães da província, onde é seu lugar, com todos os esclarecidos, independentes e homens pensantes.

Porto Alegre, em setembro de 1873 K. von Koseritz.204

A circulação entre os habitantes teuto-brasileiros dependia, inicialmente, dos 35 locais mencionados por Koseritz, dispostos em diferentes áreas coloniais e urbanas, e listados nas últimas páginas do almanaque. Normalmente, eram locais ligados a casas comerciais ou a pessoas específicas de representação social na colônia alemã, pelos quais o leitor encomendava o número e, mais tarde, retirava o seu exemplar. Com o passar dos anos, é possível constatar que houve uma expansão em relação ao número de locais que se apresentavam como referência de distribuição do impresso.

A composição física do almanaque aproximava-se ao formato de um livro. Essa constatação pode ser encontrada, inclusive, nas referências que Koseritz fazia aos seus exemplares, chamando-os frequentemente de “livro da família”. Em média, eram apresentadas ao público em torno de 220 páginas, ocupadas com as mais diferentes informações, textos e anúncios. A editora responsável pela impressão está marcada na capa dos almanaques, relacionada ao nome da Verlag Walther Kühn. Koseritz cita-o na primeira publicação, ao relatar que o editor não economizou esforços e custos para dar uma ampla visibilidade ao almanaque, referindo-se a Kühn. Walther Kühn estava ligado à expedição do jornal alemão, também editado em Porto Alegre, conhecido como Deutsche Zeitung.205 Nesse jornal, também podem ser encontradas as propagandas anunciando a edição de um novo

204

Koseritz’ Deutscher Volkskalender, 1874, p. IV.

205 Na primeira década de existência do almanaque, é possível identificar várias chamadas comerciais do jornal Deutsche Zeitung. Em um dos anúncios (1875), apresentou-se uma divulgação da tipografia deste jornal,

oferecendo serviços de impressão – placas, faturas, tabelas, circulares, programas, cartões de banco, etc., produzidos com tipografia veloz e escrita moderna, execução rápida e limpa, a preços populares.

número.206 Como Koseritz era diretor deste jornal desde 1864, é possível reconhecer um projeto de imprensa comum, que se manifestava a um público específico por meio do jornal e do almanaque.

Tânia Regina de Luca ressalta que para o estudo dos impressos é fundamental perceber as características envolvidas para a composição de materialidade, bem como dos seus suportes, no intuito de estabelecer os parâmetros históricos para a sua existência.207 Neste sentido, cabe reconhecer que a utilização de recursos tipográficos mais aprimorados, nessa época, envolvia custos mais elevados. A bibliografia sobre o assunto aponta que a imprensa do século XIX envolvia poucas pessoas, e o trabalho era realizado de maneira artesanal e por prelos simples. Assim, é possível apontar essas mesmas características ao almanaque de Koseritz, uma vez que a paginação do calendário anual apresentava uma estrutura simples e primária, resultado do trabalho manual dos operadores de linotipos.

Koseritz reforçava, igualmente, que as preocupações com as características do impresso seriam uma constante, expressas pelo uso do papel de melhor qualidade e pela presença de suplementos com ilustrações, como forma de garantir a expansão do calendário. A mesma ideia está registrada na contracapa do almanaque de 1874, numa manifestação aos leitores, assinada por Kühn. No entanto, a constatação que se pode encontrar nos exemplares subsequentes demonstra que o uso do papel não variou, e que foram poucas as ilustrações incorporadas ao impresso, visualizadas como exceção, nas edições de 1877 e 1888, na seção de humor.

Inicialmente, a repercussão provocada pela circulação do novo almanaque atingiu as intenções de Koseritz, que comemorava com entusiasmo os resultados do primeiro ano, pois, segundo ele, mais que o dobro das despesas havia sido coberto com a quantidade de pedidos solicitados para aquisição do almanaque. Lamentava, no entanto, que pelo menos a metade dos pedidos não pôde ser atendida, comprometendo-se a atender todas as solicitações. Por outro lado, anunciava-se, antecipadamente, a elevação para o número de dez mil exemplares para o segundo ano do almanaque, com o objetivo de cumprir com todos os pedidos.

206

Nas propagandas sobre o lançamento de uma nova edição, apresentavam-se, preliminarmente, o seu conteúdo, estratégia para despertar o interesse dos leitores. Cf. Deutsche Zeitung, 13/6/1874.

A manutenção e os custos para a publicação advinham do valor das