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IŞIĞIN SES FREKANSI ARASINDAKİ İLİŞKİNİN ZAMAN VE FREKANS ANALİZİ

Acercar-se das questões em torno do “popular” é algo complexo e de difícil execução. Contudo, a fim de compreender sua acepção, neste estudo, faz-se necessário refletir sobre alguns de seus entendimentos, especialmente a partir dos meados do século XX e início deste século XXI, para daí situar estudos interessados nas manifestações do que se apresentam como aspectos da inteligência popular e sua possível contribuição na construção para uma práxis não elitista, na Alfabetização de Jovens e Adultos.

Muito se tem discutido sobre o termo popular e seus significados. Esta temática vem sendo problematizada há décadas, por diversos pensadores, em busca de uma adequada qualificação e utilização desse “adjetivo”. Mas como compreender clara e criticamente seu significado? Segundo Beisiegel (1979, p.2) “[...] o uso do adjetivo “popular” enquanto instrumento de qualificação de certa

cultura ou de um particular processo educativo é reconhecidamente problemático. O termo envolve alto teor de indefinição, apenas sugere mais do que esclarece [...]”.

Etimologicamente, Popular significa algo adequado a povo, oriundo dele. Assim, entendemos que o termo popular é relativo a povo que pertence a uma determinada nação e, que por sua vez tem sua cultura da quem “todos”, em tese, comungam. Porém, isso não expressa que a ideia de popular, entendida como povo, represente categoricamente um todo universal, especialmente quando lembramos dos conflitos e das diferenças sociais e de classe existentes nas sociedades espalhadas em diversos países do mundo. Nesse sentido, a expressão povo também é complexa e passa por indeterminações em sua conceptualização.

Sobre isso, Vale (2001, p.54-55) nos diz que:

Da mesma forma que o termo ‘popular’ possui empregos problemáticos encerrando alto teor de indefinição, conceito de povo igualmente apresenta-se problemático e impreciso. Povo, para uns, pode significar o conjunto de indivíduos, cidadãos iguais de uma determinada sociedade cuja homogeneização social inclui ‘indistintamente’ os oprimidos, os opressores, os intelectuais, os analfabetos, os profissionais liberais, os empresários, a população marginal.

Pensar assim é aceitar a ideia de que em uma sociedade seríamos considerados todos iguais, independentemente de cor, raça, sexo, classe social ou nível educacional. Segundo Vale (Op. cit.), “essa é a visão propagada pela classe dominante na tentativa de escamotear as desigualdades sociais existentes no seio de uma sociedade de classes”. Importante ressaltar, que os negócios que movimentam o desenvolvimento econômico de uma nação, nem de longe abrangem os interesses do povo, das massas populares, da maioria excluída; limita-se a atender uma minoria dominante, preocupada com o crescimento de seu patrimônio, fazendo alianças comerciais, concentrando riquezas através da exploração das massas trabalhadoras. No dizer de Damasceno (Apud VALE, 2001, p.56.):

Povo, longe de significar uma homogeneização social, significa antes de tudo diversidade. Essa diversidade nos remete ao “conjunto dos explorados [...] sintetizando a situação de opressão das classes trabalhadoras e a identidade histórica forjada pela resistência a essa opressão.

Paludo nos diz que, “Historicamente, o popular, a partir do projeto da Modernidade, foi e continua sendo o povo; os não povo sempre foram os com dinheiro e os com poder e cultura” (In PONTUAL, 2009, p.48). Nesta perspectiva, povo representa uma maioria, “sem dinheiro”, sem poder e com uma cultura distinta da minoria.

Em busca de um marco conceitual para o termo popular, Neto (In BRENNAND, 2003, p.44) enfatiza Freire, ao assinalar, “o entendimento de popular como sinônimo de oprimido; É aquele que vive sem condições elementares para o exercício da cidadania, considerando que também está fora da posse e uso dos bens materiais produzidos socialmente”. Nesse sentido, Freire refere-se à maioria numérica desfavorecida da sociedade, vista ‘apenas’ como massa trabalhadora para atender aos reclames de uma minoria dominante. Assim, o oprimido acena para aqueles e aquelas a quem foram negados direitos humanos e sociais: direitos básicos de cidadania: saúde, trabalho, educação e igualdade jurídica.

Entretanto, é imprescindível acrescentar neste debate, que o termo popular não anuncia somente o que está intimamente ligado à penúria, à pobreza e à miséria das pessoas, porque popular pode ser entendido, sobretudo, através de uma maior expressão e significado, como “uma concepção de vida e da história que as classes populares constroem no interior das sociedades democráticas; está, necessariamente, ligada à questão da qualidade de vida das pessoas [...]” (VALE, 2001, p. 55-56).

Popular é, então, tudo o que representa e que tem origem do povo, das maiorias, de suas experiências de vida, que possa ampliar os canais de participação ativa e cidadã, resgatando sua visão de mundo seus interesses e saberes. Nessa direção, é importante ressaltar que “popular adquire uma plasticidade conceitual, exigindo para os dias de hoje, uma definição que, rigorosamente, passa por movimentos dialéticos intrínsecos ao próprio conceito, inserido no marco teórico da tradição e atualização para as atuais exigências” (NETO In BRENNAND, 2003 p.51, grifo do autor).

Portanto, entender o popular é, entre outros aspectos, entender uma expressão que representa o interesse do povo, das massas; É dar ouvidos aos sussurros, ao eco dessas pessoas, é dar valor devido aos sujeitos “ocultos” da história. E, dar vivacidade às suas existências e enunciações, no sentido de

reconhecer seus saberes, ofuscados pela historiografia oficial, quebrando o silêncio e revelando suas influências ante o mundo.

Dessa forma, atribuir a devida importância aos sujeitos “ocultos” da sociedade é, sobretudo, nos juntarmos a eles, e com eles tentarmos construir uma nova biografia por meio de uma educação que promova uma condição de vida mais justa, mais humana e com mais equidade, no sentido do que Freire chamava de pedagogia do oprimido “aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade” (2005, p.34, grifo do autor).

Diante de tais argumentos, o movimento popular sugere uma educação que represente os sujeitos populares e, junto com eles possa ampliar seus horizontes, diante de si mesmos e do mundo que os cercam. Daí a seriedade de compreendermos a Educação Popular “[...] comprometida com os segmentos populares da sociedade, cujo objetivo maior deve ser o de contribuir para elevação de sua consciência crítica, do reconhecimento da sua condição de classe e das potencialidades transformadoras inerentes a essa condição” (VALE, 2001, p. 57).

Daí existir, imprescindivelmente, uma ação pedagógica não para o oprimido, mas a partir dele. Não é possível promover uma educação que não os reconheça como “sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos” (FREIRE,1996, p.19). Freire ainda afirma que, “é por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou adultos, que devemos lutar” (Ibidem, p.17)

Portanto, como advoga Freire, a educação popular foi pensada para exercer uma função conscientizadora e libertadora, numa proposta de ação educativa que pudesse promover a valorização dos sujeitos populares em suas variadas dimensões, reconhecendo-os como agentes portadores de saberes próprios, capazes de construir e reconstruir suas próprias histórias ante as adversidades do mundo contemporâneo. “As experiências significativas de educação popular na América Latina e no Brasil comprovam que o povo sabe acumular historicamente, tem sua sabedoria, suas formas de expressão próprias, sua lógica do mundo cotidiano, sua simbologia e sua linguagem” (WANDERLEY, In GADOTTI, 1994, p.64). Assim, a educação popular pode, em seu contexto, a partir dos saberes provenientes dos sujeitos populares, fomentar uma aprendizagem que estimule a

consciência crítica dos educandos, o diálogo e a participação cidadã, possibilitando uma melhor leitura da realidade política, social e econômica circundante.

2.6.2 O Popular na Educação: reconhecendo os saberes populares no espaço