• Sonuç bulunamadı

ORTA GELİR TUZAĞINDAN ÇIKIŞTA KAMU TEŞVİK POLİTİKALARI VE SEÇİLMİŞ ÜLKE EKONOMİLERİ

3.2. Seçilmiş Ülke Ekonomileri ve Teşvik Politikaları

3.2.5. Hong Kong Ekonomisi ve Teşvik Politikaları

Neste estudo, buscamos tratar de uma das formas de alteridade no discurso, a relação entre diferentes vozes que o locutor põe em cena para argumentar. Fundamentados nos conceitos da ANL, em sua terceira forma, a TBS, em que os autores analisam a argumentação como conjunto de encadeamentos constituídos de dois segmentos interdependentes, analisamos seis discursos, buscando perceber como diferentes vozes, entendidas como pontos de perspectiva, colaboram na construção de sentidos.

Em todos os discursos pudemos observar sua estruturação com base no confronto entre vozes discursivas, que se fizeram notar pela análise da polifonia, especialmente. Esse jogo entre pontos de vista permitiu-nos a

percepção do movimento argumentativo e, assim, da construção das argumentações que dão conta do sentido de cada discurso.

Diversos pesquisadores35 que tiveram como propósito estudar o discurso pela ANL percorreram esse caminho bem antes de o trilharmos e chegaram a conclusões importantes. Dois deles, a saber, Azevedo (2003) e Freitas (2006)36 se propuseram inclusive a construir uma metodologia de análise de discursos com base nessa abordagem teórica. Com trabalhos distintos, evidenciando que a ANL fornece um aparato que possibilita a descrição de entidades linguísticas de nível complexo, como o texto e o discurso, ambos chegaram a considerações fundamentais para trabalhos que seriam realizados posteriormente. Uma delas, dita de forma bastante simplificada, é que o valor semântico dos discursos pode ser descrito por meio de blocos semânticos.

De modo geral, podemos afirmar que na síntese da argumentação de cada discurso analisado em nosso trabalho, chegamos à construção do bloco que lhe confere sentido. Entretanto, ao olhar para o tema a partir da noção de alteridade, partindo do pressuposto de que ela é constitutiva da linguagem, observamos que os discursos do corpus poderiam ser representados não apenas pelo bloco semântico, mas por uma sucessão de encadeamentos que refletem o confronto entre as vozes que o integram. Em outras palavras, para construir o seu ponto de vista no discurso, o locutor recorre a outros tantos, especialmente aos que ele se opõe.

Nesse sentido, a alteridade começa a se mostrar de forma mais evidente na constituição de todo o discurso. Ela, inicialmente, possibilita a existência da língua, pois ao colocá-la em uso, há um locutor que deseja interagir com o

35 Para citar alguns trabalhos:

BARBISAN, Leci Borges. A construção da argumentação no texto. Letras de Hoje. Porto Alegre, v. 37, n. 3, p. 135-147, set, 2002.

DELANOY, Cláudio Primo. Uma definição de leitura pela Teoria dos Blocos Semânticos. 2008. 96 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Faculdade de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

ORTMANN, Paula Dreyer. Por um estudo argumentativo da narrativa. 2010. 98 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Faculdade de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. RÖRIG, Cristina. A leitura em língua inglesa pela teoria da argumentação na língua. 2008. 106 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Faculdade de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2007.

36

Seria bastante difícil e também pouco prudente tentar resumir dois trabalhos de tamanha importância em tão poucas palavras. Ambos são importantes fontes de consulta. Ver referências.

outro. Essa relação corresponde às noções de subjetividade e de intersubjetividade na linguagem, por meio das quais temos que alguém diz ―eu‖ diferenciando-se de um ―tu‖; um se constitui pelo outro. Partindo desse sentido, o valor proposto por Saussure pode ser encontrado em todos os níveis de análise linguística – da palavra ao discurso.

Em uma palavra, a troca de um fonema por outro produz oposição entre sentidos (/fala/,/bala/), já explicava Saussure ([1916] 2000) em termos fonológicos. No enunciado, visto como uso da língua, a combinação de diferentes palavras interrrelacionadas, provenientes da escolha lexical feita pelo locutor, produz sentidos particulares. No caso do discurso, além dessa relação sintagmática fundamental, encontramos outra relação, a qual poderíamos assumir o risco de vincular também ao eixo do paradigma – aquela que relaciona diferentes discursos que estão explícitos no discurso ou que são por ele evocados.

Nesse contexto então, além de estar presente na constituição do signo, internamente no sistema da língua, e na sua relação exterior com outros signos, a alteridade permeia toda a linguagem. Pela enunciação, anunciada por Saussure e desenvolvida por Benveniste, temos a relação entre o sistema e o uso da língua, entre significação e sentido, entre frase e enunciado, entre texto e discurso. Por outro lado, internamente ao discurso, decorrente da enunciação, temos a relação entre palavras, enunciados e discursos.

Essa remissão a outros discursos, que é nosso centro de interesse, proposta por Bakhtin, especialmente pelo dialogismo, e vista por Authier-Revuz como a heterogeneidade constitutiva, teria muitas formas que mereceriam ser investigadas. Acreditamos que uma delas é a partir da argumentação. De que o discurso é por natureza polifônico, já tínhamos muitas evidências, mas o modo como essa confrontação de vozes colabora para a argumentação ainda precisava ser desvelado (ou, ao menos, começar a sê-lo).

Nos diferentes discursos analisados, percebemos que a argumentação do locutor (aquele com estatuto mais abrangente e que insere outras vozes em seu discurso) é pautada na construção de dois encadeamentos, que remetem a

outros locutores e/ou enunciadores. Esses dois encadeamentos são ligados por um articulador do tipo mas que é, vale lembrar, um constructo teórico, percebido pelo analista da linguagem na descrição semântica. De modo bem amplo, podemos dizer que seu papel, segundo Ducrot (2009), é o de ligar argumentações, comparando-as.

Ducrot (2009), no prefácio ao livro de Carlos Vogt já afirmava que tudo na língua é comparação, ou, pelo menos muita coisa – ―muito mais do que se pensa atualmente‖. Partículas como o mas, entre outras, serviriam para realizar comparações implícitas, terminando sempre por confrontar dois dados, por colocá-los na balança, seja fazendo uma concessão, seja expressando uma compensação, etc. Em nosso trabalho, podemos perceber que essa comparação também se estende à constituição do discurso como um todo, que apresenta, de uma ou outra forma, um confronto entre vozes distintas.

Para que possamos retomar essas argumentações baseadas na relação entre dois pontos de vista mais facilmente, reproduzimos suas relações no quadro que segue:

Discurso Especificação Argumentação

Discurso 1 publicidade sopa Sadia neg-ser sopa de qualidade DC neg-ser sopa Sadia MAS

ser sopa de qualidade DC ser sopa Sadia Discurso 2 tira Calvin neg-ser mais criança DC neg-andar na cacunda

MAS

ser criança DC andar na cacunda Discurso 3 Não vale o que está

escrito, de Clóvis Rossi

prometer DC cumprir MAS

prometer PT neg-cumprir Discurso 4 Educação para a

cidadania, de José Clóvis

neg-educação para a cidadania DC neg-relevância social

de Azevedo MAS

educação para a cidadania DC relevância social Discurso 5 Correspondência, de Luis

Fernando Verissimo

neg-viver patologia social PT ter consciência da patologia social

MAS

viver patologia social PT neg-ter consciência da patologia social

Discurso 6 A incapacidade de ser verdadeiro, de Carlos Drummond de Andrade

inventar histórias DC mentir MAS

inventar histórias PT neg-mentir