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2.5. Çalışma Yaşamı Kalitesini Oluşturan Unsurlar

2.5.1.1. Hava Koşulları

Na Sociolinguística, oferece-se ao falante não um sistema unitário e imutável, que se impõe irredutivelmente, mas um sistema sobre o qual o falante, de acordo com a prática linguística em questão, seleciona, entre as variedades existentes, a que deseja utilizar. Há a

21[...] la sociolingüística es uma disciplina independiente, com una metodología propia, desarrollada

principalmente en los Estados Unidos y Canadá a partir de los años sesenta, que estudia la lengua em su contexto social e se preocupa esencialmente de explicar la variabilidad lingüística , de su interrelación con fatores sociales y del papel que esta variabilidad desempeña en los procesos de cambio lingüístico. (SILVA-

concepção da heterogeneidade, opondo-se, inclusive, à visão anterior de que a comunidade de fala é normalmente homogênea. Resgata-se, também, sob essa perspectiva, a historicidade, isto é, o processo histórico de constituição da língua.

Embora algumas pesquisas já haviam sido realizadas, ou estavam sendo, como já mencionado, foi com os estudos da comunidade de Martha’s Vineyard (dissertação de mestrado – 1962) e da estratificação social do inglês falado em Nova Iorque (tese de doutorado, publicada em 1966), de William Labov, que se estabeleceram as bases teórico- metodológicas da pesquisa Sociolinguística Variacionista e, assim, pôde-se reabrir a questão da mudança linguística, muitas vezes descartada, segundo a corrente teórica em voga. Assim como Meillet, Labov define a língua como um fato social.

Deve estar claro, quanto à mudança linguística, que não há interpretações únicas. Os julgamentos dependerão da orientação teórica adotada. As concepções que apreendem a língua como resultado de um longo e ininterrupto processo histórico, motivado, entre outros, por aspectos sociais, como é o caso da Sociolinguística, tomam a mudança linguística como “um processo contínuo e o subproduto inevitável da interação lingüística” (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 2006, p. 87). Nessa perspectiva, procura-se acompanhar a história social e cultural dos falantes, correlacionando-a com a história da língua, buscando sempre realizar o encaixamento estrutural e social dos fenômenos da mudança.

Nesta pesquisa, a noção de língua adotada é a que a toma sob a perspectiva da visão sociointeracionista. Considera-se a linguagem como um conjunto de atividades e uma forma de ação, tornando-se inaceitável a língua como sistema autônomo e como simples forma. Como assegura Faraco (2005, p.24), “A língua é uma realidade heterogênea, multifacetada, e as mudanças lingüísticas emergem dessa heterogeneidade.”

Adota-se, portanto, em muitos estudos sociolinguísticos, e em particular neste, para a análise da variação e da mudança, “em função de ser teoricamente coerente e metodologicamente eficaz para a descrição da língua” (MOLLICA, 2004, p. 14), a Teoria da Variação e Mudança Linguísticas, proposta por Weinreich, Labov e Herzog (1968) e Labov (1972, 1982, 1994, 2001).

Baseados em fundamentações empíricas, os autores propõem uma teoria que rompa com o axioma da homogeneidade, que afirma só ser possível detectar estrutura num recorte que homogeneize o objeto, tornando teoricamente irrelevante a variabilidade. Pregam, ao contrário, o axioma da heterogeneidade ordenada. “Buscam assim caminhos teóricos para harmonizar os fatos da heterogeneidade (a língua como uma realidade inerentemente variável)

com a abordagem estrutural (a língua como uma realidade inerentemente ordenada).” (FARACO, 2006, p.13).

Percebe-se que, na visão desses estudiosos, há a aceitação de variações, e possíveis mudanças, no interior das línguas, motivadas por aspectos linguísticos e outros externos, propiciando uma descrição mais real do funcionamento do objeto de estudo de todos aqueles que se dedicam à Linguística, isto é, a língua. Assim:

A chave para uma concepção racional da mudança lingüística – e mais, da própria língua – é a possibilidade de descrever a diferenciação ordenada numa língua que serve a uma comunidade. [...] Um dos corolários de nossa abordagem é que numa língua que serve a uma comunidade complexa (i.e., real), a ausência de heterogeneidade estruturada é que seria disfuncional. (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 2006, p.36)

Em relação às mudanças, tem-se que qualquer parte da língua pode mudar, desde aspectos fonéticos até aspectos de sua organização semântica e pragmática. Podem ocorrer isoladas, mas também podem estar inter-relacionadas. Mesmo que os falantes não as percebam, as mudanças sempre estão ocorrendo. Às vezes, podem se dar de forma discreta, abrupta – uma mudança simultânea de gramática por parte de um grande número de falantes, apesar da improbabilidade desse acontecimento –, mas a maioria das investigações mostra que se dão de forma lenta e gradual. Isso porque, além de ter que se garantir a intercomunicação permanente dos falantes,

Pode-se considerar que o processo de variação lingüística se desenrola em três etapas. Na origem, a mudança se reduz a uma variação, entre milhares de outras, no discurso de algumas pessoas. Depois ela se propaga e passa a ser adotada por tantos falantes que doravante se opõe frontalmente à antiga forma. Por fim, ela se realiza e alcança a regularidade pela eliminação das formas rivais. (LABOV apud CALVET, 2002, p. 87)

Nota-se que a variação – condição essencial para que se dê a mudança – ocorre, justamente, quando duas ou mais variedades passam a se confrontar dialeticamente no universo das relações sociointeracionais.

Cabe ainda mencionar que, embora seja uma das características da mudança a sua regularidade, esta se apresenta relativizada. Os processos de mudança são complexos, não sendo, em alguns casos, uniforme a sua difusão, tanto no interior da língua quanto entre os diversos grupos de falantes.

Embora inicialmente grande parte dos estudos variacionistas tenha abordado apenas os sons da língua – isso se deve às próprias características das variações no nível fonético, que são, usualmente, mais frequentes que fenômenos de natureza sintática ou morfológica e que

não envolvem relações de significado lexical ou gramatical –, para que a Teoria da Variação e Mudança Linguísticas contribua ao estudo da língua em seu contexto social, assim como esclarece Labov (2008), todos os tipos de variação, nos níveis fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico, lexical e pragmático da língua, merecem atenção e devem ser investigados.

Quando o estudo se circunscreve às premissas da Sociolinguística Variacionista, considera-se a variabilidade inerente ao fenômeno linguístico, como já mencionado. No entanto, necessita-se ir além desse reconhecimento; observações minuciosas das correlações entre as variedades linguísticas e fatores sociais, geográficos e estilísticos devem ser feitas. Como afirmam Weinreich, Labov e Herzog (2006, p. 107):

Certamente não basta apontar a existência ou a importância da variabilidade: é necessário lidar com os fatos de variabilidade com precisão suficiente para nos permitir incorporá-los em nossas análises da estrutura lingüística.

Às alternâncias condicionadas por fatores sociais, dá-se o nome de variação

diastrática; às justificadas por questões geográficas, variação diatópica, e às variedades

motivadas por ambientes de interação e estilo, variação diafásica. Relevante, quanto ao terceiro tipo de variação, é o fato de que o uso de cada variante não é homogêneo no nível do indivíduo. Dependendo do contexto em que se encontra (mais ou menos formal), o locutor usa ora uma, ora outra possibilidade. Segundo Camacho (2001, p. 60),

A variação estilística ou de registro é o resultado da adequação da expressão às finalidades específicas do processo de interação verbal com base no grau de reflexão do falante sobre as formas que seleciona para compor seu enunciado.

Ainda em direção a uma teoria da mudança linguística empiricamente fundamentada, Weinreich, Labov e Herzog (2006) ressaltam alguns princípios cruciais que envolvem o surgimento e a expansão de uma nova variante, a saber: os fatores condicionantes, os

encaixamentos estrutural e social, a transição, a avaliação e a implementação. Os autores

insistem nos fundamentos empíricos “por causa do descaso, consciente ou inconsciente, com os princípios empíricos que permeiam alguns trabalhos mais influentes na lingüística de hoje” (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 2006, p. 38), numa referência à abordagem associal da linguagem.

Ao explicitar os encaixamentos, apontam-se também os fatores condicionantes. Deve- se determinar o conjunto de mudanças possíveis e as condições possíveis para a mudança. Para que se obtenha uma visão adequada do condicionamento das mudanças, deve-se encaixá- las no quadro geral da estrutura e das relações sociais. Dessa forma, “[...] a tarefa do lingüista

não é tanto demonstrar a motivação social de uma mudança quanto determinar o grau de correlação social que existe e mostrar como ela pesa sobre o sistema lingüístico abstrato.” (WEINREICH, LABOV, HERZOG, 2006, p.123).

Outra característica que deve ser discutida é a maneira como as mudanças ocorrem (transição). Como já citado, as pesquisas indicam para o fato de elas não serem discretas, difundindo-se, tanto no interior da língua quanto em dimensões extralinguísticas, em tempos, situações e direções diferenciados.

A avaliação subjetiva que o falante faz da língua, da variação e, mais especificamente, da mudança pode ser determinante para o percurso da história de determinada língua. Paiva e Duarte (2006, p. 145) afirmam que Weinreich, Labov e Herzog

[...] se opõem ao pressuposto de um falante passivo, a quem a estrutura lingüística se impõe como tal. Admitem, ao contrário, um falante ativo, que pode atuar no sentido de acelerar ou reter processos de mudança na língua da comunidade, na medida em que se identifica com eles ou os rejeita.

Quanto à implementação de uma mudança, para Labov (1982), configura-se num dos problemas mais difíceis a ser desvendado. Compreender por que uma mudança se inicia em determinada época e lugar, e não em outros, constitui um grande desafio por serem muitos os fatores, linguísticos e não-linguísticos, envolvidos no processo. A esse respeito, Weinreich, Labov e Herzog (2006, p. 124) constatam que “[...] é provável que todas as explicações a serem propostas no futuro próximo serão a posteriori.”

Buscando sintetizar a proposta da perspectiva adotada, é possível assegurar que língua e variabilidade estão essencialmente ligadas, e que a

Sociolingüística encara a diversidade lingüística não como um problema, mas como uma qualidade constitutiva do fenômeno lingüístico. Nesse sentido, qualquer tentativa de buscar apreender apenas o invariável, o sistema subjacente – se valer de oposições como “língua e fala”, ou competência e performance – significa uma redução na compreensão do fenômeno lingüístico. (ALKMIN, 2001, p. 33)

Portanto, esta pesquisa se pauta nos pressupostos da Linguística Histórica, cujo objetivo é a investigação e descrição das línguas através do tempo, analisando detalhadamente as mudanças, e na orientação teórica variacionista, para desenvolver o estudo sintático proposto, a posição do pronome clítico no final do século XIX e início do século XX. Defende-se a heterogeneidade das línguas como sistemática e natural, o enraizamento da questão histórica nessa heterogeneidade e a correlação inseparável entre língua e contexto social. O aprofundamento, nesse quadro teórico, justifica-se, entre outros aspectos, por serem

os estudos variacionistas, baseados na teoria laboviana, segundo Oliveira (2008, p. 93-94), os que

[...] têm permitido apresentar uma descrição mais estruturada da variação. Tais estudos têm sustentação na regra variável em oposição à categórica; nas variáveis dependentes e independentes, lingüísticas e extralingüísticas; e, por fim, no tratamento estatístico que permite a correlação entre as variáveis.