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B. DEĞİŞTİRME HAKKININ KULLANILMASI

3) Hakkın Kullanılma Süresi

Segundo Aristóteles, a sensação é um tipo de alteração. Compreender qual é esse tipo de alteração é parte fundamental de sua teoria da sensação. Mas falar de um “tipo” parece supor a existência de algum padrão através do qual a sensação possa ser designada. Todavia, não há bem uma relação em que uma noção de alteração possa ser aceita como strictu sensu e, outra, lato sensu. Há, antes, a oposição entre duas acepções da noção de afecção.

Um tipo de afecção é aquele no qual uma qualidade é substituída por outra, de maneira que a primeira sofre um processo de destruição (phtorá) para dar lugar à segunda. Outro tipo de afecção ocorre quando nenhuma qualidade é destruída, mas há a preservação (sotería) do que é em potência por aquilo que é em ato. É esse segundo tipo que corresponde à sensação. Seria de se esperar que uma afecção produzisse alguma mudança naquilo que é afetado, contudo, a afecção tomada como uma preservação encontra sua expressão em uma complexidade própria à sensação. O que é afetado é um sentido. Este possui uma dupla acepção: é tanto o órgão do sentido como a faculdade da alma.

A análise de cada um dos cinco sentidos mostrou que, em primeiro lugar, a acepção de afecção que cabe à sensação tem uma expressão fisiológica. Os três elementos que compõem o fenômeno sensitivo são, respectivamente, o sensível, o meio e o sentido. A relação entre essas três instâncias pode ser descrita, primeiramente, pela ação do sensível sobre o meio. A propriedade que caracteriza a ação do sensível sobre o meio é o seu “aparecer” através dele. A cor, por exemplo, move o meio transparente, e ao movê-lo produz como efeito sua visibilidade através do transparente. A partir disso, a determinação da fisiologia do órgão da visão está estabelecida: o órgão da visão deve ser igualmente transparente.

Há no efeito da cor sobre o transparente do olho duas possibilidades. A intensidade do estímulo visual pode estar dentro dos padrões que o olho suporta ou o estímulo pode ser de uma intensidade superior. No primeiro caso, há a preservação do que é em potência (o sentido) pelo que é em ato (o sensível). No segundo caso, o sentido é destruído, perdendo sua

capacidade de perceber. Portanto, a preservação e a destruição se referem à dupla acepção da parte afetada, pois “sentido” implica tanto o órgão do sentido como a capacidade sensível correspondente. Se há a preservação do sentido, então há sensação, mas se o sentido é destruído a capacidade sensitiva não pode operar. A lição da relação entre o conceito de preservação e o estudo da fisiologia dos sentidos é que a preservação indica tanto a constituição material de cada sentido, como estabelece um limite no qual a sensação é

possível.

Além do tipo de afecção próprio à sensação, Aristóteles descreve o processo pelo qual o sentido passa a perceber. O sentido, que é potencialmente semelhante ao sensível, se afetado pelo sensível passa a ser atualmente semelhante a ele. Nesse caso, também é possível fazer apelo à relação entre o sensível e o meio para esclarecer a questão. O meio não pode ser nenhuma qualidade sensível determinada, mas deve ser um suporte para qualquer qualidade sensível possível dentro do espectro ao qual ele está ligado: por exemplo, o ar e água em relação à cor e ao som. Todas as cores, assim como todos os sons podem aparecer através do ar e da água. Portanto, o ar e a água são potencialmente semelhantes à cor e ao som, de modo que os órgãos dos sentidos devem ser constituídos desses elementos que propiciam a recepção dos sensíveis, isto é, a possibilidade dos sentidos passarem da semelhança em potência para a semelhança em ato.

Essa explicação dá conta da classe de sensíveis designada por Aristóteles como

sensíveis próprios. Esses são considerados como sensíveis propriamente ditos, pois os sentidos são constituídos em relação a eles e apenas eles produzem o tipo de afecção próprio à sensação.

No entanto, a apreensão sensível não se esgota nessa classe de sensíveis. Além deles, também percebemos os sensíveis comuns: a figura, o tamanho, o movimento, o repouso e o número. Essa outra classe de sensíveis não possui um sentido particular para sua percepção, mas eles podem ser percebidos por mais de um sentido. Podemos perceber o tamanho, a figura e o movimento de algo tanto pela visão como pelo tato. Ocorre que, nenhum desses sensíveis afeta os sentidos, pois estes não são apropriadamente constituídos para percebê-los.

Tanto a percepção dos sensíveis próprios como a percepção dos comuns é dita por si. Isso significa que não é preciso nenhuma associação prévia para que eles sejam percebidos. No momento em que um vestido vermelho aparece diante de nossos olhos percebemos imediatamente sua cor, seu tamanho, sua figura, etc. A explicação da percepção por si dos sensíveis comuns reside, inicialmente, no fato que eles acompanham os sensíveis próprios. Mas, como os sensíveis comuns não afetam os sentidos, há em nós uma sensação comum, ou seja, uma capacidade para a percepção dos comuns que é partilhada pelos sentidos particulares. Essa capacidade coincide com a faculdade sensitiva da alma, compreendida como a capacidade que recebe a forma sensível sem a matéria. Então, apesar dos sensíveis comuns não afetarem os sentidos, eles são percebidos, pois fazem parte da forma sensível que é apreendia através dos sentidos. Em última instância, toda a percepção depende dessa faculdade, na medida em que a forma sensível é aquilo que os sentidos podem apreender,

sejam sensíveis próprios, sejam os sensíveis que os acompanham. Portanto, a sensação é efetivamente uma atividade da alma, cujo princípio reside na constituição fisiológica dos sentidos, os quais são capazes de serem afetados de maneira a receber a forma sensível sem a matéria.

Bibliografia