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B. ESAS VE KAYITLI SERMAYE SİSTEMİNDE ARTIRIM ŞARTLARI 20

4) Bakanlık İzninin Alınması

O grupo de pesquisadores da chamada Nova Retórica, do qual são representantes Bazerman e Miller, é composto por estudiosos de diferentes áreas que se preocupam com o ensino de língua materna.

Esse movimento teve influência tanto da Retórica Clássica, que, conforme esclarece Carvalho (2010, p. 130), “passou por uma revitalização nos Estados Unidos e foi associada ao ensino de estratégias de persuasão”, quanto dos estudos bakhtinianos, que em sua análise dialógica da linguagem foca o ato de comunicação – uma atividade social que se instaura na interação entre os falantes e que é definida pelos propósitos ou finalidades comunicativas.

Sendo assim, ao privilegiar o propósito e o contexto em que o texto se realiza, os gêneros, compreendidos como ações sociais, tornam-se mais instáveis; campo no qual a Nova Retórica se estabelece com preocupações pedagógicas no que se refere ao ensino de composição argumentativa. De acordo com Carvalho (2010, p. 131), nesse tipo de sala de aula, a fala ou a escrita são vistas “como instâncias cujo objetivo é atingir determinado propósito em certa situação social, em vez de se prestar atenção exclusiva ao texto ele mesmo, como artefato linguístico apenas”.

Conforme esclarece Hyon (1996, p. 696), esses estudiosos “se diferenciaram daqueles do ESP por terem focado mais os contextos situacionais nos quais os gêneros ocorrem do que suas formas e por terem dado ênfase ao propósito social, ou ações, que esses gêneros realizam nessas situações”. Contudo, a Nova Retórica influenciou autores do ESP, como Swales e Bhatia, que trataram dos “aspectos contextuais e funcionais em suas definições de texto e objetivos da pedagogia baseada em gêneros” (HYON, 1996, p. 699); autores como Miller, Bazerman e Swales dialogam muito em suas teorias.

32 A concepção de gênero de Miller (1984) é de uma ação retórica tipificada, deixando implícitas duas noções centrais: a de ação retórica e a de recorrência. O gênero é, portanto, uma ação que ocorre em uma situação retórica e, dado que as situações retóricas são recorrentes, podemos tipificá-las. Os tipos passam a fazer parte de nosso conhecimento e são acionados a cada nova situação, “funcionando como resposta a situações recorrentes e definidas socialmente” (CARVALHO, 2010, p. 133). A tipificação pela recorrência explica, portanto, a natureza convencional do discurso, as regularidades em sua forma e substância (conteúdo). É dessa maneira que compreendemos melhor nossa relação com os textos.

Mecanismos sociais, históricos e culturais, os gêneros operariam quando, baseados em nossa experiência sociorretórica, definimos nossos propósitos comunicativos e, para alcançá-los, manipulamos-lhes forma e substância segundo nossas percepções de semelhança entre a situação retórica que nos encontramos e aquelas anteriores que julgamos correlatas, além de considerarmos, ainda, algumas regras convencionalizadas. É importante lembrar que, não apenas na produção, mas também na interpretação dos textos utilizamos tais processos.

Contudo, Miller (1994, p. 72) reitera que “a estrutura, ou forma, é um aspecto constituinte da ação e que a ação é primária”. Logo, o gênero é uma ação social, não uma estrutura social. O gênero possui potencial estruturador da ação social na medida em que medeia a relação entre indivíduo e comunidade. Assim, “Embora as estruturas sejam reconhecidas como constituintes da sociedade, por seu caráter reprodutível, a ação é que é significativa, e é na ação que criamos o conhecimento e a capacidade necessários para reproduzir a estrutura.”.

Na perspectiva da autora, conforme bem resume Carvalho (2010), a comunidade retórica possui uma organização interna que acomoda diferenças e semelhanças ao demandar interações reais entre seus membros,

Estes estão ligados por uma certa maneira de ‘ver o mundo’, que é o que constitui de modo mais contundente uma comunidade; no entanto, esses membros também a

reproduzem, sem que necessariamente produzam uma cópia, em vista da necessidade de responderem a situações cujas demandas retóricas nem sempre são totalmente equivalentes às de situação similar. Para compreender as ações de uma comunidade é preciso compreender as normas epistemológicas, ideológicas e sociais que a mantém coesa. (CARVALHO, 2010, p. 135)

Ao aprendermos gêneros, portanto, não estamos assimilando apenas um exemplar de formas ou um método para atingir determinados propósitos, mas meios para participar das ações na comunidade (MILLER, 1984), posto que eles são

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[...] um constituinte específico e importante da sociedade, um aspecto central de sua estrutura comunicativa, uma das estruturas de poder que as instituições empunham. Podemos entender o gênero especificamente como aquele aspecto da comunicação que é passível de reprodução, que pode se manifestar em mais de uma situação, em mais de um dado espaço e momento. As regras e recursos de um gênero permitem a reprodução de papéis de falantes e interlocutores, tipificações de exigências ou necessidades sociais, estruturas de tópicos (movimentos ou passos) e formas de indexação de um evento às condições materiais, constituindo-se em limitações ou recursos. Em sua representação de intervenção no espaço e tempo, o gênero se torna um determinante da situação retórica – um meio pelo qual definimos a situação no espaço e no tempo e entendemos as oportunidades que ela sustenta.4 (MILLER,

1994, p. 71)

Similarmente a Miller (1984), que discorre sobre tipificação, Bazermam (2005) trabalha com a noção de regularidade, investigando as propriedades comuns a situações recorrentes. Para o autor, as produções textuais de um indivíduo em determinado papel social constituem um conjunto de gêneros, o qual se integra a outros conjuntos de gêneros produzidos por outros indivíduos em outros papéis sociais constituindo um sistema de gêneros que faz parte de um sistema de atividades.

Nesse sentido, a existência de um gênero só se estabelece à medida que seus usuários o reconhecem e o distinguem, portanto, os usuários do gênero têm papel central no estabelecimento dos papéis sociais e das características do gênero.

O uso de padrões comunicativos com os quais as pessoas estão familiarizadas faz com que o que estamos dizendo e o que pretendemos realizar sejam mais facilmente reconhecidos, assim como permite a antecipação da reação do(s) interlocutor(es). Os gêneros se constituem em modos típicos de realizar determinados atos de fala em determinadas situações (BAZERMAN, 2005). Desse modo, os gêneros são espaços familiares que usamos para abordar o não familiar.

De acordo com o autor, os gêneros são coleções percebidas de enunciados que ocupam lugar definido no tempo e no espaço, são portadores de sentido criado por alguém e envolvem reconhecimento psicossocial por parte de seus usuários (BAZERMAN e MILLER, 2011). Os gêneros se constituem em frames ligados a situações sociais e atividades.

4 Tradução nossa de: […] we see genre as a specific, and important, constituent of society, a major aspect of its

communicative structure, one of the structures of power that institutions wield. Genre we can understand specifically as that aspect of situated communication that is capable of reproduction, that can be manifested in more than one situation, more than one concrete space-time. The rules and resources of a genre provide reproducible speaker and addressee roles, social typifications of recurrent social needs or exigences, topical structures (or 'moves' and 'steps'), and ways of indexing an event to material conditions, turning them into constraints or resources. In its representation of and intervention in space-time, genre becomes a determinant of rhetorical kairos - a means by which we define a situation in space-time and understand the opportunities it holds.” (MILLER, 1994, p. 71)

34 O autor defende o estudo sobre os diversos conjuntos de gêneros utilizados em nossa sociedade, mesmo os mais familiares, para maior eficiência e precisão da ação. Os textos e seus usos também devem ser investigados de modo a ampliar e enriquecer nosso arcabouço avançando para além das limitações de nossa própria experiência e treinamento.

Resumidamente, na Nova Retórica – ao contrário do caráter manipulador característico da (Velha) Retórica; do uso deliberado, consciente e estratégico da linguagem nela feito – compreende-se que nossas intenções retóricas podem não ser totalmente conhecidas por nós, que nem sempre estamos totalmente conscientes do quê ou por que estamos fazendo, que a retórica pode ser subconsciente, inconsciente, de que a comunicação, a linguagem em uso, sempre tem uma dimensão persuasiva que pode não estar inteiramente sob nosso controle (BAZERMAN e MILLER, 2011). Outra diferença é que a noção de falante prototípico é substituída pela de multimodalidade, ou seja, há a retórica de uma área, de um evento, etc.

De acordo com Hyon (1996), os estudiosos da Nova Retórica se dedicaram mais à descrição dos gêneros e seus contextos e menos à aplicação pedagógica de seus estudos. No entanto, os autores anteriormente discutidos se voltaram ao ensino da escrita em meio acadêmico e profissional reforçando a ideia de que ensinar gênero vai além de aspectos formais, devendo abranger o contexto social no qual os textos se encontram a fim de avaliar se os recursos retóricos em uso são adequados à comunidade, tempo e espaço.

Para os estudiosos da Nova Retórica, ou escola americana, os gêneros são complexos, dinâmicos, variados, dialógicos, de modo que não podem ser retirados da situação retórica original e ensinados na escola (JOHNS, 2002). A distância entre as situações de uso e as situações de aprendizado é intransponível, de maneira que o estudo de gêneros em sala de aula é um “exercício artificial” que não permitirá a utilização e improvisação na prática (da escrita) do que é aprendido, posto que não é possível nela reproduzir contextos autênticos (HYLAND, 2004).

Além disso, eles envolvem uma cognição coletiva, não consciente, e um aspecto crítico que fazem com que aspectos comumente ignorados no ensino da escrita tenham que ser considerados (COE, 2002).

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1.1.2.4. A Escola Australiana (Perspectiva Sociossemiótica