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HARF KULLANIM SAYISI B

4.1.2.8. HÜSN-İ TÂLİL

“Eu agradeço muito a Deus por ter nascido nesse lugar Aqui eu aprendi a amar”

Através da religiosidade presente na maneira como seu pai trabalhava, da forma como suas avós participavam da missa e cuidavam da Padroeira, do jeito como as professoras e catequistas se preocupavam com a sua educação, Paceli afirma ter aprendido muito com essas pessoas, que ele considera seus exemplos. Por meio desse aprendizado, são as suas referências que começam a se delinear, bem como o contato inicial com Nossa Senhora, Jesus Cristo e os santos, através dos quais experimenta um amor que diz ser eterno.

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Os momentos litúrgicos e festivos foram essenciais para a sua familiaridade com a vida da Santa, nos quais tomou conhecimento da excepcionalidade daquilo que aconteceu na vida de Maria. A Sua maternidade era evocada como sinal sublime de Sua entrega a Deus, bem como de Seu amor incondicional a Jesus Cristo. Os gestos de perdão e serenidade também despertam o interesse de Paceli pela Padroeira.

Na comunidade, Paceli encontra seus modelos nas pessoas simples, cujas atitudes estão associadas à presença do Divino. Por meio dessa convivência com os conterrâneos, ele identifica um amor verdadeiro guiado pela maneira como Jesus Cristo e Nossa Senhora viveram suas vidas e missões.

Mas, através dos milagres que aconteceram na vida de Paceli, esse amor de Nossa Senhora por ele se torna evidente: ao relatá-los, expõe como vai ganhando confiança na Padroeira, que vai moldando o seu olhar para os fatos cotidianos, por meio do reconhecimento do triunfo da Virgem de Nazareth e de Deus sobre as circunstâncias negativas e perigosas que aconteceram em sua vida, expressão máxima de Seu amor. Isto atesta a intercessão do Divino em seu dia-a-dia como uma companhia fiel e amorosa. Essa maneira de observar a realidade consolida-se em contraposição à idéia de coincidência ou acaso.

Essa visão de mundo, portanto, permite a Paceli compreender que, através dos fatos cotidianos, Nossa Senhora busca, incondicionalmente, lhe mostrar os caminhos mais adequados para alcançar o que ele almeja – ser um exemplo –, apesar da fragilidade de sua fé. Essa é a grande expressão de amor da Padroeira, que faz Paceli experimentar o perdão e a grandeza de Seu amor, despertando nele o desejo de ser uma pessoa melhor.

É com essa mesma visão de mundo que Paceli descreve o que significa carregar o andor da Padroeira, em ocasião da festa: tem certeza de que é Ela quem o atrai para aquela função. Realizando esse gesto, cedendo a essa atração e relacionando-se com Nossa Senhora através de seus pedidos de proteção para pessoas significativas, Paceli resguarda

Capítulo 04 – Análise da entrevista com Paceli

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a memória pessoal e de seu povo, sem a qual não seria nada. Entretanto, essa atração não encontraria uma resposta se ele não desejasse contribuir para a festa. Assumir a tarefa tinha como condição a sua livre iniciativa.

A tarefa coincide com um chamado, para Paceli: a presença da disponibilidade em ajudar já é um sinal de sua escuta e não seguir esse pressentimento significa, por sua vez, fechar os ouvidos Àquela que o chama. O chamado também se caracteriza pela expressão de uma preferência, ou seja, por uma escolha que se define pela oportunidade em assumir uma responsabilidade, quando tantos outros teriam igual ou maior capacidade do que ele. A dinâmica do chamado pode ser descrita da seguinte maneira: escuta, persistência do desejo em contribuir e espera do momento adequado para aceitá-lo. O fruto que se colhe dessa dinâmica de comprometimento é a satisfação pessoal e a familiaridade com a form a como Deus olha para tudo e todos.

Assim, a tarefa, para Paceli, é uma oração e a sua realização leva à conversão na forma como ele enxerga o mundo – “com os olhos de Deus” –, coincidindo com o Seu chamado: acolher o outro assim como Ele o acolheria.

Por isso, Paceli testemunha, através da realização da sua tarefa na festa, instigado pelo desejo de que as pessoas precisam conhecer o significado do amor da Virgem Maria, a vitória de seu olhar para o mundo e para as pessoas, não determinado pelos defeitos e injustiças, mas tomado pelo amor da Santa, que é perdão.

Nesse sentido, a tarefa tem um sentido missionário, para Paceli; e a sua inquietação por quem irá substituí-lo revela-se na sua preocupação de que o processo de sucessão deve se apoiar em uma decisão livre por parte do herdeiro da sua função.

Ser esse olhar no mundo, um olhar de misericórdia – “ver o mundo com os olhos de Deus” –, através de pequenos gestos que criam formas do amor, é a real tarefa de Paceli, que é acompanhada da consciência de suas dificuldades em testemunhar esse modo

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de viver em locais que não se guiam pelo amor a Deus. Essa constatação paradoxal enseja a sua pertença a Morro Vermelho.

Para Paceli, pertencer de coração, significa reconhecer-se grato por ter nascido em Morro Vermelho e ter aprendido o amor da Virgem e de Deus. Assim, a pertença significa: ter uma origem única para todos – todos são filhos de Deus –; dar-se conta de que possui uma casa – um local concreto no qual pode compartilhar essa maneira de viver –; crescer dentro de uma convivência afetiva e acolhedora. Entretanto, Paceli tem consciência de que o amor de Nossa Senhora e de Deus é a “grandeza espiritual” que sustenta aquele lugar. A Padroeira guarda Morro Vermelho intercedendo, protegendo e propagando o Seu amor a cada um. A expressão desse amor, experimentado na convivência comunitária, testemunha a Presença que está entre eles.