2. AMBALAJ TASARIMININ TANIMI VE MARKA İLİŞKİSİ
2.2 Ambalaj Tasarımının Diğer Tasarım Disiplinleri ile İlişkisi
2.2.2 Grafik tasarım ve ambalaj tasarımı ilişkisi
O texto em questão traz, em pelo menos três edições de que dispomos, o título de Apologia. A mais recente edição francesa, publicada sob os cuidados de Pierre Lardet, em 1983, porta o título de Apologie contre Rufin, enquanto a edição de Domenico Vallarsi, que data de 1767, e a de J.-P. Migne, que data de 1883, são intituladas como Apologia adversus
libros Rufini.
O termo equivale a uma peça oral ou escrita, apresentada sob o tom de admiração e expressividade para justificar uma pessoa ou coisa, defendendo destas suas qualidades, caráter, relevância e valor. Podemos relembrar o exemplo de Platão que compôs a apologia de Sócrates, mestre que Platão cita muitas vezes em seus Diálogos, vários anos após a morte de Sócrates. É um discurso por meio do qual Sócrates se defende, em presença dos heliastas, contra as acusações que lhe eram imputadas de haver ele corrompido a juventude e de introduzir divindades estrangeiras e, em geral, contra as desconfianças e o ódio que lhe atraíam suas buscas filosóficas e sua reputação de sabedoria. A ironia que geralmente Platão concede a Sócrates em sua Apologia, ainda que se mantenha sob controle e medida, mostra-se viva e amarga, e, ao mesmo tempo uma alta dignidade sustenta na totalidade da obra uma eloqüência desdenhosa, mas convincente. A apologia de que Sócrates tornou-se objeto no verbo de Xenofonte acrescenta detalhes interessantes, e ressalta a idéia de que, para Sócrates, a morte vale mais que a vida.
Citemos ainda outros exemplos de apologias. A Apologia de Heródoto, de Henri Estienne, de 1566, como seqüência a uma publicação das obras do historiador grego citado, cujas obras foram alvo de críticas severas, sendo consideradas como obras repletas de elementos fabulosos, sobretudo pelo clero católico romano. Aristides, filósofo grego do século II, demonstra, em sua Apologia dos cristãos, a excelência da idéia de Deus na religião cristã, desenvolvendo um estudo sobre o assunto em variadasreligiões. Em 197 a.D., também Tertuliano fez uso do gênero para endereçar aos romanos pagãos uma defesa vigorosa e apaixonada dos costumes e crenças cristãs, preferindo a argumentos gerais e filosóficos outros argumentos mais afinados com sua familiaridade com a história e o direito.
O segundo século de nossa era é pródigo em apologistas cristãos, esses literatos que, sendo apurados manipuladores das regras de composição das apologias, esmeram-se em
defender a fé cristã. Em língua grega, podemos citar São Justino, Aristides de Atenas, Aristão, Melitão de Sardes, Apolinário de Hierápolis, Taciano, Atenágoras, Teófilo de Antioquia. Entre os latinos, encontramos Tertuliano e Minúcio Félix.
A apologia como gênero apresenta como propósito a justificação e a defesa de alguém, de alguma coisa, de alguma causa ou idéia, enquanto que se oporia ao ataque, censura, condenação, crítica ou ato de denegrir alguém ou algo. O texto da Apologia de Jerônimo contra Rufino apresenta os dois conjuntos de aspectos apresentados, os positivos que configuram a apologia como gênero e os outros aspectos que contrariam as regras da composição de uma apologia. Optamos por nomear nossa tradução com o título de Apologia de Jerônimo contra Rufino por entendermos que o movimento de defesa parte de Jerônimo em favor de si mesmo e opera com uma série de restrições com relação ao ex-amigo Rufino.
Em sua própria defesa ou apologia, Jerônimo ocupa-se de desfazer todas as sombras que seus estudos e traduções da obra de Orígenes, dois séculos após a sua morte, podem representar de suspeita de heresia, por haver Jerônimo utilizado os métodos de exegese bíblica herdados do mestre Orígenes. A situação que motiva a confecção da Apologia de Jerônimo contra Rufino tem antecedentes remotos que podemos verificar no fato de que era opinião corrente, na Palestina e igrejas das regiões orientais, que Orígenes sustentava teses contrárias ao ensinamento das Escrituras e que, também, isso se devia à utilização dos métodos de interpretação alegórica que multiplicavam as possibilidades de interpretação do texto bíblico. Deste modo, a possibidade de distanciamento do sentido original dos textos assim interpretados e a tomada de uma posição frente ao sentido estilhaçado – esta tomada de posição seria o sentido do termo grego heresia – eram bastante reais. Mas tal situação só passa a ser focalizada oficialmente pelas autoridades eclesiásticas, e aí temos os antecedentes próximos da querela entre Jerônimo e Rufino de que nos ocupamos, depois que Atárbio, teólogo sutil, lançou publicamente em uma cerimônia de Pentecostes do ano de 394, na diocese de Jerusalém, a acusação de heresia para as teses de Orígenes. O bispo chipriota Epifânio de Salamina intervém no debate, provocando a efervescência que tomará dimensões cada vez maiores com o passar dos anos. Mas Epifânio de Salamina, além de seu zelo pela ortodoxia que o faz dirigir-se a Jerusalém para defender a Igreja da disseminação da heresia, será também o causador da dissidência entre o bispo João de Jerusalém, ao qual se alia Rufino de Aquiléia, amigo de juventude de Jerônimo, e a comunidade monástica sediada em Belém,
sob direção de Jerônimo. O fato que causou a dissidência foi a ordenação, em território sob jurisdição do bispo de Jerusalém, do irmão de Jerônimo, Pauliniano, pelo bispo Epifânio de Salamina, fato que constituiu grave usurpação das prerrogativas episcopais do bispado hierosolimitano.
Diante disso, a amizade entre Jerônimo e Rufino fica gravemente afetada, pelo fato de os dois se colocarem cada um em grupos rivais. Em Roma os textos de Orígenes não eram muito conhecidos, o que levou Rufino a trazer para os leitores latinos o texto grego do Tratado dos Princípios, o Perì Archôn. O ex-amigo Jerônimo teria julgado boa essa razão se Rufino não tivesse, como alega no prefácio da sua tradução latina, limado e corrigido pontos do texto que pudessem representar dificuldade ao leitor latino, coisa que atribui Rufino às traduções que Jerônimo fez de várias obras de Orígenes.6 A menção ao nome de Jerônimo não soou agradável aos ouvidos do próprio, uma vez que tende a justificar, no julgamento de Jerônimo, às custas de sua reputação de ortodoxia, uma prática de tradução que ele não aprova nem em termos lingüísticos, nem em termos de conteúdo de fé e de dogma. A reação de Jerônimo é a publicação de uma tradução que apresenta todos os conteúdos considerados heréticos, naquele tempo, da obra Perì Archôn de Orígenes. O escândalo causado pela publicação foi o responsável pela destruição dos volumes existentes da tradução feita por Jerônimo do texto grego do Perì Archôn. Pelo texto da Apologia de Jerônimo contra Rufino podemos perceber, com a imagem de um médico que denuncia venenos,7 que a tradução do
Perì Archôn por Jerônimo teve por função ampliar o debate sobre as teses de Orígenes, ofertando ao público o verdadeiro teor do texto grego e conduzindo o debate aos pontos nevrálgicos da questão origenista.
A Apologia de Jerônimo contra Rufino que, em tradução portuguesa, é apresentada em três livros, apresenta dois livros que são uma resposta à Apologia contra São Jerônimo, publicada por Rufino. No entanto, São Jerônimo não tem em mãos ainda o texto escrito contra si mesmo, baseando-se apenas em testemunhos que lhe chegam por amigos. O terceiro livro, ou a Carta de Jerônimo contra Rufino, é uma retomada de todas as questões tratadas nos dois primeiros livros e, uma vez com o texto de Rufino em mãos, Jerônimo aprofunda as suas críticas a Rufino, assevera ao leitor a ortodoxia de sua fé, discorre sobre
6 Orígenes, Traité des Principes I, p.70: “...ita elimauit omnia interpretando atque purgauit, ut nihil in illis quod
a fide nostra discrepet latinus lector inueniat...” (o sujeito destes comentários de Rufino é Jerônimo).
vários incidentes e questões que fazem parte da controvérsia em sentido eclesiástico bem como as questões que tocam diretamente sua pessoa.
Uma vez publicada a tradução da obra Perì Archôn por Rufino, a menção aos trabalhos de tradução de Jerônimo da obra de Orígenes no prefácio desta tradução foi o principal motivo da contrariedade ressentida por Jerônimo em relação ao ex-amigo, fato que também reforçou a hostilidade que Jerônimo já vinha sentindo em relação ao ex-amigo. Ser considerado como alguém que altera textos de Orígenes para torná-los aceitáveis pela fé ortodoxa parecia uma falta grave para Jerônimo, e tanto mais inaceitável se a isto se acrescenta um elogio à “elegância das palavras de tão grande homem”8. Em sua Apologia, Jerônimo declara ter repelido o simulacro de um panegirista e ter recusado elogios de uma boca hipócrita9, e isto é uma alusão àquele pérfido elogio feito por Rufino, naquele “prefaciozinho”10. A defesa de Jerônimo, empreendida por ele próprio, não é tarefa fácil pelo fato de não dispor de alguém que defenda sua causa e também pelo fato de ser a causa em si bastante complicada. É muito pouco crível que alguém que traduza várias obras de determinado autor não considere recomendável e válido o autor traduzido, que não partilhe de certa forma as idéias do autor traduzido. Ora, Jerônimo traduziu e estudou muito Orígenes, o que o coloca numa posição defragilidade em muitos pontos. Sua saída é alegar que aproveita os métodos de exegese aprendidos com Orígenes, sem contudo partilhar suas posições teológicas.
Jerônimo não economiza argumentos nem razões para construir a sua defesa e denuncia o fato de Rufino ter traduzido para o latim a Apologia de Orígenes atribuindo-a ao mártir Pânfilo, quando o texto era lavra do bispo ariano Eusébio de Cesaréia, tão ariano quanto adepto por afinidade com as teses origenistas. A causa de Jerônimo não se reduz, pela extensão e complexidade do texto, à defesa de sua própria pessoa, mas ataca o origenismo em várias manifestações, considerando a obra e a pessoa de Orígenes como um lugar em que se abrigam muitas posições excusas e heréticas, o que leva Jerônimo ao julgamento de que se deva atribuir a cada pessoa e a cada tendência a definição justa e cabível . No segundo livro de sua Apologia, Jerônimo ataca as teses origenistas sobre a origem da alma do Cristo, sobre a ressurreição da carne, sobre o castigo do diabo, sobre a origem das almas. Ainda neste
8 Orígenes, Traité des Principes I, p. 68: “... sed non aequis eloquentiae uiribus tanti uiri ornare possumus
dicta...”
segundo livro, Jerônimo denuncia a tentativa de Rufino de negar a autoria de Orígenes com relaçãoàsteses heréticas contidas em seus tratados, atribuindo os conteúdos heréticos da obra de Orígenes a alterações feitas nesses textos por hereges; tal fato impossibilitaria a atribuição correta de cada idéia a seu verdadeiro autor. Parece-nos clara a posição de Rufino de promover a defesa de Orígenes quando traduz para o latim uma Apologia de Orígenes. Jerônimo também é o defensor de suas traduções diretas do texto bíblico diretamente do hebraico, trabalho que teve valor único e que careceu de iniciativa semelhante que pudesse lhe servir de paralelo, visto que as traduções existentes do texto bíblico eram feitas a partir do grego e não se igualavam à qualidade literária da tradução empreendida por São Jerônimo.
A Apologia contra São Jerônimo11 chega às mãos de Jerônimo, e este então compõe a Carta contra Rufino, sacerdote de Aquiléia. A difusão dos livros de Rufino impõe uma resposta da parte de Jerônimo. Às insinuações de Rufino de que alguns amigos de Jerônimo teriam falsificado a tradução do Perì Archôn, feita por ele – essa que nos chega até os dias atuais como único remanescente do texto de Orígenes, objeto de discórdia pessoal e doutrinal – responde Jerônimo que seus amigos não poderiam fazê-lo, a não ser que pagassem o secretário a peso de ouro para alterar, como diz Rufino, os rascunhos do Perì
Archôn que não estavam ainda corrigidos.12 Na integralidade de sua resposta Jerônimo luta para fazer-se distinguir de Rufino e daqueles que se assemelham a ele na adesão às teses origenistas. Voltando a tratar das questões de tradução e comentário, Jerônimo denuncia estratégias de que Rufino faz uso, quando este invoca a técnica utilizada por Jerônimo nos
Comentários sobre a Epístola aos Efésios, com a finalidade de justificar sua tradução do Perì
Archôn; denuncia também o interesse de Rufino em exaltar em latim a figura e o pensamento de Orígenes com a tradução da Apologia de Orígenes, que Rufino atribui a Pânfilo, o qual, sendo mártir, angaria para a obra o olhar benevolente do leitor latino, bem como atribui ao personagem Orígenes reputação bastante positiva, tornando recomendável a leitura de suas obras. Jerônimo afirma que a tradução feita por Rufino do Perì Archôn torna-se indefensável pelo seu prefácio, no qual declara Rufino ter procedido da mesma forma que Jerônimo, ao limar e melhorar o texto original, fato que para Jerônimo equivale a uma ocultação do teor
10 praefatiuncula, no dizer irônico de Jerônimo, em várias ocorrências na Apologia contra Rufino.
11 É assim que se intitula a apologia que Rufino endereçou a São Jerônimo, segundo a edição de Migne que
herético do texto. Jerônimo oferece-nos sua visão a respeito de vários eventos que presenciou nesta época, e as personalidades ligadas a esses eventos no Oriente e no Ocidente: Teófilo, Vigilâncio, Anastásio, Epifânio, sendo os dois últimos, respectivamente, bispo de Roma e bispo de Chipre. A tradução perdida do Peri Archon, feita por Jerônimo é, segundo seu autor, legítima, porque ao que nos dá a entender, desnudou o falseamento do teor do texto grego na tradução rufiniana. Finalizando esta Carta contra Rufino, Jerônimo define seu pronunciamento como uma defesa preferencial da ortodoxia e encerra esta parte da Apologia contra Rufino com numerosas citações extraídas do Livro dos Provérbios.