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2.8. Ağızdan Ağıza Pazarlama Türleri

2.8.3. Gizli (Stealth) Pazarlama

Em um mundo globalizado, os riscos financeiros que consistem em alterações, muitas vezes inesperadas, das variáveis de mercado como câmbio, commodities, taxas de juros e outros, cada vez mais fazem parte da vida das empresas não- financeiras.

No entanto, conforme apresentado neste estudo, existem teorias que defendem uma postura ativa dos investidores que procurariam hedge por sua própria conta, através da diversificação de suas carteiras, tirando a responsabilidade das empresas em se preocupar com o gerenciamento de seus riscos financeiros, que, em tese, deveriam se concentrar, unicamente, na gestão dos seus negócios propriamente ditos.

Há, por outro lado, teorias que exaltam a função de gestão de riscos por empresas não-financeiras como necessária e agregadora de valor, no longo prazo, pois reduziria custos associados a riscos de falência além de minimizar impactos negativos à organização com relação a diversos custos de agência e questões associadas a problemas como sub-investimento e substituição de ativos.

Adicionalmente, diversas teorias ainda destacam a importância da gestão de riscos na redução da influência das variáveis de mercado sobre os resultados e fluxos de caixa das empresas, o que permitiria uma maior previsibilidade da geração de caixa futura dos negócios com benefícios associados à maior geração interna de recursos para financiamento de novos investimentos e redução da percepção do mercado com relação a custos de falência.

Neste estudo, através da modelagem de estratégias de hedge, foi possível constatar que a gestão de riscos com o uso de derivativos, em momentos de alta volatilidade cambial, teria sido benéfica no sentido de reduzir a variabilidade dos resultados e fluxos de caixa dos negócios. Tal constatação corrobora as teorias positivas com relação à gestão de risco em empresas não-financeiras, dentre as quais se destaca o estudo de Smith e Stulz (1985).

Os benefícios oriundos da redução da variabilidade dos fluxos de caixa das empresas no que diz respeito a melhores múltiplos de valuation, redução de custos de financial distress ou menores custos de captação de recursos do mercado não foram abordados neste estudo, mas poderiam ser fruto para futuros estudos e investigações em empresas não-financeiras brasileiras.

Entretanto, é importante destacar que a constatação a respeito da redução da variabilidade dos fluxos de caixa pôde ser feita sob condições coeteris paribus uma vez que o modelo se limitou apenas a simular algumas das inúmeras possibilidades que poderiam ser desenvolvidas como estratégias de proteção, utilizando-se como base um determinado período histórico, e que não se preocupou em avaliar, em nenhum momento, aspectos relacionados à política de risco das empresas analisadas ou o grau de aversão a risco de seus gestores.

Adicionalmente, seria praticamente impossível prever, neste estudo, que outras implicações em termos de competitividade dos negócios ou tipos de decisões com relação a políticas de investimento e financiamento poderiam ser tomadas pelas empresas, caso o período de análise abordado tivesse apresentado uma configuração cambial bastante diferente da ocorrida.

De qualquer forma, para uma gestão de riscos abrangente, é necessário que a cúpula da organização esteja envolvida na delimitação de políticas e procedimentos desta gestão com o objetivo de que os resultados obtidos com o uso dos instrumentos financeiros utilizados para proteção de posições sejam plenamente compreendidos pelos principais membros da organização.

Aliado a isto, é importante mencionar que a gestão de riscos pode exigir conhecimentos multidisciplinares por parte dos gestores uma vez que questões relacionadas ao processo de manufatura ou questões comerciais relativas aos processos de compras e vendas podem representar importantes subsídios para a correta interpretação dos riscos e na escolha da melhor estratégia de proteção para as exposições identificadas.

Isto pode ser tanto mais importante quanto maior for a organização. Em casos de grandes corporações que possuam subsidiárias em outros países, a gestão de riscos adquire caráter global, através do estudo da correlação entre os diversos fatores de risco a que esta empresa está exposta em suas diversas subsidiárias e a compensação, quando possível, das exposições financeiras identificadas é feita através de gestão de riscos centralizada, beneficiando-se da máxima utilização de

hedges naturais e da redução de custos de transação.

Constata-se, assim, que a gestão de riscos corporativa implica, principalmente, em conhecer efetivamente todos os fatores de risco a que a empresa está exposta e suas respectivas exposições, com políticas e procedimentos claros para assunção de determinados riscos em detrimentos de outros. Não deve ser caracterizada somente pela evidência do uso de instrumentos derivativos para gestão das exposições pois a própria gestão ativa de risco das empresas pode conseguir importantes resultados seja pela redução dos montantes das exposições propriamente ditas seja pela identificação de exposições cujos ativos estejam negativamente correlacionados entre si através de hedges naturais.

Finalmente, uma questão que poderia servir de sugestão para futuros estudos se refere à análise dos custos de transação com o uso de instrumentos derivativos. Mais importante que definir uma estratégia adequada para proteção de suas exposições, é fundamental conhecer, se existirem, quais serão os custos monetários envolvidos em uma tomada de decisão para hedge de exposições futuras, levando- se em consideração que para qualquer empresa, como um projeto de investimento, a gestão de riscos agregadora de valor deve resultar em um “projeto” corporativo de valor presente líquido positivo.

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