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Girlevik Kırklar Makamının (Nazargâh) Fiziksel Özellikleri Kırklar Makamı (Nazargâh), Erzincan merkeze bağlı Çağlayan beldesi

Yusuf BABÜR*

2. Girlevik Kırklar Makamının (Nazargâh) Fiziksel Özellikleri Kırklar Makamı (Nazargâh), Erzincan merkeze bağlı Çağlayan beldesi

Na dimensão pragmática da semiose interessa a investigação acerca dos

usuários dos signos e o seu uso. Preocupa-se a Pragmática com os efeitos do signo

nos usuários e vice-versa. Indaga-se, por exemplo, se o signo “índio” alcança seu fito

(representação) frente ao usuário: ilustrativamente, se o juiz, ao enfrentar um caso

concreto em que se invoca uma lei indígena, a mesma é aplicada, julgando-se tratar

realmente de um índio. Doutra banda, a Pragmática investiga como os sujeitos

interferem na (trans)formação e modificação dos signos.

Os objetos são mutáveis – lembremo-nos da expressão grega “panta rei”,

fortalecida pelas idéias do filósofo H

ERÁCLITO DE EFÉSO

: “Nos mesmos rios

entramos e não entramos, somos e não somos” (Alegorias, 24).

Assim sendo, os signos não são suficientes, na maioria dos casos, para

acompanhar a evolução dos objetos nem para “compilar” todas as vicissitudes que

pretendem representar. Não bastasse isso, ainda pode um mesmo signo possuir um

significado diferente, conforme as circunstâncias em que seja empregado e com que

finalidade.

Nesse sentido é a lição de P

AULO DE

B

ARROS

C

ARVALHO

: “O modo de usar

os signos jurídicos (ângulo pragmático) varia acentuadamente, pois não é mesma

       

64

MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zélia Maria Neves. Antropologia. Uma introdução. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2006, p. 227-228.

coisa empregar um vocábulo do idioma com finalidade informativa, ou fazê-lo na

seqüência imperativa, em que se procura motivar comportamentos.”

65

Será, por conseguinte, no plano empírico que os signos encontrarão sua

pertinência e poderão, se necessário, ser moldados (colmatados) pelos usuários. Esse

processo evidencia, assim, a importância da dimensão pragmática da semiose no

contexto jurídico.

O uso pragmático dos signos na seara jurídica reveste-se de peculiaridades

próprias, pois o caráter normativo (imperativo-prescritivo) do direito coloca

constantemente os usuários em confronto com os signos e com o objeto

(direito=linguagem).

A tarefa de subsunção pressupõe a investigação e a aplicação dos signos e a

sua adequação com os objetos, pois como diz K

ARL

E

NGISCH

, “trata-se

primariamente da sotoposição de um caso individual à hipótese ou tipo legal e não

directamente da subordinação ou enquadramento de um grupo de casos ou de uma

espécie de casos”

66

.

Veja-se, em termos jurídicos, que o signo “índio” pode possuir significados

(conceitos) diversos para fins de aplicação da lei penal e para fins de ações

afirmativas. Melhor explicando, embora em ambas as leis – a penal e a de ação

afirmativa – seja empregado o signo “índio” (indígena), em termos pragmáticos, um

mesmo indivíduo pode, irrestritamente, pelo fato de ser índio, ser beneficiado por

uma vaga reservada à pessoa indígena, em universidade ou concurso, mas, para

efeitos penais, o fato de ser indígena não é considerado quando da aplicação da pena

(artigo 56

67

do Estatuto do Índio). De igual modo, conceitos de “índio” adotados pelo

Estatuto do Índio não podem nortear a aplicação das disposições constitucionais

referentes aos indígenas, em todos os casos.

Nesse diapasão, no bojo da dimensão pragmática, é necessário perlustrar o

uso pelos juristas do signo “índio” inserto na lei, mais especificamente pelos

aplicadores do direito, com o intuito de encontrar, na jurisprudência, a definição

pragmático-jurídica de “índio”.

       

65

Op. cit., p. 6.

66 Introdução ao pensamento jurídico. 9. ed. Trad. J. Batista Machado. Lisboa: Fundação Calouste

Gulbenkian, 2004, p. 94-95.

67

Artigo 56: “No caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada e na sua aplicação o Juiz atenderá também ao grau de integração do silvícola.”

Entre as questões indígenas já enfrentadas pelo Poder Judiciário, que em sua

maioria versam sobre a propriedade territorial, nessas ações o punctum saliens não é,

essencialmente, se se trata ou não de indígenas, mas se as terras em litígio a eles

pertencem, se são por eles “tradicionalmente ocupadas” ou não. Todavia, a discussão

acerca da qualidade de indígena figura na jurisprudência exarada nas ações penais.

Com a intensificação do contato indígena com a sociedade, fenômeno

crescente no contexto atual, começa a se formar uma jurisprudência penal

relacionada ao enquadramento de indígenas, havendo, inclusive, manifestações a

respeito, em sede difusa, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº. 97.064-9/1982-

AM

68

, entendeu que o grau de integração do indígena deve ser considerado para

aplicação do Estatuto do Índio. A integração social foi determinante também no

julgamento dos Habeas Corpus (HC) nº. 64.476-7/1986-MG

69

e nº. 79.530-7/1999-

PA

70

.

Nesse último julgado, a decisão proferida estabeleceu que por se tratar de

“índio integrado à comunhão nacional [...] índio alfabetizado eleitor e integrado à

civilização, falando fluentemente a língua portuguesa”, não se fazia mister a presença

de intérprete no processo, sendo também dispensável o laudo antropológico,

conforme se lê no voto do relator, Ministro I

LMAR

G

ALVÃO

:

“No que concerne aos reclamados exames psicológico e antropológico, também não tem razão a defesa, pelo singelo motivo de que, no caso, não apenas não se está diante de índio isolado ou em vias de integração, mas também, tendo em vista que o índio, em nosso sistema jurídico, como já assinalado, só é considerado relativamente incapaz e, portanto, sujeito à tutela da União, para efeitos civis, nada impedindo que o índio ainda não integrado seja criminalmente responsável, como se extrai o art. 56 da Lei 6.001/73, segundo o qual, no caso de condenação de índio por infração penal, a pena deverá ser atenuada e na sua aplicação o juiz atenderá também ao grau de integração do silvícola, norma que não teria nenhum sentido se o índio não integrado não fosse considerado imputável.”71

       

68

Supremo Tribunal Federal, Recurso Extraordinário n. 97.064-9 –AM, Primeira Turma, Rel. Min. Néri da Silveira, j. 24.09.1982.

69 Excerto da ementa: “Se o Índio já é aculturado e tem desenvolvimento mental que lhe permite

compreender a ilicitude de seus atos, é plenamente imputável.” Supremo Tribunal Federal, Habeas Corpus n. 64.476-7-MG, Segunda Turma, Rel. Min. Carlos Madeira, j. 10.10.1986, DJ. 31.10.86.

70 Supremo Tribunal Federal, Primeira Turma, Habeas Corpus n. 79.530-70 – PA, Rel. Min. Ilmar

Galvão, j. 16.12.1999, DJ. 25.02.2000.

71

[voto do relator] Supremo Tribunal Federal, Primeira Turma, Habeas Corpus n. 79.530-70 – PA, Rel. Min. Ilmar Galvão, j. 16.12.1999, DJ. 25.02.2000.

Essa mesma orientação é seguida tanto pelo Superior Tribunal de Justiça

(STJ), como se pode verificar no julgamento do Recurso Especial nº 737.285/2005-

PB

72

, quanto pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), na Apelação

Criminal nº. 2005.72.0100.4489-2 – SC

73

.

A relevância e a ingerência da dimensão pragmática no uso dos signos

podem ser depreendidas pelos julgados citados. Deve-se reiterar que no julgamento,

pelo STF, do HC n. 79.530-7/1999, na aferição da integração à comunidade nacional

do índio (ora paciente), se integrado ou não, os ministros do STF agregaram ao signo

os fatores de fluência lingüística e de capacidade eleitoral e, ao fazê-lo, “moldaram”

a expressão sígnica “índio integrado à comunidade social”, acréscimo esclarecedor

resultante da análise de um caso concreto.

Do explanado, lembrando M

ORRIS

, emerge a importância do “quarto

elemento”, do intérprete que, no caso em tela, é o intérprete jurídico-constitucional.