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Historicamente, Alfredo Buzaid34 evidencia o real aparecimento da apelação necessária, ou, polla Justiça (pré-afonsina) a El Rei, em lei datada de 12

33 TICIANELLI, Maria Fernanda Rossi. Princípio do duplo grau de jurisdição. Curitiba: Juruá, 2009.

p. 204.

34 BUZAID, Alfredo. Das razões do aparecimento da apelação ex-officio e sua regulamentação

nas ordenações afonsinas. Disponível em:

de março de 1355, relativa aos feitos das injúrias, conforme já mencionado no item 1.1 deste trabalho, a fim de evitar “nas mãos de uma judicatura menos imparcial, um perigoso instrumento de perseguição a inocentes”.

Eis o texto da aludida Lei:

E pera os ditos Juizes saberem como devem atempar estas appelaceeens, segundo os lugares honde Nós formos e a nossa Corte, honde se devem a livrar, e as partes as seguirem aos tempos que lhes elles assinarem; mandamos, que elles enviem todallas appelaceeens dos feitos de que alguns appellarem, ou elles polla justiça, em que algum for acusado por morte de homem ou de molher, ou que per pertença a Fidalgos, aos nossos Ouvidores do Crime. (sic)

Frise-se então que, dentro da história do direito português, a apelação necessária surgiu no denominado “período do direito comum” (1248-1769), durante o reinado de D. Afonso IV (1325-1357), ocasião em que, nos dizeres de Walter Vieira do Nascimento35, “se estabelece a distinção entre o processo civil e o processo penal, adotando-se o critério da redução das peças a escrito e organizando-se o sistema de recursos”.

É, pois, a apelação necessária, oriunda do direito processual penal lusitano para corrigir o rigor do princípio dominante e os exageros introduzidos no processo inquisitório (deve-se ao direito canônico a sua criação e sistematização, na época do Papa Gregório IX, por intermédio de suas decretalis).

Alfredo Buzaid36 também alude o seguinte:

A competência judicial para proceder ex-officio podia turbar o ânimo do magistrado, influir em seu espírito e mesmo criar nêle um tal estado que predispusesse a orientação da prova em determinado sentido. Com a imensa soma de poderes de que estava investido o juiz, a faculdade de iniciativa, se por um lado era um bem, porque zelava pelos superiores interêsses da sociedade na repressão do crime, por outro lado podia ser, nas mãos de uma judicatura menos imparcial, um perigoso instrumento de perseguição a inocentes. Não era possível que essa quase onipotência judicial ficasse sem um freio, ou sem um contrôle exatamente na época em que os reis portuguêses começaram a fazer leis gerais destinadas a fixar os direitos e as obrigações dos seus povos. Foi aí então que repontou mais uma vez o gênio lusitano para corrigir o rigor do princípio dominante e os exageros introduzidos no processo inquisitório. Fê-lo criando a figura da apelação ex-officio. (sic)

35 NASCIMENTO, Walter Vieira do. Lições de história do direito. 15. ed. Rio de Janeiro: Forense,

2009. p. 188.

Logo, registre-se que referida apelação necessária para a Corte do Rei evidenciava-se também às causas criminais públicas e privadas, subsistindo tal figura nas Ordenações Afonsinas (livro V, título LIX), Manuelinas (livro V, título XLII) e Filipinas (livro V, título CXXII, 11), apesar de que o direito reinol não a conheceu como instituto do processo civil à época. Enaltece-se também o fato de que a ordem jurídica portuguesa, que se encontrava nos forais, foi codificada nas aludidas Ordenações Afonsinas (1500-1514), Manuelinas (1514-1603) e Filipinas (1603-1916) – compilações de leis, atos e costumes –, e, teoricamente, eram aplicáveis no Brasil.

Já no âmbito legislativo brasileiro, pode-se estabelecer que o art. 90, de Lei datada de 4 de outubro de 1831 – no Segundo Período do Império do Brasil, sob a Regência Trina Permanente (07/04/1831 a 23/07/1840) –, concernente aos feitos atinentes à Fazenda Nacional submetidos à apelação ex officio quando a sentença fosse proferida contra o erário público, foi a primeira referência legislativa pátria no ramo do direito processual (civil) sobre o instituto do reexame compulsório, nos seguintes termos:

Fica extinto o actual Erario e o Conselho da Fazenda. As justificações n`este Tribunal serão feitas perante os juízes Territoriais, com audiência do Procurador fiscal; e as Sentenças, que nelle se proferirem a favor dos justificantes, serão sempre appelladas ex-officio para a Relação do Districto, sob pena de nulidade. (sic)

Ademais, frise-se que, nos termos dos Anais do Parlamento Brasileiro, consoante assinala Jorge Tosta37:

Interessante observar que, durante as discussões do projeto da referida Lei, o deputado Gomes de Campos combateu-o vigorosamente, por entender que não era justo instituir um privilégio em favor da Fazenda e impor aos demais litigantes uma condição inferior. Clemente Ferreira, por outro lado, defendeu o projeto argumentando que “a melhor maneira de verificar a responsabilidade dos empregados que não são vitalícios é uma incansável e nunca interrompida vigilância das autoridades superiores sobre sua conducta e a sua admissão, logo que há suspeitas vehementes de que são prevaricadores. Mas nem por isso o corpo legislativo deve deixar de prevenir os abusos conhecidos, fazendo leis opportunas que fação cessar a sua causa: e é o que faz o artigo em discussão: está conhecido que os procuradores fiscaes prevaricão, deixando de appellar de sentenças injustas contra a fazenda nacional: o remédio é obrigar os juízes a appellar de offício e ficará cessando a occasião de um tal abuso”. (sic)

Sequencialmente, a Lei n. 242, de 29 de novembro de 1841 – já no Terceiro Período do Império do Brasil (23/07/1840 a 15/11/1889), no comando do Imperador Dom Pedro II –, restabelecendo o privilégio do foro para as causas da Fazenda Nacional, e criando o juízo privativo dos feitos da Fazenda da primeira instância, estabeleceu em seu art. 13:

Serão appelladas ex-officio para as Relações do Districto todas as sentenças que forem proferidas contra a Fazenda Nacional em primeira instância, qualquer que seja a natureza dellas, e o valor excedente a cem mil réis, comprehendendo-se nesta disposição as justificações e habilitações de que trata o artigo 90 da Lei de 4 de outubro de 1831; não se entendendo contra a Fazenda Nacional as Sentenças que se proferirem em causas Particulares, e que os Procuradores da Fazenda Nacional sómente tenham assistido, porque destas só se appelará por parte da Fazenda, se os Procuradores della o julgarem preciso. (sic)

Assim, o reexame compulsório vigorou no Império brasileiro, e, novamente nas palavras de Alfredo Buzaid38:

Parece-nos que a apelação ex-officio surgiu, pela primeira vez, como figura do processo civil, na Lei de 4 de outubro de 1831, art. 90, que a instituiu como recurso que o juiz deve interpor da sentença proferida contra a Fazenda Nacional. Uma vez introduzido no processo civil, o princípio se estendeu e se ampliou, tendo a doutrina sistematizado os vários casos em que era cabível, a saber: a) nas sentenças proferidas pelos juízes de defuntos e ausentes em favor de habilitantes e de credores, quando o valor da herança ou da dívida exceda de dois contos; b) nas proferidas contra a Fazenda Nacional, que excederem a alçada do juiz (Lei de 4 de outubro de 1831, art. 90 e Lei n. 242, de 29 de novembro de 1841, art. 13); c) nas proferidas em justificações, para tenças ou pensões, que passarem de pessoa a pessoa (Ord. n. 102 de 23 de abril de 1849); d) nas habilitações de herdeiros, sucessores e cessionários de credores do Estado, quando a estes forem favoráveis (Prov. de 8 de maio de 1838 e lei de 28 de novembro de 1841, art. 13); e) nas causas de liberdade, quando as decisões foram a ela contrárias (Lei n. 2.040, de 28 de setembro de 1871, art. 7º, par. 2 e Reg. n. 5.135, de 13 de novembro de 1872, art. 80, par. 2); f) nas causas de nulidade de casamentos de pessoas, que professam religião diferente da do Estado, quando as sentenças os anularem (Decreto n. 3.069, de 17 de abril de 1863, art. 12).

Já no período republicano, a segunda Constituição brasileira, datada de 24 de fevereiro de 1891, em seu art. 34, n. 23, previa que competia privativamente ao Congresso Nacional “legislar sobre o direito civil, comercial e criminal da República e o processual da justiça federal” (grifo nosso).

Então, os Estados-Membros elaboraram os seus respectivos Códigos Judiciários, e com previsão da então denominada appelação ex-officio. Nesse contexto, citam-se: 1) Código de Processo Civil e Comercial do Distrito Federal (Decreto Distrital n. 16.752, de 31 de dezembro de 1924 – arts. 1.116, 1.118 e 1.122); 2) Código de Processo de Minas Gerais {Lei Estadual n. 830, de 7 de setembro de 1922 – arts. 1.455 [“A appellação é voluntária ou necessária: – voluntária, a que parte ou o terceiro prejudicado interpõe; necessária a interposta pelo juiz ex-offício, por força de determinação legal.” (sic)], 1.456 [“Tem lugar a appellação necessária: a) da sentença que homologar o desquite por mútuo consentimento; b) da sentença que julgar habilitados herdeiros em herança jacente de valor superior a 2:000$000; c) da sentença proferida contra a Fazenda Estadual ou Municipal; d) da decisão mandando pagar dívidas de valor superior a 2:000$000, nas arrecadações de bens de herança jacente. § 1º – A appellação necessária interpõe-se por simples declaração do juiz na própria sentença, e deve seguir para a instância superior, independentemente de citação ou de qualquer outra formalidade, si dentro do prazo legal, qualquer das partes não tiver também appellado. § 2º – É lícito às partes acompanhar a appellação ex-officio, tendo para as razões o mesmo prazo da appellação voluntária.” (sic)] e 1.467 [“Findo o prazo legal, não seguindo a appellação, compete ao juiz da causa julgá-la deserta e não seguida, salvo si for interposta ex-officio, cabendo, nesse caso, às partes reclamar do juiz ou tribunal ad

quem providências contra a demora do seguimento.” (sic)]}; 3) Código de Processo

Civil de São Paulo {Lei Estadual n. 2.421, de 14 de janeiro de 1930 – arts. 1.076 [“Nos casos em que a lei prescreve o recurso ex-officio, a sentença não é exequível antes do julgamento definitivo na segunda instância. Paragrapho 1º – Si o juiz não interpuzer o recurso na própria sentença, pode qualquer das partes requerer a remessa dos autos à superior instância e, não sendo atendida, tirar carta testemunhável. Paragrapho 2º – Em qualquer hypothese, é facultado às partes acompanhar o recurso.” (sic)] e 1.089 [“Os recursos ex-officio não estão sujeitos a deserção, incumbindo à parte interessada no julgamento promover a remessa dos autos ou pagar o preparo.” (sic)]}; 4) códigos processuais da Bahia, do Ceará, do Pará, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Norte, do Pernambuco, de Santa Catarina etc.

Por outro lado, a “independência” processual brasileira somente veio com a Constituição de 16 de julho de 1934, em cujo art. 5º, item XIX, alínea “a”, rezava que competia privativamente à União legislar sobre direito processual.

Então, na Constituição da então República dos Estados Unidos do Brasil (1934), o recurso ex officio esteve previsto nos arts. 76, parágrafo único [“A Corte Suprema compete: (...); 2) julgar: (...); III – em recurso extraordinário, as causas decididas pelas Justiças locais em única ou última instância: (...); quando ocorrer diversidade de interpretação definitiva da lei federal entre Cortes de Apelação de Estados diferentes, inclusive do Distrito Federal ou dos Territórios, ou entre um deste Tribunais e a Corte Suprema, ou outro Tribunal federal; (...). Parágrafo único – Nos casos do nº 2, III, letra d , o recurso poderá também ser interposto pelo Presidente de qualquer dos Tribunais ou pelo Ministério Público.”], e 144, parágrafo único (“A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está sob a proteção especial do Estado. Parágrafo único – A lei civil determinará os casos de desquite e de anulação de casamento, havendo sempre recurso ex officio, com efeito suspensivo.”).

Não diferentemente ocorreu na CREUB/1937, a teor do art. 101, parágrafo único, segundo o qual: “Ao Supremo Tribunal Federal compete: (...); II – julgar: (...); 2º) em recurso ordinário: (...); b) as decisões de última ou única instância denegatórias de habeas corpus; (...). Parágrafo único – Nos casos do nº II, nº 2, letra b, poderá o recurso também ser interposto pelo Presidente de qualquer dos Tribunais ou pelo Ministério Público.”

Tangencialmente ao Código de Processo Civil de 1939, o seu art. 822, na redação dada pelo Decreto-Lei Federal n. 4.565/1942, dispunha sobre a aludida apelação necessária, à época, sob a natureza jurídica de recurso, in verbis:

A apelação necessária ou ex-officio será interposta pelo juiz mediante simples declaração na própria sentença. Parágrafo único. Haverá apelação necessária: I – das sentenças que declarem a nulidade do casamento; II – das que homologam o desquite amigável; III – das proferidas contra a

União, o Estado ou o Município. (grifo nosso).

De tal dispositivo legal (art. 822 do CPC/1939), estabelecem-se duas espécies de apelação: uma voluntária, e a outra necessária, esta interposta pela autoridade judiciária no próprio corpo da sentença prolatada, por simples declaração: Recorro de ofício. Subam-se os autos ao Egrégio Tribunal.

Diga-se então que tais casos de apelação necessária eram expressos: a) das sentenças que declarassem a nulidade de sentença; b) das sentenças que homologassem o desquite (expressão alterada para separação, a teor da Lei Ordinária Federal n. 6.515/1977) amigável; c) das sentenças proferidas contra a União, o Estado, ou o Município. Também, outras leis, regulamentos, provisões, enfatizavam tal aspecto, objetivando um interesse social ou de ordem superior, consoante assevera João Bonumá39. Essa proposição embasava-se nas carências daquela época, ligadas aos traços empíricos do processo reinol. E, ainda, teve-se o agravo ex officio, instituído para as decisões terminativas.

Já sob a sistemática do atual CPC (Lei Ordinária Federal n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973), a remessa necessária encontra-se prevista no art. 475 do CPC/1973, especificamente, no título VIII (do procedimento ordinário), capítulo VIII (da sentença e da coisa julgada), seção II (da coisa julgada40), ao contrário de sua natureza jurídica de recurso nos moldes do CPC/1939.

E assim estabelecia o genuíno art. 475 do CPC de 1973:

Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: I – que anular o casamento; II – proferida contra a União, o Estado e o Município; III – que julgar improcedente a execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art. 585, VI). Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação voluntária da parte vencida; não o fazendo, poderá o presidente do tribunal avocá-los.

Noutro sentido, vale lembrar Hans Kelsen41, para quem: “a teoria da construção escalonada da ordem jurídica apreende o Direito no seu movimento, no processo, constantemente a renovar-se, da sua autocriação”.

Nesse contexto, atinentes então que o Direito está em constante inovação, evolução e transformação, os autores do Anteprojeto de Lei n. 15, Athos Gusmão Carneiro, do Instituto Brasileiro de Direito Processual (Movimento “A Reforma da Reforma”), e Sálvio de Figueiredo Teixeira, então Diretor da Escola Nacional de Magistratura, visando às alterações de dispositivos do Código de

39 BONUMÁ, João. Direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 1946. v. 3, p. 15 e 36.

40 À luz do reexame compulsório do provimento jurisdicional (art. 475 do Código de Processo Civil), a

coisa julgada ocorre tão somente quando haja confirmação da sentença proferida na instância inferior pelo grau tribunalício (ato complexo sui generis), esgotados os recursos voluntários das partes, e, consequentemente, instaure-se o “trânsito em julgado”.

41 KELSEN, Hans. Teoria pura do direito. Tradução de João Baptista Machado. 6. ed. São Paulo:

Processo Civil, referentes a recursos e ao reexame necessário, quanto a estes últimos, na exposição de motivos, argumentaram:

Art. 475. Não obstante objeções de ordem doutrinária, ainda se apresenta conveniente manter, no sistema processual brasileiro, o reexame necessário, também impropriamente nominado ‘recurso de ofício`, tendo em vista melhor preservar os interesses do erário, tutelando patrimônio que é, em última análise, de todos os cidadãos.

Todavia, a bem da eficiência do processo, algumas alterações são alvitradas, a fim de:

a) eliminar sua incidência nas ações anulatórias de casamento, pois nelas o reexame necessário não mais apresenta qualquer sentido, em sistema jurídico que passou a admitir o divórcio a vínculo;

b) corrigir erro de técnica, substituindo a referência à ‘improcedência da execução` de dívida ativa da Fazenda, pela correta menção à ‘procedência dos embargos` opostos à execução da dívida ativa. Procedentes ou improcedentes são sempre os embargos do executado, não a execução propriamente dita, na qual o contraditório se apresenta mínimo;

c) eliminar o reexame nas causas de valor não excedente a quarenta salários mínimos, nas quais eventual defesa do erário não compensa a demora e a redobrada atividade procedimental que o reexame necessariamente impõe, sobrecarregando os tribunais. Os descalabros contra o erário acontecem, isto sim, nas demandas de grande valor;

d) também não se justifica o reexame quando a decisão impugnável estiver fundada em súmula ou jurisprudência firme do tribunal de destino ou de tribunal superior. Em tais casos, aliás, a própria Administração tem baixado instruções a seus procuradores dispensando a interposição de apelação, providência essa todavia inoperante se for mantido o reexame de ofício; e) permitir a execução provisória, pendente o reexame, salvo nos termos do proposto § 4º, naquelas hipóteses em que da execução possa resultar dano grave e de difícil reparação; neste caso, a requerimento da entidade de direito público, o juiz poderá atribuir ao reexame também o efeito suspensivo.42

Então, até às alterações do vigente Código de Processo Civil (1973), referentes a recursos e ao reexame necessário (art. 475), pela Lei Ordinária Federal n. 10.352, de 26 de dezembro de 2001, a matéria tramitou, no Congresso Nacional, desde 22 de agosto de 2000, inicialmente na Câmara dos Deputados Federais, sob a chancela de “Projeto de Lei n. 3.474/2000”, sendo cediço o seu nascedouro por intermédio da Mensagem n. 1.110, de 18 de agosto de 2000, emitida pelo então presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, conforme consta na ata da 150ª sessão da aludida Casa Legislativa, datada de 21 de agosto de 2000. Registre-se regular manifestação também do Senado Federal.43

42 IBEJ – Cursos Jurídicos Ltda. Anteprojeto de lei (n. 15) - versão final. Disponível em:

<http://www.ibej.com.br/destaques/antpjLeiCpc15.htm>. Acesso em: 30 set. 2001.

43 BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de lei n. 3.474/2000. Disponível em:

<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=19720>. Acesso em: 23 jul. 2013.

Destarte, ensejou-se a sanção, a promulgação e a consequente publicação no Diário Oficial da União, da Lei Ordinária Federal n. 10.35244, de 26 de

dezembro de 2001, que, em parte, alterou a redação do art. 475 da norma processual civil pátria, passando-se a vigorar, in verbis:

Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: I – proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município, e as respectivas autarquias e fundações de direito público; II – que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art. 585, VI). § 1º Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação; não o fazendo, deverá o presidente do tribunal avocá-los. § 2º Não se aplica o disposto neste artigo sempre que a condenação, ou o direito controvertido, for de valor certo não excedente a 60 (sessenta) salários mínimos, bem como no caso de procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa do mesmo valor. § 3º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal ou em súmula deste Tribunal ou do tribunal superior competente.

Enaltece-se também que o instituto do reexame compulsório do provimento jurisdicional insere-se no ordenamento jurídico brasileiro em ramificações distintas, ora com expressa aplicabilidade, ora com expressa exclusão: 1) Código de Processo Penal (art. 574: “Os recursos serão voluntários, excetuando-se os seguintes casos, em que deverão ser interpostos, de ofício, pelo juiz: I – da sentença que conceder habeas corpus; II – da que absolver desde logo o réu com fundamento na existência de circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena, nos termos do art. 411.”); 2) Código de Processo Penal Militar {arts. 106 [“O juiz poderá separar os processos: a) quando as infrações houverem sido praticadas em situações de tempo e lugar diferentes; b) quando fôr excessivo o número de acusados, para não lhes prolongar a prisão; c) quando ocorrer qualquer outro motivo que êle próprio repute relevante. 1º Da decisão de auditor ou de Conselho de Justiça

44 “(...). 1. A incidência do duplo grau de jurisdição obrigatório é imperiosa quando a resolução do

processo cognitivo for anterior à reforma engendrada pela Lei 10.352/2001, porquanto, à época, não havia a imposição do mencionado valor de alçada a limitar o cabimento da remessa oficial. (...). 2. A