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Na reforma constitucional do Poder Judiciário (2003), desempenhada pela Secretaria de Reforma do Judiciário, órgão do Ministério da Justiça, especificamente no tema central “eficiência e celeridade no Poder Judiciário”, coordenado por Luiz Edson Fachin, encontra-se nos princípios fundamentais, o subtítulo “celeridade”, donde se observa:

CF88 – nada consta;

Substitutivo de deputados do PT apresentado na Comissão Especial da Câmara de análise da PEC 96/92 – As pessoas jurídicas de direito público, em processo judicial ou administrativo, não disporão de prerrogativas especiais, inclusive de prazo para manifestação ou duplo grau de jurisdição obrigatório (art....);

PEC 96/92 – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação (art. 5º, LXXVIII);

PEC 29/00 – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo, como direito público subjetivo, e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação, sendo assegurados à Fazenda Pública, ao Ministério Público e à Defensoria Pública, prazos especiais, na forma da lei (art. 5º, LXXVIII);

ECCJS 14 e 96 (relator) – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo, como direito público subjetivo, e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação, sendo vedados prazos processuais diferenciados às partes em razão da personalidade jurídica – parecer favorável CCJ;

EPS 106 (Romero Jucá) – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo, e os meios que garantam a celeridade processual, sendo assegurados prazos especiais ao Ministério Público, à Defensoria Pública, bem assim à União, aos Estados, ao DF, aos Municípios, e às suas autarquias e Fundações, na forma da lei – parecer favorável;

96 RIO DE JANEIRO. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Acórdão da 10ª Câmara Cível

do TJRJ. Apelação cível n. 2003.001.20935. Relator: Desembargador Ivan Cury. Julgamento em: 25

nov. 2003. Disponível em: <http://www.tjrj.jus.br/web/guest/jurisprudencial>. Acesso em: 22 maio 2013.

OAB – aos interessados, no âmbito judicial ou administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação (art. 5º, LXXVIII) e as pessoas jurídicas de direito público interno, em processo judicial ou administrativo, não terão prerrogativas especiais, inclusive de prazo para manifestação ou de duplo grau obrigatório, ressalvadas as referentes a execuções fiscais (LXXIX); AMB – aos interessados, no âmbito judicial ou administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação (art. 5º LXXVIII) e as pessoas jurídicas de direito público interno, em processo judicial ou administrativo, não terão prerrogativas especiais, inclusive de prazo para manifestação ou de duplo grau obrigatório, ressalvadas as referentes a execuções fiscais (LXXIX) – O disposto no inciso LXXIX do art. 5º entrará em vigor a partir de dois anos da data da promulgação desta emenda.

Nesse ínterim, pelas propostas então apresentadas pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), verifica- se a existência de medidas procedimentais que visam à extinção do reexame compulsório, bem assim dos prazos processuais privilegiados da Fazenda Pública.

Frise-se que o processo é feito de tempo e contra o tempo. Assim, o prazo dilatado para a Fazenda Pública e o duplo grau de jurisdição obrigatório faz com que a parte adversa sofra prejuízos temporais, processuais e econômicos extremamente ofensivos.

Segundo Rafael de Souza Borelli97 e Marcos Antônio Striquer Soares:

atualmente, a concessão de tratamento diferenciado ao Poder Público vem causando mais prejuízos que vantagens ao direito de acesso à justiça dos cidadãos. Inserto na temática do acesso à justiça erige-se como direito fundamental o direito à razoável duração do processo, o qual ingressou em nossa ordem constitucional através da Emenda Constitucional 45/2004.

Logo, conforme observado também no item 1.4.3.1 deste trabalho, não resta dúvida de que há flagrante ofensa à “razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação” (art. 5º, inc. LXXVIII, da CRFB/1988).

Registrem-se as tramitações, na Câmara dos Deputados, dos Projetos de Lei n. 3.615/2004, no sentido da revogação do art. 475 do CPC, e n. 6.710/2009, a fim de dispensar a exigência do duplo grau de jurisdição para confirmação da

97 BORELLI, Rafael de Souza; SOARES, Marcos Antônio Striquer. Análise crítica do reexame

necessário à luz do acesso à justiça e da razoável duração do processo. Revista de estudos

jurídicos da UNESP, Franca, v. 16, n. 24, ago./dez. 2012. Disponível em:

<http://periodicos.franca.unesp.br/index.php/estudosjuridicosunesp/article/view/601>. Acesso em: 1 jun. 2013.

sentença homologatória de acordo ou transação em processos que órgãos públicos figurem como parte processual.

Porém, referidos Projetos de Lei, Emendas (p. ex. n. 554/2011, que modifica a redação dos incisos I a III do § 2º do art. 483, alterando os valores das causas para que se proceda à remessa necessária) e Subemendas (p. ex. n. 18, que atribui nova redação para o art. 483, dispondo sobre os casos de remessa necessária), foram apensados aos Projetos de Lei n. 6.025/2005 e n. 8.046/2010, ambos do Senado Federal, que tratam do Novo Código de Processo Civil (NCPC), e, a respeito da remessa necessária, o atual texto substitutivo98 prevê:

Art. 50799. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:

I – proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município e as respectivas autarquias e fundações de direito público;

II – que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública;

III – que, proferida contra os entes elencados no inciso I, não puder indicar, desde logo, o valor da condenação.

§ 1º Nos casos previstos neste artigo, ultrapassado o prazo sem que a apelação tenha sido interposta, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal; se não o fizer, deverá o presidente do respectivo tribunal avocá-los. Em qualquer desses casos, o tribunal julgará a remessa necessária.

§ 2º Não se aplica o disposto neste artigo sempre que o valor da condenação, do proveito, do benefício ou da vantagem econômica em discussão for de valor certo inferior a:

I – mil salários mínimos para União e as respectivas autarquias e fundações de direito público;

II – quinhentos salários mínimos para os Estados, o Distrito Federal e as respectivas autarquias e fundações de direito público, bem assim para as capitais dos Estados;

III – cem salários mínimos para todos os demais municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público.

§ 3º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em:

I – súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça; II – acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de casos repetitivos;

III – entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência;

IV – entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa.

98 BRASIL. Câmara dos Deputados. Novo código de processo civil: parecer do relator-geral.

Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes- temporarias/especiais/54a-legislatura/8046-10-codigo-de-processo-civil/arquivos/parecer-do-relator- geral-paulo-teixeira-autenticado>. Acesso em: 2 jun. 2013.

Entrementes, torna-se relevante destacar o fato de que, na fase anterior à elaboração da redação dos dispositivos do Novo Código de Processo Civil (NCPC), várias decisões acerca das proposições temáticas foram tomadas, dentre elas, no que concerne ao item 5 (recursos), a extinção da remessa necessária (alínea “r”) não restou configurada, apesar da “celeridade processual” lembrada por José Sarney, então presidente do Senado Federal, e pelo atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux100, então presidente da comissão de juristas encarregada de elaborar anteprojeto do NCPC, segundo o qual

a Comissão concluiu nas diversas proposições por dotar o processo e, a fortiori, o Poder Judiciário, de instrumentos capazes, não de enfrentar centenas de milhares de processos, mas antes, de desestimular a ocorrência desse volume de demandas, com o que, a um só tempo, salvo melhor juízo, sem violação de qualquer comando constitucional, visou tornar efetivamente alcançável a duração razoável dos processos, promessa constitucional e ideário de todas as declarações fundamentais dos direitos do homem, de todas as épocas e continentes, e, ainda, propiciar maior qualificação da resposta judicial, realizando o que Hans Kelsen expressou ser o mais formoso sonho da humanidade; o sonho de justiça.

E assim tal é o mote do Projeto do Novo Código de Processo Civil, nas palavras de Roberto de Aragão Ribeiro Rodrigues101:

De fato, uma vez mitigadas ao longo das últimas quatro décadas [referência ao período de vigência do atual Código de Processo Civil, que data de 1973] as desigualdades existentes entre a Fazenda Pública e os particulares no que concerne à forma e à eficácia de sua atuação em processos judiciais, notadamente no que diz respeito à estruturação das procuradorias públicas neste período, perde o sentido a manutenção do tratamento desigual nos termos até então vigentes. (...).

Demais disso, a restrição das hipóteses de cabimento de reexame necessário é medida que se impõe na busca por uma maior efetividade do processo. Fala-se aqui em maior eficiência da máquina judiciária como um todo, e não apenas na maior agilidade na tramitação dos processos que envolvam entes públicos.

Soa evidente que a redução do número de processos nos tribunais em decorrência da limitação dos casos de reexame necessário tem ao menos o potencial de acarretar sensível alívio na carga de trabalho de todo o Poder Judiciário.

Ainda que a inovação legislativa produza o efeito de gerar potenciais prejuízos ao erário e, por via de consequência, à própria coletividade,

100 BRASIL. Senado Federal. Estudos iniciais da comissão de juristas encarregada de elaborar

anteprojeto do novo código de processo civil, instituída pelo ato n. 379, de 2009, do presidente do Senado Federal, de 30 de setembro de 2009. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/1a_e_2a_Reuniao_PARA_grafica.pdf>. Acesso em: 2 jun. 2013.

101 RODRIGUES, Roberto de Aragão Ribeiro. As prerrogativas processuais da fazenda pública no

caberá à advocacia pública de todas as esferas da federação zelar para que tal não ocorra.

Parece que a assunção de mais esta responsabilidade se coaduna com o atual estágio de desenvolvimento e estruturação da Advocacia-Geral da União, das Procuradorias Estaduais e do Distrito Federal e também das Procuradorias dos Municípios, ao menos dos maiores e mais importantes do país.

Destarte, não resta dúvida de que a imparcialidade e a celeridade processuais são aspectos pontuais que merecem respaldo qualitativo na atualidade, de modo a consagrar justiça isonômica às partes litigantes, com exclusão de privilégio processual à Fazenda Pública em detrimento do particular (pessoas físicas e jurídicas e os de personificação anômala). Entretanto, diante da última proposta redacional para o novel Código de Processo Civil, especificamente quanto ao instituto do duplo grau de jurisdição obrigatório – permanência –, vê-se a manutenção dos tempos medievais em pleno século XI.

2 ANÁLISE CRÍTICA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO OBRIGATÓRIO: SOB O