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Na redação dada pela Lei Ordinária Federal n. 10.352, de 26.12.2001, estabelece o vigente art. 475 do Código de Processo Civil (1973):

Art. 475. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:

I – proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município, e as respectivas autarquias e fundações de direito público;

II – que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art. 585, VI).

§ 1º Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação; não o fazendo, deverá o presidente do tribunal avocá-los.

§ 2º Não se aplica o disposto neste artigo sempre que a condenação, ou o direito controvertido, for de valor certo não excedente a 60 (sessenta) salários mínimos, bem como no caso de procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa do mesmo valor.

§ 3º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal ou em súmula deste Tribunal ou do tribunal superior competente.

Logo, pela redação do dispositivo legal anteriormente destacada, vê-se, inicialmente, que o caput do art. 475 do Código de Processo Civil dispõe que: “Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença: (...)”.

Então, o reexame compulsório é interposto, via de regra, no próprio provimento, ou seja, no ato resolutivo jurisdicional que encerra o procedimento (processo). Nada obsta, porém, a que seja posteriormente.

Jurisprudencialmente: “Sentença – Fazenda Estadual vencida – Reexame necessário considerado interposto – Artigo 475, II, do Código de Processo Civil.”76

76 SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Acórdão da 4ª Câmara de férias

julho/1996 de direito público do TJSP. Apelação cível n. 10.567-5 – São Caetano do Sul. Relator:

Desembargador Eduardo Braga. Julgamento em: 15 ago. 1996. Disponível em: <http://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/consultaCompleta.do?f=1>. Acesso em: 22 maio 2013.

Trata-se, pois, tão somente de sentença e não de decisão interlocutória, tampouco de mero despacho.

Também, idêntico entendimento jurisprudencial a respeito:

Exceção de incompetência. Recurso de ofício. Incabibilidade. A sentença que julga exceção de incompetência – e que, na verdade, é decisão interlocutória, porque não extingue o processo – não está sujeita à remessa necessária de que trata o art. 475 do Código de Processo Civil, sendo indevido o seu encaminhamento ao juízo ad quem sem que interposto recurso pelo excipiente.77

Nesse sentido, verifica-se que a sentença monocrática se sujeita, obrigatoriamente, ao duplo grau de jurisdição, uma vez que, nos termos da lei (art. 475 do CPC), condiciona seus efeitos à apreciação tribunalícia, com devolução do conhecimento de toda a matéria, configurando, destarte, um “ato complexo sui

generis”.

Eis a posição do Superior Tribunal de Justiça (STJ):

PROCESSUAL CIVIL. REEXAME NECESSÁRIO. DEVOLUÇÃO DO

CONHECIMENTO DE TODA A MATÉRIA. EMBARGOS DE

DECLARAÇÃO. CABIMENTO. OMISSÃO. OCORRÊNCIA. 1. A remessa necessária (CPC, art. 475, I) devolve ao tribunal a apreciação de toda a matéria discutida na demanda que tenha contribuído para a sucumbência da Fazenda Pública. É procedimento obrigatório não sujeito ao princípio do

tantum devolutum quantum appelatum. (...).78

De qualquer modo, o provimento de primeira instância não transita em julgado, enquanto não houver decisão da instância superior.

Eis a razão da súmula n. 423 do Supremo Tribunal Federal (STF): “Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso ‘ex officio’, que se considera interposto ‘ex lege’.”

E assim é a jurisprudência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP):

Recurso – Reexame necessário – Obrigatoriedade – Sentença desfavorável ao Município – Aplicação do artigo 475, inciso II do Código de Processo Civil

77 MARANHÃO. Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. Acórdão da 2ª Câmara Cível do TJMA.

Exceção de incompetência n. 0174261994. Relator: Desembargador José Antonio de Almeida e Silva. Julgamento em: 29 nov. 1994. Disponível em: <http://jurisconsult.tjma.jus.br/>. Acesso em: 22 maio 2013.

78 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão da 1ª Turma do STJ. Recurso especial n. 397.154

– PB. Relator: Ministro Teori Albino Zavascki. Julgamento em: 4 maio 2004. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=1232672&sReg=200 101928426&sData=20040524&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 13 maio 2013.

– Decisão que não produz seus efeitos senão depois de confirmada pelo Tribunal de Justiça – Recurso provido parcialmente para esse fim. Não é exequível a sentença, antes do reexame necessário. A qualquer momento, qualquer das partes, poderá pleitear ao Juiz de Direito a remessa dos autos à instância superior. E mesmo, na ausência de qualquer postulação das partes, poderá o digno magistrado determinar o reexame necessário.79

Sendo assim, entende-se que os efeitos, em caráter definitivo, são inerentes ao acórdão e não à sentença em si, pois, em obediência ao “princípio da substituição do órgão inferior pelo superior” (art. 512 do Código de Processo Civil – “O julgamento proferido pelo tribunal substituirá a sentença ou a decisão recorrida no que tiver sido objeto de recurso.”), confirmar a sentença nada mais é do que decidir novamente, não havendo, no caso, outorga de eficácia. Ademais, ratifica-se a posição de que o reexame compulsório não se trata de recurso, mas de mera condição de reanálise compulsória de provimento jurisdicional.

Em havendo decisão tribunalícia divergente, torna-se possível a interposição do recurso de embargos infringentes: “Embargos infringentes. Remessa necessária. Cabem os embargos, quando não for unânime o julgado proferido em reexame necessário, ainda que não interposta a apelação voluntária. Recurso Extraordinário conhecido e provido.”80

Adiante, atinente à reformatio in pejus em desfavor da Fazenda Pública, seguem-se orientações doutrinárias e jurisprudenciais majoritárias, admitindo-a, especificamente na existência de recurso voluntário da(s) parte(s). Tem-se a visão da emanação do efeito translativo-proibitivo. Não seria de todo justo e salutar lograr êxito a pretensão da parte vencida, eis que esta fora omissiva no ataque à sentença que lhe foi contrária. Se assim o fosse, em virtude de reexame compulsório, por nova análise, possibilitaria tal feição sem a interposição de recurso voluntário. Ora, somente o recurso é mecanismo legal, útil e adequado para ensejar a reforma, invalidação, esclarecimento ou integração de ato judicial decisório, a quem dele manejar.

79 SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Acórdão do TJSP. Apelação cível n.

207.984-2 – Pitangueiras. Relator: Desembargador Mohamed Amaro. Julgamento em: 5 fev. 1993. Disponível em: <http://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/consultaCompleta.do?f=1>. Acesso em: 22 maio 2013.

80 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão da 1ª Turma do STF. Recurso extraordinário n.

93.546 – RJ. Relator: Ministro Xavier de Albuquerque. Julgamento em: 16 dez. 1980. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/pesquisarJurisprudencia.asp>. Acesso em: 22 maio 2013.

Jurisprudencialmente, acerca da reformatio in pejus:

PROCESSUAL CIVIL. REMESSA NECESSÁRIA. MAJORAÇÃO DA VERBA HONORÁRIA. “REFORMATIO IN PEJUS”. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO RETIDO. NECESSIDADE DE REITERAÇÃO NAS CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO. 1. Em sede de reexame necessário, não pode o Tribunal majorar a verba honorária arbitrada na sentença de primeiro grau para agravar a situação da Fazenda Pública. Aplicação da Súmula n. 45 do STJ.81

Válido, em termos, é o impedimento de execução provisória, face ao efeito suspensivo [art. 587, segunda parte, do CPC: “A execução (...); é provisória, quando a sentença for impugnada mediante recurso82, recebido só no efeito

devolutivo.”], embora deva que se considerar hábil respectiva execução provisória em desfavor do Estado (lato sensu), estritamente se patente a ausência de dano grave e de difícil reparação (ex. questões alimentares), como também, na impossibilidade de efeito suspensivo.

Nesse contexto, é o seguinte entendimento tribunalício:

Agravo de Instrumento – Processo Civil – Execução contra a Fazenda Pública – Improcedência dos embargos do devedor - Aplicação do duplo grau de jurisdição – Impossibilidade de execução provisória – Agravo provido – Inteligência do art. 475, II, do CPC.83

Duplo grau de jurisdição. Embargos à execução de título judicial. Desnecessidade de trânsito em julgado para execução provisória. Pendente agravo contra inadmissão de Recurso Extraordinário. Correção monetária e juros compensatórios calculados corretamente. Juros moratórios devidos a partir do trânsito em julgado da sentença. Manutenção da sentença, em reexame necessário.84

81 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão da 2ª Turma do STJ. Recurso especial n. 264.264

– BA. Relator: Ministro João Otávio de Noronha. Julgamento em: 10 fev. 2004. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=1126469&sReg=200 000620270&sData=20040315&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 22 maio 2013.

82 Adverte-se pelo entendimento de que o reexame compulsório não se trata de recurso, mas, por

extensão analógica, pode-se estabelecer tal paralelo.

83 SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Acórdão da 7ª Câmara de direito

público do TJSP. Agravo de instrumento n. 84.464-5. Relator: Desembargador Jovino Sylos.

Julgamento em: 10 fev. 1999. Disponível em: <http://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/consultaCompleta.do?f=1>. Acesso em: 22 maio 2013.

84 RIO DE JANEIRO. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Acórdão da 1ª Câmara Cível

do TJRJ. Duplo grau obrigatório de jurisdição n. 2002.009.00191-1. Relator: Desembargador Paulo

Sergio Fabiao. Julgamento em: 26 nov. 2002. Disponível em:

Enfim, vale mencionar também que o reexame compulsório não está sujeito a preparo, tanto em primeira quanto em segunda instâncias, uma vez que, por ordem legal, implica-se o duplo grau de jurisdição obrigatório, ensejando, assim, a satisfação da tutela jurisdicional pelo Estado. Porém, justifica-se o preparo se houver a interposição de recurso voluntário pela parte insatisfeita (recorrente), exceto se concedida a justiça gratuita.

Adiante, o inc. I, do art. 475, do Código de Processo Civil, estabelece uma das formas de sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório, qual seja: “proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município, e as respectivas autarquias e fundações de direito público”. Nesse contexto é a posição jurisprudencial: “(...). SENTENÇA DESFAVORÁVEL À FAZENDA PÚBLICA. REMESSA NECESSÁRIA. CABIMENTO.”85

Ademais, Teresa Arruda Alvim Wambier86 e Luiz Rodrigues Wambier destacam que na expressão “proferida contra” não se acha contida a extinção do processo “sem” o julgamento do mérito.

Por assim dizer, a jurisprudência põe-se: “Recurso Oficial – Não conhecimento – Mandado de segurança – Não se sujeita à remessa necessária a sentença que declara extinto o processo sem julgamento de mérito.”87

Entretanto, em sentido contrário, firma-se nesta tese doutoral o entendimento de que, por exceção, a sentença terminativa também estará sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório, eis que o termo “proferida contra” não deve ser entendido apenas quando proferida sentença definitiva (que é a regra), a não ser que estejam presentes as exclusões legais previstas nos §§ 2º e 3º do art. 475 do Código de Processo Civil.

Aliás, nesse sentido, Fredie Didier Jr.88 corrobora:

85 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão da 1ª Turma do STJ. Recurso especial n. 521.714

– AL. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento em: 2 mar. 2004. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?tipo_visualizacao=null&processo=521714&b=ACO R&thesaurus=JURIDICO>. Acesso em: 22 maio 2013.

86 WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; WAMBIER, Luiz Rodrigues. Breves comentários à 2ª fase da

reforma do código de processo civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002. p. 75.

87 SÃO PAULO. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Acórdão da 4ª Câmara Cível do TJSP.

Apelação n. 266.564-1 – Avaré. Relator: Desembargador Orlando Pistoresi. Julgamento em: 5 out. 1995. Disponível em: <http://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/consultaCompleta.do?f=1>. Acesso em: 22 maio 2013.

88 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil. 8. ed. Salvador: JusPodivm, 2010. v. 3, p.

Jorge Tosta alude à situação de a sentença terminativa proferida contra o Poder Público conter condenação ao pagamento de verba honorária. Nesse caso, entende ele que é cabível o reexame, se o valor da verba honorária for superior a 60 (sessenta) salários-mínimos. Parece razoável esse entendimento. O Superior Tribunal de Justiça corrobora esse entendimento, tendo, aliás, editado o enunciado n. 325 da Súmula de sua Jurisprudência Predominante, cujo teor tem a seguinte redação: “A remessa oficial devolve ao Tribunal o reexame de todas as parcelas da condenação suportadas pela Fazenda Pública, inclusive dos honorários de advogado”. Significa, então, que há reexame necessário no tocante a qualquer condenação imposta contra a Fazenda Pública, ainda que se restrinja aos honorários de sucumbência. Cumpre, todavia, consignar que somente há reexame necessário, mesmo no caso a que se refere o referido enunciado sumular, se o valor da condenação for superior a 60 (sessenta) salários mínimos. Assim, se a Fazenda Pública for condenada ao pagamento de honorários no valor de até 60 (sessenta) salários mínimos, não haverá reexame necessário.

(...) é preciso investigar em quais casos há remessa necessária de sentenças terminativas. Isso porque o § 3º do art. 515 do CPC pressupõe ter havido sentença em que não se examinou o mérito da causa. Já se viu que sentenças terminativas contra o Poder Público não se sujeitam ao reexame necessário. Mas não se pode ignorar que a sentença terminativa em ação popular (art. 19 da Lei 4.717/1965) e em ação civil pública que serve de instrumento de proteção de direitos de pessoas portadoras de deficiência (art. 4º, § 1º, Lei n. 7.853/1989) submete-se ao reexame necessário. (grifos no original).

Condizente à sentença homologatória de acordo (judicial ou extrajudicial), levada à apreciação do art. 269, inc. III, do CPC, firma-se posição pela subsistência do reexame compulsório, desde que não caracterizados os dispostos nos anteriormente citados §§ 2º e 3º do art. 475 do Código de Processo Civil.

Jurisprudencialmente:

4. A insurgência especial está embasada na alegada ofensa ao disposto nos artigos 475, I, e 269, III, ambos do CPC, asseverando o recorrente que a sentença homologatória extinguiu o processo com julgamento de mérito, inexistindo qualquer nulidade, na medida em que teve anuência do Ministério Público. Acrescenta que a sentença exarada não contraria os interesses do Município, e, por tal razão, não se sujeita ao reexame necessário.

5. Na hipótese dos autos, o Município, com a realização do acordo, admitiu como devidos valores que sequer foram apurados judicialmente, e ainda terá que desembolsar mais uma quantia de R$ 15.000,00 a serem pagos ao ora recorrente em prestações de R$ 1.000,00. Em sendo assim, revela-se notoriamente desfavorável ao ente público a decisão homologatória da transação formulada entre as partes, que ostenta a natureza de sentença de mérito, dando ensejo a sua submissão ao duplo grau de jurisdição, segundo a regra do artigo 475, inciso I, do CPC.89

89 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão da 2ª Turma do STJ. Recurso especial n.

1.198.424 – PR. Relator: Ministro Mauro Campbell Marques. Julgamento em: 12 abr. 2012. Disponível em:

<https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=21581967&sReg=20 1001084822&sData=20120418&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 23 jul. 2013.

No que tange aos entes estatais que invocam a aplicação do art. 475 do Código de Processo Civil, são eles: a União, os Estados-Membros, o Distrito Federal e os Municípios, conquanto, por força também do art. 10 da Lei Ordinária Federal n. 9.469/1997, em relação às respectivas autarquias e fundações públicas de direito público, além do consórcio público na modalidade de associação pública, conforme dispõe o art. 6º, inc. I, da Lei Ordinária Federal n. 11.107/2005. Por assim dizer, registre-se que as sociedades de economia mista e as empresas públicas não estão submetidas a tal instituto, posto que ambas são pessoas jurídicas de direito privado.

E tal é a posição tribunalícia:

Ação Reivindicatória - Prova de propriedade - Ilegitimidade passiva ad

causam - Art. 475, II, CPC. 1- Tratando-se de empresa pública e não

autarquia ou fundação pública, não se aplica o disposto no artigo 475, Inciso II, do Código de Processo Civil. 2 - Não se desincumbindo a parte do ônus da prova, inadmissível o reconhecimento da ilegitimidade passiva ad

causam.90

Sequencialmente, estatui o inc. II do art. 475 do CPC outra forma de sentença sujeita ao reexame compulsório: “que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art. 585, VI)”.

Considera-se então a jurisprudência:

PROCESSUAL CIVIL. FAZENDA PÚBLICA ESTADUAL. EMBARGOS À

EXECUÇÃO REJEITADOS. REEXAME NECESSÁRIO.

INAPLICABILIDADE. 1. O CPC, art. 475, ao tratar do reexame obrigatório em favor da Fazenda Pública, incluídas as Autarquias e Fundações Públicas, no tocante ao processo de execução, limitou o seu cabimento apenas à hipótese de procedência dos embargos opostos em execução de dívida ativa (inciso II). Não há, pois, que estendê-lo aos demais casos. 2. Precedentes (REsp 241959, Corte Especial, Rel. Min. Sálvio de Figueiredo, DJ de 18.08.2003). 3. Embargos de divergência não conhecidos.91

90 DISTRITO FEDERAL E TERRITÓRIOS. Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios.

Acórdão da 5ª Turma Cível do TJDFT. Apelação n. 1999.01.103522-69. Relatora: Desembargadora

Haydevalda Sampaio. Julgamento em: 9 dez. 2002. Disponível em:

<http://pesquisajuris.tjdft.jus.br/IndexadorAcordaos-

web/sistj?visaoId=tjdf.sistj.acordaoeletronico.buscaindexada.apresentacao.VisaoBuscaAcordao>. Acesso em: 22 maio 2013.

91 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão da Corte Especial do STJ. Embargos de

divergência em recurso especial n. 251.841 – SP. Relator: Ministro Edson Vidigal. Julgamento em: 25

mar. 2004. Disponível em:

<https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=927686&sReg=2000 00881465&sData=20040503&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 22 maio 2013.

Dita também o art. 475 do Código de Processo Civil, em seu § 1º, que o magistrado, sponte propria, remeta os autos ao tribunal competente, independentemente de apelação espontânea pela(s) parte(s), sob pena de avocação pelo presidente do tribunal, em mero ato administrativo.

Já o § 2º do art. 475 do Código de Processo Civil evidencia que

não se aplica o disposto neste artigo sempre que a condenação, ou o direito controvertido [trata-se de pretensões meramente declaratórias ou constitutivas], for de valor certo não excedente a 60 (sessenta) salários mínimos, bem como no caso de procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa do mesmo valor.

Aplica-se, pois, no caso supramencionado, a extensão da sucumbência da Fazenda Pública, seja ela parte autora ou demandada.

Jurisprudencialmente:

I – O desate da controvérsia envolve a compreensão da expressão “valor

certo” que consta do parágrafo 2º do artigo 475 da Lei Processual vigente.

II – A alteração dada pela Lei 10.352/01 ao artigo 475, § 2º do Código de Processo Civil tem aplicação imediata.

III – Neste contexto, impõe-se considerar o espírito do legislador que, com a intenção de agilizar a prestação jurisdicional, implementou diversas alterações recentes no Código de Processo Civil, como a do caso vertente com relação ao parágrafo 2º do artigo 475 do Estatuto Processual. Desta forma, não é razoável obrigar-se à parte vencedora aguardar a confirmação pelo Tribunal de sentença condenatória cujo valor não exceda a 60 (sessenta) salários mínimos.

IV – Em sendo assim, a melhor interpretação à expressão “valor certo” é de que o valor limite a ser considerado seja o correspondente a 60 (sessenta) salários mínimos na data da prolação da sentença, porque o reexame necessário é uma condição de eficácia desta. Assim, será na data da prolação da sentença a ocasião adequada para aferir-se a necessidade de reexame necessário ou não de acordo com o “quantum” apurado no momento.

V – Neste sentido, quanto ao “valor certo”, deve-se considerar os seguintes critérios e hipóteses orientadores: a) havendo sentença condenatória líquida: valor a que foi condenado o Poder Público, constante da sentença; b) não havendo sentença condenatória (quando a lei utiliza a terminologia

direito controvertido – sem natureza condenatória) ou sendo esta ilíquida:

valor da causa atualizado até a data da sentença, que é o momento em que deverá se verificar a incidência ou não da hipótese legal.92 (grifos no

original).

Duplo grau obrigatório de jurisdição. Não conhecimento. Causa de valor certo. 1. Não está sujeita ao duplo grau de jurisdição a sentença que

92 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão da 5ª Turma do STJ. Recurso especial n. 576.698

– RS. Relator: Ministro Gilson Dipp. Julgamento em: 8 jun. 2004. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=1088947&sReg=2003 01494002&sData=20040701&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 19 jul. 2013.

condenar o valor certo não excedente a sessenta salários mínimos. 2. Aplicação do § 2º, do art. 475 do Código de Processo Civil. Não conhecimento do recurso obrigatório.93

Afinal, o art. 475 do CPC, em seu § 3º, determina que “também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em jurisprudência