Grafik 2.21: 2000 Yılı Enflasyon Oranları (Yıllık Değişim %)
2.2.1. Güçlü Ekonomiye Geçiş Programı
O segundo modelo de crescimento a ser explorado é o proposto por Kaldor (1970). Mais uma vez, o crescimento da economia é induzido pela demanda, mesmo no longo prazo. Destacando-se, particularmente, as exportações como o principal componente da demanda autônoma numa economia aberta. Conforme Freitas (2003), o autor se propõe a elaborar através de sua formulação uma explicação para as divergências entre as taxas de crescimento dos países.
A partir do conceito de “causalidade cumulativa”, desenvolvido por Myrdal, Kaldor procura explorar a ligação entre as exportações e o crescimento do produto que desencadearia um círculo virtuoso de expansão da economia. Conforme a taxa de crescimento das exportações cresce, seu efeito sobre a demanda impulsiona o crescimento da produção, que gera ganhos de produtividade na indústria. Essa maior produtividade tende a se espraiar pelos demais setores da economia, gerando maior competitividade dos bens comercializáveis e, portanto, acelerando a taxa de crescimento das exportações, que desencadeará um novo processo de expansão da demanda, com efeitos sobre a produção e assim sucessivamente (BRITTO e ROMERO, 2011).
Em termos formais, o modelo inicia-se a partir da seguinte equação:
onde “g” representa a taxa de crescimento do produto, “x” indica a taxa de crescimento das exportações e “γ” sendo a elasticidade do crescimento do produto em relação ao crescimento das exportações. Logo, o crescimento do produto consiste numa função positiva do crescimento das exportações39(0 < γ < 1).
Em que pese questionamentos contrários40, Freitas (2003; 2009) interpreta que o modelo liderado pelas exportações idealizado por Kaldor como não apenas supondo que a economia seja conduzida pela demanda, como indica que o crescimento encontra um limite dado pela restrição externa, expresso por uma condição de equilíbrio do balanço de pagamentos. Desprezando os componentes financeiros e destacando o saldo comercial na conta de transações correntes, essa condição corresponde a ideia de que a variação no saldo das reservas internacionais seja igual a zero supõe, portanto, a igualdade entre o valor exportado e o total das importações. Mas a igualdade entre as exportações e importações pressupõe que duas condições sejam respeitadas: o orçamento governamental deve estar em equilíbrio e a poupança do setor privado deve ser igual ao investimento privado.
A partir da satisfação dessas condições, Freitas (2003) chega a seguinte equação:
g = x – g , (2)
sendo “g ” a taxa de variação do coeficiente das importações e ( = M/Y).
Dadas as equações (1) e (2) observa-se relações inversas entre γ e g , cuja implicação direta é que “a elasticidade de resposta ( ) da taxa de crescimento do PIB (g) à taxa de crescimento das exportações (x) tende a se reduzir quando o coeficiente de importações ( ) aumenta” (LOURENÇO et al., 2011, p. 19). Conforme Freitas (2003, p. 6), um aumento no coeficiente de importação implicaria numa taxa de crescimento das exportações maior do que
39 Medeiros e Serrano (2001, p. 106) observam que as exportações correspondem ao principal componente da
demanda agregada em função tanto dos efeitos do multiplicador sobre o consumo, como acelerador sobre o investimento agregado, mas também através do “seu papel no financiamento e relaxamento da restrição externa ao crescimento é absolutamente central e estratégico para todos os países, com a exceção daquele que emite a moeda de circulação internacional”.
40 Blecker (2009) e Thirwall e Dixon (1979) apud Lourenço et al. (2011) adotam a perspectiva de que a
abordagem kaldoriana estaria equivocada na construção da equação (1). Para esses autores é apenas através da demanda que as exportações afetam o crescimento. Portanto, recusam que a equação represente alguma restrição do balanço de pagamentos, argumentando que caso houvesse a equação traria algum tipo de referência ao comportamento das importações. Mas como observam Lourenço et al. (2011), se a economia é liderada pela demanda é preciso justificar o protagonismo das exportações frente aos demais componentes da demanda, como ilustra a referida equação. É nesse ponto que os autores cometem o erro na sua elaboração. Nesse sentido, Blecker (2009) sugere uma nova forma para a equação, de modo a incluir as variáveis supostamente ausentes.
a taxa de crescimento do produto para que esta seja positiva, por sua vez, “se o coeficiente de importação decresce, uma taxa de crescimento do produto positiva seria compatível com uma taxa de crescimento das exportações menor que a taxa de crescimento do produto”.
Lourenço et al. (2011) argumentam ainda que uma vez que o coeficiente de importações se eleve, a demanda deve diminuir, assim como maiores serão as dificuldades para o financiar o balanço de pagamentos, esses dois fatores contribuirão para a redução do produto. Assim, concluem que Kaldor ao formular a equação (1) estaria contemplando também a restrição do crescimento via componente externo.
Mas como o modelo rejeita implicitamente a PPC, logo após definir a função de demanda por exportações será necessário incluir o processo de formação dos preços domésticos, no qual se exclui os efeitos das variações cambiais. Nesse caso, as variações da taxa de câmbio não são compensadas por iguais variações nos níveis de preços. Os salários reais podem ser comprimidos indefinidamente por desvalorizações cambiais reais ou, alternativamente, variações cambiais afetam a taxa de crescimento das exportações, logo, a taxa de crescimento do produto.
A expansão dos preços domésticos é definida como função das taxas de variação dos salários nominais, da produtividade do trabalho e do mark-up sobre os custos do trabalho. Considerando que os salários nominais e o mark-up são variáveis exógenas, a taxa de crescimento da produtividade será num componente chave do modelo. Kaldor estabelece uma relação estrutural entre esta e a taxa de crescimento da produção, através da seguinte equação:
a = aa+ g (3)
onde aa indica o crescimento autônomo da produtividade e (0 < < 1) corresponde ao
coeficiente de Verdoorn, que expressa exatamente como o crescimento da produtividade responde a uma aceleração da taxa de crescimento da produção.
A equação (3) ficou conhecida como “lei de Verdoorn” e dentro do modelo de Kaldor permite a existência de crescimento cumulativoμ “crescimento do produto aumenta a produtividade do trabalho, reduzindo o preço dos bens domésticos que leva, consequentemente, a uma nova rodada de crescimento das exportações” (BRITTO e ROMERO, 2011, p. 9). Supostamente, então, seria possível concluir que a teoria consegue explicar porque a taxa de crescimento dos países não tende a convergir. Mas, como observam
Britto e Romero (2011), não é a simplesmente a relação entre produtividade e produto que explica por si só a polarização das taxas de crescimento dos países.
O diferencial decorre exatamente dos distintos níveis do coeficiente de Verdoorn. Dixon e Thirlwall41 (1975) apud Brito e Romero (2011) chamam atenção ao fato de que dada a ocorrência de rendimentos crescentes de escala e a presença de bens com alta elasticidade renda da demanda na indústria, o impacto do coeficiente de Verdoorn tende a ser maior nesse setor. Kaldor42 (1975) apud Marinho et al. (2002, p. 6) explicita algumas dessas economias de escala que estariam presentes em países ou regiões mais desenvolvidas, a saber: mercados internos mais dinâmicos e maior capacidade exportadora que facilitam o crescimento das empresas, o que as permite obter ganhos crescentes de produtividade originários “do desenvolvimento das atividades produtivas, dos conhecimentos dos trabalhadores, das facilidades de difusão de novos conhecimentos, da existência de economias de aglomeração etc”. Como aponta Britto (2007), Kaldor, ao se referir às economias de escala, incorpora tanto os efeitos estáticos decorrentes do aumento da escala de produção frente à capacidade instalada, como também efeitos dinâmicos, nesse caso originários do processo de learning by doing.
Uma vez aceitas essas constatações é possível afirmar que diferenças nos níveis de industrialização tendem a afetar o mecanismo que estimula o processo cumulativo proposto. Desse modo, Lourenço et al. (2011, p. 23) têm razão ao concluírem que “o círculo cumulativo (...) configura-se virtuoso para o país/região que dispõe de um maior parque industrial; em contrapartida (...) vicioso para aqueles (...) que apresentam estruturas produtivas menos diversificadas com as quais o primeiro transaciona”.