2. YOKSULLUK VE ÖZÜRLÜLÜK
2.3. Yoksulluk ve Özürlülük İlişkisi
2.3.1. Özürlülük Sebebi Olarak Yoksulluk
2.3.1.2. Fiziksel çevre
Para nós, nos dias de hoje, soará um tanto desconcertante a idéia preconizada por Jean2Marie Guyau em seu ensaio “Critica da idéia de sanção200”, onde sustenta que é preciso purificar a idéia de sanção de toda a aliança mística. Deseja Guyau, com isso, mostrar que, apesar de termos chegado à idéia de sanção por um instinto natural, a idéia de sanção tem origem em sentimentos primitivos legítimos e, portanto, não devemos nos deixar enganar por uma moral que acredita que a natureza castiga e que o homem e Deus apenas se encarregam de completar a tarefa.
198
Nesse sentido são as lições preciosas de Motta Pacheco, Angela Maria da. 6 %
% / . " 1 1 ( . São Paulo : ed. Max Limonad, 1997, pp. 65266; igualmente as averbações feitas por Silva, Paulo Roberto Coimbra, 6 / ( " 2 4 6 " . São Paulo: Quartier Latin, 2007, pp 47248.
199
Vernengo, José Roberto. 4 # . " " ! 2.ª ed. Buenos Aires : Ediciones Depalma, 1988, p. 186.
200
Cf. Nota de Tradução, a obra “Crítica da idéia de sanção” trata2se do artigo Critique de l’idée de sanction, originalmente publicado na Revue Philosophique de la france et de l’Étranger (tomo xv, 1883, pp. 2432 281) e de autoria de Jean2Marie Guyau.
Para Guyau, a natureza é amoral, o que neste ponto é coincidente com o pensamento de Nietzsche. Isto porque, em seu raciocínio, a natureza não castiga nem dá recompensas. Também lhe é claro que aqueles que se afastam de seus instintos mais básicos sofrem as conseqüências, mas isso não se dá de modo matemático nem em razão de alguma determinação divina ou racional201, apenas por se tratar de uma lei simples de ação e reação: come2se muito, passa2se mal ... (nem todos, é verdade).
A produção intelectual de Jean2Marie Guyau não se limitou apenas à obra “Crítica da idéia de sanção”, o que por si só já seria de grande importância, visto haver introduzido com originalidade sua noção de moral sem sanção, ou seja, sem castigos e sem recompensas, cuja reflexão estendeu ao direito penal e à idéia de “justiça distributiva” que lhe dá sustentação. Na verdade, Guyau é autor de uma respeitável obra filosófica 202, que em sua maioria foi traduzida para o inglês, alemão, espanhol e polonês, e sua obra completa em russo. Tem se Guyau, hoje, como esquecido, mas reconhecido em sua época por pensadores como Nietzsche, Tolstoi, Kropotkin, Durkheim e Bergson.
Convém anotar que o conceito de “anomia”, trazido por Guyau, tem chamado a atenção de forma crescente de muitos estudiosos do Direito e pesquisadores da “sanção como gênero”, que vislumbram em Guyau uma forma de repensar o intrincado problema dos castigos e penas criminais.
Isto tem acontecido hodiernamente, porque é de sabença comum e os jornais, rádios, televisões e toda literatura jurídica especializada são uníssonos em repetir que, em relação à agressividade humana, o Estado, com suas punições que têm sido impingidas contra os infratores, não tem correspondido às expectativas da sociedade, de modo a se reduzir a prática de crimes que, ao contrário, mostram2se cada vez mais graves, violentos e ameaçadores da sociedade.
201
Cf. Schöpke, Regina. ) : + " + !, p. 10211. In 4 # %& / Jean2Marie Guyau; trad. Regina Schöpke e Mauro Baladi. – São Paulo: Martins, 2007. – (Coleção Tópicos Martins).
202
Cf. Fouillée, Alfred. in $ . + ) ; constante do livro, 4 # %& / Jean2Marie Guyau; trad. Regina Schöpke e Mauro Baladi. – São Paulo: Martins, 2007. – (Coleção Tópicos Martins), pp. 16223, encontramos informações no seguinte sentido: Embora Guyau tenha falecido com 33 anos, (31 março de 1888), produziu várias obras, além da tradução do Manual do Epíteto e de diversas edições de obras clássicas – vg., os A " + " + ( " 2; Guyau publicou ainda, " *
" % M ; " ." M ; C + " + ; ( "
* M ; * [ " " . (sua obra prima e original que
deveria marcar época na história das idéias contemporâneas, publicada em 1885); '[ " . "[ , (sua segunda obra prima, publicada em1887).
Falar de anomia, na concepção de Guyau, portanto, em sentido estrito, quer dizer “ausência de lei”. Muito embora assim tenhamos anotado 203, não se desconhece que o 3 " + $ " . contempla “anomia” com o seguinte verbete:
H " . Y ! 8! N ? 5
+ 5 . X %& " . . +
!D
Não seríamos exatos na apresentação das idéias de Guyau acerca da sua noção de moral sem sanção se não reproduzíssemos aqui, pautados na autorizada síntese e notações de Regina Schöpke204, as premissas básicas que emolduram a obra de Guyau “Crítica da idéia de sanção”, dentro do rigor científico exigido, evitando, assim, distorção de suas idéias.
Para Guyau, não existe uma lei transcendente, universal, válida para todos os tempos e para todas as sociedades. Não há um céu para nos julgar nem um Deus que castiga os maus ou que favorece os bons. Assim como também não existem leis universais da razão, como defende Kant, o que torna seu “imperativo categórico” algo bastante problemático.
Kant sustenta que o homem “deve” submeter2se às leis da razão e que o castigo ou a pena, embora não sirvam para fundamentar essas leis (que são a priori), funcionam como um importante complemento.
Guyau, ao contrário, afirma que é contra2senso falar em leis racionais como regras naturais e universais, já que – num sentido bem profundo – uma lei natural é, em si mesma, inviolável. Dito de forma breve: faça o homem o que fizer, ele jamais poderá violar uma lei natural ou então ela não seria uma lei.
Ao comentar o significado da expressão 2 “violar” uma lei natural 2, diz que: nada mais é que descobrir seu carácter ilusório. Uma lei verdadeiramente natural (como a da gravidade, por exemplo) não pode ser violada. Mas mesmo nesse caso, resta saber se existem leis naturais no sentido de que são eternas e imutáveis ou se são apenas “regras” locais e 203
Cf. Abbagnano, Nicola. 3 " + / $ " . > tradução da 1.ª edição brasileira coord. e revista por Alfredo Bossi; revisão da tradução e tradução de novos textos Ivone Castilho Benedetti. – 5.ª ed. – São Paulo : Martins Fontes, 2007.
204
Cf. Schöpke, Regina. ) : + " + !, p. 9. In 4 # %& / Jean2Marie Guyau; trad. Regina Schöpke e Mauro Baladi. – São Paulo: Martins, 2007. – (Coleção Tópicos Martins).
provisórias (ainda que provisório possa significar milhares de anos e que “local” seja o universo que conhecemos).
É nesse passo expositivo que Guyau desenvolve seu ensaio “Crítica da idéia de sanção” que é apresentado estruturalmente em seis capítulos: I. Sanção natural; II. Sanção moral e justiça distributiva; III. Sanção social; IV. Sanção interior; V. Sanção religiosa; VI. Sanção de amor e de fraternidade.
Da mesma forma, desenvolve em cada um destes capítulos suas razões de refutação a cada tipo de sanção sob análise crítica, em linguajar científico, e, ao final de cada capítulo, o que vemos é um verdadeiro desmontar das razões que justificariam a existência e aplicação de cada tipo de sanção analisado.
Como recomendação e não advertência aos que tenham oportunidade de contato e estudo com a obra de Guyau, tal como propõe Regina Schöpke205, procurem tomá2lo de um só fôlego, ou poderíamos dizer, utilizando um conceito do próprio Bergson, que é preciso “intuir” sua alma para entender melhor suas idéias. Ainda porque não precisamos concordar com tudo o que ele diz, é claro, mas é impossível não ser tocado por seu pensamento e pelas alturas a que se eleva seu espírito.
A nós parece com toda razão a conclusão de Regina Schöpke206 no sentido de que, se Guyau defende uma moral sem punições, é porque faz parte de sua filosofia, e também por desejar que o homem comece a fazer uso real de sua razão, pois de nada lhe valeria intitular2 se o mais inteligente e nobre dos animais se vive em meio a guerras urbanas, destila ódios e padece sofrimentos atrozes que decorrem de sua própria insensatez.
205
Schöpke, Regina. Obra citada, pp. 15216..
206