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Doğrudan ve Dolaylı Yoksullukla Mücadele politikaları

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3. TÜRKİYE’DE YOKSULLUK VE ÖZÜRLÜLÜK

3.2. Türkiye’de Yoksulluk ve Özürlülük

3.2.2. Türkiye’de Özürlülerin Yoksulluğu ile

3.2.2.1. Doğrudan ve Dolaylı Yoksullukla Mücadele politikaları

Não é este o lugar para nos alongarmos e tentar descrever a teoria de Pièrre Marie Nicolas León Duguit (185921928), também conhecido por León Duguit ou simplesmente Duguit, como ficou famoso. No entanto, o que se pretende fazer aqui é dar uma rapidíssima idéia do que seja, seguindo as principais linhas de desenvolvimento de sua doutrina,

condensadas que foram em seu livro 4 " e dado a lume em 1927,

um ano antes de sua morte. Para tanto, tomamos como suporte de nossas pesquisas e desenvolvimento de nossas considerações, as lições de Miguel Reale241 e os estudos de Moacyr Lobo da Costa242, e Paulo Roberto Coimbra Silva243.

Não passaram despercebidas das agudas observações de Miguel Reale que a obra de León Duguit não se compreende “desprendida da corrente do naturalismo social” 244 a que está filiada. Isto porque Duguit representou um momento decisivo na Jurisprudência francesa, marcando presença e fincando raízes no âmbito da seleta comunidade de juristas de então, composta de nomes respeitabilíssimos como Gény, Hauriou, Saleilles, Capitant e tantos

241

Reale, Miguel. 3 " + . 4a. ed. revista e aumentada. São Paulo : Saraiva, 1965. Cap. xxxi – O Sociologismo Jurídico 2, pp. 3812398.

242

Costa, Moacyr Lobo da. 5 . . São Paulo: Ícone Editora, 1997. Trata2se de trabalhos universitários escritos em 1951 e 1952, segundo informa seu próprio autor e apresentado no antigo Curso de Doutorado da Faculdade de Direito da USP, e originalmente publicados na Revista da Faculdade (volumes 47, 49 e 53) e na Revista dos Tribunais (volume 211).

243

Silva, Paulo Roberto Coimbra. 6 . São Paulo: Quartier Latin, 2007. pp. 37239.

244

Reale, Miguel. 3 " + . 4a. ed. revista e aumentada. São Paulo : Saraiva, 1965. Cap. xxxi – O Sociologismo Jurídico 2, p. 386.

outros. Tudo se deu, é verdade, em razão da inquieta e criadora personalidade de Duguit, como também se vê do texto de Miguel Reale245, a seguir transcrito:

Teve ele o mérito de sacudir velhos mitos, que prendiam a Ciência Jurídica francesa a um formalismo abstrato, enredada na trama da exegese dos textos. Ninguém mais do que ele contribui para convencer os juristas de França de que o Direito é uma força social e que o princípio da socialidade do Direito deve ser levado em conta tanto pelo legislador como pelo intérprete da lei. Não se tratava, na realidade, de dizer apenas que ‘todo direito é social’, mas sim de tirar as conseqüências deste princípio no plano dogmático, superando as colocações de individualismo insustentável.246

O ponto de partida para as teorias de Duguit toma como foco “a teoria fundamental de Durkheim no que diz respeito ao conceito de 5 " ” 247. Contudo, Duguit é concorde com Durkheim “quanto à primeira parte dos seus trabalhos” 248, isto é, no que diz respeito ao plano metodológico, conforme explica Reale, “ao lembrar que os fatos sociais devem ser estudados como se fossem coisas, e que no estudo do Direito devemos empregar os mesmos métodos e processos seguidos pelas Ciências físico2naturais”249. O que se vê, neste ponto, é a sintonia “entre o jurista e o sociólogo” 250, eis que integrados na “cosmovisão positivista” 251 irradiada pela concepção de Augusto Comte. Entretanto, divergências de pensar surgiram “quando Duguit se nega a aceitar a idéia de uma consciência coletiva superior às consciências individuais e irredutível a elas. O conceito durkheimiano é acusado de metafísico”252. Isto porque, “quando Dugui não concorda com uma tese o maior descrédito que julga poder provocar é apontá2la como ‘metafísica’ ”.253 254 Assim age Dugui, pois, “no seu entender, por ser ‘metafísica’, a concepção de Durkheim deve ser repelida pelo jurista,

245

Idem, Obra cit., p. 386.

246

Ibidem, Obra cit. p. 386.

247

Ibidem, Obra cit. p. 386.

248

Ibidem, Obra cit. p. 386.

249

Ibidem, Obra cit. p. 386.

250

Ibidem, Obra cit. p. 386.

251

Ibidem, Obra cit. p. 386.

252

Ibidem, Obra cit. p. 386.

253

Ibidem, Obra cit. p. 386. Passim.

254

Nota: consta da nota de rodapé de Reale, p. 386, esclarecimentos no seguinte sentido 2 sobre a sua tendência antimetafísica, cf. GÉNY, 6 , cit., vol. II, ' 6 \ 2 " ( + de DUGUIT, págs. 191 e segs. V. MIGUEL REALE, 3 , cit., págs. 67 e segs., e

* , 2aedição, 1961, págs. 59 e segs., 245 e segs., e GOFREDO TELLES JÚNIOR, 4 %& , São Paulo, 1953, vol. II, págs. 359 e segs.

pois não existem na sociedade senão indivíduos de carne e osso, e nenhuma explicação deve ser buscada, que não assente sobre aquele dado irrecusável.”255

Examinando com cuidado tal como em procedimento de um garimpeiro256em busca do diamante, buscamos nós, como o fez Miguel Reale, saber o que Duguit oferece como fundamento do Direito, uma vez considerado metafísico o conceito de consciência coletiva. A resposta é direta e afortunadamente dela nos servimos, eis que de grande valia nos será para fins de encadeamento e resposta do que é sanção para Duguit.

O que nos oferece Duguit é a idéia de solidariedade, que, no entanto, aqui não iremos tratar por motivos óbvios, mas à qual dispensaremos alguns registros para se ter noção da extraordinária popularidade alcançada pela palavra solidariedade, conforme nos dá conta Miguel Reale:

Houve um período na história em que o termo ‘solidariedade’ passou a ser uma espécie de deus ex machina, em virtude do qual se procuravam resolver todos os problemas sociais e políticos. Os próprios economistas construíram uma economia da solidariedade, assim como o solidarismo se apresentou como a via política salvadora. Ora, a deusa ‘solidariedade’ encantou também o jurista2sociólogo francês, que não escondeu sua admiração por aquela obra efetivamente preciosa de Émile Durkheim, intitulada Da Divisão do Trabalho Social, na qual se mostra com grande força a interdependência das atividades humanas e o valor da divisão do trabalho.257

Duguit, dando curso às suas teorizações, tendo a solidariedade como um de seus encantamentos, mostra2se vaidoso de não ter precisado “recorrer a nenhum conceito metafísico para chegar à conclusão de que os homens, sendo insuficientes para as suas atividades, são obrigados a ordená2las de maneira solidária.” 258 Todo jactante, alardeia que, para assim concluir, há que se recorrer apenas aos “consagrados processos de indagação 255

Ibidem, Obra cit. p. 386.

256

Nota: o termo garimpeiro é aqui empregado com o sentido de “o que explora as jóias vocabulares do idioma”. O Dicionário contempla este sentido para o verbete “garimpeiro”, cf. se vê em 1 " :

"# . . / São Paulo : Companhia Melhoramentos, 1998 – (Dicionário Michaelis).

257

Reale, Miguel. 3 " + . 4a. ed. revista e aumentada. São Paulo: Saraiva, 1965. Cap. XXXI – O Sociologismo Jurídico 2, p. 387.

258

científica, de base experimental.” 259 Com efeito, “é aplicando, portanto, o método experimental das Ciências físico2naturais que o jurista pode e deve descobrir o fundamento da organização social, reconhecendo ‘que a norma jurídica como toda norma social é o produto do fato social’ ”260.

Seguindo este raciocínio e tendo em conta a existência da solidariedade, mostra Duguit que não se defrontará com óbice algum para explicar2nos, dessa maneira, “toda a vida social, porque existem leis morais e delas se distinguem as leis jurídicas.”261É que, uma vez existente o fato da solidariedade e ocorrendo que qualquer dos indivíduos venha a praticar um ato que traga prejuízo aos demais, tal ato provocará, por certo, uma reação. Isto porque, no seu entender, o fenômeno da solidariedade por suas próprias características conta com um elemento complementar que é o estado de vigilância da sociedade, que zela pela própria sobrevivência.

Quanto aos atos dos indivíduos, entende Duguit:

“Os atos dos indivíduos devem realizar e aumentar a solidariedade. Quando a ferem, a sociedade reage. Esta reação social contra o violador do princípio fundamental da solidariedade pode manifestar2se de três maneiras distintas: 2 em leis morais, em leis econômicas e em leis jurídicas. Duguit apresenta2 nos, neste passo, um critério originalíssimo de distinção entre a Moral, a Economia e o Direito, baseando2se exclusivamente na intensidade da reação contra os violadores do princípio da solidariedade.”262

Prosseguindo na análise sobre a teoria de Duguit, pontualmente no que diz respeito à sanção, fixar2nos2emos naquilo que lhe diz respeito mais de perto ou guarde pertinência, qual seja, à lei jurídica, muito embora a reação social a que nos referimos possa manifestar2se também em leis morais e em leis econômicas. É relevante anotar que, na visão de Duguit, a lei jurídica origina2se quando a sociedade reage organizada e especificamente e, ao mesmo tempo, forma2se a certeza da possibilidade da reação ao ato que viola determinados princípios

259

Ibidem. Obra cit., p. 389.

260

Ibidem. Obra cit., p. 389. Passim. Nota. Consta nota de rodapé feita por Miguel Reale, indicando a obra de Duguit, Léon. 4 ", Paris, 1928, 3.ª ed., pg. 81.

261

Ibidem. Obra cit., p. 389.

262

que constituem a base mesma da vida social, ou seja, o “mínimo ético” 263, de que cuida Jellinek e que é indispensável à vida social.

Como foi dito anteriormente, mas fazemos questão de reafirmar:

Duguit condensou os princípios gerais de sua doutrina que se encontravam difundidos e esparsos em várias publicações anteriores, notadamente ‘l’Ètat, le droit objetif et la loi positive’de 1901, ‘le droit social, le droit individuel et la transformation de l’Ètat’, de 1908, etc., no 1.º volume da 3a. edição do ‘Traité de droit constitutionnel’ lançado em 1927, um ano antes de sua morte.264

No entanto, muito do que Duguit teorizou nestes trabalhos e que acabaram por ser considerados como pressupostos doutrinários serviram para assentar o Fundamento do Direito Internacional, onde encontramos substanciais marcas de sua teorização acerca da sanção. Aqui também já se disse que as regras econômicas ou morais em determinadas circunstâncias podem se transformar em regras jurídicas, 2 ao que acrescentamos 2, podendo se transformar também em regras jurídicas intersociais. No estudo desenvolvido por Moacyr Lobo da Costa265, constam as seguintes averbações, que reputamos pertinentes, daí suas transcrições:

A regra econômica, que regula as relações intersociais dos indivíduos componentes de grupos diferentes, transforma2se em regra jurídica quando, na massa dos indivíduos desses grupos, se firma a consciência que a observância dessa regra é tão importante para as relações intersociais que a sanção da regra deve necessariamente ser organizada e quando, ao mesmo tempo, se impõe à massa dos espíritos o sentimento da justiça dessa sanção. 263

Cf. Reale, Miguel., in ' % " / Miguel Reale – 11.a ed. revista, São Paulo : Saraiva, 1984, p. 42, ensina: 1. A teoria do “mínimo ético” consiste em dizer que o Direito representa apenas o mínimo de Moral declarado obrigatório para que a sociedade possa sobreviver. Como nem todos podem ou querem realizar de maneira espontânea as obrigações morais, é indispensável armar de força certos preceitos éticos, para que a sociedade não soçobre. A Moral, em regra, dizem os adeptos dessa doutrina, é cumprida de maneira espontânea, mas como as violações são inevitáveis, é indispensável que se impeça, com mais vigor e rigor, a transgressão dos dispositivos que a comunidade considerar indispensável à paz social. 2. ... a teoria do “mínimo ético”, já exposta de certa maneira pelo filósofo inglês Jeremias Bentham e depois desenvolvida por vários autores, entre os quais um grande jurista e politicólogo alemão do fim do século passado e do princípio deste, George Jellinek.

264

Costa, Moacyr Lobo da. Idem obra citada, p. 51. Neste sentido são suas observações.

265

Costa, Moacyr Lobo da. 5 . . São Paulo: Ícone Editora, 1997. – (O fundamento do direito internacional na doutrina de Duguit – Exposição e crítica), pp. 51261.

(...)

Quando, na massa dos indivíduos componentes de diferentes grupos se formou uma verdadeira consciência jurídica, a consciência que eles devem agir, uns em relação aos outros, segundo uma certa regra; que, se esta regra for violada, produzir2se2á, na massa dos indivíduos pertencentes a todos os grupos considerados, uma reação tendente a promover a sanção efetiva da violação; surge, nesse momento, a norma jurídica internacional.

(...)

A norma jurídica internacional tem, assim, por embrião a norma jurídica intersocial que, por sua vez, é um desenvolvimento da norma jurídica social, ou seja, da consciência da massa dos indivíduos que é justo o estabelecimento da sanção contra os atentados ou violações da solidariedade nas relações existentes entre indivíduos, seja de um mesmo grupo (norma social), seja de grupos diferentes (normas intersociais) seja de grupos diferentes no plano internacional (normas internacionais).266

Duguit, na verdade, segundo esclarecedoras observações de Paulo Roberto Coimbra Silva, buscou, em sua obra, de forma clara e gradativa, a superação das doutrinas individualistas para as teorias do direito social, estribando2se na chamada interdependência ou solidariedade social. No desenvolvimento de suas teorizações, Duguit convive e destaca com cristalina linha argumentativa os fundamentos do chamado à luz destas duas concepções, embora concorrentes entre si.

No que diz respeito ao fundamento do direito de punir à luz da teoria individualista, Duguit, apesar de a ela se contrapor, destaca o fundamento dessa teoria, segundo a qual o respeito à lei é devido, na medida em que nela se encontra a tutela dos direitos individuais. Desta feita, todo atentado à lei constitui um genuíno atentado aos direitos individuais, e por isso merece sofrer coação.267

Sob a perspectiva de sua doutrina social268, Duguit tem na solidariedade o fator de coesão social, e, com efeito, vê que esta própria coesão dará ensejo a uma sociedade que será tanto mais forte quanto mais robustos e estreitos forem os liames que unem seus integrantes. Duguit tem como assente e pacífica a idéia de que o homem é um ser social por excelência, 266

Costa, Moacyr Lobo da. Idem obra citada, pp. 53254.

267

Silva, Paulo Roberto Coimbra. 6 . São Paulo: Quartier Latin, 2007. p. 39.

268

vive em sociedade e, se assim o faz, não é por livre opção, mas por suas próprias características. Desta feita, também lhe foi cristalino entender que a sociedade é mantida por força da solidariedade que une os indivíduos. De todo esse encadeamento descrito, aflorou2se um dever imperativo ao homem social, que resultou em se lhe atribuir um comando negativo e outro positivo, que também podem ser chamados de omissivo e comissivo, respectivamente. Tem2se, assim, desses comandos, os seguintes exemplos: não praticar qualquer ato atentatório à solidariedade social e, ao mesmo tempo, realizar toda a atividade propícia ao seu desenvolvimento. Nesta linha expositiva, difícil não concordar com Duguit de que neste princípio estaria condensado o chamado direito objetivo, na exata medida em que a lei positiva não poderia dele se afastar.269

Com estas teorizações e ordem de idéias, conclui Duguit que a força obrigatória da lei não deriva da vontade dos governantes, mas da sua conformidade com a solidariedade social, a qual deve ser por ela preservada e programaticamente desenvolvida. Tem2se aí, portanto, o fundamento do direito sancionador, que deve voltar2se à preservação do princípio de fortalecimento da solidariedade social, reagindo contra qualquer ação a ela contraposta.

Tem2se como incontroverso em Duguit que, em se admitindo a lei como instrumento de proteção e recrudescimento da solidariedade social270, “é uma obrigação, imposta aos governantes, a criação de um organismo capaz de reduzir ao mínimo a possibilidade de violação da lei, de forma a punir toda infração com severidade”271.

Como se viu da obra de Duguit, conquanto pese a vastidão da matéria que encerra, a nós ficou claro que sua preocupação constante foi no sentido de demonstrar que as relações entre os homens vivendo em sociedade devem estar subordinadas à norma de direito objetivo, que é anterior e superior à vontade humana e surge espontaneamente da solidariedade e do sentimento coletivo de justiça e se impõe, por igual, a governantes e governados. Preocupou2 se, em suma, em instaurar o império do direito.272

269

Este é o sentir de 2 Silva, Paulo Roberto Coimbra. Cf. Obra cit., p. 39.

270

Neste sentido são observações de 2 Silva, Paulo Roberto Coimbra. Cf. Obra cit., p. 39

271

Duguit, Léon. 3 . Tradução de Márcio Pugliesi. São Paulo: Ícone, 1996, p. 62.

272

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