1.6. FİNANSAL SERBESTLEŞME UYGULAMALARINA YÖNELİK
1.6.3. Finansal Serbestleşmenin Olumsuzluklarını Gidermeye Yönelik
A consolidação de economias regionais no Brasil, as quais se formaram, sobretudo, antes da década de 1930 quando a economia nacional não estava integrada, teve como destaque o estado de São Paulo, o qual despontou “por apresentar mais avançadas relações de produção [...] e uma conjunção de fatores que a alçará ao comando e à sobredeterminação de sua economia sobre as demais estruturas produtivas regionalizadas” (BRANDÃO, 2007, p.105-106), tendo como núcleo central o complexo cafeeiro. Assim, “o capital mercantil cafeeiro desdobrou- se em múltiplas faces: café, ferrovias, bancos, comércio, infra-estrutura etc” (BRANDÃO, 2007, p.107).
O destaque da economia paulista pode ainda ser explicado a partir da abertura do comércio exterior após o término da Primeira Guerra Mundial, quando o referido estado reverteu os altos lucros auferidos das trocas comerciais com outras regiões nacionais em acumulação industrial, tal como mostrado por Cano (2007).
A Primeira Guerra Mundial (1914-18) contraiu o comércio exterior do país, reduzindo as exportações e importações. Uma vez que fora em São Paulo que a indústria e a agricultura mais se desenvolveram e diversificaram, os mercados periféricos da nação foram em certa
medida abastecidos pela economia paulista. A reabertura do comércio exterior na década de 1920, com os altos lucros acumulados durante a guerra, permitiu a São Paulo mais uma vez se adiantar na acumulação industrial em relação às outras regiões (CANO, 2007, p.60).
Brandão (2007, p.108) ressalta que na medida em que o capital se infiltrava nos espaços mais atrasados, os desníveis e as assimetrias regionais se intensificavam, uma vez que a integração desse mercado atrasado e em estruturação, por meio de forças de homogeneização das relações mercantis, fazia com que as formas menos desenvolvidas fossem “submetidas às decisões das unidades hierarquicamente superiores de capital mercantil”, sendo que o complexo cafeeiro paulista estruturou “um novo urbano no estado e no país” (BRANDÃO, 2007, p.109).
Segundo Müller (1988), o estado de São Paulo apresentou quatro padrões agrários entre as décadas de 1920 e 1980:
(i) entre as décadas de 1920 e 1950, período marcado pela modernização localizada e pelo aumento absoluto de mão-de-obra em atividades agrárias; (ii) entre a década de 1950 e meados dos anos 1960, com modernização rumo
ao leste do estado, sendo praticamente nula a modernização no oeste e no extremo-sul, e com o predomínio da oferta de matérias-primas para exportação de bens de consumo imediato para os centros urbanos;
(iii) entre os anos 1960 e 1970, quando da generalização da modernização no campo, sendo que na década de 1970 o governo federal barateou os insumos industriais e, por meio de políticas creditícias e incentivos fiscais, incentivou a aquisição de máquinas e fertilizantes, ocasionando êxodo rural por ser mais rentável o uso desses elementos do que o emprego de mão-de-obra; e
(iv) início dos anos 1980, com a universalização da modernização dos estabelecimentos produtivos, a competição entre as unidades modernas e a consolidação de grupos econômicos médios e altos, levando à diversificação de empresas, produtos e serviços da indústria para a agricultura, como informática, assistência técnica, entre outros.
Hespanhol (1996) salienta que a agropecuária do estado de São Paulo, Que já apresentava maior integração ao mercado e aplicava maior tecnologia em relação à média do país, respondeu de imediato às políticas de cunho modernizante implementadas pelo governo federal alterando significativamente a pauta de produtos, o nível de
tecnologia empregada e as formas de organização da produção (HESPANHOL, 1996, p.199).
Nas décadas de 1960 e 1970, segundo estudo realizado pela Fundação SEADE (1989), os métodos de intervenção do governo nos complexos da soja e da cana-de-açúcar foram o financiamento da produção agrícola a custos bem inferiores aos do mercado, com a condição de que os produtores utilizassem insumos modernos, como fertilizantes, defensivos, tratores, colheitadeiras, entre outros, o que resultou em um rápido crescimento da demanda nos ramos industriais a montante e na ampliação da oferta de matérias-primas para o setor agroindustrial, o qual recebeu forte financiamento público para a instalação de modernas plantas e ampliação e modernização das pré-existentes.
O estudo ressalta que o resultado desses incentivos governamentais foi a mudança da oferta agrícola no país, sobretudo no estado de São Paulo, sendo que “a drástica alteração da rentabilidade econômica, em termos relativos, entre as diversas culturas, modificou muito rápido o que, quanto, onde e como se produz na agricultura paulista” (SEADE, 1989, p.06).
O dinamismo do segmento agroindustrial paulista das décadas de 1960 a 1980, “deveu-se, especialmente, à capacidade do Estado de aglutinar, ao mesmo tempo, o crescimento da produção de três matérias-primas agrícolas e o de suas respectivas agroindústrias” (SEADE, 1989, p.57), quais sejam, cana-de-açúcar, laranja e soja.
Na década de 1980, a cana-de-açúcar passou a ser o produto mais importante da lavoura paulista, sendo que na safra 1983/84 chegou a ocupar 26,6% do total de áreas cultivadas no estado e a representar 29,5% do total do valor produzido na agricultura paulista (TARTAGLIA; OLIVEIRA, 1988, p.68). Nesse mesmo período, os autores ressaltam o destaque da produção estadual de soja, laranja, trigo e milho, produtos que, juntamente com a cana-de-açúcar e o café, detinham 76,6% das áreas cultivadas do estado (TARTAGLIA; OLIVEIRA, 1988).
Além disso, “o crescimento da agroindústria foi o motor da expansão do setor secundário para o interior do estado” (SEADE, 1989, p.57). Todavia,
A expansão da atividade agroindustrial não ocorreu de forma homogênea em São Paulo, mas à semelhança do Brasil como um todo, através da consolidação de pólos dinâmicos que se concentraram no interior, no eixo formado pelas regiões de
Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto (SEADE, 1989, p.57).
Assim, segundo Hespanhol (2008b), em 1990 o estado de São Paulo era responsável por 52,5% do total da produção canavieira nacional, atingindo 58,8% em 2006, enquanto os estados do Nordeste sofreram redução no volume produzido e na área destinada a este cultivo.
Entre os anos 1990 e 2009, a área colhida com cana-de-açúcar no estado de São Paulo aumentou em 158,6%, passando de 1.811.980 ha em 1990 para 4.686.875 ha em 2009, enquanto no Brasil a área colhida aumentou 99,3%, passando de 4.272.602 ha em 1990 para 8.514.365 ha em 2009. A Região Administrativa de Marília apresentou um aumento de 216.415 ha de área colhida de cana-de-açúcar, passando de 151.271 ha em 1990 para 367.686 ha em 2009 (Tabela 2).
TABELA 2. Evolução da área colhida de cana-de-açúcar (em ha): 1990-2009 Local Período
1990 1995 2000 2005 2008 2009