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3. Fikirsever Olun
No dia 22 de novembro de 2013, o Senado Federal também iniciou o processo legislativo do novo Código Comercial, através do Projeto de Lei do Senado nº 487, de autoria do senador Renan Calheiros.
O PLS 487/2013 divide-se em três partes: geral, especial e complementar. O projeto de lei é composto por 1102 artigos, dispostos nos seguintes livros: PARTE GERAL: Livro I – Do Direito comercial; Livro II – Da pessoa do empresário; Livro III – Dos bens e da atividade do empresário e Livro IV – Dos fatos jurídicos empresariais. PARTE ESPECIAL:
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DCI. Novo Código Comercial é prioridade da Casa. Disponível: <http://www.dci.com.br/politica/---novo- codigo-comercial-e-prioridade-da-casa-id519489.html>. Acesso em: 06 jan. 2016
Livro I – Das sociedades; Livro II – Das obrigações dos empresários; Livro III – Do Agronegócio; Livro IV – Do Direito Comercial Marítimo e Livro V – Do processo empresarial. PARTE COMPLEMENTAR: Livro Único – Das disposições finais e transitórias.
Durante o discurso por ocasião da entrega do relatório da Comissão Especial de Juristas, no Senado Federal, em 19 de novembro de 2013, o autor do projeto de lei, senador Renan Calheiros100, justificou a iniciativa legislativa por acreditar que as normas vigentes estão ultrapassadas e não colaboram para a formação de um bom ambiente de negócios. Nessa perspectiva, declarou:
Ao longo dos anos, as normas brasileiras sobre comércio acabaram se transformando num corpo desconexo de leis esparsas, às vezes contraditórias e, em consequeência, uma legislação de difícil compreensão. Esse quadro confuso, ensejador de insegurança juridica, não colabora na formação de um bom ambiente de negócios. O que resta vigente do Código Comercial, editado em junho de 1850, são normas deconectadas da crescente industrialização do país, do avanço tecnológico e da expansão do Mercado de capitais.
Sobre os anseios da sociedade acerca de uma recodificação, Renan Calheiros, enumerou os pontos relevantes que foram considerados no anteprojeto:
O ideal é simplificar e racionalizar a legislação empresarial, eliminando formalidades burocráticas inúteis e imprimindo agilidade na constituição e dissolução de empresas. As práticas contábeis devem seguir os padrões internacionais e esse objetivo pode ser atingido adotando as orientações técnicas do Conselho Federal de Contabilidade. Também é indispensável substituir o papel pelos meios eletrônicos, assim como acontece hoje, com sucesso, no âmbito do Poder Judiciário. A modernização da legislação empresarial implica utilizar a documentação eletrônica e tornar o registro público de empresas mais acessível aos cidadãos. O comércio eletrônico, a cada dia mais abrangente, se realiza no ambiente da internet e merece um disciplinamento específico para as transações realizadas entre os empresários. Em relação aos contratos é essencial adotar os novos modelos empresariais, em especial aqueles que envolvam logística, infraestrutura, investimentos, centro de compras e financiamento da microempresa e das empresas de pequeno porte. Outro ponto sensível diz respeito ao comércio e transporte marítimo, cujas normas precisam se ajustar às novas relações entre exportador, armador e terminais. Os títulos de crédito, alheios ao suporte eletrônico e à negociação em mercados de balcão organizado, exigem maior mobilidade para facilitar a sua cobrança. No campo da segurança juridica a clareza sobre a descnsideração da personalidade juridical das empresas é essencial para coibir fraudes e assegurar os direitos dos sócios e administradores contra eventuais abusos. O agronegócio é um importante segmento da economia brasileira e pede regras que estimulem e permitam o seu funcionamento com a desejada estabilidade contratual. A falência transnacional é um ponto sensível que precisa ser disciplinado urgentemente de modo a prestigiar o bom pagador e inibir o mal intencionado que mantém seus bens no estrangeiro e vem aqui não realizer negócios e sim para praticar fraudes empresarias. Por sua vez, as normas sobre compra e venda de mercadorias devem estar em sintônia com a Convençāo Internacional de Viena, a fim de que sejam uniformizadas as regras sobre a matéria. Confiança, estabilidade e
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COELHO, Fabio Ulhoa. Novas reflexões sobre o projeto de Código Comercial. São Paulo: Saraiva. 2015. p.25
segurança sāo aspectos essenciais para o bom ambiente de negócios e o desenvolvimento comercial do país.
Esse projeto é fruto de uma Comissão de Juristas constituída, pelo ato nº13 de 2013 do Presidente do Senado, com a finalidade de elaborarem um anteprojeto sobre o novo Código Comercial. A comissão é presidida pelo presidida pelo ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), tem como relator o jurista Fabio Ulhoa Coelho e é composta pelos juristas Alfredo de Assis Gonçalves Neto, Arnoldo Wald, Bruno Dantas Nascimento, Cleantho de Moura Rizzo Neto, Clóvis Cunha Malcher Filho, Daniel Beltrão de Rossiter, Eduardo Montenegro Serur, Felipe Luckmann Fabro, Jairo Saddi, Marcelo Guedes Nunes, Márcio Souza Guimarães, Newton de Lucca, Osmar Brina Corrêa Lima, Paulo de Moraes Penalva Santos, Ricardo Lupion Garcia, Tiago Asfor Rocha Lima e Uinie Caminha.
A comissão de juristas responsável pela redação do anteprojeto apresentou como principais inovações contempladas no anteprojeto a ampliação da segurança jurídica, a modernização da legislação empresarial, o fortalecimento da autorregulação e das normas consuetudinárias, a simplificação e a desburocratização da vida empresarial e a melhoria do ambiente negocial brasileiro, conforme pode se constatar no relatório final101 dessa comissão:
i) ampliaçāo da segurança juridica, com a disciplina, por meio de princípios e regras próprias do direito comercial, do negócio jurídico empresarial, contratos empresarias, proteçāo das redes negociais (como o agronegócio, por exemplo; (ii) modernizaçāo da legalizaçāo empresarial, mediante a previsāo legislativa de instrumentos contemporâneos da gestāo de empresas, como, por exemplo, a documentaçāo eletrônica, os atos societários eletrônicos, os títulos de crédito em suporte eletrônico; (iii) fortalecimento das normas consuetudinárias e de autorregulaçāo, objetivo que corresponde à mais peculiar tradiçāo do direito comercial, de prestigiar as soluções construídas pelos próprios empresários; (iv) simplificaçāo e desburocratizaçāo da vida empresarial, com a eliminaçāo de exigencias anacrônicas ou despropositadas, de que sāo exemplos a revisāo das regras sobre sociedades limitadas, a supressāo de tipos societários em desuso, a superaçāo da distinçāo entre sociedades regidas peo direito civil e pelo direito comercial; e (v) melhoria do ambiente de negócio no Brasil, por meio de alterações legislativas que visam incorporar leis-modelos da UNCITRAL (documento eletrônico e falência transnacional), aproximaçāo com convenções internacionais de que somos signatários (compra e venda mercantil) e adoçāo de institutos com os quais os investidores estrangeiros estāo familiarizados (sociedade limitada unipessoal, exame prévio de testemunhas, superaçāo de impasse, contratualidade dos procedimentos judiciais, agilidade na responsalizaçāo judicial de adiministradores etc.).
O PLS 487/2013 está em tramitação e tem como último andamento, em 11/02/2015, a solicitação às lideranças da indicação de membros para compor a Comissão Temporária de Reforma do Código Comercial.
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COELHO, Fabio Ulhoa. Novas reflexões sobre o projeto de Código Comercial. São Paulo: Saraiva. 2015. p. 31