İzlemesi Kolay Bir Yol Haritası
8. Düşünme Biçiminizi Gözden Geçirin
Antes de apresentar os procedimentos da História Oral, neste momento é importante buscarmos elucidar a seguinte questão: como e em que situação utilizamos a História Oral?
Para discutirmos tal questão, é essencial esclarecer que o uso que se faz da História Oral depende da formulação do problema de pesquisa indicado no projeto elaborado pelo investigador. Ou seja, segundo a orientação do trabalho de pesquisa a desenvolver, a História Oral “pode ser definida como método de investigação científica, como fonte de
pesquisa, ou ainda como técnica de produção e tratamento de depoimentos gravados” (ALBERTI, 2004, p.17). Nesse sentido, Harres (2008, p.107) adverte:
O pesquisador pode usar fontes orais e não necessariamente fazer uma pesquisa de história oral. Para a utilização da história oral, devemos estar atentos também para a adequação entre o tema e as questões orientadoras da pesquisa, em função do tipo de fonte que será empregada. Trata-se de um testemunho subjetivo, falado, expressa as impressões, avaliações, sonhos e opiniões do depoente. As questões devem, de alguma forma, levar em consideração e expressar a preocupação com as versões dos entrevistados sobre os acontecimentos e temas investigados.
Nesses termos, podemos considerar que uma determinada pesquisa pode tomar a História Oral como método de base para alcançar os seus objetivos29. Mas também, poderia utilizá-la como uma fonte complementar às demais fontes selecionadas para desenvolver a pesquisa. E ainda, poderá usá-la como procedimento técnico para produzir e analisar depoimentos coletados por meio de entrevistas.
Preferimos, para este trabalho, adotar a História Oral como um método de pesquisa que produz uma fonte especial, pois “o ‘movimento’ contido nas fontes orais permite contar mais com os significados do que alicerçar a análise sobre os eventos, expressando grande diferença em relação à escrita padrão, utilizada em textos normalmente objetivos e estáticos” (CASSAB e RUSCHEINSKY, 2004, p.14). Mas, em contrapartida, isso não quer dizer que a História oral não tenha validade factual, as fontes elaboradas por meio de “entrevistas sempre revelam eventos desconhecidos ou aspectos desconhecidos de eventos conhecidos: elas sempre lançam nova luz sobre áreas inexploradas da vida diária” (PORTELLI, 1997, p.27). Assim, as fontes orais podem possibilitar o acesso a informações que seriam difíceis de serem adquiridas utilizando apenas fontes documentais (escritas), que podem não existir, não estar acessíveis ou disponíveis.
A fonte oral possui a peculiaridade de oferecer uma rica rede de signos, sentimentos, significados e emoções, expressa do narrador ao pesquisador-entrevistador, em forma de dados reunidos. As fontes orais apresentam a oralidade como sua propriedade, traço que a apresenta diferente por revelar significados e conotações que muitas vezes a linguagem escrita é incapaz de expressar, pelo tom, ritmo, pausa e volume que o narrador expressa. Assim, a narrativa oral manifesta o movimento, a dinâmica como característica. Sobre essa peculiaridade do discurso oral, Portelli (1997, p.28) esclarece:
A fileira de tom e volume e o ritmo do discurso [...] carregam implícitos significados e conotações sociais irreproduzíveis na escrita – a não ser, e então de modo inadequado e não facilmente acessível, como notação musical. A mesma afirmativa
29Segundo Helena Rosa (2007, p.9): “teóricos da história oral consideram a mesma, como uma metodologia de pesquisa, pois há implícito nela todo um processo para sua aplicabilidade, para torná-la eficaz e inteligível do ponto de vista historiográfico”.
pode ter consideráveis significações contraditórias, de acordo com a entonação do relator, que pode ser representado objetivamente na transcrição, mas somente descrito aproximadamente nas próprias palavras do transcritor [...] Mudanças são [...] a norma no discurso, enquanto que a regularidade é a norma de escrita (a impressa mais de todas).
A fonte oral é apresentada como narrativa, a qual constitui a matéria-prima utilizada pelo historiador pesquisador em História Oral. O narrador não se constitui em si o objeto de estudo, mas sim seus relatos de vida, suas experiências vividas (CASSAB e RUSCHEINSKY, 2004, p.14).
Os eventos testemunhados pelo narrador são expressos a partir de sua percepção, da sua subjetividade. Assim, a fonte oral conta menos sobre eventos que sobre significados, ela apresenta o fator subjetividade do expositor, em uma medida que nenhuma outra fonte possui igual. Nestes termos, parafraseando Portelli (1997, p.31), podemos considerar que as fontes orais contam-nos não apenas o que o povo fez, mas o que queria fazer, o que acreditava estar fazendo e o que agora pensa que fez. Essa característica da História Oral sinaliza sua dimensão essencialmente qualitativa de análise.
Segundo Helena Rosa (2007, p.3), o historiador italiano Alessandro Portelli aponta que o interesse da História Oral como instrumento de pesquisa é o alcance à subjetividade dos narradores, recuperando o vivido segundo a percepção de quem o viveu. “Nesta valorização da subjetividade se desenvolvem outras tendências chamadas de Hermenêutica do Presente, isto é, uma leitura radical redimensionando as ações, o ser, os saberes, as existências, os discursos, que conduzirão a outra reflexão”30.
No trabalho de pesquisa com fontes orais,estão implicadas a subjetividade do entrevistado e do pesquisador-entrevistador. Tanto o intelectual que investiga quanto aquele informante que se dispõe a narrar suas experiências trazem interpretações e leituras subjetivas sobre o assunto estudado. Tal situação contribui para superar concepções arraigadas em conceber as fontes históricas a partir do culto ao registro escrito, ou seja, das análises que supostamente primariam pela objetividade, fidedignidade e validade das fontes alicerçadas em documentos escritos (ALMEIDA, 2009).
30Segundo Barboza (2002), “O que caracteriza e aproxima a Hermenêutica do Presente e a História Oral é o fato de percebermos que as narrativas das experiências de vidas coloca o hermeneuta em contato com o presente, enquanto múltiplas dobras que contém o passado, já que as entrevistas se processam como um constructo permanente, que é recriada cada vez que o colaborador narra suas experiências”.