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1. Fikir Nedir?
Desde a apresentação do primeiro projeto relacionado a recodificação da material de Direito Comercial em 2011, a discussão sobre a necessidade de um Novo Código Comercial tem dividido a opinião dos juristas, operadores do direito e politicos.
De um lado, uns defendem a conveniência da edição de um hodierno instrumento em virtude do atual ter se tornado obsoleto, ser muito burocrático e não proporcionar segurança jurídica, o que dificulta o exercício da atividade empresarial e a entrada de investimentos no país.
Do outro lado, temos os que se posicionam contrariamente a redação de uma nova codificação afirmando que esta provocaria um “engessamento” do dinamismo característico
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BRASIL. Câmara dos Deputados. Projeto de Lei nº 1.572/2011. Projeto de lei que institui o Código
Comercial. Disponível em:
<http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=508884>. Acesso em: 5 jan. 2016.
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BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei nº 487/2013. Projeto de lei que altera o Código Comercial. Disponível em: <http://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/115437>. Acesso em: 5 jan. 2016.
do Direito Empresarial, além de ocasionar um desperdício de recursos dos cofres do Estado, por conta do aumento da litigiosidade e a sobrecarga de processos judiciais advindos de sua promulgação.
Entretanto, respeitando as opiniões contrárias ao novo código, através de uma breve análise do Código Comercial atualmente em vigor, editado na época do Império e praticamente todo revogado por leis posteriores, percebe-se alguns problemas decorrentes da insuficiência de uma regulamentação coerente ao atual paradigma econômico-produtivo. Dentres eles, estão a adaptação do ordenamento a nova realidade econômica, a defesa do livre mercado e a falta de segurança juridica fundamental a atração de investimentos estrangeiros.
Os princípios e pressupostos que caracterizam as relações jurídicas comerciais vêm, a cada dia, perdendo espaço para outros ramos do direito. Um dos campos onde se pode facilmente observar essa relativização dos princípios próprios do direito comercial é o das obrigações e contratos. Tornou-se comum, nos dias atuais, a aplicação de regras consumeristas ou cíveis por juízes em sede de julgamento de matérias empresariais, esquecendo-se que os princípios norteadores da relação empresarial são diversos. Assim, observam-se os anseios para que haja uma nova relação a fim de assegurar a aplicação normativa correta às relações comerciais, sob pena destas se perderem.
Nesse sentido, saindo em defesa de uma modernização do ordenamento, Fabio Ulhoa Coelho87, um dos principais defensores da nova codificação comercial e autor de um dos projetos, afirma que “os valores do Direito Comercial foram esquecidos pelos operadores do Direito e precisam ser urgentemente resgatados” e conclui sobre a necessidade de se positivar os princípios desse ramo do direito:
(…) convém que a matéria comercial seja, mesmo, objeto de codificação própria. O direito comercial (também chamado de direito empresarial, de empresa, mercantil, dos negócios etc.) possui princípios particulares, sedimentados desde a Idade Média e revigorados com o processo de globalização em curso. A infeliz unificação legislativa fez-se, em parte, à custa desses princípios, em grande prejuízo da economia brasileira. A unificação legislativa foi um erro. É necessário corrigi-lo.O Brasil precisa de um novo Código Comercial. Autônomo, para poder assentar as disposições normativas em princípios próprios, adequados à regulamentação privada da atividade econômica empresarial que atenda às demandas do nosso tempo. Todos os advogados e demais profissionais da área percebem o quanto está difícil, na labuta diária do fórum, à míngua de lei moderna e específica para a matéria comercial, postular decisões que sejam, sem dúvida, justas segundo o direito, mas também empresarialmente consistentes.
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COELHO, Fabio Ulhoa. O futuro do Direito Comercial. Disponível em:< http://www.adjorisc.com.br/artigos/o-futuro-do-direito-comercial-por-f%C3%A1bio-coelho-1.36502>. Acesso em: 04 Jan. 2016.
O professor Jorge Lobo88 também defende a necessidade de um Novo Código Comercial, com argumentos próprios, capazes de promover a adaptação normativa as irreversíveis mutações políticas, econômicas e sociais vividas desde a edição do código vigente, assim, afirma que:
(…) deve-se pensar no surgimento de um Novo Direito Comercial, capaz de responder aos reclamos e anseios e necessidades de uma sociedade pós industrial, na qual o Código Comercial não é apenas o meio adequado para mediar às relações entre produtores e consumidores, mas um conjunto sistemático de princípios e regras capaz de ordenar o mundo dos negócios resultante das profundas e irreversíveis mutações políticas, econômicas e sociais vividas pelo país desde 1850, data da promulgação do revogado Código Comercial.
Na opinião de André Luiz Santa Cruz Ramos89, dentre os principais aspectos que evidenciam a necessidade estão à correção dos erros do Código Civil de 2002 em relação ao direito comercial e a defesa do livre mercado, nesse sentido disscorre:
A tentativa de unificação legislativa levada a efeito pelo Código Civil de 2002 trouxe graves problemas para o Direito Comercial (hoje também chamado de Direito Empresarial), a saber: a) contratos cíveis e mercantis passaram a ter uma mesma 'teoria geral', ignorando-se a enorme distinção que há entre eles; b) normas gerais sobre títulos de crédito foram criadas, em total descompasso com as leis existentes, notadamente a Lei Uniforme de Genebra, incorporada há décadas ao nosso ordenamento jurídico em razão da assinatura de um Tratado internacional; c) a sociedade limitada, antes submetida a um flexível e enxuto arcabouço normativo, tornou-se uma figura societária burocrática e engessada; d) institutos jurídicos receberam tratamento confuso e atécnico, gerando dificuldades interpretativas que trazem insegurança jurídica, como ocorre no caso da difícil distinção prática entre sociedades simples e empresárias; e) velhos costumes jurídicos consagrados na praxe forense, como a desnecessidade de outorga conjugal para prestação de aval por pessoa casada e a possibilidade de contratação de sociedade entre cônjuges independentemente do regime de bens, foram injustificadamente alterados; f) novas figuras jurídicas, já conhecidas no direito estrangeiro, perderam a chance de serem adotadas, como a sociedade limitada unipessoal e o empresário individual de responsabilidade limitada. A mera oportunidade de corrigir esses graves erros decorrentes da unificação legislativa, copiada da codificação italiana "fascista" de 1942, já seria motivo suficiente para a edição de um novo Código Comercial. Mas há também um outro motivo, ainda mais importante: a defesa do livre mercado. E, ainda sobre a defesa do livre mercado, complementa:
Exatamente no momento em que o Brasil vive uma oportunidade única de crescimento e prosperidade, aumenta exponencialmente a intervenção do Estado na economia, criando-se um paradoxo inexplicável e injustificável. Princípios básicos do regime capitalista, como livre iniciativa e liberdade contratual, são solenemente desrespeitados. O Estado regula cada vez mais a economia, criando e sustentando duopólios e oligopólios em setores estratégicos, como aviação e telefonia. O Poder Judiciário se sente cada vez mais à vontade para intervir nos contratos, e relações empresariais simétricas sofrem pesadas limitações de um dirigismo contratual descabido. A carga tributária chega a percentuais proibitivos ao empreendedor,
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LOBO, Jorge. Necessitamos de um novo Código Comercial. Disponível em:< http://www.conjur.com.br/2011-out-24/codigo-comercial-necessario-ordenar-mundo-negocios>. Acesso em: 04 Jan. 2016.
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RAMOS, Andre Luis Santa Cruz. O novo Código Comercial brasileiro: a última trincheira. Disponível em: < http://anpaf.org.br/site/images/stories/publicacoes/comercial.pdf>. Acesso em: 04 Jan. 2016.
quebrando empresas e tirando a competitividade de produtos e serviços dos abnegados empresários brasileiros. As intocáveis leis trabalhistas, que só prejudicam os trabalhadores a que visam proteger, impedem a criação de empregos e burocratizam o mercado de trabalho. Os pacotes de socorro em tempos de crise distorcem a regra de competição empresarial, criando risco moral e favorecendo apenas os "empresários" bem relacionados. Em suma: não se tem um ambiente de livre mercado genuíno.
Outro aspecto que reforça a necessidade de um novo código é o fato do atual ordenamento não ter acompanhado a evolução no âmbito da tecnologia, indústria, serviços e informação o que dificulta a atração de investimentos, prejudicando. Brasil no cenário econômico internacional, conforme Armando Luiz Rovai90, ex-presidente de Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP), discorre:
Infelizmente o sistema legislativo empresarial não acompanhou a evolução constatada no âmbito da tecnologia, da indústira, dos serviços e da informação, impactando diretamente e de forma negativa na maneira de se fazer negócios. Frise- se que essas mutações vivem em sinergia com a realidade do mundo dos negócios – realidade essa contemporânea e globalizada -, onde a velocidade exponencial que se realizam atividades econômicas obriga que as empresas ajutem-se como facilitadoras e catalizadoras de meios de produção, de circulacão e de repartição para o consumo e para a geração de empregos.Nesta toada, com a manutenção da atual legislação Empresarial (obsoleta), corre-se o risco do Brasil ficar de fora do cenário econômico internacional A catálise necessária para a atração de investimentos passa pela proposta de um Novo Código Comercial para o Brasil. Trata-se de elemento fomentador de desenvolvimento.
Fabio Ulhoa91, também falando da atração de investimentos para o Brasil, afirma que a nova codificação é imprescindível para trazer a segurança jurídica necessária aos investidores e que a edição de um novo código tratará exclusivamente da relação entre empresários, não influenciando nas questões civis ou trabalhistas. Desta forma, se posiciona:
É necessário um novo Código Comercial fundamentalmente por dois motivos. Em primeiro lugar, para reunir, de modo consistente, num único diploma, a disciplina da matéria, evitando as incertezas e percalços causados pela dispersão legislativa. Mais que isto, porém, a codificação é imprescindível para ampliar a segurança jurídica dos investimentos feitos no país, de brasileiros e de estrangeiros. Destaco que o investimento não deve ser protegido pela lei, em vista apenas dos interesses individuais do investidor. Muito antes disto, a proteção legal deve ter por objetivo o proveito que o investimento traz para toda a sociedade, gerando empregos, atendendo aos consumidores, mobilizando a riqueza local, regional, nacional ou global, auxiliando o desenvolvimento do país. É a função social do investimento empresarial que deve nortear a edição do novo código. Para mostrar-se competitivo, na árdua e cotidiana luta pelos investidores, o Brasil deve exibir um direito comercial moderno e adequado, apto a disciplinar, com racionalidade e justiça, as complexas relações sociais e econômicas da atualidade. Ademais, a fim de ventilar a discussão com uma opinião recente, Gilmar
90 COELHO, Fabio Ulhoa. Um Novo Código Comercial para o Brasil. Disponível em: <
http://amplajf.com.br/um-novo-codigo-comercial-para-o-brasil/> Acesso em: 04 Jan. 2016.
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ROVAI, Armando Luiz. Projeto do Novo Código Comercial, projeto para o Brasil. Disponível em: <http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI149862,11049Projeto+do+Novo+Codigo+Comercial+projeto+para +o+Brasil> Acesso em: 04 Jan. 2016.
Mendes92, ministro do Superior Tribunal Federal (STF), em meio a recente crise econômica que abala o Brasil nesses últimos anos, se posiciona favoravelmente a promulgação do novo diploma legislativo comercial entendendo ser a valorização do empreendedor uma das saídas para superar esse desastroso cenário em que a economia brasileira se encontra, e assinala:
Quem acompanha as crises econômicas e política do País sabe que estamos vivendo um momento quase explosivo. Ainda assim, é preciso enfatizar: a atividade econômica está deprimida e uma das consequências é a queda da arrecadação de impostos, com evidentes reflexos na sociedade. O mínimo de bem-estar social que se pode exigir depende da atividade econômica, isto é, do trabalho dos empreendedores, que têm de ser valorizados. O Código Comercial está vindo para dar esse suporte à atividade privada.
João Otávio Noronha, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em seu discurso durante a abertura I Seminário de Direito Comercial realizado em Brasília no dia 2 de dezembro de 201593, afirmou a importância de um novo código para evitar que anomalias jurídicas como, por exemplo, o julgamento de matérias relativas a contratos empresariais milionários à luz do Código de Defesa do Consumidor (CDC), continuem acontecendo no judiciário nacional. Acrescentou ainda que a função da recodificação do direito empresarial é justamente modernizar e compatibilizar o ordenamento a realidade econômica nacional a fim buscar uma maior segurança jurídica no ambiente empresarial e, assim, concluiu:
Nós precisamos na realidade de um Novo Código Comercial, porque o Direito Comercial está mal regulado em muitas questões no Brasil. (…) A saída elementar para que isso não mais ocorra no setor privado é trabalhar sob um sistema que ofereça garantias de cumprimento das regras do jogo, como proporcionará o Código Comercial.
Deste modo, por meio da análise de inúmeras opiniões de doutrinadores e advogados militantes, revela-se a necessidade de uma reformulação do código vigente a fim de compatibilizar as regras nele contidas com a atividade empresarial contemporânea, promovendo uma desburocratização e aumentando a segurança jurídica fundamental a captação de recursos para a economia nacional, entre outros pontos importantes.