Participação percentual das regiões brasileiras nas operações de crédito e depósitos dos bancos
2002
DEPÓSITOS OPERAÇÕES DE CRÉDITO
NORTE 1,56 1,15
NORDESTE 6,85 5,99
SUDESTE 6 4 , 4 6 7 2 , 9 4
SUL 1 0 , 6 7 11, 7 3
CENTRO-OESTE 1 6 , 4 6 8,19
Fonte: Banco Central: <http://www.bcb.gov.br/htms/deorf/r200212/quadro1.asp?idpai=REVSFN200212>
Nota-se, portanto, que, se o crédito é o principal atrativo para empresas em relação aos bancos, o provedor desses recursos que detiver a excelência em termos de prestação desse serviço, certamente deterá a preferência das empresas, podendo expandir os negócios também em outras direções/ramificações. Sendo assim, buscar-se-á em amostra da população das empresas os indicadores de valor para elas, visando a uma consistente operacionalização do atributo entrega de serviços nesse contexto.
3.3.5 Critérios de amostragem
Mais uma vez a moldura defendida por Maxwell (1996) – desenho da pesquisa – permite ao pesquisador orientar-se em direção a uma amostra que seja válida, ou seja, que responda a questão: “Quem deve ser contatado para prover os dados de que se necessita para encontrar respostas plausíveis para o problema de pesquisa colocado”? Nesse aspecto, a qualificação do informante é um critério de sucesso.
Para Mattar (2001:135), “a essência de uma boa amostra consiste em estabelecer meios para inferir o mais precisamente possível, as características da população por intermédio das medidas das características da amostra”. Com essa assertiva, o autor destaca o aspecto da variabilidade da população num processo de amostragem, ou seja, quanto maior a variabilidade, maior deveria ser a amostra. Considerando que em pesquisas qualitativas exploratórias se trabalha com amostras pequenas (MALHOTRA, 2001), isso poderia
representar uma fragilidade para a pesquisa em curso. Porém, no caso em estudo, dado o seu foco, viu-se reduzida essa potencia l limitação, já que as manifestações e impressões colhidas na fase de entrevistas revelaram um alto grau de homogeneidade entre os integrantes da unidade de observação em lide, principalmente no que diz respeito às suas interações junto aos bancos em busca de crédito.
O critério geral para a estratificação da população das empresas foi sua classificação quanto ao porte, tendo sido adotado os padrões do BNDES – faixa de faturamento bruto anual. Esse critério se justifica por, pelo menos, três motivos: (1) sabidamente o porte das empresas influencia no seu comportamento junto aos bancos, por exemplo, em função do poder de barganha, capacidade de oferecer garantias e reciprocidades, além do acesso a mais de uma instituição; (2) em função do item anterior, a maioria dos bancos utiliza o critério do faturamento bruto anual para a montagem de suas carteiras de clientes e seu portfólio de produtos e serviços, tornando-se bastante conveniente (e pertinente) para o pesquisador, trabalhar clientes agrupados a priori por questões de mercado; (3) salvo pequenas variações, esses bancos adotam o mesmo padrão de agrupamento, fazendo com que só faça sentido trabalhar a excelência da entrega, dentro da premissa de atendimento por segmento ou carteira, segundo a qual as unidades de análise desenvolvem suas estratégias70.
Por esse critério e de acordo com o BNDES, são consideradas médias, as empresas com faturamento bruto entre 10,5 e 60 milhões de reais/ano; e grandes, as empresas com faturamento acima de 60 milhões de reais/ano71. Ressalte-se que o critério “acima de 60 milhões/ano” não impõe um teto a priori. No entanto, esse teto teve de ser adotado, haja vista que as megaempresas (faturamento acima de 100 milhões/ano, assim consideradas pela maioria dos bancos) têm padrões de comportamento em relação ao crédito bancário completamente diferentes, inclusive com acesso mais facilitado ao mercado de crédito internacional, bem como ao mercado de capitais. Além disso, essas megaempresas/grupos são, via de regra, atendidas nas chamadas “carteiras corporate” dos bancos, com padrões distintivos, fugindo, portanto, do universo em pesquisa72.
70 Uma visita aos sites dos principais bancos de atacado do Brasil pode oferecer uma visão clara da segmentação
de clientes pelo critério do faturamento bruto anual.
71 Fonte: <www.bndes.gov.br>. Acessado em abril/2003.
72 Foram executadas duas entrevistas em profundidade com executivos de megaempresas/grupos, ratificando
Diante desse fato, finalmente, refinou-se a definição da população-alvo do trabalho, de onde se extraiu amostras para análises: empresas com fa turamento bruto anual entre 10 e 100 milhões de reais em atividade no Brasil.
Assim, uma vez bem identificada a população (universo das unidades de observação), as entrevistas, painéis e grupos de foco envolveram executivos financeiros de diversos escalões das empresas de médio e grande portes atuantes no Brasil, os quais foram escolhidos de forma intencional/conveniência, adotando-se como critério de escolha, entre outros: (1) a condição de representarem empresas “multibancarizadas” (procurando-se reduzir possibilidades de viés); (2) serem representantes de empresas intensivas de capital e, portanto, contumazes na tomada de empréstimos junto a bancos; (3) serem executivos com formação acadêmica superior e/ou dotados de aguçado senso crítico e com experiência em gestão econômico-financeira de empresas privadas de médio e grande portes; (4) serem legítimos negociadores das operações de crédito junto aos bancos, sendo, portanto, profundos conhecedores dos trâmites e processos em questão e/ou tomadores de decisões no campo financeiro que sofram diretamente o impacto das relações comerciais dos bancos com suas empresas.73
Já para o survey exploratório, não há a exigência de amostras probabilísticas completamente ao acaso (SPECTOR, 1992; HAIR, et. al., 1998). Assim, dado o foco restrito, o agrupamento praticado pelo mercado, a homogeneidade de comportamento verificada nas entrevistas e, ainda, a condição imposta de só se entrevistar empresas multibancarizadas, a amostra estratificada apresenta-se satisfatória em função de proporcionar maior grau de representatividade. Nessa modalidade, “ao invés de selecionar amostra da população total, garante-se que quantidades apropriadas de elementos sejam tirados de subconjuntos homogêneos da mesma” ( BABBIE, 1999). Assim, adotou-se como tais subconjuntos, por conveniência, a segmentação (carteiras) dos bancos, formatando o que Babbie (1999:132) chama de “moldura de amostragem”:
73 Procurou-se ouvir também escalões intermediários, haja vista a recomendação de Rogers (1998): “No caso do
B2B recomenda-se conversar com os tomadores de decisão e também com os usuários reais, que “sentem o produto, cheiram o produto, lidam com ele”.
Surveys de organizações freqüentemente são o tipo mais simples de survey, do ponto de vista da amostragem, porque, tipicamente, organizações possuem listas [carteiras] de membros. Nestes casos, a lista de membros é uma excelente moldura de amostragem. Se uma amostra aleatória é selecionada de uma lista de membros, os dados colhidos desta amostra podem ser considerados como representativos de todos os membros [...]
Assim, pode-se inferir que, mesmo valendo-se eventualmente de uma única lista/carteira/moldura, a multibancarização exigida assegura representatividade semelhante à que seria alcançada ao se usar amostras aleatórias em várias listas.
Não obstante à relativa facilidade de se poder administrar o survey em amostras aleatórias de elementos da população listados nas carteiras dos bancos, também não há impedimentos para continuar se valendo de amostras intencionais nessa etapa. Dessa forma, nesse trabalho, um misto de amostra intencional/conveniência e aleatória estratificada foi utilizado, sempre acima dos padrões mínimos de quantidade recomendados para os tratamentos estatísticos.
Finalmente, conforme anunciado na introdução desse capítulo, resta a apresentação do roteiro e a descrição passo-a-passo do desenvolvimento das tarefas de investigação – o modus
operandi.