III. FAZLA SAATLERLE ÇALIŞMA
2. Fazla Saatlerle Çalışmanın Nedenleri ve Türleri
Para situar melhor a atuação profissional dos professores, é necessária uma breve descrição do contexto educacional de Itaúna, que conta com um total de 50 estabelecimentos escolares e 975 professores distribuídos conforme os quadros 2 e 3 abaixo.
21 A pesquisa utilizou microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2001 a 2006 (PNAD) e da POF – Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2002/2003 (POF), ambas do IBGE.
QUADRO 2
Estabelecimentos escolares do município de Itaúna segundo oferta de ensino22 Rede de ensino Número de escolas/Nível de Ensino
Ed. Infantil Fundamental Médio
Pública estadual 1 12 8
Pública municipal 17 17 0
Particular 9 6 4
Total 27 35 12
Fonte: INEP -Censo Educacional /2009
QUADRO 3
Professores do município de Itaúna
Nível de ensino N.
Ensino Fundamental 628
Ensino Médio 232
Educação Infantil 115
Total 975
Fonte: INEP- Censo Educacional 2009
Os 114 professores pesquisados atuam nos anos finais do Ensino Fundamental. Assim sendo, eles representam 18,1 % dos 628 docentes do município que atuam no Ensino Fundamental como um todo. Se esse número, por um lado, não é representativo em relação ao total de professores do Ensino Fundamental, por outro é exaustivo porque corresponde a um universo específico: todos os docentes do município, que atuam nos anos finais do Ensino Fundamental, têm filhos em idade escolar.
22 Os dados do Censo Educacional/2009 apontam que há, na cidade, 74 estabelecimentos escolares, enquanto os documentos da Prefeitura Municipal revelam que há 50 escolas no município. A discrepância numérica se dá porque a prefeitura conta as unidades escolares, e o censo apresenta os resultados a partir da análise da oferta de ensino de cada estabelecimento escolar.
TABELA 12
Professores pesquisados segundo rede de ensino de exercício docente
Rede de ensino de atuação do professor N. %
Rede pública e rede particular 80 70,2
Somente na rede pública 31 27,2
Somente na rede particular 3 2,6
Total 114 100,0
Fonte: Questionário aplicado a 114 professores do município de Itaúna-MG, nos meses de abril, maio e junho de 2009
No ano de 2009, grande parte dos professores (70,2%) atuava nas redes de ensino estadual e particular. Somente 2,6% trabalhavam apenas na rede particular e 27,2% lecionavam exclusivamente na rede pública. Somando-se os percentuais referentes à escola pública temos 97,4% dos professores trabalhando nessa rede de ensino. Um aspecto que chama atenção é que a alta taxa de professores desempenhando atividades nas duas redes de ensino, particular e pública vai em direção contrária ao comportamento geral dos professores brasileiros. Os dados do Censo Educacional/2007 revelam que 42% dos professores brasileiros ensinam apenas em escolas públicas da rede estadual e 38,7% somente na rede pública municipal. Somando as duas taxas, temos uma concentração de professores exercendo seu ofício apenas numa rede de ensino.
TABELA 13
Professores pesquisados segundo número de escolas em que trabalham. Número de estabelecimentos escolares em que trabalham N. %
2 escolas 71 62,3
1 escola 34 29,8
3 escolas 9 7,9
Total 114 100,0
Fonte: Questionário aplicado a 114 professores do município de Itaúna-MG, nos meses de abril, maio e junho de 2009
Como temos 70,2% dos professores do universo pesquisado ensinando em mais de uma escola, é importante pensar sobre alguns aspectos referentes à condição de trabalho
desses professores. Desempenhar atividades em duas ou três escolas envolve, além de uma carga horária extensa de trabalho, tempo de deslocamento e atividades adicionais exigidas por cada escola. O “tempo do trabalho” é o eixo que estrutura a docência, pois os professores têm também longos períodos de trabalho fora da escola. Teixeira (2003) mostra que os tempos não remunerados da docência representam grande parte da rotina dos professores e elevam os níveis de exploração da atividade docente frente ao trabalho de outros assalariados. Os professores, atuando em duas ou três escolas têm condicionantes temporais que extrapolam a dimensão do tempo remunerado nas escolas: o deslocamento entre as escolas, as atividades realizadas fora da escola (planejamento, elaboração de aulas, levantamento de recursos, correção de exercícios), reuniões e a participação em outros eventos exigidos pelas escolas.
TABELA 14
Professores segundo a carga horária semanal
Carga Horária Semanal N. %
De 21 a 40 horas/aula 63 55,3
Acima de 40 horas/aula 24 21,1
De 11 a 20 horas/aula 21 18,4
De 1 a 20 horas/aula 6 5,3
Total 114 100,0
Fonte: Questionário aplicado a 114 professores do município de Itaúna-MG, nos meses de abril, maio e junho de 2009
A grande quantidade de professores com carga horária semanal muito extensa não é surpreendente, tendo em vista que os dados apresentados anteriormente mostram que a maior parte dos professores atua em mais de um estabelecimento de ensino e em mais de um nível de ensino. A predominância de professores com uma carga horária que varia de 20 a 40 horas/aula semanais é também confirmada por pesquisas realizadas em âmbito nacional. Os dados do Educacenso 2007 revelam que os professores que lecionam nas séries finais do Ensino Fundamental têm uma carga horária semanal maior do que a dos professores que atuam nos primeiros anos do Ensino Fundamental, além de lecionarem para um número muito maior de alunos. A pesquisa “Perfil dos professores brasileiros” (UNESCO, 2004) demonstra a mesma tendência. Segundo esse estudo, 54,2% dos docentes brasileiros enfrentam uma carga horária de 21 a 40 horas/aula semanais. Dado os condicionantes temporais do trabalho docente acima citados,
a carga horária média dos professores parece excessiva, o que pode caracterizar condições desfavoráveis de trabalho.
TABELA 15
Professores pesquisados segundo nível de ensino da docência
Nível de ensino N. %
Ensino Fundamental / anos finais e Ensino Médio 59 51,8
Ensino Fundamental / anos finais 51 44,7
Ensino Fundamental / anos finais, Médio e Superior 4 3,5
Total 114 100
Fonte: Questionário aplicado a 114 professores do município de Itaúna-MG, nos meses de abril, maio e junho de 200
De acordo com a tabela acima, o grupo se divide praticamente em dois subgrupos: professores que atuam apenas no Ensino Fundamental e professores que atuam no Fundamental e Médio.
TABELA 16
Proporção de professores segundo o tempo de docência
Tempo de docência N. % Menos de 5 anos 8 7,0 De 5 a 10 anos 20 17,5 de 11 a 20 anos 57 50 Mais de 20 anos 29 25,4 Total 114 100,0
Fonte: Questionário aplicado a 114 professores do município de Itaúna-MG, nos meses de abril, maio e junho de 2009
Como vimos no item 2.1.1, o grupo pesquisado se compõe de professores com idade superior a 30 anos. Daí, sua relativa experiência profissional, com a maioria apresentando mais de 10 anos de profissão.
TABELA 17
Professores segundo disciplinas ministradas
Nível de Ensino Disciplinas lecionadas N. %
Ensino Fundamental Língua Portuguesa 28 24,6 Matemática 19 16,7 Ciências 24 21,1 Geografia 13 11,4 História 12 10,5 Inglês 4 3,5 Arte 4 3,5 Ensino Religioso 7 6,1 Educação Física 2 1,8 Espanhol 1 0,9 TOTAL 114 100,0 Ensino Médio Língua Portuguesa 15 25,4 Matemática 8 13,6 Física 6 10,2 Química 6 10,2 Geografia 6 10,2 Biologia 5 8,5 Inglês 3 5,1 Literatura 3 5,1 História 3 5,1 Filosofia 2 3,4 Sociologia 1 1,7 Educação Física 1 1,7 TOTAL 59 100,0 Ensino Superior Matemática 2 50,0 Filosofia 1 25,0 Biologia 1 25,0 TOTAL 4 100,0
Fonte: Questionário aplicado a 114 professores do município de Itaúna-MG, nos meses de abril, maio e junho de 2009
Os professores trabalham com disciplinas dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Um número muito pequeno de professores atua no Ensino Superior, portanto
esses dados não serão analisados aqui. Os dados apresentados na Tabela 17 acima mostram que há uma grande dispersão devido a um número bastante extenso de disciplinas, no entanto, são evidenciadas algumas concentrações.
Levando-se em conta, primeiramente, a atuação dos docentes no Ensino Fundamental, a disciplina Língua Portuguesa é a que apresenta a maior porcentagem (28,2%) de professores; concentração já esperada, visto que 28,1% dos professores da amostra são formados em Letras. A disciplina Língua Portuguesa é seguida pelas disciplinas Matemática e Ciências que são ministradas, ambas, por 19,3% dos docentes. História e Geografia são disciplinas ministradas por cerca de 10% dos professores da amostra, sendo que as disciplinas restantes (Educação Física, Ensino Religioso, Inglês, Espanhol e Arte) ocorrem com taxas bem mais reduzidas. Esse decréscimo das taxas é explicado pela carga horária destinada a cada uma das disciplinas, delimitada de acordo com a sua menor ou maior importância na grade curricular. Disciplinas como a Matemática e Língua Portuguesa foram adquirindo historicamente status de disciplinas mais importantes, ao passo que Artes ou Educação Física, por exemplo, não possuem um status tão elevado.23
Em relação ao Ensino Médio, o comportamento estatístico parece o mesmo. Há uma forte dispersão dos professores nas disciplinas, porém com uma relativa concentração em Língua Portuguesa (25,4% do total de 59 professores que lecionam também no Ensino Médio), seguida pelas disciplinas Matemática (13,6%) e Física (10,2%).
Relacionando os dados da Tabela 17 acima com os da área de conhecimento do curso de formação dos professores24, pode-se concluir que há uma relativa homologia entre área de formação e as disciplinas efetivamente lecionadas pelos professores. É necessário, no entanto, acrescentar que quatro dos sete professores sem formação pedagógica são graduados em Engenharia e Arquitetura e lecionam as disciplinas Matemática, no primeiro caso, e Espanhol, no segundo, nos dois níveis de ensino.
23
Fenômeno explicado por Chervel (1990), Forquin (1993), Goodson (1990), Burke (2003), Chevallard (1991) e outros, que estudaram aspectos sociais, políticos e culturais da construção histórica das disciplinas escolares. 24 Cf. Tabela 21.