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A. Padişahlar…

1. Fatih Sultan Mehmed (öl. 1481)

Do mar das nossas incertezas uma dúvida emerge das outras: Será que a acção acontece separado da decisão, é possível agir sem decidir e/ou é possível decidir sem agir? Pensamos que a decisão e a acção estão conectadas, paradoxalmente são faces de um mesmo corpo ecologizado. Na interactividade dos atractores atleta e contexto auto-eco-organiza-se a acção-decisão. A estratégia para compreender esta ideia, passa, por compreender que a decisão-acção, são ecodimensões fluidas do fractal Homem (Caldeira, 2008).

Urge reformar o pensamento segundo o qual toda acção é subsequente à decisão. O habitual no desporto, é que, a acção-decisão configure uma ideia de emergência, uma ideia

de caosalidade (Cunha e Silva, 1999) na descontinuidade do fluxo das affordences. É urgente recusar a ideia cognitiva da decisão espacial e temporalmente (in)formada na «cabeça», de acordo com um entendimento percepção-acção indirecta e, adoptar a hipótese amplificada da decisão ecológica de percepção-acção directa. A velocidade da acção-decisão parece comportar registos cognitivos menos elaborados e menos consciencializados.

No instante crítico da acção-decisão ecológica, o homem arrisca «jogando», toda a sua vida, toda a sua humanidade. Na incerteza caótica do desporto a fracção de segundo, pode ou não orientar o atleta-equipa na realização dos objectivos. Aqui, a acção-decisão reclama para si a co-responsabilidade intuitiva de “correr” por entre-glocais inesperados. Ao contrário, quando mais estamos afastados da multifase critica do “jogo”, a decisão-acção indirecta, racional e intencionalmente construida de enfoque cognitiva-estrutural, confirma a liderança, orientando e conectando decisões e acções estratégicas, na preparação proactiva de um plano difusor de pregnâncias, descritoras de sucesso na realização de um desporto feito de transcendências.

A decisão-acção é uma criação oscilante caminhando na transição de fase de estágios recursivos conscientes-inconscientes. É nesta paradoxal festa ecológica, de emoções, motivações, objectivos, expectativas, … e interesses, que se joga a criticidade da decisão- acção e acção-decisão. Reforçada pela ideia de Damásio (1999) quando refere, “Existimos e depois pensamos e só pensamos na medida que existimos, visto o pensamento ser, na verdade, causado por estruturas e operações do ser” (p. 254).

O desporto e por conseguinte a equipa-atleta são máquinas não-triviais que transportam, no seu interior, o princípio de incerteza e complementarmente o princípio de liberdade. Assim,

como a liberdade é optar e toda a opção é aleatória, tomamos as nossas decisões livres na incerteza e no risco da nossa acção-percepção umbilicalmente interactiva do “corpo” emocional-racional. Diríamos que a decisão reclama um campo experimental de corpo acção, numa intrincada espiral transformação adaptativa da acção-decisão acoplada à percepção-intenção, contrariando a ideia de repetição, de eficiência, de programa e de mecanização.

Parece-nos evidente que a dinâmica da decisão-acção, na competição, emerge sobretudo de um campo vincadamente interactivo vincadamente ecológico. Assim, as estratégias e tácticas didáctico-metodológicas devem procurar reflectir essa visão, esse entendimento no treino-competição caosal. Porque consideramos, como Mateus (2003), que o desporto é um ecossistema complexo e hiper-dinâmico, extremamente sensível às condições iniciais, pensamos que a teoria cognitivista não responde substantivamente, às mudanças imprevisíveis emergentes da criatividade volátil e decisiva da acção. No entanto, não podemos rejeitar o papel da cognição na decisão, sobretudo se pensarmos num cenário de acontecimentos futuros a longo prazo, onde a pressão temporal e espacial não se faz sentir de forma tão critica, na eficácia da acção (Caldeira, 2008).

A visão cognitiva, quando descontextualizada, relativamente ao incremento da acção- decisão configura um atleta estereotipado, reduzindo o apelo da eficácia à eficiência tecnocrata, subjacente a uma tecnicidade modelada do comportamento motor pela decomposição do movimento, limitando profundamente a dinâmica adaptativa do nicho- atleta e acopladamente do ecossistema desportivo.

A decisão acontece num território fluido inter-selectivo da acção. O atleta como epicentro da eficácia da acção, influencia e é influenciado de forma mais evidente pela proximidade

critica do outro, isto é, a ressonância próximal, sente-se de forma mais enérgica para com

aqueles que (inter)agem na bacia de atração do “seu” nicho fractal.

A selecção, nesta espiriforme, viaja para uma selecção proactivamente emergente, que sustém a respiração, no instante que realiza a acção. A biodinâmica do corpo individual desempenha um papel importante no mecanismo da auto-selecção colectiva. Na imprevisível medida que, para além da fronteira do ambiente, o Homem na sua acção- decisão, densifica a criticidade eco-selectiva, na diversidade geradora do seu estilo de vida desportiva e/ou outra. Esta ideia indicia a génese da auto-eco-selecção.

A decisão é sempre uma acção selectiva das múltiplas possibilidades fractais, do cenário homeodinâmico da ecologia de vida. Neste contexto, decidir é arriscar, é expor-se ao mundo, é lapidar a crueza bruta da multiplicidade de soluções à pureza auto-referente “da” solução assimétrica porque unica. Como refere Araújo (2005), a resolução das situações desportivas é sempre única. Aqui, o atleta joga toda a sua humanidade num único instante. O Homem aperta a realidade, da sua identidade, para poder suportar a decisão da auto-eco- acção. A eficácia eficiente, reafirma e projecta a glocalidade da decisão-acção, para outro estágio de complexidade de uma realidade fecunda maior na transcendência de ser ético.

A decisão nunca se faz sozinha da acção, elas são, artérias de um corpo e corpo de artérias, a caminho da humanidade do desporto. No desporto, a acção ilumina o território do ecoverso (multiplicidade de universos em interacção) da decisão. O agregado das decisões é o traço singular, único e inconfundível, de cada um de nós. Sendo a acção, a realização glocalizante

do atleta na relidade de si. A acção-decisão são universos duais trans-interactivos que cartografam o creodo de homem.

A auto-eco-eficácia do complexo decisão-acção leva o homem a abrir-se, a explorar o ecossitema que o auto-refere, explorando os seus limites, e ao faze-lo adopta um comportamento desafiante e de aprendizagem, caminhando na dualidade critica de ser tudo e nada, no incremento adaptativo do jogo da vida desportiva, da sua sobrevivência e da sua vulnerabilidade. A indecisão pelo contrário cristaliza a acção numa espécie de limbo, onde as affordences são explicadas e sentidas como constritoras de transformação adaptativa. Lembremo-nos das proficientes palavras de Shakespear e tenhamos a capacidade resiliente de realizar as mesmas:

As nossas dúvidas são traidoras E fazem-nos perder o bem

Que muitas vezes podemos ganhar Não houvera o medo de tentar.