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A) Saf Neden Olma Teorisi (Die reine Verursachungstheorie)

I- Faillik kavramı

2.1 - AGRICULTURA FAMILIAR PART-TIME E PLURIATIVIDADE

O Brasil, por meio da Lei 11.326/2006, considera agricultor familiar e, também, o empreendedor familiar rural, aquele que pratica atividades no meio rural atendendo, simultaneamente, os seguintes requisitos: I) não detenha, a qualquer título, área maior do que quatro (4) módulos fiscais; II) utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III) tenha percentual mínimo da renda familiar originada de atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento, na forma definida pelo Poder Executivo e; IV) dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família. Todavia, para além da definição legal apresentada, procuramos aportes na Sociologia Rural, buscando conceituações sobre os modos de produção camponesa e a agricultura familiar.

Alexandre Chayanov em “La organización de la unidad económica

campesina” (1974) centra a família na produção camponesa como detentora da

posse da terra e dos meios de produção, determinando o cultivo tanto para o mercado quanto para a subsistência, desde que a produção seja regida, sobretudo, pela necessidade de reprodução da família, vinculada à autossatisfação familiar. Chayanov apresenta, então, “uma definição de campesinato cuja base seja a própria família e as determinações que a estrutura familiar impõe sobre o comportamento econômico” (ABRAMOVAY, 1998, p: 23). Assim, esse pequeno produtor acaba por apresentar resistência frente ao mercado, frente à lógica capitalista.

Já sob a perspectiva da sociedade contemporânea, Wanderley (2003) nos diz:

Integrado ao mercado e respondendo às suas exigências, [...] tem o reconhecimento de que a lógica familiar, cuja origem está na tradição camponesa, não é abolida; ao contrário, ela permanece inspirada e orientada – em proporções e sob formas distintas, naturalmente – as novas decisões que o agricultor deve tomar nos novos contextos a que está submetido (WANDERLEY, 2003, p. 48).

Long & Ploeg (1994), a respeito de como os próprios agricultores moldam as atividades agrícolas por meio de projetos e práticas baseadas em critérios, interesses, perspectivas e experiências diferentes em busca de seus desenvolvimentos, nos diz:

Como os outros atores, os agricultores desenvolvem formas de lidar com situações problemáticas e combinam recursos de forma criativa (materiais e não materiais – especialmente conhecimento prático derivado da experiência anterior) para resolver os problemas. Eles também tentam criar espaço para seus próprios interesses de forma que possam beneficiar de ou, se necessário, neutralizar intervenções por grupos externos ou agências (LONG & PLOEG, 1994, p. 12).

Já para Navarro & Pedroso (2011), a agricultura familiar é uma atividade econômica, guiada pela lógica do mercado, e, consequentemente, condicionante para as escolhas das práticas sociais das famílias rurais. Nessas unidades produtivas existem lutas por estratégias que assegurem a reprodução social da estrutura a qual pertencem às famílias rurais, de maneira que esses núcleos se adaptam as diversas circunstâncias as quais são submetidos, buscando ampliação de renda e bem-estar familiar, o que acaba por gerar, assim, uma nova designação social para o rural que já não carrega somente os caracteres elementares da agricultura e pecuária (SCHNEIDER, 1994): o agricultor part-time (part-time farmer) que, em tradução literal, significa agricultor em tempo parcial e é, segundo Graziano da Silva (1999), capaz de combinar:

Atividades agropecuárias com atividades não-agrícolas, dentro ou fora do seu estabelecimento, tanto nos ramos tradicionais urbanos- industriais, como nas novas atividades que vêm se desenvolvendo no meio rural, como lazer, turismo, conservação na natureza, moradia e prestação de serviços pessoais (GRAZIANO DA SILVA, 1999, p. 5).

Esse trabalhador não é necessariamente, em todo o seu tempo laboral, um trabalhador agrícola, uma vez que é capaz de combinar formas diferentes de ocupações que envolvem atividades agrícolas e extra-agrícolas (GRAZIANO DA SILVA, 1999). Ele é um novo agente social, autônomo, especializado,

permanente e estabilizado na estrutura agrária e que acaba por expor, ainda que inconscientemente, novas alternativas para desenvolvimento regional. Alternativas essas que vão além do que nos é apresentado pelas políticas públicas agrícolas (SCHNEIDER, 1994) e que não esbarra na homogeneização da expressão “agricultura familiar”. Ao revés, amplia o olhar para as especificidades regionais – uma vez que é também sob a condição de adaptação às intempéries que surge o agricultor part-time -, gerando um incentivo às diversas agriculturas familiares existentes no país.

Ciente da desvinculação do meio rural como um espaço unicamente destinado à produção de alimentos e criação de animais, além da condição do trabalhador que dedica parte do seu tempo de trabalho em outras atividades não agrícolas como vias de reprodução econômica e social, percebe-se que muitos membros de um mesmo estabelecimento agem da mesma forma, combinando rendas distintas ou inserções profissionais que não advêm apenas da agricultura familiar, sendo um fenômeno social e econômico presente na estrutura agrária de regiões e países, independente de ser uma ocupação em busca de renda principal ou complementar (SCHENEIDER, 2003).

Não raramente uma parte dos membros das famílias residentes no meio rural passa a se dedicar a atividades não-agrícolas, praticadas dentro ou fora das propriedades. Essa forma de organização do trabalho familiar vem sendo denominada pluriatividade e refere-se a situações sociais em que os indivíduos que compõem uma família com domicílio rural passam a se dedicar ao exercício de um conjunto variado de atividades econômicas e produtivas, não necessariamente ligadas à agricultura ou ao cultivo da terra, e cada vez menos executadas dentro da unidade de produção. [...] Um fenômeno através do qual membros das famílias que habitam no meio rural optam pelo exercício de diferentes atividades, ou, mais rigorosamente, pelo exercício de atividades não agrícolas, mantendo a moradia no campo e uma ligação, inclusive produtiva, com a agricultura e a vida no espaço rural. (SCHENEIDER, 2003, p. 100 e 112).

Assim é a pluriatividade, uma estratégia de reprodução das famílias, onde novas formas de trabalho são vivenciadas em prol do ambiente social e econômico onde vivem seus agentes. E seja configurando-se como part-time

reprodução dessas famílias “Por detrás da Serra”, que encontram na área em que vivem um aumento nas suas rendas oriundas não da atividade agrícola, mas sim da mineração. É nessa conjuntura que se faz imprescindível a contextualização entre esses conceitos no espaço onde eles estão conformados, buscando outras observações quanto à concomitância dessa atividade agrícola-mineral que acontece “Por detrás da Serra” de Parelhas e sabendo do caráter estrutural que existe dentro desse campo e que configura a tomada de decisões dentro dessas famílias, perpassando por contextos históricos diversos e que justificam as práticas no espaço e tempo a qual fazem parte.

Outras conceituações teóricas de nível acadêmico serão apresentadas, na tentativa de nos acercarmos dos objetivos propostos nessa pesquisa, de maneira que sejam entendidas as especificidades sociais e institucionais que existem em cada lugar, buscando alcançar outras razões que apreenda o entendimento de unidades produtivas para além da geração de remuneração e receitas.

2.2 – HABITUS, CAMPO E TRAJETÓRIA

A teoria do habitus, sistematizada por Pierre Bourdieu, é central na Sociologia para entender o comportamento dos agentes por meio da observação das estruturas e condicionantes sociais que circunscrevem esses agentes. Causando constrangimentos no sentir e agir desses grupos.

O habitus é “o princípio ativo, irredutível às percepções passivas, da unificação das práticas e das representações” (BOURDIEU, 1998, p. 186). Configurando-se, assim, em estruturas coesas e integradas que fornecem aos agentes de um determinado campo a possibilidade de amoldamento à realidade, sem prescindir de uma reflexão quanto à reprodução mecanizada das práticas sociais, instituindo complexos desdobramentos entre a estrutura subjetiva, interiorizada, o “eu”, que se encontra em contato permanente com o

meio externo, o espaço circundante e existente naquele contexto, o campo, as estruturas objetivas (BOURDIEU, 1996).

Sobre o conceito de habitus, Bourdieu (1996) nos diz que:

Os condicionamentos associados a uma classe particular de condições de existência produzem habitus, sistemas de disposições duradouros e transponíveis, estruturas estruturadas dispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, como princípios geradores e organizadores de práticas e representações que podem ser objetivamente adaptadas ao seu objetivo sem supor a visada consciente de fins e o controle expresso das operações necessárias para atingi-los, objetivamente “regulada” e “regulares”, sem ser em nada o produto da obediência a regras e sendo tudo isso, coletivamente orquestradas sem ser o produto da ação organizadora de um maestro (Bourdieu, 1996, p. 88 ).

Assim, é através do habitus que a repetição das práticas sociais, incorporadas através da interiorização de padrões presentes nas mais diversas conjunturas, por meio da formulação e reformulação de práticas, são asseguradas e certificam a reprodução de condutas pela inconsciência dos agentes em repetir estruturas através de comportamentos tidos como naturalizados tanto para o indivíduo como para a sociedade a qual esse indivíduo faz parte.

As leituras desse espaço histórico são, então, interpretadas e incorporadas, conduzindo, assim, os agentes a uma forma de agir que pode tanto caminhar para a repetição de condutas, como também para a ruptura desses mecanismos de atuação. Uma construção constantemente afirmada por meio da interiorização da exterioridade, da interpretação individualizada dentro de um contexto social, que se manifesta naturalmente, moldando as possíveis ações dos agentes que constroem e afirmam à reprodução de práticas sociais dentro de um espaço.

Porém, o habitus não o é de um todo congelado. Ainda que o cotidiano desses agentes seja operado de maneira automática, representações também são orquestradas de maneira consciente, passando da mera reprodução interiorizada, simples e incorporada para uma nova produção social. Atrelada a um ambiente, está claro, e operada sob a perspectiva da reestruturação.

Bourdieu (2012) diz:

[...] eu desejava por em evidência as capacidades “criadoras”, activas, inventivas, do habitus e do agente (que a palavra hábito não diz), [...] – o habitus, como indica a palavra, é um conhecimento adquirido e também um haver, um capital. O habitus, a hexis, indica a disposição incorporada, quase postural -, mas sim o de um agente em acção (BOURDIEU, 2012, p. 61).

A percepção consciente da realidade pode gerar uma nova leitura e, por conseguinte, uma nova disposição para agir nesse espaço. Uma reedição do

habitus onde nada é completamente motivado e nada é completamente livre.

De modo que existirão agentes aptos a agirem de forma distinta, mas eles serão, também, guiados pelos habitus (BONNEWITZ , 2003).

Bourdieu acrescenta ainda que grande parte das ações dos agentes sociais está vinculada a uma determinada conjuntura e contexto: o campo social. Uma arena de conflitos e interesses, fruto da história das interações objetivas e subjetivas, e que está sujeito a outros infinitos fatos que podem influenciá-lo a passar por transformações. Afinal, é um espaço de relações sociais de agentes:

A existência de um campo especializado e relativamente autônomo é correlativa à existência de alvos que estão em jogo e de interesse específicos: através dos investimentos indissoluvelmente econômicos e psicológicos que eles suscitam entre os agentes dotados de um determinado habitus, o campo e aquilo que está em jogo nele produzem investimentos de tempo, de dinheiro, de trabalho etc. [...] Todo campo, enquanto produto histórico, gera o interesse, que é condição de seu funcionamento (Bourdieu, 2004, p. 126 ).

Assim, a ideia de campo permeia a análise de domínio e concorrência de um determinado espaço social em que agentes compartilham interesses em comum e, também, conflitos diversos, ainda que não possuam as mesmas capacidades ou recursos.

Sobre campo de poder, Bourdieu (1996) define:

Ele é o espaço de relações de força entre os diferentes tipos de capital ou, mais precisamente, entre os agentes suficientemente providos de um dos diferentes tipos de capital para poderem dominar

o campo correspondente e cujas lutas se intensificam sempre que o valor relativo dos diferentes tipos de capital é posto em questão [...]; isto é, especialmente quando os equilíbrios estabelecidos no interior do campo, entre instâncias especificamente encarregadas da reprodução do campo do poder são ameaçados (BOURDIEU, 1996, p. 52).

Ora, as determinações sociais estão inseridas dentro de um ambiente social que naturalmente passou por um processo histórico com agentes e instituições, condicionantes materiais e simbólicos que agem em complexas relações de imbricamento indivíduo-sociedade e que garantem a reprodução cultural, econômica, simbólica e social do local.

Contudo, há de se atentar que não se deve anular a ação desses agentes dentro do espaço social o qual estão inseridos, uma vez que eles são operadores ativos na construção da estrutura social a qual fazem parte. Por mais que tenham suas escolhas assumidas por meio de constrangimentos que acabem por influenciar em seus comportamentos e, por conseguinte, nas escolhas individuais e coletivas a que se propõem, são agentes sociais centrais que moldam seus próprios desenvolvimentos nesses espaços assinalados por conflitos decorrentes das próprias disputas de poder, relacionam-se com as estruturas existentes e geram práticas sociais que estão em constante ressignificação e recriação.

Para Bourdieu (2012):

Compreender a gênese social de um campo, e apreender aquilo que faz a necessidade específica da crença que o sustenta, do jogo de linguagem que nele se joga, das coisas materiais e simbólicas em jogo que nele se geram, é explicar, tornar necessário, subtrair ao absurdo do arbitrário e do não motivado os actos dos produtores e as obras por eles produzidas e não, como geralmente se julga, reduzir ou destruir (BOURDIEU, 2012, grifo do autor, p. 69).

E complementa:

A história estrutural de um campo – tratando-se do campo das classes sociais ou de qualquer campo – periodiza a biografia dos agentes comprometidos com ele (de modo que a história individual de cada agente contém a história do grupo a que ele pertence). [...] de fato, somente as mudanças estruturais que afetem tal campo possuem o poder de determinar a produção de gerações diferentes,

transformando os modos de geração e determinando a organização das biografias individuais e a agregação de tais biografias em classes de biografias orquestradas e ritmadas segundo o mesmo tempo (BOURDIEU, 2007, p. 420).

Nesse sentido, o entendimento histórico sobre as trajetórias dos agentes e dos grupos sociais também é foco da Sociologia de Pierre Bourdieu. Porém, o que se percebe em suas obras não são textos destinados especificamente a uma definição pontual e crua sobre o que seria a “trajetória”, interpretada no seu sentido biográfico, das histórias particulares dos indivíduos. Nada disso nos levaria a obter resultados sagazes o suficiente para entender o que é corriqueiro em um campo. Até mesmo no sentido ordinário, desses que se apresentam em matizes tão próximas que podem passar despercebido ao olhar do pesquisador.

O que se vê nas obras de Bourdieu, de maneira geral, é que elas estão impregnadas de atenção quanto à necessidade de se aprofundar em observações que ultrapassem o que se deixa transparecer em determinados contextos espaços-temporais. É a busca pelo aprofundamento na maneira de se observar, captando o que se deixa transparecer no campo.

Perceber a trajetória dos grupos sociais é percorrer os caminhos que levaram a um determinado habitus (VIEIRA, 2013). Mas é também a busca pela compreensão dos arranjos sociais dentro do campo onde esse habitus é operado. É entender, no presente trabalho, a conveniência entre a agricultura familiar e a mineração no seu processo constituidor de relações de um campo e que gera habitus comuns a seus agentes.

Como estamos nos reportando a um grupo social que apresenta uma estrutura social característica, em que coexistem as necessidades impostas aos agentes e as próprias batalhas travadas entre esses na conservação e transformação do conjunto o qual se encontram, não há um caráter de imutabilidade nesse espaço social. Existe, sim, uma estrutura dinâmica e em permanente constituição: o habitus, que opera e reconfigura o campo; e o campo que intervém e transforma o habitus. Ambos operados sobre as práticas sociais da trajetória do grupo.

Nesse sentido, pensar a relação indivíduo/sociedade estimula a pensar um conceito interdependente, complementário. Não um conceito oposto. Esse o é estruturado em uma troca constante, uma relação dialética entre o social e o individual, entre a sociedade e o indivíduo (SETTON, 2002). Quando se trata do mundo social, Bourdieu (2004) nos diz que as relações entre habitus e campo, manifestam-se independente à liberdade e consciência dos agentes, despontanto para além das estruturas simbólicas. São habitus formados na prática e para a prática de um campo, onde os sistemas objetivos (estruturalismo) norteiam e balizam manifestações: coibindo, constrangendo e mantendo as ações dos grupos. Porém, como é um sistema relacional, onde os dois conceitos se interlaçam – habitus e campo -, as orientações demarcadas pelo habitus e estruturas sociais (construtivismo), advindas de comportamentos, pensamentos e observações, alicerçam e delineiam afinidades, semelhanças, antipatias e repulsões em um campo.

Assim, a obviedade e a logicidade dos conceitos são, assim, tratadas como espontâneas e pertencentes aos agentes e seu espaço social nas formas de agir, pensar e sentir. De forma que são percebidas tão naturais que são, ao mesmo tempo, implícitas e explícitas, como se fossem próprias às ações humanas no sentido instintivo, daquele comparado a um animal. Apoiando-se em uma forma institucionalizada e rotinizada de práticas (BOURDIEU, 2006).

Nesses aspectos, a normatividade e a objetividade dos fatores não favorecem o assentamento das ideias sobre os caracteres de eficiência desses grupos sociais. Logo, cai-se na análise comportamental, a qual se apresenta bem a teoria institucional. Dessa feita, a compreensão das ações tanto individuais quanto coletivas, é trazida à tona. E essa intersecção entre estruturas sociais e comportamentos individuais, como mediadores de manifestações, são, exatamente, as instituições (THÉRET, 2003).

2.3 - INSTITUIÇÕES

Faz-se clara as interposições entre diferentes pontos sociais, quando aplicamos esses preceitos teóricos à realidade concreta em questão. Há, sim, outras tantas razões motivadoras que vão além dos aspectos já abordados nesse texto e que buscam respostas que nos aproximem da realidade desse espaço em que se apresentam interesses distintos que se correlacionam através de mediações sociais carregadas de estruturas simbólicas regidas em distintos campos. Cabe agora tentar compreender a ação dos agentes em suas manifestações individuais e coletivas. Discutindo, pois, a realidade social através das estruturas de mediação entre o individuo e sociedade e destes com o Estado, sem o condicionamento à lógica racionalizadora e maximizadora e sem as rugosidades que, de fato, interpõem-se na vida social.

Hodgson (1997) define instituições:

[...] uma organização social que, por efeito da tradição, dos costumes ou dos constrangimentos legais, tende a criar padrões de comportamento duradouros e rotinizados. [...] Há ações que podem não ter uma causa, mas, ao mesmo tempo, existem padrões de comportamentos que podem estar relacionados com o meio cultural ou institucional no qual a pessoa atua. Em resumo, a ação é parcialmente determinada, e parcialmente indeterminada: é previsível em parte, mas imprevisível noutra parte, mesmo em termos do cálculo da probabilidade ou do risco. (Hodgson, 1994, p: 10 e 11).

Ao que ele acrescenta em Economia e Evolução – o regresso da vida à teoria econômica (1997):

Dizem respeito aos padrões de comportamento e aos hábitos de pensamento com uma natureza rotinizada e durável, comumente aceites, associados a pessoas que interagem em grupos ou em coletivos ainda mais amplos. As instituições viabilizam o pensamento e a ação ordenados, impondo forma e consistência às atividades dos seres humanos (Hodgson, 1997, p: 276).

No que se refere à dimensão institucional dada a uma realidade social específica, Bastos (2006) ressalva a influência do espaço o qual estão inseridos os agentes sociais na tentativa de explicar os seus comportamentos. A existência de agentes fixados em ambientes que submetem esses sujeitos a

determinadas regras, referências culturais e convenções próprias desse campo tanto podem ser apresentada por vias formais – como leis, regulamentos, constituições -; quanto informais - apresentadas por meio de códigos de conduta, convenções, modos de comportamentos e outros. As regras do campo são, assim, manifestadas por meio dessas ações coletivas e a essas normas cabe a ordenação dos conflitos sociais.

As instituições são frutos de processos e estruturas que regem as ações humanas e estabelecem hábitos e rotinas no sistema social (HODGSON, 1997). Todavia, para além da vinculação aos aspectos culturais e históricos que determinam os arranjos rotinizados de um determinado espaço, há também ações de constrangimento dessas instituições sobre as escolhas individuais e isso gera, como consequência, uma constante redefinição institucional, já que esta se encontra em processo de acomodação e de transformação constantes. Novos comportamentos são instituídos individualmente e novas influências aos agentes são dispostas ininterruptamente. Como a relação entre atores-estruturas é assentada sobre “mediações que podem desempenhar um duplo papel, dos primeiros em

Benzer Belgeler