4. HALK ARASINDA YAŞAYAN ŞAMANİZM
4.3. Evlenme/Düğün İle İlgili İnançlar
Os estudos sobre resiliência tendem a considerar que a adaptação foi positiva “quando o indivíduo alcançou as expectativas sociais associadas à sua etapa de desenvolvimento ou quando não houve sinais de desajuste” (INFANTE, 2005) e a adaptação positiva considerada como indicadora da existência ou não de um processo de resiliência – ou uma adaptação resiliente -, num modelo “ex-post”, sendo possível detectar, aqui, uma forte conotação ideológica, uma vez que se baseia em expectativas de um desenvolvimento “normal”, que seguramente varia conforme a cultura e a sociedade na qual ocorre o processo. “Os parâmetros de avaliação do que se considera ´apropriado´ para cada etapa de desenvolvimento provém da literatura produzida em sociedades desenvolvidas que geralmente estudaram rapazes anglo-saxões de classe média” (RIGSBY, 1994 In: INFANTE, 2005). Luthar, que tem vários trabalhos sobre crianças em situação de pobreza extrema, (1999, In: INFANTE, 2005) interroga-se acerca do
“desafio de desenvolver futuras pesquisas que definam modelos conceituais de desenvolvimento normal em contextos de pobreza” para que se possa interpretar o fenômeno da resiliência à luz destes parâmetros.
É exatamente neste sentido que Masten (2001), mencionada anteriormente, critica as pesquisas que se utilizam métodos estatísticos e probabilísticos para prever as respostas humanas perante a adversidade, pois ela entende que nesta vertente de pesquisa normativa subjaz a forte conotação ideológica aludida e também a desconsideração pelo olhar do sujeito sobre a adversidade.
Para Melillo (2004), falar em adaptação implica desconhecer o papel de agente por parte do indivíduo que enfrenta a situação, bem como a participação deste na construção da sociedade e na mudança social. Adaptação não pode ser tomada como sinônimo de conformismo social. Ainda que se considere que, em determinadas circunstâncias, ocorram ajustes externos às demandas que não necessariamente correspondem ao ajuste interno realizado pelo indivíduo, fica evidenciada uma preocupação pela autenticidade, muitas vezes contraposta á legitimização de processos sociais adversos. O autor cita exemplos do passado latino-americano no qual, no contexto ditatorial, adaptar-se era entendido como sinônimo de subjugar-se para sobreviver. O autor discute a possibilidade de uma adaptação que não exclua a transformação – do próprio agente ou da realidade que o cerca. Melillo (2004) utiliza-se da definição de adaptação proposta por Zukerfeld (1998) para o qual: adaptação é “a capacidade do aparato psíquico ter em conta: a) a existência de uma realidade independente do próprio mecanismo mental, quer seja corporal ou intersubjetivo; b) a possibilidade de realizar ações para transformar de alguma maneira aquelas realidades”. (ZUKERFELD, 1998 In:
MELILLO, 2004; grifos do autor). Entende-se, pois, que o indivíduo, em sua convivência social, tenha a capacidade de fazer uma apreciação crítica desta realidade e também de acionar sua transformação. Consequentemente, “a ´desadaptação´, própria da neurose e da psicose, implica fracasso em alguma dessas instâncias ou em ambas” (MELILLO, 2004). Nessa abordagem, o indivíduo é tido como agente da própria ecologia e adaptação social. Em outras palavras, adaptação é entendida como a capacidade de transformar ativamente a si próprio ou ao ambiente e, numa analogia à gramática de uma língua, o indivíduo é o sujeito e não o objeto de sua história pessoal; ele é construtor de uma biografia particular, singular e única: a sua.
Gallende (2004) apresenta raciocínio semelhante, ao afirmar que na relação indivíduo – sociedade / cultura, devem ser consideradas, simultaneamente, a produção da subjetividade pela cultura e o indivíduo como produtor de cultura. Para ele, “o sujeito não possui, previamente, a capacidade para enfrentar a adversidade [...] Diante de uma circunstância adversa, ele [o indivíduo] cria, utilizando, para isso, a capacidade de ação racional e o pensamento crítico” (GALLENDE , 2004). Dito de outra maneira, o indivíduo não é “tabula rasa” de sua história.
Teórico de orientação psicanalítica, tece considerações sobre as mudanças profundas que têm ocorrido nas instituições sociais que a tradição da Psicanálise considera relevantes no sentido da construção da subjetividade – a família edípica, instituição escolar, a lei, a religião - e analisa o impacto dessas mudanças na construção da subjetividade humana. Para ele, tem sido “difícil falar de família com vínculo familial ou da escola como território coerente e homogêneo”. Famílias monoparentais e lares unipessoais, por exemplo, vêm crescendo nas grandes cidades, assim como tem
aumentado o número de filhos que crescem separados de um dos progenitores, face à elevada taxa de divórcios. Ao mesmo tempo, novas instituições sociais - TV, cinema, informática, entre outras -, geram caos e dispersão mas abrem novas possibilidades de construção da subjetividade.
Cabe lembrar que a subjetividade é aqui definida como “sistema de representações, dispositivo para produção de significados e sentidos para vida, valores éticos e morais”. E, neste contexto, é a “subjetividade criativa, autônoma, ativa e disposta à inovação e à mudança que pode ser considerada como resiliência” (GALLENDE , 2004).
Antes de concluir a análise crítica do conceito de adaptação positiva que tem sido utilizado como parâmetro para identificação do fenômeno da resiliência, há ainda que se considerar a situação em que indivíduos desenvolvem patologias ou vitimização embora não estejam expostos a adversidades. Rodriguéz (2005) busca explicar este tipo de inadaptação (sem que haja adversidade ou trauma presente) pelo fato de que o que é considerado “adverso para um pode ser fator de resiliência para outro”, remetendo à singularidade da percepção do sujeito sobre o risco ao qual está exposto (RODRIGUÉZ, 2005). Para este autor, devem ser considerados os aportes freudianos segundo os quais, “o ser humano, mesmo que rodeado das máximas circunstâncias favorecedoras [para seu desenvolvimento], nem sempre busca seu bem estar ou o de sua comunidade”, indicando que mecanismos masoquistas podem estar presentes. “Não é linear a relação entre o ambiente familiar protetor e o bem estar psíquico ou saúde mental” (GALLENDE , 2004).
Em resumo, pode-se afirmar que o discurso da adaptação positiva tem conotação ideológica, uma vez que a adaptação não é necessariamente sinônimo de conformismo social; não se pode pensar em uma adaptação que exclua a transformação, mas, ao contrário, deve-se pressupô-la, entendendo o indivíduo como agente da transformação, seja de si próprio, seja de seu ambiente.