BÖLÜM 2: ÇALIŞAN YOKSUL KADINLAR VE EV HİZMETİNDE
2.3. Yoksullukla Mücadelede “Kadınsal” Bir Alan: Ev Hizmetinde Çalışma
2.3.4. Dünya’da ve Türkiye’de Ev Hizmeti Çalışanlarının Çalışma Koşulları ve
2.3.4.1. Ev Hizmeti Çalışanlarının Çalışma Koşulları
Dentre os aspectos comuns na atividade de pesca da manjuba nas quatro comunidades estudadas, destaca-se o mercado como principal agente controlador da atividade. Pode-se notar que a utilização do mesmo canal de escoamento da produção desses vilarejos, associada à restrição do mercado, impede o aumento da explotação dos estoques de manjuba na região.
Anteriormente, este não era um problema para os moradores locais, pois a pesca da manjuba funcionava como uma alternativa de renda na entressafra de outras pescarias. No entanto, com as alterações sofridas pelos estoques pesqueiros da costa, somadas à desvalorização do pescado, diminuindo a viabilidade econômica das outras técnicas pesqueiras no estuário, essa atividade passa a ser cada vez mais utilizada na região e o mercado começa a dar indícios de não conseguir suportar tal demanda. Neste sentido, a manutenção da pesca da manjuba como principal fonte de renda nas comunidades estudadas pode gerar exclusão de alguns moradores na atividade ou diminuição de rendimento para todos que a utilizam.
Desta forma, apresenta-se claramente uma crise na pesca artesanal nas comunidades estudadas, tornando-se necessário o controle urgente da pesca industrial nesta região, diminuindo o impacto, e possibilitando a recuperação dos estoques pesqueiros no estuário. Um projeto em discussão, presente no Plano de Gestão Participativa para o Uso dos Recursos Pesqueiros do Complexo Estuarino-Lagunar Cananéia-Iguape-Ilha Comprida e Área Costeira Adjacente, propõe a minimização deste problema através da criação de uma Reserva Extrativista do Litoral Sul, de forma a proteger os atributos naturais e a cultura caiçara. Pretende-se eliminar a atividade pesqueira industrial e realizar a gestão da área juntamente com as
comunidades locais. Begossi e Brown (2003) destacam exemplos de co-manejo regulamentados na América Latina, de forma a minimizar o conflito entre a pesca artesanal e industrial (Manejo de Áreas Costeiras Explotadas, no Chile; Reserva Comunal Tamishiyacu-Tahuayo, no Perú e Reserva do Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, no Brasil).
É necessária também uma fiscalização efetiva sobre a atuação de embarcações industriais na costa, de forma a inverter o processo de fiscalização utilizado até hoje, punindo os grandes empresários da pesca, responsáveis pela atual situação dos recursos pesqueiros, ao invés de penalizar o pescador de pequena escala. Somado a isso, deve-se empregar maiores incentivos à pesca artesanal de forma a agregar valor ao pescado capturado. Uma solução encontrada atualmente, com experiências na região, é a formação de cooperativas de pesca, de forma a fortalecer as organizações comunitárias e a excluir a dependência do atravessador na comercialização do pescado. No entanto, Maldonado (1986) destaca a necessidade de se levar em consideração as reais necessidades e expectativas dos membros na formação de uma cooperativa, de forma que o pescador participe das decisões, sentindo-se parte da organização obtida.
Ao analisar especificamente a pesca da manjuba, procurou-se estabelecer propostas de manejo participativo para a região estudada, no intuito de minimizar o problema enfrentado pelos pescadores, aliado à busca de formas de utilização do recurso que possibilitem a redução da pressão ambiental.
Devido às características encontradas nessa pesca nas comunidades da Ilha do Cardoso (conhecimento dos pescadores sobre o ambiente e práticas utilizadas por eles) associadas ao pequeno número de redes e a limitação dos equipamentos de pesca, propõe-se a liberação dessa atividade para estudo, através de um controle
através do Comitê de Gestão Participativa da Ilha do Cardoso. A partir do registro das redes e etiquetagem das mesmas, o número de redes seria fixado e a compra de novas seria controlada pelo Comitê. O controle ambiental da pesca poderia ser feito por fichas de produção e esforço de pesca, preenchidas pelos pescadores, de forma a analisar o estoque pesqueiro no decorrer de alguns anos, possibilitando extrapolações a respeito da explotação sustentável do recurso.
A pesca da manjuba na comunidade da Barra do Ararapira necessita de um estudo detalhado para o melhor entendimento da dinâmica e das características locais, entretanto, é necessário um controle imediato do aumento do número de redes. Sugere-se que este seja feito a partir dos compradores, impedindo a distribuição de mais redes na região. Deve-se entrar em acordo com a direção do Parque Nacional do Superagui para que os procedimentos de controle da produção e esforço pesqueiro sejam realizados paralelamente nas duas Unidades de Conservação, garantindo a efetividade dos dados coletados.
Finalmente, as análises de biologia pesqueira não podem ser desconectadas do contexto da atividade e da tomada de decisões na gestão dos recursos em conjunto com a comunidade local. Nesse sentido, a proposta de um zoneamento para a pesca da manjuba, feita por um ex-pescador, sugere a liberação da atividade em áreas pré- determinadas e merece estudos para constatar a sua viabilidade. Este pescador define a Baía de Cananéia (Baía de Trapandé) como um local onde existem grandes cardumes de manjuba, sendo uma região importante para a reprodução das mesmas. Desta forma, pretende-se manter as áreas anteriormente utilizadas pelas comunidades, controladas atualmente pela fiscalização, e transformar a Baía de Cananéia e parte do canal estuarino (até o Canal do Varadouro) como “santuário” para a manutenção dos
estoques de manjuba. Este zoneamento pode ser visualizado no mapa abaixo (Figura 29).
Figura 29: Zoneamento proposto por um ex-pescador para a pesca da manjuba no canal estuarino: amarelo- "santuário"; vermelho- área de pesca da manjuba das comunidades Enseada da Baleia e Vila Rápida e azul- área de pesca da manjuba das comunidades Pontal do Leste e Barra do Ararapira. Imagem de satélite da Ilha do Cardoso e entorno (Fonte: site www.obt.inpe.br/prodes).
Desta forma, os pressupostos deste estudo se firmam na crença de que formas alternativas, ecologicamente apropriadas para o uso e manejo de recursos naturais, possam ser geradas de uma estreita relação e diálogo entre pesquisadores, órgãos públicos e grupos humanos estudados. Segundo Montenegro et al (2001), a integração de conhecimentos adquiridos pelos pescadores àqueles gerados pelo conhecimento científico, possibilita uma análise contextualizada e conectada à realidade dos pescadores.