1.2. Neoliberalizm
2.1.3. Etik Temel
O último procedimento analítico proposto pela metodologia baseou-se no teste de média para as variáveis que se mostraram determinantes em todas as etapas desenvolvidas. Conforme justificado em 4.5.4, foi utilizado o teste de Kruskal-Wallis para verificar a diferença de média entre grupos, definidos pelas variáveis: extensão (em quilômetro da rodovia), demanda (em número de veículos pedagiados anualmente) e idade (em número de anos que a concessão está em vigor).
A hipótese nula testada pelo procedimento é a de que as médias e as distribuições populacionais de variáveis relacionadas aos dois grupos independentes não são estatisticamente diferentes. Dessa forma, caso ela seja rejeitada, há indícios de que o grupo se
comporta diferentemente para a variável em estudo. As variáveis selecionadas para compor o teste foram: ROA, margem operacional, TRO, número de acidentes por quilômetro,
intangível, imobilizado e dívida para capital. Mais detalhes sobre o resultado do teste estão
disponíveis no Anexo 1.
As concessionárias foram divididas em grupos quanto à extensão. Separaram-se aquelas que apresentavam valores abaixo e acima de 400 quilômetros de rodovia sob sua responsabilidade. Assim, os grupos foram divididos de acordo com a Tabela 22.
Tabela 22 - Agrupamento por extensão Grupos - Extensão Empresa
Extensão maior que 400km Novadutra Régis Bittencourt Planalto Sul Ecosul Fernão Dias
Extensão menor que 400km Autopista Fluminense Ponte Rio-Niterói Concer CRT Concepa Litoral Sul Transbrasiliana Rodovia do Aço Fonte: Elaboração própria.
O resultado do primeiro teste, de acordo com a Tabela 23 mostrou que a extensão influencia tanto a média quanto a distribuição das variáveis imobilizado e dívida para capital. Esse resultado justifica-se porque quanto maior for a rodovia maior a necessidade de investimento da concessionária. Assim, ela possui maior necessidade de recorrer a recursos de terceiros. Além disso, também se nota a influência da extensão na distribuição da variável TRO, embora a média não seja significativamente diferente. Dessa forma, para rodovias pequenas o padrão de variabilidade em relação ao TRO é diferente daquele entre as mais extensas.
Tabela 23 - Resultado do teste de Kruskal- Wallis para o grupo extensão Teste K-W a 5% de
significância
Extensão
Média Distribuição
Imobilizado Rejeita Ho Rejeita Ho
Intangível Aceita Ho Aceita Ho
Dívida para capital Rejeita Ho Rejeita Ho
Margem Operacional Aceita Ho Aceita Ho
ROA Aceita Ho Aceita Ho
Acidentes Aceita Ho Aceita Ho
TRO Aceita Ho Rejeita Ho
A segunda segmentação foi dos grupos de concessionárias quanto à demanda. Aquelas que apresentavam valores abaixo de 30.000.000 de veículos pedagiados anualmente e acima do mesmo valor. Assim, os grupos foram divididos de acordo com a Tabela 24.
Tabela 24 - Agrupamento por demanda Grupo - Demanda Empresa
Demanda maior que 30.000.000 veículos anual Novadutra Régis Bittencourt Litoral Sul Fernão Dias
Demanda menor que 30.000.000 veículos
anual
Autopista Fluminense Planalto Sul
Ponte Rio- Niterói Concer CRT Concepa Ecosul Transbrasiliana Rodovia do Aço Fonte: Elaboração própria.
O resultado do segundo teste, de acordo com a Tabela 25, mostrou que a demanda influencia tanto a média quanto a distribuição das variáveis imobilizado, intangível e dívida para capital e a média de acidentes. Esse resultado justifica-se porque quanto maior o fluxo de veículos maior a necessidade de manutenção do pavimento que se desgasta e, portanto, maior o investimento (imobilizado e intangível) da concessionária. Assim, como no caso da extensão é maior a tendência de se recorrer a recursos de terceiros. Além disso, quanto maior número de veículos por quilômetro maior a probabilidade de se incorrer a acidentes.
Tabela 25 - Resultado do teste de Kruskal- Wallis para o grupo demanda Teste K-W a 5% de
significância
Demanda
Média Distribuição
Imobilizado Rejeita Ho Rejeita Ho
Intangível Rejeita Ho Rejeita Ho
Dívida para capital Rejeita Ho Rejeita Ho
Margem Operacional Aceita Ho Aceita Ho
ROA Aceita Ho Aceita Ho
Acidentes Rejeita Ho Rejeita Ho
TRO Aceita Ho Aceita Ho
Por fim, dividiram-se as concessionárias em grupos quanto à idade. Aquelas que apresentavam valores abaixo de 9 anos de contrato e acima do mesmo valor foram segmentadas. Os grupos foram apresentados na Tabela 26.
Tabela 26 - Agrupamento por idade Grupo - Idade Empresa
Tempo de concessão superior a 9 anos Novadutra Ponte Rio-Niterói Concer CRT Concepa Ecosul Tempo de concessão inferior a 9 anos Autopista Fluminense Régis Bittencourt Planalto Sul Litoral Sul Fernão Dias Transbrasiliana Rodovia do Aço Fonte: Elaboração própria.
O resultado do terceiro teste, de acordo com a Tabela 27, mostrou que o tempo de contrato influencia tanto a média quanto a distribuição de todas as variáveis, com exceção de
imobilizado, intangível e a média de acidentes. Esse resultado indica que o ciclo em que a
concessão se encontra e/ou as diferentes premissas contratuais impactam o desempenho econômico-financeiro (margem operacional e ROA) e operacional (TRO e acidentes). Além disso, esta variável também influencia a composição de capital da empresa (empresas mais novas apresentam maiores indicadores dívida para capital).
Tabela 27 - Resultado do teste de Kruskal- Wallis para o grupo idade Teste K-W a 5% de
significância
Idade
Média Distribuição
Imobilizado Aceita Ho Aceita Ho
Intangível Aceita Ho Aceita Ho
Dívida para capital Rejeita Ho Rejeita Ho
Margem Operacional Rejeita Ho Rejeita Ho
ROA Rejeita Ho Rejeita Ho
Acidentes Aceita Ho Rejeita Ho
TRO Rejeita Ho Rejeita Ho
Fonte: SPSS, a partir de dados da ANTT
Após a análise dos resultados, verificou-se que todos os agrupamentos afetaram os grupos de variáveis analisadas. Portanto, a análise intergrupos para o setor se mostra importante em
muitos aspectos, embora as amostras se tornem ainda menores. Cumpre ressaltar que dentre as divisões feitas aquela que mais afetou o desempenho, tanto econômico-financeiro quanto operacional, foi o tempo de contrato. Isso se deve às condições contratuais, afetadas pela conjuntura macroeconômica e institucionais ainda instáveis à época, levando o investidor privado a exigir uma TIR maior que se perduraria por todo o contrato. Além disso, com maior tempo de contrato o negócio, em geral, passa por uma fase de estabilidade, com os maiores investimentos iniciais já pagos e com os custos mais controlados, o que faz com que os investidores recebam um retorno maior. Isso é corroborado pelo fato de as empresas mais antigas apresentarem, em média, menor número de TROs - ou seja, elas também parecem cumprir as exigências contratuais.