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Erkek Ayakkabısı (Merdane) Günlük Model Üretim AĢamaları

2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR

3.4. Verilerin Analizi

4.1.2. Erkek Ayakkabısı (Merdane) Günlük Model Üretim AĢamaları

Compreender a construção da identidade social pressupõe primeiramente compreender a sua essência, visto que ela se dá em uma construção complexa do indivíduo ao interagir com seu grupo de pertença, por meio de sucessivas socializações, que se dão ao longo da vida (BORGES, 2007; DUBAR, 2005).

Para Berger e Luckman (1973), os processos de socialização dos indivíduos no contexto grupal se dão em duas etapas: a socialização primária e a socialização secundária. Na socialização Primária, que acontece no período da infância, o sujeito se insere na sociedade (isento de criticidade) passando, dela, a fazer parte, sofrendo influência e absorvendo características do espaço de mediação da escola e da família, entes próximos das crianças neste momento. Já a segunda etapa, a socialização secundária, acontece na adolescência e na vida adulta e possui como característica a interação com distintas instituições sociais, propiciando ao sujeito o contato e a aquisição dos conhecimentos especializados, tais como os saberes profissionais.

Neste sentido, os processos de formação da identidade são processos que acontecem continuamente na sociedade, sendo estes, intrínsecos à sua estrutura e capazes de promover processos de identificação e pertença a grupos distintos, influenciando cada conduta do indivíduo e a percepção que este tem sobre elas (DUBAR, 2005).

Estar em sociedade significa, então, participar da dialética desse processo. Ser um ser social é fazer parte desse mecanismo de interiorizar, subjetivar e exteriorizar, objetivar (BERGER; LUCKMANN, 1999).

Nesta concepção, a identidade não é dada a ninguém no ato de seu nascimento e, ao contrário, ela

“constrói-se na infância e deve reconstruir-se sempre ao longo da vida. O indivíduo

nunca a constrói sozinho: ela depende tanto dos julgamentos dos outros como das

suas próprias orientações e auto definições” (DUBAR, 2005; p.136).

A construção e a reconstrução da identidade social ao longo da vida confere à identidade uma natureza complexa, dinâmica, social, histórica. A identidade social é influenciada pelo contexto em que é forjada ao mesmo tempo em que se faz determinante desse mesmo contexto, configurando-se “(...) um constante ‘estar sendo’, embora se represente com aparência de ‘ser’” (JAQUES, 2000, p.127, apud CAÇADOR 2012, p.40).

Considerando sua natureza dinâmica, a identidade possui um caráter transitório,

“resultado simultaneamente estável e provisório, individual e coletivo, subjetivo e

objetivo, biográfico e estrutural, dos diversos processos de socialização que, em conjunto, constroem os indivíduos e definem as instituições” (DUBAR, 2005, p.136).

Para Dubar (2005; p.136), a identidade é aquilo de mais precioso do indivíduo e para as organizações, sendo que sua perda “é sinônimo de alienação, de sofrimento, de angústia e de morte”.

Ainda para o mesmo autor, a construção social da identidade faz parte da teoria sociológica da identidade e pressupõe a construção de uma “identidade para si” e uma “identidade para o outro” a partir da existência de dois processos, que intrínsecos permitem a construção da identidade social. Para ele existe uma relação inseparável, porém passível de dissonâncias, entre a identidade “real” construída pela assimilação interna da identidade pelo sujeito e entre a identidade “virtual” concebida pela relação de forças entre os atores envolvidos, a partir do entendimento do outro sobre o sujeito em questão (DUBAR, 2005; CAÇADOR, 2012):

A divisão intrínseca à identidade tem de, finalmente e, sobretudo, ser esclarecida pela dualidade da sua própria definição: identidade para si e identidade para o outro são inseparáveis e estão ligadas de uma forma problemática. Inseparáveis porque a identidade para si é correlativa do Outro e do seu reconhecimento: eu só sei quem eu sou através do olhar do Outro. Problemáticas porque "a experiência do outro nunca é diretamente vivida por si... de tal forma que nos apoiamos nas nossas

e, portanto, para forjarmos uma identidade para nós próprios" (DUBAR, 2005, p.135).

Deste modo, a identidade diz respeito “às definições que as pessoas dão de si próprias e aos reconhecimentos que procuram obter dos outros” (DUBAR, 1998, p.138), resultando de um processo complexo de estreita relação consigo próprio e com seu grupo relacional, que conforma a identidade social.

Considerando que o trabalho possui relevância frente à construção identitária do indivíduo, pode garantir-lhe satisfação e reconhecimento social; e que a identidade profissional está intrínseca à identidade social, Dubar (2005) ressalta que a formação profissional e esta identidade constituem-se como um evento desafiador e de singular relevância na construção da identidade do indivíduo.

Brito et. al. (2008) afirmam ser a identidade um fenômeno complexo devido a sua natureza multidimensional e seu estado de permanente mutação. Nessa perspectiva, as várias identidades se comunicam e se manifestam no contexto das organizações conferindo-lhe maior complexidade.

Para Caçador (2012; p.43), e considerando o objeto deste estudo, a configuração identitária do enfermeiro constitui-se por um processo dinâmico, histórico, sociocultural, econômico e politicamente determinado. “Trabalhar com identidade pressupõe manter as interfaces de um objeto que não se constitui sozinho, mas em um permanente movimento de troca sócio-histórica e cultural”.

Neste sentido, Brito (2004) afirma que o estudo das identidades permite conhecer a realidade de uma instituição bem como a estrutura de suas ações, visto ter a identidade à capacidade de esboçar as ações dos indivíduos, grupos ou organizações. De tal modo que analisar a configuração identitária do enfermeiro no contexto da Estratégia de Saúde da Família implica compreender o processo dinâmico que está intrínseco nesta construção, compreender a importância de cada ente – enfermeiro, equipe, instituição, usuário - no seu resultado final.

3 PERCURSO METODOLÓGICO

"Porque eu só preciso de pés livres, de mãos dadas e de olhos bem abertos"

Guimarães Rosa