5. UYGULAMA
5.5. Uygulama ve RETScreen Programı
5.5.1. RETScreen International Programı
5.5.1.1. Enerji Modeli
Por fim, cabem algumas considerações sobre o relacionamento entre competição, governança e desempenho. De acordo com Bhagat et al. (2007, p. 12), a literatura empírica não identifica um relacionamento conclusivo entre governança corporativa e desempenho da firma. Bohren e Odegaard (2003) atribuem essa dificuldade em estabelecer um claro relacionamento entre as variáveis ao fato de não haver uma teoria bem definida, visto que não é conhecido se os diversos mecanismos de governança interagem de forma complementar ou substituta. Assim, a seguinte pergunta emerge: todas as firmas se beneficiam de boas práticas de governança corporativa? O trabalho de Allen e Gale (1999) apresentado em 2.3 enseja este questionamento, pois, de acordo com o modelo teórico desenvolvido pelos autores, em ambientes competitivos os mecanismos de governança corporativa seriam substituídos pelo poder disciplinador da competição.
Nestas discussões, o estudo da influência da competição pode colaborar no entendimento do relacionamento entre as variáveis. Mayers (1996) discorre sobre a importância de investigar a interação entre governança, competição e desempenho. Segundo o autor, competição no mercado de produtos é associada com a alocação eficiente de recursos, em razão de fornecedores de mercadorias e serviços serem incentivados a oferecer produtos com menores custos e preços. Primeiramente, o autor afirma que a efetividade dos diferentes tipos de mecanismos de governança pode ser influenciada pelo nível de competição no mercado de produtos. Em segundo lugar, a forma como a governança corporativa é estruturada nos países pode depender do grau de competição no mercado de produtos. Assim, segundo Mayers (1996), esforços para aumentar o grau de competição podem causar efeitos relevantes sobre a função da governança corporativa, podendo ocasionar um incremento no desempenho das firmas.
Estudos como os de Januszewski et al. (2001), Griffith (2001), Grosfeld e Tressel (2001), Koke e Renneboog (2003), Li e Niu (2006), Pattanayak (2008) e Giroud e Mueller (2009), realizados na Alemanha, Reino Unido, Polônia, comparativo entre Alemanha e Reino Unido, China, Índia e Estados Unidos, respectivamente, corroboram a importância de se estudar a interação entre competição no mercado de produtos e governança sobre o desempenho das firmas.
Januszewski et al. (2001) analisam o papel da competição no mercado de produtos e governança corporativa como determinantes do crescimento da produtividade nas firmas de manufatura alemãs, no período de 1986 a 1994, para uma amostra de 491 companhias. Os autores se concentraram no setor manufatureiro em função da dificuldade estimar e mensurar modelos empíricos de produtividade para o setor de serviços. A métrica de governança utilizada pelos autores se restringiu à estrutura de propriedade das companhias. Em relação às métricas de competição, os autores utilizam uma métrica denominada Rent, cuja idéia é estimar a renda econômica, extraída do trabalho de Nickell (1996), HHI, C6 e taxa de penetração das importações. Januszewski et al. (2001) encontram que firmas obtêm altas taxas de crescimento da produtividade quando operam em mercados com intensa competição. Além disso, constatam que competição e controle rígido são complementares, ou seja, o efeito positivo da competição é potencializado pela presença de um grande investidor. Alguns resultados não foram estatisticamente significativos, assim os autores sugerem que métricas alternativas de competição sejam utilizadas em futuras pesquisas, principalmente alterações no nível de competição decorrentes de eventos exógenos. Por exemplo, a desregulamentação de um setor.
Griffith (2001) investiga se um aumento da competição no mercado de produtos tem impacto nos níveis de produtividade e taxa de crescimento, se esse efeito é positivo ou negativo, e se o aumento da competição leva a uma mudança nos níveis de produtividade por meio da redução dos custos de agência. O estudo é conduzido considerando o período entre 1980 e 1996, no Reino Unido, com aproximadamente 103.500 observações. A autora separa os estabelecimentos estudados na pesquisa em quatro diferentes grupos, a fim de identificar os que possuem mais chance de ocorrer problema agente-principal: i) estabelecimento administrado pelo proprietário; ii) estabelecimento com subsidiárias; iii) estabelecimentos administrados pelo poder público; e iv) outros. O programa de criação de um mercado único europeu é utilizado como uma mudança exógena no nível de competição no mercado de produtos, sendo que o Índice de Lerner é aplicado para demonstrar o possível incremento no nível de competição. Os resultados sugerem que um aumento da competição no mercado de produtos está associado a um aumento da produtividade das companhias, sendo que os aumentos não foram constatados em firmas que não havia previamente um potencial para o problema agente-principal, mas sim naquelas em que havia. Segundo Griffith (2001), os
resultados oferecem fortes evidências empíricas de que o aumento da competição no mercado de produtos aumenta a produtividade das companhias por meio da mitigação dos custos de agência.
Grosfeld e Tressel (2001) estudam o impacto da inter-relação entre competição e governança sobre o desempenho na Polônia. Especificamente, o objetivo dos autores é verificar se as variáveis de governança corporativa e competição agem como complementares ou substitutas no relacionamento com o desempenho das companhias. Uma amostra de 200 companhias, entre 1991 e 1998, é utilizada na pesquisa. A estrutura de propriedade é utilizada como aproximação para governança e uma medida denominada Rent, que pode ser traduzida como renda econômica, é a aproximação para competição. Uma função de produção Cobb Douglas é utilizada como a variável dependente do estudo. O resultado principal do estudo refere-se ao impacto significativo e positivo da competição sobre o desempenho. Em relação à concentração da estrutura de propriedade, os autores encontram uma relação quadrática negativa com o nível de competição. Outro resultado importante do estudo diz respeito à complementaridade encontrada entre governança e grau de competição, sugerindo o reforço de uma sobre a outra. Segundo os autores, competição não tem um impacto significativo no crescimento da produtividade em firmas com pobre governança corporativa. Ao contrário, tem um significativo efeito em firmas com boa governança. Portanto, o trabalho de Grosfeld e Tressel (2001) conclui haver um relacionamento de complementaridade entre governança e competição.
Koke e Renneboog (2003) investigam o impacto da competição no mercado de produtos e governança corporativa sobre o crescimento da produtividade total dos fatores para duas amostras de companhias da Alemanha e do Reino Unido. Na Alemanha, o período do estudo vai de 1986 a 1996 e utiliza uma amostra de 1074 companhias. No Reino Unido, o período vai de 1992 a 1999 e utiliza uma amostra de 502 companhias. O principal resultado do estudo é que governança corporativa e competição no mercado de produtos afetam significativamente o aumento da produtividade das companhias; contudo o resultado varia entre Alemanha e Reino Unido, sendo que o papel do bloco de controle e do banco credor é particularmente importante em firmas com fraco desempenho.
Na China, Li e Niu (2006) também estudam a inter-relação entre competição, governança e desempenho. A questão de pesquisa central é a seguinte: Governança corporativa e competição na China são substitutas ou complementares? O objetivo é acrescentar a interação entre governança corporativa e competição no mercado de produtos como um aspecto a ser observado quando se discute desempenho, medido, nesse trabalho, por produtividade. O trabalho utiliza uma amostra de 3822 companhias e um período de 6 anos, de 1998 a 2003. Para aproximar governança corporativa são utilizadas três métricas: i) estrutura de propriedade; ii) composição do conselho de administração; e iii) alguns aspectos concernentes à remuneração dos principais executivos. Para mensurar a variável competição, os autores valem-se da medida Rent, extraída do trabalho de Nickell (1996). A variável dependente do estudo é a produtividade das empresas, aproximada por uma função de produção Cobb- Douglas com dois fatores explicativos. Os resultados do trabalho não respondem objetivamente a questão de pesquisa, pois se apresentam diferentes à medida que são analisadas diferentes aproximações para governança corporativa. Há uma relação de complementaridade entre estrutura de propriedade e competição, e de remuneração e competição. Contudo, entre conselho de administração e competição a relação é de substituição. Portanto, não há uma conclusão única. Todavia, o trabalho demonstra que a interação entre competição e governança impacta significativamente a produtividade da firma.
No estudo de Pattanayak (2008), o objetivo é contribuir com a literatura sobre a relação entre governança corporativa, competição no mercado de produtos e os efeitos sobre o nível de produtividade da firma na perspectiva de um país emergente, no caso a Índia. A pesquisa utiliza uma amostra de 1660 companhias, em dois períodos: i) 2000 a 2001; e ii) 2003 a 2004. Como aproximação de governança corporativa, os autores utilizam a estrutura de propriedade e o grau de endividamento da companhia. Para mensurar a competição no mercado de produtos, HHI, C4, participação de mercado e uma medida de renda econômica são utilizados. O principal resultado do estudo mostra que companhias com ações concentradas sob a propriedade de famílias fundadoras são mais produtivas unicamente quando submetidas a intensa competição no mercado de produtos.
Por fim, Giroud e Mueller (2009) estudam se a competição mitiga o desleixo gerencial utilizando variações exógenas de governança corporativa, por meio de alterações em 30 leis sobre combinação de negócios, aprovadas entre 1985 e 1991, analisando estado por estado. A
pesquisa utiliza como amostra um total de 10.960 companhias norte-americanas, entre 1976 e 1995. Na pesquisa, as mudanças nas leis de combinação de negócios são utilizadas como uma aproximação de governança corporativa. Nos testes de robustez, o "G-index" e o "E-index" também são utilizados para aproximar a qualidade de governança corporativa. O HHI é utilizado como proxy para competição no mercado de produtos. Em resumo, os resultados do estudo indicam que firmas operando em mercados menos competitivos experimentam uma significante retração em seu desempenho operacional após a mudança das leis, enquanto que firmas operando em mercados mais competitivos virtualmente não sofreram quaisquer efeitos, cujo achado é consistente com a idéia de que competição mitiga o desleixo gerencial.