BİLGİ TOPLUMU, BİLGİ EKONOMİSİ VE ELEKTRONİK TİCARET: KAVRAMSAL YAKLAŞIM VE TARİHSEL ARKAPLAN
1.3. ELEKTRONİK TİCARET: TANIMI, ARAÇLARI VE EKONOMİK ETKİLERİ
A educação online trouxe de volta a figura do tutor, uma vez que se trata de uma função muito antiga, preconizada ainda nos tempos da Grécia antiga, com Aristóteles. Atualmente, o tutor não é mais o preceptor ou o responsável pela educação geral do estudante, seja ela doméstica ou institucional. Esse profissional atua na área acadêmica e, de certa maneira, a função desempenhada por ele parece confundir-se com a do professor, pois
diversas vezes os termos aparecem como sinônimos.
No entanto, esse fato surge envolto em polêmicas, pois se acredita não tratar-se de uma simples substituição de nomenclatura, adequada ao exercício profissional do professor na educação online, mas, ao contrário, trata-se de uma proletarização desse trabalhador, pois de modo geral sua função seria acompanhar o desenvolvimento de uma dada disciplina planejada por outro professor. Muitas vezes, o tutor desconhece o assunto, fato este que o transforma em um simples executor de tarefas sem autonomia.
Além disso, o professor que desenvolve os conteúdos e materiais de ensino para a educação online, ao deixar de aplicá-los, perde a possibilidade de avaliar o produto de seu trabalho, uma vez que esta competência desenvolve-se concomitante ao processo de instrução. Assim, acontece também a transformação do professor autônomo em um mero executor de tarefas, que passa a ser refém do planejamento de especialistas ou de materiais instrucionais elaborados por outros (livros, roteiros, guias).
De acordo com Domingo (2003, p. 17-18), o fenômeno da proletarização do trabalho docente se dá na perda de autonomia do professor sobre a elaboração e controle do objeto de seu ofício. Segundo o autor, o problema acontece em função da lógica da gestão científica que se instala nas instituições que trabalham com educação online, principalmente após o modelo ser incorporado por empresas, conhecido como educação corporativa. Esse modelo de racionalização científica visa o controle de produção por meio de técnicas fragmentadas, com as quais, cada trabalhador se especializa em um único aspecto do produto, sendo desnecessária a noção do todo. Assim, o trabalhador torna-se dependente da administração da empresa e, por não ter conhecimento científico e tecnológico dos especialistas, perde qualificação.
“À medida que os empregados perdem o controle sobre o seu próprio trabalho, atrofiam-se as habilidades que eles desenvolveram ao longo do tempo”, afirma Apple (1999, p. 178 e 182) que, ao analisar o problema da separação entre concepção e ação do trabalho pedagógico a partir da perspectiva do currículo, afirma, “ao invés de professores profissionais, bastante preocupados com o que fazem e com as razões de suas ações, poderemos ter executores alienados de planos alheios”.
Portanto, parece importante que a função de tutoria, e em especial na modalidade online, seja realizada pelo próprio professor, responsável pelo planejamento dos processos de ensino. Nesse sentido, não mais se justifica a confusão terminológica entre tutor e professor,
ou seja, ambos seriam considerados igualmente, ou então o uso do termo tutor poderia ser dispensado, acabando, inclusive, com as diferenças salariais que distinguem um do outro. No entanto, no Brasil, a expressiva quantidade de alunos matriculados em cursos ofertados em ambientes virtuais de aprendizagem inviabiliza que o professor responsável pelo planejamento pedagógico e elaboração do material didático acompanhe todas as turmas, visto que há cursos com milhares de alunos. Por esse motivo, as instituições de ensino acabam aumentando a contratação de docentes para o acompanhamento das ações de formação estabelecidas.
Embora o professor autor não tenha condições de exercer, sozinho, a orientação das turmas, em razão do grande número de alunos matriculados, o acompanhamento das atividades pedagógicas, por ele planejadas, exige que o seu substituto tenha, ao menos: (a) domínio do conteúdo desenvolvido, compreendendo as tarefas; (b) utilize o material disponível no ambiente online com criatividade e como suporte para as discussões nos fóruns e chats; (c) avalie o amadurecimento intelectual do grupo e as estratégias de ensino aprendizagem com criticidade.
Muitas vezes, os ambientes virtuais de aprendizagem são apresentados ao professor-orientador sem possibilidades de ajustes conforme as condições contextuais da turma. De modo geral, os espaços com maior grau de liberdade são os fóruns e chats, onde é possível estabelecer o diálogo que aproximará a turma dos conhecimentos e objetivos propostos pelo curso. Ao avaliar o desempenho do aluno, o professor tem a possibilidade de corrigir e orientar certos equívocos, mas para fazê-lo com eficácia, o domínio da disciplina é fundamental.
Atualmente, o professor que leciona na modalidade presencial tem recebido críticas por utilizar o material didático como apoio para o trabalho. O livro didático, em muitos casos, vem desempenhando o papel do próprio currículo escolar, sendo que o professor obedece ao índice cegamente para desenvolver os conteúdos de ensino. Da mesma forma ocorre nos ambientes virtuais de aprendizagem, quando o tutor limita-se a tarefa de fazer com que os alunos executem as atividades propostas desconsiderando processos de virtualização e potencialização do meio.
Na maioria das situações, o problema da obediência cega aos livros ou outros materiais didáticos ocorre em função da dificuldade do professor em dominar o assunto desenvolvido, ao ser colocado em situação constrangedora de ter de solucionar um problema
que não é do seu domínio.
No contexto da educação online, a prática de contratação de tutores para atuarem como professores é usual, já que as instituições, em especial as que visam lucro, se preocupam, na maioria das vezes, em conter gastos, contratando diversos tutores. Assim, atualiza-se a questão, ou seja, o tutor segue as instruções dos ambientes virtuais de aprendizagem e disfarça sua falta de habilidade, o máximo possível, aceitando qualquer tipo de interação, desde que não fira os princípios éticos da netiqueta. Dessa forma, o espaço virtual de aprendizagem pode virar uma sala de bate-papo, sem qualquer processo de ensino e/ou aprendizagem.
Portanto, esta função de professor mediador precisa ser realizada por alguém competente e, primordialmente, por um professor com conhecimentos na área de estudo desenvolvida. Assim, a aceitação do termo tutor faz parte de uma discussão que ultrapassa a barreira linguística, fazendo pensar sobre a função docente nesse novo modelo de educação.
Nos Referenciais de Qualidade para a Modalidade de Educação Superior a Distância (2007), a Secretaria de Educação a distância, órgão subordinado ao Ministério de Educação Brasileiro, constam diretrizes e critérios que, embora não possuam obrigatoriedade legal para os cursos realizados nesta modalidade, ajudam a pensar sobre a questão da tutoria.
No documento referido, a função de tutoria é explicitada e reafirma-se a importância de que este profissional possua conhecimentos sobre a disciplina que orienta: “Em qualquer situação, ressalta-se que o domínio do conteúdo é imprescindível, tanto para o tutor presencial quanto para o tutor a distância e permanece como condição essencial para o exercício das funções” (MEC, 2007, p. 22).
No entanto, o Estado, enquanto legitimador do sistema de acumulação, tem por finalidade apoiar a produção e se auto justificar; para tanto, desenvolve políticas que asseguram e reproduzem estas prerrogativas através da organização de suas instituições. No contexto econômico-político atual, o Estado assegura a acumulação mesclando estratégias de burocratização e desburocratização de suas instituições. Em ambos os casos, esses processos costumam implicar intensificação do trabalho, cuja consequência responderá pela sua desqualificação. Em um primeiro momento, as instituições de ensino convertem-se em unidades mais amplas, onde os critérios de sequência e hierarquia são introduzidos, aparecendo a figura do diretor. “A forma como o Estado desenvolve os seus processos de racionalização encontra-se em relação direta com o aumento de formas burocráticas de
controle sobre o trabalhador e as suas tarefas” (DOMINGO, 2003, p. 19).
Assim, o ensino passa a ser uma atividade cada vez mais controlada e cheia de tarefas, o que favorece a rotinização do trabalho docente. O professor, pressionado a cumprir as determinações do planejamento, no tempo estipulado para a realização das ações, acaba impedido de desenvolver o exercício reflexivo e até mesmo de conviver com os colegas e compartilhar com outros os acertos e desacertos da prática profissional.
Com a educação online, essa nova modalidade de ensino tornou o isolamento intolerável. De modo geral, os professores tendem a interpretar o aumento da carga de trabalho como aumento das qualidades profissionais. Quando isso acontece, muitas vezes eles próprios aceitam a burocratização. É a partir desta perspectiva que a tecnificação do ensino e sua consequente proletarização aparece muito mais associada à requalificação do que propriamente a desqualificação e à perda de autonomia. Os professores realmente empenhados em mudanças identificam-se com as propostas e colaboram para sua concretização. “Desta maneira, aquilo que no princípio parece um sistema coerente com as convicções pedagógicas da renovação acaba por se converter numa armadilha na qual a classe docente fica presa na redefinição técnica do seu trabalho” (DOMINGO, 2003, p. 28).
Assmann (2005, p. 35), ao analisar as transformações da educação propostas pelo desenvolvimento das tecnologias digitais, acredita que estas trouxeram para o ensino um ganho de qualidade, à medida que exigem a superação de visões fragmentadas do conhecimento, e que favorecem as interações entre agentes humanos e técnicos, acrescentando formas de aprender nas quais as emoções são fundamentais para aquisição do conhecimento. No entanto, para esse autor, há uma tendência para a subutilização da informática no processo pedagógico. A tecnologia digital estaria sendo utilizada de forma alienada, como sendo uma máquina de instrução, um brinquedo, ou ainda, meio e fonte de informação em pesquisas que se restringem a copiar e colar. “Desta forma, muito se perde do potencial tecnológico, podendo haver até mesmo desqualificação do trabalho pedagógico”.
Nesse sentido, considera-se que a docência presencial ou online requer igual dedicação e compromisso para com a formação dos alunos e não se diferenciam em termos de carga de trabalho. Nos casos dos cursos online, a precariedade da rede de informação e comunicação de alguns locais costuma exigir maior disponibilidade de tempo e persistência. Sendo assim, não se justifica a diferença salarial entre as modalidades presencial ou online de ensino, tampouco entre o professor autor e o orientador da disciplina (o tutor), pois todos
deveriam ser capazes de mediar o conhecimento do estudante da mesma forma.
Nos próprios Referenciais de Qualidade para Educação Superior a Distância, elaborado pelo MEC (2007) consta o seguinte texto:
Em primeiro lugar, é enganoso considerar que programas a distância minimizam o trabalho e a mediação do professor. Muito pelo contrário, nos cursos superiores a distância, os professores veem suas funções se expandirem, o que requer que sejam altamente qualificados (MEC, 2007, p. 20).
Outro aspecto que se considera importante desmistificar é a noção de que estudar online exige menor esforço por parte do aluno. É verdade que os cursos online se organizam sobre uma concepção diferenciada de tempo e espaço em relação à educação presencial. Embora esses princípios tenham assumido modelos menos rígidos, que desobrigam, na maioria das vezes, o aluno e o professor do deslocamento físico até os ambientes de aprendizagem, uma vez que estes espaços podem ser acessados de qualquer lugar dotado de Internet. Por isso, os docentes não estão excluídos da responsabilidade de cumprir com os objetivos do curso dentro dos limites de tempo estipulados para o envio das tarefas solicitadas.
3 Teorias de aprendizagem de relevância para a aprendizagem online
A teoria que dá suporte a um estudo é fator determinante para a eficácia de seus resultados. Por meio dela são reveladas áreas de investigação e levantadas hipóteses que fornecem corpo, continuidade e fundamento à investigação.
Em se tratando de educação online, o desenvolvimento teórico representa um desafio contínuo, já que a tecnologia e os meios de comunicação evoluem continuada e rapidamente, sendo suplantados com facilidade. Novas descrições e interpretações teóricas necessitam de empreendimentos que aliem teoria e prática, baseando-se na aplicação teórica (GARRISON, 2000, p. 2).
A teoria pode fornecer uma perspectiva generalizada, possibilitando a redução da complexidade do processo a ser teorizado. Assim, “o corpo organizado de conhecimentos a que se chama teoria, é, pois, uma constelação abstrata e parcimoniosa de construções articuladas, com a finalidade expressa de compreender e de guiar a prática” (RURATO, 2008, p. 87)
As construções teóricas que fundamentam a aprendizagem no modelo de educação online são utilizadas como saberes norteadores desta investigação e estão discriminadas nos tópicos que se seguem.