Para nós, os dados acerca das práticas socioculturais das alunas-professoras nos ajudam a compreender como elas lidam com estes aspectos e em que medida estes fazem parte de suas vidas e se incorporam as suas identidades profissionais, uma vez que deveriam também fazer parte da formação humana num sentido mais ampliado.
As alunas-professoras foram inquiridas sobre suas preferências socioculturais, incluindo sua frequência em eventos culturais e quais as suas atividades culturais preferidas. Incluem-se nesse rol as atividades de lazer e espaços de sociabilidade que, dentre uma série de outras experiências, estão também relacionados “às práticas culturais da população brasileira” (UNESCO, 2004).
A maioria das inquiridas assinalou frequentar ou usar algumas vezes por ano (englobados aí as que frequentam semanalmente ou mensalmente) a maior parte dos eventos e locais listados na seguinte ordem de frequência: 1º - locação de fitas de vídeo/DVD; 2º - Cinema; 3º - Exposições; 4º - Museus; 5º -
Teatro; 6º - Clubes; 7º - Danceterias, bailes, bares com música ao vivo. Observa-se que 100,0% das inquiridas dá preferência à locação de fitas de vídeo ou DVD, sendo que 72,7% destas afirmam assisti-los uma vez por semana, uma frequência considerada alta em relação às demais categorias apresentadas.
Tabela 3: Frequência das alunas-professoras a eventos culturais
Tipo de evento
Frequência a eventos culturais
Total Uma vez por semana Uma vez por mês Algumas vezes por ano Uma vez no passado Nunca Museus 4,5 9,1 68,2 4,5 13,6 100,0% Teatro 18,2 13,6 45,5 22,7 100,0% Exposições em centos culturais 22,7 22,7 36,4 18,2 100,0% Cinema 9,1 31,8 54,5 4,5 13,6 100,0% Fitas de vídeo/DVD 72,7 18,2 9,1 100,0% Shows de rock 22,7 13,6 63,6 100,0% Shows de MPB 4,5 18,2 22,7 13,6 40,9 100,0% Concerto de música erudita ou ópera 4,5 9,1 9,1 77,3 100,0% Danceterias, bailes, bares com música ao vivo. 9,1 18,2 22,7 18,2 31,8 100,0% Estádios esportivos 4,5 22,7 9,1 18,2 45,5 100,0% Clubes 4,5 31,8 27,3 13,6 22,7 100,0%
Ainda sobre as preferências culturais das alunas-professoras, observa-se uma frequência maior de atividades ligadas à profissão e a formação. Somando-se as frequências habitualmente / sempre observamos que: 95,5% das alunas-
professoras participam de cursos e seminários; 90,9% leem revistas especializadas em educação; 100% leem materiais de estudo ou formação; 86,4% compram livros não didáticos e 99,6% frequentam a biblioteca.
No que diz respeito às atividades de entretenimento/informação (tabela 4), observamos que 100% das alunas-professoras afirmam ler revistas, assistir televisão, ouvir rádio e utilizar o computador somando-se as frequências habitualmente/sempre/às vezes. Ainda sobre as atividades de entretenimento/informação, 86,4% das inquiridas leem jornal e 90,7% utilizam o correio eletrônico. Os dados obtidos corroboram com os dados obtidos pelos estudos realizados pela UNESCO (2004) e pelo GESTRADO (2009/2010), que indicam ser a opção pelo lazer doméstico bastante usual.
Tabela 4: Frequência de realização de atividades entretenimento e ou de informação
Tipo de atividade Frequência de atividades % Total % Habitualmente/ Sempre Ás vezes Alguma vez no passado Nunca Participa de seminários/cursos de especialização 45,5 50,0 4,5 100,0 Lê revistas especializadas em educação 68,2 22,7 9,1 100,0 Fotocópia materiais 68,2 27,3 4,5 100,0 Lê materiais de estudo ou formação 90,9 9,1 100,0
Estuda ou pratica idiomas
estrangeiros 4,5 4,5 45,5 45,5 100,0
Compra livros (não
didáticos) 59,1 27,3 13,6 100,0
Lê livros de ficção 27,3 40,9 18,2 13,6 100,0
Frequenta a biblioteca 72,3 27,3 100,0
Estuda ou toca algum
instrumento musical 27,3 13,6 18,2 40,9 100,0
Lê jornal 50,0 36,4 4,5 9,1 100,0
Lê revistas 63,6 36,4 100,0
Pratica alguma atividade
física 36,4 13,6 18,2 31,8 100,0
Vê televisão 54,5 45,5 100,0
Ouve rádio/música 63,6 36,4 100,0
Tira fotografias 68,2 31,8 100,0
Usa correio eletrônico 81,6 9,1 100,0
Em contraposição, as as menores frequênci das inquiridas afirmam mesmo que este s fundamental. Outros professoras que nunc (40,9%) e também a realizam nenhum tipo
Inquirimos as alunas- que preferiam se ocup mais interessantes po Pedagogia/Educação segundo gênero mais corroboram com os ob também indica uma trabalho e área profiss
Gráfico 4.1: Proporção d tempo livre
Auto Ajuda Biografia Ensaios de Ciências Sociais História Literatura/Ficção Livros Religiosos Novela Policial Pedagogia/Educação Revistas /Livros Científico
4.
as atividades de entretenimento/informaçã cias são a prática e estudo de idiomas es am nunca ter se dedicado ao estudo de
seja parte integrante da grade curric s dados significativos são a quantid nca se dedicaram ao estudo de algum ins a afirmativa de 31,8% de alunas-profe
o de atividade física.
-professoras sobre o tipo de gênero tex upar em seu tempo livre. Dentre os gêne
or elas, a opção que obteve maior número (36,4%), proporcionalmente superior is apontado foi Literatura/Ficção (18,2%). obtidos pela pesquisa realizada pela UNE
a significativa preferência por leituras issional.
de alunas-professoras, segundo gêneros de le
9,1% 4,5% 9,1% 9,1% 18,2% 4,5% 0,0% 9,1% uda afia iais ória ção sos icial ção fico
4.1 Opção de Leitura por Gênero Textual
ção que obtiveram estrangeiros 45,5% de outros idiomas, rricular do ensino tidade de alunas- nstrumento musical
fessoras que não
textual das leituras neros considerados ero de respostas foi r aos demais. O ). Os dados obtidos NESCO (2004) que s relacionadas ao leituras preferidas no 36,4%
Verificamos também a participação das alunas-professoras em associações, sindicatos e outras organizações da sociedade civil (tabela 5) e observa-se de um modo geral uma baixa taxa de frequência ou participação nas associações ou entidades citadas. Dentre as frequências mais elevadas, observa-se que a participação em entidades religiosas é habitual para 36% das respondentes, seguida por 14% que afirmam participar de clubes esportivos, centros culturais, entidades filantrópicas e ONGs. Observa-se também uma baixa participação nos sindicatos, sendo que 59% afirmam nunca ter participado do sindicato da categoria. Os dados obtidos apresentam uma correlação com os obtidos pelo estudo do GESTRADO (2009/2010) no que se refere à participação nos sindicatos (62% dos entrevistados não participa) e filiação a partidos políticos (90% não são filiados).
Tabela 5: Proporção de alunas-professoras, segundo frequência da participação em Associações e ou Instituições da Sociedade Civil
Tipo de associação
Frequência da participação
Total Habitualmente Ocasionalmente Alguma vez no
passado Nunca
Associação ou Clube Esportivo 14% 14% 32% 41% 100%
Paróquia/Templo/Sinagoga/ Mesquita/Igreja ou Associação Religiosa 36% 32% 9% 23% 100% Associação de Bairro (moradores, etc.) 5% 5% 9% 82% 100%
Centro Cultural (musical, cineclube, etc.) 14% 27% 9% 50% 100% Sindicato 9% 18% 14% 59% 100% Partido Político 5% 5% 5% 86% 100% Associação Ecológica ou de Direitos Humanos 0% 14% 9% 77% 100% Associação de Consumidores 0% 5% 9% 86% 100% Cooperativa 5% 5% 9% 82% 100% Entidade Filantrópica 14% 9% 18% 59% 100% ONGs 14% 5% 18% 64% 100% * * *
Finalizado este processo de tabular e analisar os dados obtidos nos resta a seguinte indagação: traçamos um perfil das alunas-professoras investigadas? Retomemos então o conceito dicionarizado de perfil, “conjunto dos traços do rosto de uma pessoa visto de lado; Aspecto, representação de um objeto visto de lado; Descrição em traços rápidos, retrato moral de uma pessoa”(Aurélio, 2009).
Seria este conjunto de dados apresentados um conjunto de características básicas das alunas-professoras investigadas? Uma resposta positiva possível nos é apresentada pelo pensamento analítico, que consiste em quebrar fenômenos complexos em pedaços a fim de compreender o comportamento do todo a partir de suas partes. Entretanto, para nós, é impossível compreender um fenômeno tão complexo quanto a docência-discência de uma perspectiva unidimensional, uma vez que se encontram implicadas outras categorias e dimensões não apuradas pelo questionário. Nesse sentido, o perfil aqui traçado é apenas um esboço de um retrato das alunas-professoras investigadas.
Para nós, compreender quem são estas professoras-alunas é fundamental no estabelecimento de novas políticas públicas de formação que se distanciem dos estereótipos e estigmas da profissão docente e se aproximem da realidade dos professores e professoras que permanecerão nas escolas pelos próximos 25... (sic) 30 anos.