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2.4. SOSYAL DİYALOG

2.4.2. Ekonomik ve Sosyal Konsey

Um dos aspectos da pesquisa sobre a distribuição de água que mais chamou a atenção dos participantes foi o cálculo de perda da água. De acordo com o grupo, a média de perda de água no Brasil é de 37%, e em Rio Claro, 57%. A seguir, trago alguns trechos de quando o grupo apresentou essas informações:

Silvana: A própria rede de esgoto não tem toda a mesma idade. Tem muita coisa aqui em Rio

Claro que já deveria estar sendo mudada.

Miriam: Mas é um número muito grande!

Sara: Esse é no Brasil. Em Rio Claro é muito maior!

[...]

Rafaela: A perda total no município é de 57%.

[...]

Miriam: Eu fico pensando no investimento. Na questão financeira. Porque para captarem

água eles investem bastante.

Deryk: Depois eles falam pra gente economizar água: “Olha! Não lave a sua casa”.

A alta porcentagem no cálculo de perda de água em Rio Claro, que era de 57%, impressionou a todos. Deryk ficou tão indignado que até mesmo apontou a hipocrisia das campanhas de economia de água, dizendo que “depois eles falam pra gente economizar água: ‘Olha! Não lave a sua casa’”. Miriam pensa na questão do investimento, pois 57% do que o governo investe nesse sistema de água é desperdiçado, e através da simulação no Simcity4, os participantes tomaram consciência de que esse desperdício de investimento é alarmente para o orçamento da cidade. Em vista disso, houve discussões sobre porque esta perda é tão grande e razões políticas foram identificadas para esse desperdício. Essas razões são apontadas nas seguintes falas realizadas durante a apresentação da pesquisa:

Rafaela: O hidrômetro deve ser trocado de 5 em 5 anos. Só que há casas aqui em Rio Claro

em que os hidrômetros não são trocados há 25 anos. Então, imagine o quanto não está sendo perdido por causa disso! A perda total no município é de 57%. Sendo que no Brasil é de 37%. Rio Claro perde bem mais que o Brasil.

[...]

Sara: Eu perguntei no DAAE, porque não trocam os hidrômetros de 5 em 5 anos. Ela falou:

“Porque não há interesse político nisso. Se os governos duram 4 anos, porque eles vão querer trocar os hidrômetros? Eles vão correr atrás de outras coisas, gastar dinheiro com outras coisas. Não com isso”.

[...]

Silvana: A maior perda é dos encanamentos. Já foi comprovado. Porque as redes são antigas.

Mas o que acontece. Quando você vai fazer um conserto, você rompe a rua. Você causa transtorno. E aí todo mundo reclama. Porque as pessoas não percebem que essas coisas ficam velhas lá embaixo. Você interrompe o trânsito, custa caro. Mas tem que fazer. Essas obras não aparecem porque ficam enterradas. É muito difícil. Por isso é importante que as pessoas se interessem por trabalhos dessa natureza. [...] É importante sabermos estas coisas para podermos atuar. E aí a Matemática ajuda. A Geografia ajuda.

Sara e Silvana apontaram razões da falta de interesse político em amenizar o problema de água por trocar os hidrômetros velhos e consertar o encanamento da cidade. Sendo assim, um aspecto importante dessa pesquisa foi que os participantes puderam tomar consciência de que nem sempre o governo vai atuar dentro do que é necessário, mas há outros elementos que

vão configurar a ordem das operações, há outras coisas em jogo. O grupo começa a desvendar isso e continua a buscar outros elementos políticos envolvidos na sua pesquisa:

Sara: Eles falaram da parceria público-privada. É feita uma parceria de não sei quantos anos.

A parceria prometeu que vai trocar os hidrômetros das casas mais antigas. Por que ela vai trocar? Porque não pode ter perda. Os governos podem, mas ela que é privada não pode ter perda. Então, para ela compensa gastar em hidrômetros para a população.

Silvana: Ela não vai gastar. Na verdade, se ela tiver gastos, quem paga é o consumidor.

Apesar de defender que os hidrômetros velhos da cidade devem ser trocados, o grupo se posicionou contra essa parceria, pois identificam o aspecto econômico envolvido e seu impacto negativo para a população. Assim, além dos interesses políticos, eles tomaram consciência de outros interesses que influenciam as ações da política municipal.

É fundamental destacarmos que novamente percebemos a importância do que Miriam falou na discussão após o jogo de tabuleiro sobre “dar um tratamento numérico para as informações”. Visto que Rio Claro sofre períodos de seca, o assunto sobre desperdício de água é muito discutido na cidade. Constantemente escutamos que grande parte da água da cidade é desperdiçada, e isso dá um impacto. Mas dizer que 57% da água é desperdiçada deu um outro impacto, deixando todos nós intrigados. Outro exemplo da diferença em se fazer um tratamento numérico das informações pode ser observado no seguinte trecho da apresentação da pesquisa do grupo:

Sara: Os poços retiram cinco milhões de metros cúbicos de água por ano aqui em Rio Claro!

É bastante! É bastante mesmo! Sendo que o DAAE nem tem conhecimento disso. O DAAE retira 23 milhões de água por ano. E aqui é quase cinco e meio! Então é bastante! Eles deveriam ter algum conhecimento e algum tipo de controle sobre isso.

Tânia: E de quem são os donos também.

Miriam: Quer dizer que então os poços são de donos particulares? Sara: São

Miriam: Não é que a cidade investiu para ajudar na distribuição de água? Sara: Não

Para Sara afirmar que a quantidade de água captada em poços é muito alta, ela a compara com a quantidade de água distribuída pelo DAAE. A conclusão é de que esses poços, que são particulares, deveriam ter algum tipo de vigilância. Conforme já mencionado, o grupo coletou dados sobre os poços em uma monografia de Barrancos (2005). Mas quando foram até o DAAE para pedir informações sobre os poços da cidade, os funcionários que os atenderam disseram não saber da existência desses poços, O grupo ficou muito incomodado

com isso, especialmente depois de descobrir a quantidade de água que é captada. Dessa forma, destacamos novamente a importância do tratamento numérico das informações para a compreensão do tema investigado. No entanto, como o grupo percebe a Matemática em sua pesquisa? Vejamos:

Rafaela: Em nosso trabalho, nós refletimos bastante. Porque a gente reclama, mas não tem

consciência do que há por detrás, o esqueleto. A gente notou que se perde muito dinheiro com a má distribuição. Por exemplo, seria melhor trocar os hidrômetros de cinco em cinco anos, pois a gente não perderia tanto. É um problema que já está prejudicando um pouco agora e vai prejudicar ainda mais no futuro. Eles têm consciência disso, mas eles falam: “Isso aí para nós não serve, não traz vantagem”. A Matemática teve esse objetivo no nosso trabalho: ver a perda, o quanto é capitado, o quanto é distribuído, a porcentagem, o cálculo de perda, o valor.

Sara: Interessante que a gente não sabe quantidade, não sabe nada, se não tiver Matemática.

Porque se fosse tudo por desenho, tudo por suposições, não conseguiria chegar a alguma coisa exata.

Rafaela: E há cálculos por detrás disso, para eles poderem dar um número pra gente.

Nesta fala, podemos perceber que Sara e Rafaela apontaram a Matemática como uma importante ferramenta para se entender os problemas da distribuição de água na cidade, para conhecer o “que há por detrás, o esqueleto”. Assim como nesta fala, em diversos momentos os participantes identificaram a Matemática como uma importante ferramenta para se entender questões políticas dessa natureza.