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A composição desse bloco de pesquisa evidencia o entendimento de que o mercado internacional visualizado pode está imerso no movimento de Comércio Justo. Antes de iniciar os questionamentos a respeito dessa temática, foi buscado conhecer a intimidade dos artesãos perante o termo “Comércio Justo”. Visto que grande parte dos artesãos mostrou ter algum tipo

de conhecimento sobre o tema, foi dada continuidade às perguntas. A primeira questão examinada foi a seguinte:

- Para a Associação, o Comércio justo é a alternativa mais viável para o acesso ao mercado internacional?

Do total de entrevistados, 17 artesãos (77%) acreditam ser o Comércio Justo a alternativa mais viável para o acesso ao mercado internacional. O restante, ou seja, 5 artesãos, correspondente a 23%, não soube avaliar essa questão. Os percentuais são mostrados no gráfico 12.

Gráfico 12 – O Comércio Justo como alternativa mais viável para o acesso ao mercado internacional

Fonte: Pesquisa direta Base: 22 respondentes

Um dos documentos analisados, o plano de marketing, aconselha a Associação buscar o Comércio Justo com a pretensão de uma maior igualdade no comércio internacional. Mas lembra que para que isso aconteça é necessário levantar informações seguras e precisas que possam subsidiar o conhecimento do mercado. Mais uma vez, o conhecimento de mercado é levantado como fator-chave para o bom desempenho da organização.

O gestor da Associação também concorda que o Comércio Justo é a alternativa mais viável para inserção no mercado internacional:

Para mim, Comércio Justo é um projeto que ajuda os pequenos grupos, assim como nós, a participar de uma forma melhor das vendas para outros países, porque eles olham pra gente e sabem que o nosso produto tem valor, tanto na questão social como na qualidade dos produtos.

É observado certo grau de conhecimento do gestor sobre o Comércio Justo, não em sua totalidade, mas ele consegue absorver a “razão de ser” deste tipo de comércio. Já os artesãos não apresentaram tal conhecimento. Aqueles que não souberam avaliar a questão

77%

0% 23%

Sim Não

afirmaram nunca ter ouvido falar sobre Comércio Justo. Já aqueles que responderam sim à questão indicaram o Comércio Justo como sendo um projeto do SEBRAE do qual eles faziam parte.

Neste ponto, duas observações foram feitas. A primeira é em relação ao plano de marketing, o qual aconselha a Associação a buscar o Comércio Justo como forma de acesso ao mercado internacional. O plano, feito por consultores, apresenta a opção mais viável, mas não leva em consideração a forma como esses artesãos poderão fazer parte do movimento. A realidade dos artesãos não é levada em consideração. Nesse sentido, cabe a segunda observação: o conhecimento restrito do movimento como um projeto do SEBRAE do qual a associação participa. Os artesãos mostram não saber do que se trata realmente o Comércio Justo. Alguns deles conseguem ter uma visão um pouco mais abrangente do que outros, mas ainda assim, não têm conhecimento suficiente para tomar a atitude principal, que é tomar a frente das ações de Comércio Justo.

Outro questionamento feito aos artesãos foi o seguinte:

- Estar inserido no Comércio Justo contribui para melhorar a comercialização dos produtos?

Essa pergunta foi vista como uma complementação à anterior. Os resultados se repetiram. As mesmas pessoas que não souberam avaliar se o Comércio Justo é a alternativa mais viável para o mercado internacional, considerando a Associação, continuaram sem saber avaliar se a inserção no movimento contribui para uma melhor comercialização das peças artesanais. Essa foi a resposta de 4 entrevistados (18% do total).

Da mesma forma, as pessoas que responderam sim à questão anterior, também concordaram que o Comércio Justo melhora a comercialização dos produtos, totalizando 82% dos entrevistados, ou 18 artesãos. O gráfico 13 mostra a relação.

O gestor da Associação também concorda com esse último grupo de artesãos, mas lembra que para melhorar a comercialização, os produtos têm que apresentar um padrão de qualidade:

Uma coisa que aprendi com esses compradores nas feiras, rodadas internacionais que a gente participa, é que eles são muito exigentes. Eles não vão comprar o nosso produto só porque a gente faz parte de um projeto de Comércio Justo, isso é uma forma de atrair a atenção deles pra gente, mas se eles virem que o produto não é de qualidade, não tem valor agregado, não são inovadores, aí eles não compram.

Gráfico 13 – Inserção no Comércio Justo como forma de contribuir para a melhoria na comercialização dos produtos

Fonte: Pesquisa direta Base: 22 respondentes

A ideia que o gestor apresentou é interessante porque se enquadra, de uma forma mais assertiva, na proposta do movimento de combater o assistencialismo e entender que o Comércio Justo não é caridade.

A próxima questão do bloco referiu-se a questão das adaptações no mix mercadológico:

- A inserção no Comércio Justo resultou em adaptações no produto, preço, praça e promoção?

O resultado deste questionamento indicou que 55% dos entrevistados, percentual referente a 12 artesãos, perceberam mudanças nos compostos relacionados ao marketing mix. Todavia, os artesãos que estão nesse grupo relataram que a adaptação ocorre quando os compradores pedem para fazer alguma mudança na composição do produto, restringindo a questão da adaptação a apenas um dos 4 P‟s do marketing.

Apesar de a adaptação ser percebida pelos artesãos apenas em relação ao produto, pelos dados coletados, depreende-se que a adaptação ocorre também no preço, na distribuição e na comunicação.

Nenhum dos entrevistados respondeu que não são identificadas adaptações. Porém, 10 artesãos (45%) disseram não saber avaliar se adaptações são feitas pelo motivo da inserção no Comércio Justo. Esses percentuais são mostrados pelo gráfico 14.

82% 0%

18%

Sim Não

De uma forma diferente dos relatos colhidos pelas declarações dos outros artesãos, o gestor da Associação confirma que as adaptações são feitas e as visualiza de um modo mais abrangente:

É, a gente sempre acaba adaptando sim, porque esses compradores tem pontos parecidos uns com outros, como é o caso da qualidade, mas as necessidades são diferentes. Não é raro a gente ter que mudar alguma coisa no produto, da mesma forma o preço, as vezes eles dizem logo quanto vão pagar por aquele produto, a gente tem que avaliar o quanto de desconto a gente pode dar, e o preço tem que ser justo para nós e para eles.

No projeto que a gente participa de Comércio Justo, no SEBRAE, muitas mudanças foram previstas, até mesmo para que a gente pudesse participar de fato desse mercado, mas eu sinto que falta algo mais para que o projeto realmente funcione pra gente.

Apesar do gestor, Gilmar, apresentar um conhecimento mais aprofundado sobre o tema, em relação aos outros artesãos, é muito forte a ligação que ele faz do Comércio Justo como um projeto do SEBRAE, no qual a Associação está inserida, desconhecendo a amplitude do movimento.

Faz-se necessário destacar, referente a esse último relato do gestor, sua visão crítica em relação à funcionalidade do projeto de Comércio Justo para a Associação. Questionado sobre essa opinião, o artesão justifica que as mudanças propostas pelo projeto nem sempre são implementadas de forma eficiente porque há uma distância entre o que os consultores idealizam e a própria realidade da Associação.

Gráfico 14 - Adaptações no produto, preço, praça e promoção como resultado da inserção no Comércio Justo

Fonte: Pesquisa direta Base: 22 respondentes 55% 0% 45% Sim Não

5.5. Bloco de pesquisa III: Caracterização do Marketing Mix e sua