I. BÖLÜM
2.25. EŞREFPAŞALILAR
O Brasil, principal mente na primei ra metade do século XIX, apresentava parcos recursos na área da medicina. As epidemias, a f alta de hi giene nos espaços públicos das proví ncias brasileiras e a ausência de prof is sionais especia lizados na área f oram algu ns dos p ro blemas constantes no perío do.
Em algumas províncias, a situação era ainda mais gra ve e m decorrência d o aum ento po pulacional provocado, em grand e parte, pela imi gração européia e de escra vos af ricanos. O quadro epidemioló gic o da corte era preocupa nte, as f ebres alastravam -se pelo centr o do Rio de Janeiro, j á bastante povoad o e com poços contaminad os o u salobros. Além
disso, era comum ver os escra vos levand o os dej etos domésti cos para serem jogados nas praias.28
Em decor rência dessa situação, havia na corte dois grupos d e alto risco: os bebês e as parturientes. Ambos depen dentes do talento e da impro visação das parteiras, benzedeiras e curandei ras.29
Na Pro ví ncia de Goya z o quad ro não era tão diferente assim. As epidemias, tais c omo cólera, síf ilis e febre amarela, também estavam presentes na província ao lon go do século XIX, assim co mo a f alta de prof is sionais da área era constante.
Se gu ndo a pesqui sadora Mar y C. Karasc h, os relatos sobre as condições sanitárias da capitania de Go ya z, du rante o século XI X, ge ralmente não abor dam aspectos como o nascimento de crianças e suas complicações ou outros p roblemas de saúde f emininas e i nf atis. Havia escasso pessoal médi co treinado na medic ina européia e, muitas vezes, não existia nenhum desse s prof issi onais atuando na pro ví ncia goia na.30
A mesma auto ra enf atiza também que os relató rios acerca da salubr idade e da saúde da pop ulação eram escrito s por ho mens, sejam viaj antes ou f uncionários do gove rno, padres, soldados. Raramente eram elaborados por médicos milita res.31 Assim, pode-se perceber que, aos olhares masculinos, as doenças femininas desperta vam pouco interesse. Por um lado, porque n a pro ví ncia de Go ya z, no períod o, o conhecimento
28
ALENCASTRO, Luiz Felipe. Vida privada e ordem privada no Império. In: História da vida privada no
Brasil império: a corte e a modernidade nacional. São Paulo, Companhia das Letras, 1997, p. 67.
29
Idem, p. 68-71. 30
KARASCH, Mary. História das doenças e dos cuidados médicos na capitania de Goiás. In: CASTELLO, Lena (Org). Saúde e doenças em Goiás: a medicina possível. Goiânia: Editora da UFG, 1999, p. 41–42. 31
médico sobre o co rp o da mu lher era incipiente. Po r out ro, quem dominava esse saber e ram as pró prias mul heres, discurso este aceito e m parte pelo universo masculino.
É impo rtante ressalt ar que a f alta de médicos na Cidade d e Goya z, sobretudo na primeira metade do século X IX, não signif icava necessariamente que a preocupação com a saúde inexistisse.
Genesco Ferrei ra Bretas, ao reconst ruir a histó ria da in strução pública em Go ya z, afirma que a falta de recursos médico s, bem como as constantes endemias, f oi um dos moti vo s que fizeram com que diferentes go vernantes da pro ví ncia voltassem sua atenção para o problema.
A preocupação com a salubri dade e a saúde da po pulação goiana, no per íod o re gencial, aparece no relató ri o do presidente Jose Rodrigues Jardi m32, apresentado em 4 d e junho de 1835 à Assembléia Pro vi ncial.
Tratand o de saude cabe f allar das causas que a alteraõ: os charcos, os lameir os, os depósito s de imundices, que se encontraõ nesta Capital to rnaõ a sua atmosphera menos sau dá vel, damno que h uma policia mais escrupul osa teria feito desaparecer ...33
Em outro relatório do mesmo ano, encaminhado ao Palácio do Rio de Janeiro, Jose Rodri gues Jar dim reclama da falta de médicos na Pro ví ncia de Goyaz pedind o pro vidência s ur gentes.
32
Jose Rodrigues Jardim foi o terceiro presidente da província de Goiás, governando de 31 de dezembro de 1831 a 19 de março de 1837. BRANDÃO, A.J.. Almanach da Provincia de Goyaz. Goiânia: Editora da UFG, 1978, p.52.
Tratand o da hygiene publica e da saude publica é de meu de ver po ndera r ao Exm o Snr o que o pessoal medico existente na ilegível Província de Goyaz consta apenas, como Exm o Snr o não i gn ora, de um medico militar e do abaixo assignad o, já de idade muit o avançada que por seus incômodos de saude, pouco serviço pode prest a r. Quant o ao Nort e naõ const a haver medico algum formado. Nesta circunstancia jul go ser de urge nte necessidade de au gmen tar o pessoal medico, por meio d’alguma di spo sições legislati va s, que convidem a al gu m profissio nal a vi r estabelecer-se nesta Cidade de Goyaz, para evitar ir re gularidades, de que E xm o Snr o esta ao facto. Deos guarde a V.Exa. Provincia de Go ya z. 18 d ’Agosto de 1835.34 o grifo é nosso
A partir do di scur so médico, seria m ais f ácil exigir novas posturas hi giênicas da população goiana, como também diminuir a ação dos práticos, entre eles as parteiras.
O relatório apresent ado na Assembléia Legislati va Pro vinci al de Go yaz em 1876, pelo presidente dessa província, Antero Cícero de Assis, acusa a camada pobre da população de provocar o estado de insalub ridade da Cidade de Goya z como também reclama da falta de médicos na pro víncia .
Salubridade Públ ica
Alem das enfermi dades catharraes e de f ebres intermittentes sem maior gra vidade, o que mais pe za, talve z, o descuido dos mais simples preceitos hygienico s no ge ral das casas habitadas pelas classes menos favorecidas da fortuna ... A Província continua
33
Relatório do Presidente Jose Rodrigues Jardim. In: Memórias goianas III. Goiânia: Editora UCG, 1986, p. 25.
34
Arquivo Histórico do Estado de Goiás, caixa 312, Seção dos Municípios, relatórios provinciais, 1835- 1837.
a resenti r- se da f alt a de médicos, exist indo em toda ella três, residentes na capital, os Srs. Drs. Theo do ro Rodri gues de Morae s, F rancisco Ant onio de Aze redo e Vicente Moretti Fo ggia.35
A situação acim a descrita le va va a pop ulação goiana a recor rer a homens e mulheres que praticavam a medicina popular. No caso dos cui dados com a saúde dos bebês e das mul heres e na realização de partos, era comum a presença também das parteiras, benzedeiras e curandei ras.
Out ro element o f acilitador da particip ação das parteiras na vi da das mulheres g oianas, partil hando segredo s e cui dados, é encontrado no imaginá rio socia l f eminino da ép oca, seu aliad o pri ncipal . As mulheres tratavam-se ent re si , principalmente em casos de menst ruação, gra videz, parto e seus desdobr amentos.
Essa p ref erência das mulhe res p or out ras mulhe res na cura da s enfermidades le vou o médico Moretti Fo ggia36, em 1841, a elabora r um documento ende reçado a Jose Rodr igues Ja rdim, vice- presiden te da província de Go ya z reclamando da atuação das parteiras, curandeiras e benzedei ras e culpando-as pelo a gra vamento das doenças e at é pela morte das pacientes.
35
Relatórios dos governos da Província de Goyaz. In: Memórias goianas. Goiânia: Editora da UCG, 1999, p. 95, n. 12.
36
Italiano, chegou à Cidade de Goyaz em 1831. Foi-lhe concedida a licença para medicar e ele passou a ser responsável pelo Hospital São Pedro de Alcântara até o ano de 1882. Faleceu na Cidade de Goyaz no ano de 1892. Após sua morte, a rua conhecida como Antiga Direita passou a ser denominada oficialmente de Moretti Foggia, ficando assim na memória da Cidade de Goyaz.
Ilm o e Exm o Snr.
Sendo presente a Regência o ilegível de 29 de Março deste anno, ilegível Vice Presidente da Provincia de Go ya z ilegível procure uma pessoa habil para commi go auxiliar ilegível no Hospital Saõ Pedro de Alcantara, sendo eu o único médico, o que f az ver a urgente necessidade de um out ro B oti cario, que se preste a manipulaç aõ de remedios na õ so para o s doentes do Ho spital , mas tambem para os de toda a Cidade. Rogo també m que procure meios para que as molestias das mulh eres ilegível chancros uterinos, ulceraçoes do collo, partos, h yste ria e melancolia possa ser curadas no ref erido Hospital. As mu lheres po r um pudor mal entendi do deixam- se adoecer – ou mandam chamar uma ben zedeira, curandeira, parteira, que ordinariamente lhes aggra va o mal. Só quando a moléstia aggra va, ellas vaõ no Hospital. Alem disso, essas mulheres, fazendo um e xercici o ilegal da Medicina, reina na actualidade; suas victimas tem si do em grande numer o, f allecendo mulheres cuj a moléstia quando ilegível no Hospital ilegível e senaõ cura- las podem mitiga r os seus crueis sofri mentos. Muit o estimarei que go se perfeita saúde sempre.Deos gua rde o Exm o S nr Cidade de Goya z 26 de Maio de 1841 – Dr. FOG GIA.37
O escrit o do Dr. Moretti Fo ggia conf irma a prática das mulheres parteiras na Cidade de Go yaz. Porém, desconf ia de suas habilidades na realização do parto, acusando-as de provocar o f alecimentos de parturientes e de bebês.
Ent retanto, no mesmo discurso de Foggia, numa leitura p elo avesso, percebe-se também que muita s mul heres da Cida de de Goya z acreditavam na cult ura feminina do saber-faze r no que se refere aos cuidados com a saúde, o que contrariava a visão m édica. Esses conhecimentos transmitidos oralmente entre gerações cont ribuíam para a
persistê ncia de uma forma tradicional de solida riedade feminina, o que facilitava a autonomia e o controle da s mulheres so bre as enf ermidades próprias do seu sexo considera das como coisas de mulheres e que deveriam ser tratadas por elas.
Para Mar y Del Pri ore, as mulhe res q ue praticavam curas e partej avam empresta vam suas formas de l uta contra a doe nça a um saber no qual se privi legia va uma atenciosa f amiliaridade com o cor po f eminino. Os sentimentos que ela s desperta vam - me do, confiança etc - reforça vam a situação de poder da qual go zava m e, mesmo se seus cuidados fracassassem, a inquietude e a an gúst ia de suas pacient es diante do desconhecido garanti am-lhes prestí gio per manente.38
Dentro desse contex to, a preocupação de Fo ggia re vela q ue o discur so médico reconhecia que as mulher es não acreditavam nos processos de cura em pre gad os por médicos nem co nf iavam em ser assis tidas por estes na realização de seu s part os. P referiam buscar os cuidad os de parteiras e demais curandei ras, o que j ustificava também a atuação de vá rias mulhe res praticando a medicina popular na Ci dade de Goya z durante o perío do imperial.
É inte ressante destacar ainda que Fo ggia, enumera as patolo gias mais comuns ent re as mulher es. Po r exempl o, a melancolia e a histeria eram doe nças que, no imagi nário social da época, somente faziam parte do uni ver so f eminino.
37
Museu das Bandeiras, Cidade de Goiás. Caixa 301, pacote 3, doc. avulso. 38
DEL PRIORE, Mary. Magia e medicina na Colônia: o corpo feminino. In: História das mulheres no Brasil. São Paulo: Unesp, 1997, p. 96-106.
Mesmo criticand o as parteiras da Cida de de Go yaz, Foggi a permite-nos perceber que essas mulheres sabiam re verter em seu favor uma limitação que lhes f oi impo sta pelos mé dicos e mo ralistas, com vistas ao s interesses feminin os. Se, por um lado, as mulheres par teiras r epresenta vam um di stanciamento entre a normatização e as vi vências concretas, por outr o, uniram-se a o utras mul heres que r equisita vam o seu conhecimento na arte de partejar, o que lhes ga rantiu, além do respaldo afetivo, um poder e uma autoridade que r aramente dispun ham no restante da vida social. Send o assim, po demos afirmar que as mulhe res partei ras se apresentavam, então, não só como nec essárias, mas também, dentro da prática médica, como indi víduos q ue pre cisavam ser vi gia dos e regulados, já que contribuíam para que o discur so médico caísse em descredito, ga rantin do o seu e spaço de atuação. Nesse sentido, pod emos afirmar também que as mulheres parteiras, dentro de seu espaço, construí ram saberes e poderes, que f oram reconhecid os pelos médico s co mo espaços de poder.
Por outro lado, as p arteiras eram mulhe res que se desviava m das no rmas sociais estabelecidas. Pois, à medida que, ao atender demandas de outras mulhe res, rompiam com seus a f azeres cotidian os, ultrapassa vam as f rontei ras bem demarcadas de dia e noite, casa e rua, não correspondendo ao perfil desejável de mulher se gundo os padrões de
conduta bur gueses durante o perío do im perial brasileiro, ou sej a, o de dona de casa exemplar, esposa dedicada ao marido e aos f ilhos.39
Numa s ociedade em que o poder e manava do uni ve rso masculino, o docum ento d o Dou tor Fo ggia, o ra em análise, most ra ainda que acusar as parteiras e curandei ras de mulheres peri gosas, em conseqüência da su a supo sta impe rícia para atua r na áre a da saúde, conf igura uma das estraté gias que os m édicos encont raram para serem os únicos detento res do discur so competente sob re as enfermidades femininas.
Maria Izil da de Mat os, a parti r da cate goria gê nero, analisa a relação de poder e nt re mulheres e homen s. Afirma a aut ora q ue a categoria gêne ro, por sua característica relacional, destaca que a constr ução dos perf is de comportamento feminino e masculino define- se um em f unção do outr o, uma vez que constitui-se socia l, cultural e histori camente num tempo, espaço e cultu ra determi nados. Suas p ro duções, por meio de símbol os, j ogos de si gnificação e cruzamentos de conceitos normativos, reforçam as relações sociais baseadas nas diferenças hierárquicas que distinguem os sexos, e são portanto, uma f orma de relação de poder.40
Out ro aspecto a ser considerad o em nossa análise sobre as parteiras é a questão racial e da classe s ocial que ap ontamo s como um dos fatores a dificulta r a atuação delas, na Cidade de Go ya z d ura nte o perío do imperial. Os d ocu mentos que transcr everem os a se gui r nos f or necem informações acerca da origem racial e da classe social a que pertenciam,
39
MALUF, Sônia. Encontros noturnos: bruxas e bruxarias na Lagoa da Conceição. Rio de Janeiro, Rosa dos Tempos, 1993, p. 54.
aspectos esses que, no período imper ial, representam impasses para que as mulheres partei ras sejam aceitas pelo discurso masculino, particularmente pelos médicos.
Goyaz 23 de Feve rei ro de 1843 O Colletor
João ilegível Juiz de Paz
Diz Justina de Tal, parteira, morado ra nesta Cidade na Rua da A badia, sol teira, com nove fil hos, os quaes sustenta; pede-l he que continue a sua ve nda em casa e que lhe alli vie da dé cima, que sendo -lhe muito pezada a Impo ziçaõ pela sua indi gencia a que prova pela falta de pagamento do mesmo Direit o q ue por mais que esforce naõ tem podido saptisfazer po r cauza da sua pobreza e nada lhe restar de sua sustentaçaõ e de seus filhos e sendo todos os an nos Collectada vai amontoand o di vida s que naõ po dera j amais a supplicante pa gar visto as circun stanci as em que se acha: Disso requer a V.Sa se di gne mandar que o Inspector do Bairro onde m ora a suplli cante inf orme sobre o seu pedi do e V.Sa l he atteste ao j á deste para com elle a supplicante procu rar o seu all ivio on de lhe con vier.41 o grifo é nosso
Percebe- se, pelo documento acima, que as mulheres parteir as da Cidade de Goya z desen vol viam out ras ativida des em seus lares para ga rantir o sustento familiar. A parteira Justina, po r ser pobre e ter de sustenta r sozinha seus nove filhos, busca va no pequeno comérc io a garantia da sobrevi vê ncia de sua família.
40
MATOS, Maria Izilda. Gênero e história: percursos e possibilidades. In: SCHUPUN, Mônica (Org).
Gênero sem fronteiras. Florianópolis: Editora Mulheres, 1997, p. 80.
41
Assim, vê-se a luta dessas mulheres pela sob re vivênci a. Improvisa vam e modificavam continuamente suas estraté gias para sob re viver, essenciais diante do sistema de po der e da estrutura de dominação que as oprimia.
Situações de co nf lito também faziam parte do cotidia no d as mulheres parteiras. O document o polici al da Cidade de Goyaz de 1875, abaixo t ranscrito, além de most rar a violência masculi na contra a s mulheres, no caso uma parteira, f or nece dados sobre a raça e a classe social as quais pertenciam.
Illm o Senro Douto r Antonio Pe reira de Ab reu Jun ior, M. D. Chefe de Policia da Provincia de Goyaz.
O Sr de direit o da 1a Va . Jeronymo Curado Fl eury
O Dr Jer on ym o Jose de Campos Cu rado Fleur y, Juis de Direit o da 1a vara da Comarca da Cap ital de Goya z. V.S.
Mando a qualquer off icial de j ustiça deste j uiso, a quem este f or ap rese ntado, indo por mim assi gnado que prenda e recol ha ao seu respecti vo Guartel o soldado do 2o Co rpo de Ca va llaria Qui rino Gonsalves de Pádua, por se achar o mesm o indiciado neste j uiso pelo crime de morte perpretado na pessoa da parteira M aria de Tal, af ricana, trinta e dous annos de i da de, ex-escrava de D. Conceição de Jesus . Cidade de Go yaz 22 de j unho de 1875.42 o grifo é nosso
O que rep resentava ser mulher, negra e pobre no B rasi l Impér io? Para muito s hist oriadores, essas mulhe res eram, para a sociedade da época, emblem as vi vos e atuante s da deso rdem, do perigo e da
impureza. No caso d as mulhe res parteira s, esses perf is ex plic am, em parte, a razão do preconceito que os médicos tinham contra elas.
Apesar da tentati va do discurso médico em desmoraliza r as mulheres parteiras, a presença delas foi muito req uisitada na cidade ao longo do pe ríodo i mperial. As pa rteira s realiza vam tant o os part os de mulheres pobres, quanto os das pertencentes à elite, j á que, considera ndo o setor da saúde a partir do context o socia l da Cidade de Goya z no perí odo, era imp ro vá vel su pri r o s vá rio s ped idos para que os médicos realizassem o s partos. Além d o mai s, o part o era co nsid erado in tegralmente um momento feminino, poi s nest e os homens não p articipa vam, exceto os padres e médicos, quando requisitados.
As documentações já transcritas f orne cem elementos para percebermos que, na Pro ví ncia de Goyaz, não havia critéri os de idade para ser pa rteira - tant o as mulhe res j ovens como as mais ve lhas poderiam praticar o ofício. Viú vas, soltei ras, amasiadas, amantes, sustentando sozi nhas o lar e exercendo out ras ati vid ades como as de comerciantes são outras info rmações que os document os oficiais, po r nó s pesqu isados, fornecem acerca das características das mulheres par teiras da Cidade de Goya z. Verif icamos também que essa a tividade não era economicamente rentá vel. Mas então o que leva va essas mulheres a serem parteiras?
Se gu ndo a pesquisadora Maria Lucia Mott, as parteira s dedicavam -se a esse ofício por humani dade, para atender às mulhe res na