• Sonuç bulunamadı

I. BÖLÜM

2.16. YALNIZ DEĞİLSİNİZ

A produção secundária da pequena unidade produtiva, pelo menos em São Luís, permite, devido a sua importância estratégica para a família, a sobrevida e mesmo a relativa margem de lucro no balanço final das receitas e despesas. É interessante observar que, apesar de sua importância, os pequenos proprietários não têm consciência do real peso dessa atividade. Este setor produtivo secundário é considerado comumente por eles como sendo ocupação de estrita responsabilidade das mulheres, tratando-se de "coisas da casa", sem nenhum peso significativo para a sobrevivência da família.

Ao se proceder uma análise minuciosa sobre os setores produtivos relevantes da pequena produção, no caso estudado, conclui-se que o chamado setor complementar é vital para a manutenção da propriedade. Para auxiliar essa análise colocamos, a seguir, a distribuição do rebanho em São Luís de Montes Belos.

Gráfico 5 - Distribuição dos Rebanhos em São Luís de Montes Belos em % - 2001

54% 38% 6% 2% Bovinos Suínos Eqüinos Aves

Fonte – Pesquisa de Campo – 2001

A criação de gado bovino constitui-se na principal atividade do produtor de São Luís de Montes Belos. Esses representam 38% do total dos rebanhos, conforme demonstra o gráfico acima. Destacam-se pelo seu numero, as aves (54%). Observamos que são utilizadas para o consumo e também são comercializadas na cidade. Tanto as aves, quanto o seu subproduto o ovo, excedem o consumo interno, representando assim, um suplemento econômico nas receitas da propriedade. Os eqüinos são utilizados basicamente para o

transporte e na “lida” com o gado. Quanto aos suínos, quase sempre destinam-se ao consumo interno da família. Todavia, a criação de porcos não, raro, supera as necessidades da família sendo comercializado o excedente, consubstanciando-se em mais uma fonte de renda suplementar. O que se destaca neste contexto é a importância dos rebanhos em seu conjunto para a produção familiar. Na região estudada a criação de aves e porcos representa uma estratégia econômica que permite ao produtor fazer frente aos gastos rotineiros ou emergenciais e eventuais, sem lançar mão do gado, enquanto solução para algum transtorno que demande gastos. O gado bovino configura-se em uma reserva, além de ser uma poupança, a sua venda ocorre somente em último caso, quando se esgotarem os outros recursos. Ressaltamos que a criação das aves e porcos é feita pelas mulheres e é considerada produção de quintal.

No balanço final da produção complementar, conclui-se que na verdade a maior parte das receitas da pequena produção advém justamente desta microeconomia, "quase" invisível. São os ganhos propiciados pelos "trabalhos da casa" que, direta ou indiretamente, sustentam a pequena produção, embora seja comum os proprietários afirmarem que é a pecuária que sustenta tanto a propriedade quanto a família. Deduz-se daí que se a pequena produção não puder contar com a "produção de quintal" ela torna-se formalmente inviável, devido à impossibilidade da pecuária sozinha fazer frente aos gastos e às despesas da propriedade e da família.

O objetivo de se trabalhar a microeconomia da pequena produção, a partir de uma argumentação mais particularizada e detalhista, é tentar estabelecer a sua real importância para o conjunto da receita do pequeno produtor e exercitar o método comparativo em relação ao modelo proposto por Chayanov. Neste a produção seria limitada pelo seu valor de uso, dentro da lógica específica do pequeno produtor estudado pelo referido autor.146 Nestes

termos, reafirmamos a ocorrência de um modelo de produção combinado na pequena propriedade em São Luís de Montes Belos, onde a "micro produção" fornece o suporte alimentar e financeiro necessário para que a pecuária possa expandir-se. Ressaltamos ainda que a renda mensal proporcionada pela venda do leite é relativamente baixa e somente consegue fazer frente às despesas mensais graças ao suplemento econômico da "micro-produção". Por outro lado, a renda proveniente da criação de gado bovino, embora relativamente mais vultosa, realiza-se anualmente com a venda do excedente, geralmente os bezerros. No cômputo geral, esta fonte de renda, apesar de ser significativa, normalmente é gasta na manutenção da propriedade seja em reparos e limpeza de pastagens, seja na substituição de algum equipamento ou eletrodomésticos.

Assim, a lógica da pequena produção, em São Luís, extrapola os limites do modelo proposto por Chayanov. A pequena produção conjuga o valor de uso e o valor de troca, caracterizado pela produção para o auto-sustento em associação com a produção para o mercado, visando claramente o lucro, acima da reprodução específica da família em termos de subsistência conforme afirmava Chayanov.

Dessa constatação resulta o estabelecimento de uma realidade concreta, seja ela de transição ou não. De qualquer maneira, fica claro que o estágio e as determinações específicas da pequena produção originam-se, necessariamente, do contexto em que ela está inserida. No caso estudado, em um meio favorável à sua reprodução, embora apresente um nível relativamente alto de modernização, as pressões do capital comercial e industrial ainda não se tornaram insuportáveis, sendo passível a associação entre a produção tradicional e a produção moderna, direcionada tanto para o consumo familiar como para o mercado.

Essa situação é recorrente e deve ser analisada levando-se em conta o nível de auto exploração e de penosidade das mulheres. Estas são responsáveis pela produção da "microeconomia", pela casa, com todas as atribuições que isto

acarreta, pela criação dos filhos e ainda por auxiliar o marido em suas obrigações no trato do gado bovino. Portanto, a extração da renda da pequena propriedade estudada, dá-se, predominantemente, às custas da exploração extrema do trabalho feminino.