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EĞİTİM SEN İŞYERİ TEMSİLCİLERİ EĞİTİMİ Amaç

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EĞİTİM ÇALIŞMALARIMIZ

C) EĞİTİM SEN İŞYERİ TEMSİLCİLERİ EĞİTİMİ Amaç

O debate em torno do tema “juventude” vem se ampliando ao longo das últimas décadas, seja na produção do conhecimento científico, ao analisar os fenômenos que circunscrevem este segmento social; seja no debate midiático que, muitas vezes, reproduz e amplia concepções homogeneizadoras no que se refere às juventudes. Diante disso, evidencia- se que a percepção para este segmento social traz consigo definições que têm mudado ao longo do tempo, e são sempre diferentes nas diversas culturas e espaços sociais (NOVAES, 2006).

Assim, observa-se a construção das concepções de juventudes que foram desenvolvidas recentemente, durante as transformações ocorridas ao longo do século XX. Ao considerar este processo histórico, percebe-se que a nobreza jovem do século XVIII buscava ser identificada pelo uso de perucas brancas, roupas escuras e bigodes, assumindo posturas e hábitos de pessoas maduras, com a finalidade de manter o respeito, demonstrar seriedade

diante da sociedade e ingressar integralmente na maturidade (GROPPO, 2000). Este quadro não se altera de modo significativo durante o século IX, e mesmo no início do XX, a transição da infância para a vida adulta era praticamente instantânea, no sentido de articular a saída de casa, a entrada no mercado de trabalho e a formação do casal, especialmente para a classe trabalhadora; porém, entre as classes com maior poder aquisitivo esta tendência já parecia mudar, na perspectiva de adiar o ingresso na vida adulta (CORDEIRO, 2009).

A construção social da visibilidade da categoria juventude começa a ser instituída na segunda metade do século XX, especialmente no pós-guerra, muito em função das diversas transformações societárias ocorridas neste período. Savage (2007) destaca que a visibilidade da categoria juventude foi produto de um processo histórico, resultado de diversas transformações que a sociedade vivenciou, culminando nas concepções sobre juventudes que foram desenvolvidas ao longo do século XX.

Hobsbawm (2012) destaca as grandes alterações ocorridas no curso da história, a partir do século XX, no que diz respeito ao contexto das duas grandes guerras mundiais, no desenvolvimento e acirramento das diversas crises do modo de produção capitalista, no incremento da indústria em seus mais diversos ramos, com destaque para o desenvolvimento da tecnologia, das telecomunicações e das artes. É neste contexto que emergem as juventudes, como um segmento social compreendido como uma fase de transição entre a infância e a vida adulta, marcado por uma construção social que denota uma série de estereótipos em relação a este segmento social extremante complexo e heterogêneo.

Dessa forma, no bojo do desenvolvimento e das transformações do modo de produção capitalista, se inicia o processo de construção social das juventudes, tendo como elemento central as mudanças ocorridas no mundo do trabalho39. Nesse sentido, o acirramento das condições de existência produzidas pela sociedade capitalista acarretou a exigência de melhor qualificação para o mundo do trabalho, levando a uma maior permanência na escola de alguns segmentos sociais, em função do aumento desmedido da competição no mercado de trabalho e a consequente escassez de empregos, sinalizando mudanças na transição para a vida adulta (GROPPO, 2000; CORDEIRO, 2009).

O desenvolvimento da sociedade de consumo representa outro aspecto que vem a impactar diretamente o contexto das juventudes, pois a partir da segunda metade do século XX, o jovem começa a ser percebido como sujeito consumidor, sendo criados artigos,

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Como debatido no capítulo anterior, o cenário de transformações no mundo do trabalho se relaciona à concorrência em nível global, reestruturação produtiva, revoluções tecnológicas, entre outros elementos que revolucionam as relações de produção, ampliando a precarização do trabalho (ALVES; ESTANQUE, 2012).

utensílios e programas de televisão específicos para este público (SCHERER, 2013). Aos poucos vai se formando ideologicamente a perspectiva do “jovem como moda”, isto é, a juventude como sinônimo de poder e beleza, sendo que esta concepção vem a corroborar com outro extremo ao analisar a transição de segmentos etários, como se percebe em relação à descartabilidade do idoso para a sociedade capitalista. Assim, em função da forma que a força de trabalho assume na sociedade capitalista – como mercadoria – passa a contribuir para a percepção sobre o envelhecimento, basicamente como perda das funções físicas e mentais, sendo que este aspecto impacta de forma significativa no status social do idoso, em uma sociedade que privilegia o novo ou a novidade (SOUSA; MATIAS; BRÊTAS, 2010).

Na sociabilidade capitalista, pelo processo de reificação, o humano torna-se objeto em uma coisa que tem valor quantitativo, nesta forma de percepção do mundo e dos sujeitos, pela égide do capital. O processo de envelhecimento é considerado como um processo de detrimento do seu “valor”, relacionado à lógica da produção de capital, de venda da força de trabalho. Sendo assim, se o envelhecimento é percebido como um processo de decomposição de valor e minimização de status social, a juventude mostra-se como antítese da descartabilidade do “velho”, representando um sujeito em plenas condições de competição no mundo do trabalho.

Diante disso, percebe-se que a construção da valorização da juventude, também está atrelada à ideia de “melhores condições para competição”. Nesse sentido, a criação do status da juventude como sinônimo de poder está vinculada ao ideário liberal, que compreende o outro como um objeto descartável, fundado em uma tendência individualista que reproduz uma ética impessoal, calcada em relações superficiais e fragmentadas e tornando possível a objetivação de relações coisificadas, pois a própria exteriorização de um e de outro se dá segundo a lógica da posse e do consumo de objetos e de relações como mercadorias descartáveis (BARROCO, 2008). Nesta conjuntura de dominação da lógica liberal capitalista, a juventude torna-se representação das plenas forças de trabalho, disponível para a sua venda no mercado capitalista.

Por este espectro de composição de forças, a juventude passa a compor uma imagem desejada, como um signo de poder e beleza, ou seja, a lógica da coisificação liberal transforma a juventude em um “modelo” a ser seguido pela sociedade. As manifestações de consumo multiplicam-se para a juventude em discos, filmes, produções televisivas, roupas, revistas criadas pela indústria fonográfica, cinematográfica, da moda e editorial, representando um mercado sem limites para criar a juventude como um espelho do consumo (CORDEIRO, 2009). A lógica do consumo é fundamental para a manutenção do modo de

produção capitalista, uma vez que é pela via do consumo que a mercadoria é vendida. Para Marx (2006), a mercadoria é algo que satisfaz uma carência do estômago ou da imaginação, que, apesar de ter uma dupla dimensão de valor de uso e valor de troca40, possui centralidade na sua dimensão quantitativa que pode ser vendida e, assim, possibilitar a exploração da força de trabalho.

Nesse cenário, a imagem da juventude do século XX mostra-se um constructo na composição ideológica capitalista, que comunga da lógica do poder e da beleza, representando um “produto” desejado por todos. A necessidade de, ao se olhar no espelho, ver uma imagem de jovialidade, está ligada a uma construção cultural na lógica capitalista, que se relaciona com a possibilidade de perceber as plenas condições de venda de força de trabalho, somada à perspectiva do padrão de beleza que está associada a esta mesma ideia. Por meio do mercado é criada a estética jovem, transformando a figura do jovem como um “manequim de consumo”, uma imagem que deve ser desejada e comprada (SCHERER, 2013). Esteves e Abramovay (2007) referem que as juventudes, no atual contexto, se inscrevem em uma sociedade de consumo ostentatória, cujo principal traço é suscitar nas juventudes, mas não apenas entre elas, aspirações que muitas vezes deságuam em frustrações, porque são irrealizáveis para a grande maioria, transitando no seio de uma arquitetura social, cuja desigualdade e acirramento das diferenças constituem algumas de suas faces mais visíveis41.

Ao mesmo tempo em que o jovem do final do século XX é compreendido como um “produto da moda”, como uma imagem que busca ser vendida, sinônimo de vigor e beleza, paradoxalmente, a juventude é percebida como estando em uma fase de rebeldia e transgressões. Esta concepção contraditória ganha visibilidade ao longo do tempo, ao associar o jovem a uma fase de questionamentos e não aceitação de padrões tradicionalmente instituídos. A figura do “jovem rebelde” nasce juntamente com a construção social da

40 Como debatido anteriormente no capítulo 2, o valor de uso neste contexto não tem valor senão para o uso, e não adquire realidade senão para o processo de consumo, desse modo, se constituem de modo imediato em meios de existência; já o valor de troca aparece, primeiramente, como uma relação quantitativa na qual os valores de uso são permutáveis (MARX, 2008). É pela via do valor de troca, suporte de trabalho abstrato, que ocorre a produção de mais-valia e devido a isso possui centralidade no contexto capitalista.

41 Nesse debate, Alves (2014) utiliza o termo “proletaróides” para designar a camada social da classe do proletariado, constituída nas últimas décadas no Brasil, por jovens assalariados formalizados de baixa renda, herdeiros da mobilidade social dos pobres, cuja identidade social incorpora os desejos e anseios de consumo burguês, no que se refere ao consumo de produtos-mercadorias de marca, tornando-os portadores do desejo ostentação. Para esse autor, o consumo das marcas preenche um vazio espiritual na juventude proletária, imersa na contingência do fetichismo das mercadorias e do estranhamento social nas condições históricas do capitalismo desenvolvido. O fenômeno contemporâneo conhecido como “rolezinhos”, ocorrido em 2013 e 2014, se constitui como manifestação social dos “proletaróides”, e revela as contradições objetivas da era do capitalismo atual no Brasil (ALVES, 2014). O termo “proletaróides” não será utilizado nesta tese, uma vez que se compreende que o termo ocultaria a diversidade presente nesse segmento social lançando luz apenas aos jovens pobres, beneficiados pelo atual modelo de desenvolvimentismo brasileiro, repercutindo em uma perspectiva homogeneizadora no debate de juventudes.

juventude como signo de beleza e desejos, muito impulsionado pela indústria cultural42, como afirma Cordeiro (2009):

[...] O filme Juventude Transviada tornou-se um ícone da juventude nos anos 1950, focalizando o jovem como expressão da rebeldia e da personificação do conflito intergeracional produzido pelo capital. O “rebelde sem causa” traduz nas telas as marcas de um novo ser jovem, como o uso do jeans, rapidamente absorvido pelo mercado de consumo. É assim que progressivamente os jovens são captados pelo padrão de consumo e, ao mesmo tempo, elaboram nos gestos, no vestuário, nos gostos musicais, diferenciações que denunciam multiplicidades de juventudes, para além de um modelo definido, disputando espaços de significação para as suas percepções (CORDEIRO, 2009, p. 49).

Diante deste paradoxo entre a beleza e a transgressão, a imagem do jovem vai se delimitando, sendo compreendida, na maioria das vezes, por meio de recortes que dizem respeito à própria divisão de classes da sociedade capitalista em seu atual estágio. A imagem do jovem como signo de beleza e poder, normalmente é associada à juventude que tem poder de consumo, ou seja, que tem a possibilidade de, pela via do mercado, acessar os produtos destinados ao seu segmento social; porém, a juventude pobre é muito mais fortemente associada a um segmento perigoso, sendo a condição socioeconômica um elemento catalisador desta construção social.

Conforme afirma Sales (2007), quase tudo que os jovens pobres questionam e produzem, assim como praticamente todas as formas de reação são interpretadas socialmente como violência, já que este é um dos recursos acionados pelos múltiplos poderes da ordem burguesa que associa a juventude pobre a transgressores, pertencentes a classes perigosas. Nesse sentido, a juventude pobre constantemente é associada à marginalização, fomentando, como refere Sales (2007), um processo de (in)visibilidade. Tal (in)visibilidade decorre, principalmente, do preconceito ou da indiferença, uma vez que uma das formas mais eficientes de tornar alguém invisível é projetar sobre o indivíduo um estigma ou preconceito, pois a (in)visibilidade é sinônimo de solidão e incomunicabilidade, falta de sentido e valor (SOARES, 2007).

O processo de (in)visibilidade das juventudes se manifesta em todos os setores sociais, desde a família, passando pela comunidade e chegando às políticas públicas, que reproduzem as pré-concepções geradoras destes processos de (in)visibilidade. (SCHERER, 2013).

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Compreende-se por Indústria Cultural a forma pela qual a produção artística e cultural é organizada no contexto das relações de produção, lançada no mercado e consumida; dessa forma, ela ocupa um lugar de lazer na vida do trabalhador, sem que para isso ele necessite pensar (ADORNO; HORKHEIMER, 1969).

Nesse sentido, o visível mostra-se como o estereótipo construído sobre as juventudes, não oportunizando o olhar para todas as possibilidades contidas neste segmento social. Então, neste processo, o estereótipo ganha visibilidade, enquanto as potencialidades das juventudes se invisibilizam, em um processo de percepção opaca do real. Este processo de (in)visibilização vai ao encontro da lógica da satanização das juventudes.

Conforme afirma Lacerda (2010), emerge no contexto atual uma nova condição juvenil tida como assustadora, que vem sendo descrita em um significativo número de discursos como constituída por seres irresponsáveis, imaturos, inconsequentes sem limites, violentos, desinformados. Isto é, no âmbito da sociedade contemporânea firmou-se uma vinculação quase direta entre a temática juvenil e as questões de “desordem social”, impondo a identificação dos jovens como o grupo que necessitava ser controlado e tutelado (AQUINO, 2009).

Evidencia-se que, ao olhar para o contexto da juventude e ao analisar o nosso tempo e a nossa cultura, a definição de “ser jovem” reflete disputas nos campos político e econômico (NOVAES, 2006). Dessa forma, tais disputas dizem respeito tanto à construção social da imagem da juventude, entre os extremos de “produto da moda” e “perigo para sociedade”, como pela via da compreensão da perspectiva “adultocêntrica” no olhar para o contexto da juventude.

Para Góis (2013), o adultocentrismo pode ser definido como um conjunto de ideias e atos preconceituosos dirigidos para os jovens, que são frequentemente infantilizados. Isso porque, para esta perspectiva, a juventude é entendida enquanto um estado de incompletude e os jovens são tidos como incapazes de tomar decisões, necessitando ter os seus comportamentos tutelados constantemente e sendo vistos como objeto e não como sujeitos da ação.

Nessas condições, a perspectiva “adultocêntrica” configura uma forma de negar a voz deste segmento social, isto é, compreendendo a juventude como uma fase da vida na qual não tem capacidade de coordenar sua própria trajetória, seus desejos, suas manifestações. Esta perspectiva tutelar nega a lógica de compreender as juventudes como capazes de decidir sobre o seu futuro, buscando a articulação de ações que partem da perspectiva de que o jovem não possui condições de orientar suas próprias escolhas, necessitando, obrigatoriamente, que um sujeito “adulto” possa orientá-lo em qual caminho seguir. Sendo assim, o adultocentrismo nega as capacidades e potencialidades presentes nas juventudes, reforçando a ideia de que os jovens não possuem competência para construir suas próprias histórias, não havendo necessidade de serem ouvidos.

Outra tendência presente na construção social da categoria juventude engloba a compreensão romântica com forte teor idílico deste segmento social: a construção idealizada das juventudes como “o futuro da nação”, como única responsável pela construção do futuro, sendo a fiel depositária de toda a responsabilidade pela construção de um “mundo melhor”. Esta concepção, muitas vezes, encontra-se presente em algumas propostas que clamam pelo “protagonismo juvenil”, sendo, em alguns contextos, um discurso que carrega em seu cerne a prescrição por uma atuação política da juventude a atividades individuais, voluntárias, a um “fazer” vinculado à reduzida ideia de participação, como forma de transformação social que se faz de forma individual (SOUZA, 2008).

Nesse sentido, Souza (2008) refere que o discurso do protagonismo juvenil pretende oferecer à juventude certo modelo de ação política, porém este modelo não tem o intuito de promover a política, mas anulá-la no momento em que se refere a um tipo de participação baseada em atividades “concretas”, que consiste na maioria das vezes em um trabalho não remunerado, com a finalidade de “encontrar soluções concretas para problemas reais”, de forma individual e fragmentada.

Desse modo, as reflexões de Souza (2008) a respeito da crítica ao discurso pelo protagonismo juvenil remetem a algumas concepções que acabam por, através da concepção romântica de juventude, inserir nos sujeitos a responsabilidade por uma transformação social de forma individual, não levando em consideração elementos relacionados a uma estrutura que se reproduz econômica, política e ideologicamente. O real protagonismo juvenil pode ocorrer no momento em que são desenvolvidas, por exemplo, atividades centradas na noção de que os jovens são colaboradores e partícipes nos processos educativos que com eles se desenvolvem (ABRAMO, 1997), e não em ações prescritivas de uma participação baseada na noção de “transformação social” feita pela via da ação individual.

Sendo assim, tal idealização da juventude, ao mesmo tempo em que possibilita a reflexão da necessidade de pensar em ações na perspectiva da proteção deste segmento social, deposita nele grande responsabilidade que deve ser compartilhada por todos os sujeitos construtores da história, e não de um único segmento social de forma singular. Para Marx (2008), o homem constrói sua história ao transformar a sociedade, a natureza e a si mesmo; sendo assim, as mudanças que ocorrem na realidade concreta podem ser realizadas por todos os sujeitos que compõem a sociedade, em uma perspectiva de totalidade. Portinari e Coutinho (2009) afirmam que o jovem na conjuntura atual representa uma figura idealizada em nossa sociedade, que deposita ali seus próprios ideais.

Outra manifestação da visão romântica das juventudes pode ser observada em tendências que intitulam a juventude como uma fase singular para o “sucesso na vida”. Esta construção social pode ser observada de maneira clara na produção de Meg Jay, que escreveu, em 2014, o livro intitulado A idade decisiva; nesta produção, a autora, baseada em suas experiências clínicas como psicóloga, defende a ideia de que a fase dos 20 aos 30 anos vai definir o futuro da vida de todas as pessoas, portanto, os sujeitos devem tirar melhor proveito desta fase para evitar frustrações na vida adulta.

Nessa concepção, a autora revela que as frustrações da vida adulta são resultantes das más escolhas, ou das perdas de oportunidades, na fase dos 20 aos 30 anos, ou seja, na juventude. Conforme Jay (2014):

Agora os jovens do século XXI têm a oportunidade de construir a vida que querem – em que trabalho, amor, cérebro e corpo podem estar interligados. Mas para isso não basta idade ou otimismo [...] é preciso objetividade e algumas boas informações, para não perdermos a chance (JAY, 2014, p. 23).

A autora ainda afirma que a faixa dos 20 anos é um período privilegiado que somente ocorre uma vez, então, os jovens não podem desperdiçar esta etapa da vida vivendo sem perspectivas, pois, segundo Jay (2014, p. 13), “o pior são as lágrimas vertidas na faixa dos 30 e 40 por pagarem um alto preço pela falta de visão na juventude”. Nessa concepção, o sucesso ou fracasso de toda a vida depende das escolhas “bem tomadas” na juventude, sendo a fase da juventude a oportunidade ímpar de o indivíduo escolher o seu futuro.

Esta compreensão mostra-se como uma manifestação da visão romântica das juventudes, colocando nesta etapa da vida humana a única possibilidade de “sucesso”; bem como percebe o “sucesso” ou “fracasso” unicamente como uma escolha individual dos sujeitos, no âmbito das suas vontades e desejos. Esta concepção anula todas as dimensões estruturais presentes na atual conjuntura, tanto para as juventudes como para todos os sujeitos em uma sociedade capitalista, ressaltando a dimensão individual como único determinante para a construção do futuro.

Percebe-se, assim, um duplo equívoco na construção desta percepção das juventudes: o primeiro mostra-se pela idealização de uma fase da vida como único determinante do futuro do sujeito, o que revela o jovem como figura idealizada em nossa sociedade. Evidentemente, a juventude mostra-se como uma importante fase da vida humana, na construção da perspectiva de autonomia dos sujeitos, porém, ao afirmar que se mostra como a única “idade decisiva”, desconsidera as possibilidades de construção histórica humana em outros momentos da vida.

As trajetórias de vida constituem um contínuo processo de desenvolvimento em todos os

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