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As juventudes brasileiras constituem um grande contingente populacional, tal concepção pode ser observada em pesquisas recentes sobre o tamanho da juventude brasileira. Em 2013, a Associação Ibero-americana de Juventude lançou a pesquisa “El Futuro ya Llegó - 1º Encuesta Iberoamerica de Juventudes44”, buscando investigar a população jovem de 21
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O título da pesquisa mostra-se como um contraponto à ideia idealista de que a “juventude é o futuro”, destacando a concepção de que a juventude mostra-se como um segmento social que não pode ser restrita a um “vir a ser”.
países do mundo45 que constituem a Ibero-América, sendo uma das maiores investigações sobre juventudes no mundo. Segundo esta pesquisa, em 2010, os países Ibero-americanos possuiam uma população de 596,4 milhões de pessoas, destes, 157, 3 milhoes estavam na faixa dos 15 aos 29 anos, representando 26% da população moradora destes países. Brasil e México concentram o maior contigente populacional jovem, representando 51,5% do total de jovens que habitam a Ibero-América.
O Brasil conta com uma população de 51,3 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, cerca de 26% da população brasileira, segundo dados do Censo de 2010. Deste percentual, a maioria dos jovens estão na faixa etária dos 18 aos 24 anos, o que equivale à cerca de 47% do total de jovens brasileiros: 20% estão na daixa dos 15 aos 17 anos e 33% de 24 a 29 anos (CENSO, 2010).
No que se refere a questões de gênero, segundo a pesquisa Agenda Juventude Brasil: Pesquisa Nacional do Perfil e Opinião dos Jovens Brasileiros, divulgada pela Secretaria Nacional de Juventude em 2013, a distribuição entre homens e mulheres é quase idêntica no segmento juvenil, 49,6% e 50,4% respectivamente (SNJ, 2013).
Com relação à etnia, observa-se que a juventude brasileira é constituída predominantemente de negros ou pardos. Segundo dados da pesquisa Agenda Juventude Brasil de 2013, 60% dos jovens declaravam-se negros ou pardos, 34% de cor branca e 6% de outras etnias (SNJ, 2013). Em comparação com a população brasileira em geral, observa-se que as juventudes possuem uma predominância de negros e pardos, segundo o Censo 2010 50,7% da população se considera negro ou pardo, 47,7% considera-se branco e 1,5% de outras etnias.
Nesse plano, torna-se fundamental compreender as relações étnico-raciais quando se observa as juventudes no Brasil contemporâneo, especialmente em função das grandes desigualdades existentes entre negros e brancos. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, na publicação Retrato da Desigualdade de 2006, permanecem grandes as desigualdades que se manifestam entre negros e brancos, nos mais diferentes espaços sociais como educação, mercado de trabalho e acesso a bens e serviços.
Sendo assim, um dos exemplos deste contexto de desigualdade citado pelo estudo pode ser observado nos dados de vulnerabilidade social, uma vez que enquanto 6,4% dos brancos recebem menos de ¼ de salário mínimo per capita por mês, esse percentual salta para
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Neste estudo foram investigados Espanha, Portugal, Costa Rica, Uruguai, Argentina, Brasil, Chile, México, Panamá, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala, Peru, República Dominicana, Venezuela, Bolívia, Honduras, Paraguai e Nicarágua.
16,8% da população negra, quase três vezes mais na comparação com o grupo dos brancos (IPEA, 2006). Todo este contexto de desigualdade se reflete em diversos índices, como será visto no decorrer deste capítulo.
Diante desta realidade, a juventude negra vem sofrendo de forma intensa com a desigualdade social que possui ruas raízes no contexto histórico brasileiro, potencializado pela lógica da (in)segurança que atinge a maioria da população. Além de todos os estereótipos construídos com relação às juventudes, a grande massa de jovens brasileiros convive com o impacto do preconceito racial, ainda muito presente na sociedade brasileira, manifestado de diversas formas e vivenciado pela grande parte da população jovem.
No que se refere ao estado civil, a pesquisa Agenda Jovem 2013 refere que 66% dos jovens são solteiros e 61% vivem com os pais. A pesquisa ainda aponta que 40% dos jovens brasileiros têm filhos, mas esta condição varia profundamente segundo o sexo: enquanto 28% dos homens são pais, mais de metade das mulheres, 54%, vive a condição de maternidade. Segundo o estudo, esta condição, naturalmente, cresce com o avançar da idade, mas sempre em maior proporção para as mulheres, chegando a 70% na faixa que vai dos 25 a 29 anos.
Ao olhar para esta realidade das juventudes, aponta-se para um contexto complexo e heterogêneo no que se refere à composição de novos núcleos familiares, sendo fundamental observar questões de gênero, ou seja, analisar as particularidades da mulher jovem na sociedade em seu atual contexto.
Diante desta configuração juvenil contemporânea, que aponta para uma grande população juvenil no Brasil, é importante observar a projeção realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, na pesquisa “Juventude Levada em Conta” de 2013, a qual refere o Brasil vai enfrentar a maior queda comparativa no tamanho da sua juventude. Segundo as projeções realizadas pelo estudo, a juventude brasileira que vinha crescendo a uma velocidade média de 600 mil por ano até 2003, permanecerá essencialmente estagnada entre 2003 e 2022, para voltar a declinar a partir de 2023 à mesma taxa, sendo que no intervalo entre 2003 e 2023, o tamanho da juventude se manterá relativamente estável, com pouco mais de 50 milhões de pessoas (IPEA, 2013).
O gráfico abaixo demonstra a projeção do declínio demográfico da juventude brasileira, conforme o IPEA.
Gráfico 1 - Evolução do Número de jovens de 15 a 29 anos no Brasil de 1980 a 2050
Fonte: IPEA, 2013
O estudo revela que as juventudes apresentam crescimento até 2008, quando atinge seu ápice, para declinar a partir de então; sendo assim, o Brasil já não possui, e não mais possuirá a maior juventude de todos os tempos (IPEA, 2013).
Conforme o estudo, o Brasil que é hoje um dos países com maior contingente de jovens da Ibero-América, a população jovem brasileira declinará a uma velocidade muito maior do que todas as outras juventudes do mundo, uma vez que permanecerá em um patamar histórico de 50 milhões de pessoas por praticamente mais uma década, declinando 15 milhões até 2050; seu pico ocorreu próximo de 2010, com mais de 51 milhões de jovens (IPEA, 2013).