2. BÖLÜM: SEYYAHLAR VE BATI’DAN DOĞU’YA KİTAP KÜLTÜRÜ
2.4. BATI’DAN DOĞU’YA KİTAP KÜLTÜRÜ
Para a análise da distribuição da iluminação natural nos ambientes simulados, foram selecionados quatro modelos de cada um dos ambientes: modelos com componente de condução saliente e encravado e modelos no pavimento térreo e 4º pavimento. Essa seleção se justifica por perceber-se que a distribuição dos valores da ALN 300lux nos modelos de cada ambiente é semelhante, independentemente da profundidade do componente de condução, da orientação, da transparência do peitoril e da altura do pavimento, que influenciam, principalmente, na quantidade de luz que penetra os ambientes. Dessa forma, foram selecionados os modelos que possuem componente de condução de 1,50 m de profundidade e peitoril opaco e orientação Sul, apresentados nas Figura 21, 22, 23 e 24.
Figura 21 – Gráficos de isoALN da distribuição da luz natural nos ambientes com componente de condução saliente de 1,50 m e peitoril opaco, orientação Sul, pavimento térreo.
A partir da Figura 21, pode-se perceber que a distribuição dos valores da ALN 300lux apresenta um comportamento particular para cada um dos ambientes em análise. As diferenças podem ser atribuídas, principalmente, à configuração das aberturas, como já havia verificado Bittencourt et al. (1995). Na sala, cuja abertura é uma porta, nota-se que a área central apresenta maiores valores da ALN 300lux, reduzindo-se na direção das laterais. Também pode-se perceber um decréscimo gradual da ALN 300lux à medida que se distancia da abertura. A abertura do quarto é uma janela baixa horizontal, o que favorece uma melhor uniformidade entre o centro e as laterais do ambiente, além de um decréscimo gradual da ALN 300lux em função da distância menos marcante. A iluminação do quarto de empregados e da cozinha tem comportamento semelhante, uma vez que a abertura desses dois ambientes é semelhante: uma janela alta, junto ao teto e que ocupa toda a largura da parede na qual está situada. Nota-se que os maiores valores da ALN 300lux não estão nos pontos mais próximos à janela, mas na segunda linha de pontos. A distribuição dos valores da ALN 300lux, no banheiro, é semelhante à distribuição percebida no quarto de empregados e na cozinha, porém, com valores inferiores.
A sala, o quarto, o quarto de empregados e a cozinha – com varanda saliente de 1,50 m e peitoril opaco, orientação Sul, no pavimento térreo – apresentam iluminação natural suficiente, uma vez que mais da metade da área dos ambientes apresentam ALN 300lux, considerando-se o estudo de Reinhart (2005). Porém, isso não ocorre no banheiro (WC), fato que pode ser atribuído à área da abertura, de apenas 1/8 da área do piso, enquanto nos outros ambientes essa relação é de 1/4, ou seja: para o banheiro, a exigência é de uma abertura com metade do tamanho de um abertura exigida para os demais ambientes, o que, por si só, pode gerar desconforto no usuário devido a grandes diferenças de iluminância nos espaços essenciais de uma mesma unidade habitacional.
A Figura 22 apresenta os gráficos elaborados para os modelos com componente de condução encravado de 1,50 m de profundidade e peitoril opaco, orientação Sul, no pavimento superior. A principal diferença entre esses gráficos está nos valores da ALN 300lux. Nos gráficos da Figura 22, percebe-se valores da ALN 300lux maiores que os apresentados na Figura 21. O aumento dos valores da ALN 300lux nos modelos do pavimento superior pode gerar menor contraste nos níveis da ALN 300lux na sala, no quarto, no quarto de empregados e na cozinha, além de aumentar a área do banheiro que pode ser considerada suficientemente iluminada.
Figura 22 – Gráficos de isoALN da distribuição da luz natural nos ambientes com componente de condução saliente de 1,50 m e peitoril opaco, orientação Sul, pavimento superior.
Fonte: Elaboração própria.
Em relação aos modelos com componente de condução encravado (Figuras 23 e 24), percebe-se que os valores da ALN 300lux são bem menores do que aqueles verificados nos modelos com componente de condução saliente. Outra diferença está na forma das curvas das isolinhas: enquanto nos modelos com componente de condução saliente, a curva é mais suave, com um raio maior, nos modelos com componente de condução encravado, os raios das curvas são menores, representando a interferência das paredes laterais do componente de condução na iluminação natural desses ambientes. Nos modelos com componente de condução encravado, as áreas laterais da abertura apresentam valores da ALN 300lux mais contrastantes com os valores em frente à abertura, devido à obstrução causada pelas paredes laterais dos componentes de condução. Isso fica bastante evidente nos modelos da sala e do quarto: a abertura mais estreita da sala cria uma área central mais iluminada do que as laterais; no quarto, com a abertura mais larga, a área central mais iluminada tem maior proporção que na sala. Mesmo com o componente de condução encravado, o decréscimo gradual da ALN 300lux em função da distância (em relação à abertura) é semelhante aos modelos com componente de condução saliente, porém mais contrastante.
Os banheiros dos modelos com componente de condução encravado, independentemente das variáveis verificadas, apresentam valores 0 de ALN 300lux, o que significa impossibilidade de penetração de luz natural suficiente nesse ambiente, devido à maior obstrução desta pequena abertura.
Figura 23 – Gráficos de isoALN da distribuição da luz natural nos ambientes com componente de condução encravado de 1,50 m e peitoril opaco, orientação Sul, pavimento térreo.
Fonte: Elaboração própria.
Assim como nos modelos com componente de condução saliente, a principal diferença entre os modelos com componente de condução encravado do pavimento térreo (Figura 23) e superior (Figura 24) está nos maiores valores da ALN 300lux verificados no pavimento superior. Porém, percebe-se que o quarto do térreo apresenta o comportamento igual ao quarto de empregados e a cozinha, no qual a área mais iluminada não está nos sensores mais próximos à abertura, mas nos sensores da segunda linha, em razão da maior obstrução da abertura nesse pavimento.
Figura 24 – Gráficos de isoALN da distribuição da luz natural nos ambientes com componente de condução encravado de 1,50 m e peitoril opaco, orientação Sul, pavimento superior.
A partir da análise desses gráficos, pode-se perceber que o ambiente que apresenta maior profundidade de penetração da luz no plano de trabalho é o quarto. Essa melhor distribuição da ALN 300lux pode ser atribuída à localização da área transparente acima do plano de análise, diferentemente da sala, que apresenta 35% da área envidraçada abaixo do plano de trabalho, bem como à maior largura da abertura e à menor profundidade do quarto – a parede de fundo serve como fonte de iluminação natural indireta a partir das reflexões internas. O quarto de empregados e a cozinha apresentam profundidade de penetração da luz semelhante a da sala, porém, nos ambientes que têm a janela alta, há maior uniformidade na distribuição, o que evidencia as variáveis ‘posição’ e ‘forma’ da abertura como determinantes na distribuição da luz natural no ambiente interno, não apenas a relação entre as áreas de janela e de piso, como se percebe em grande parte da legislação. Nos banheiros, analisando partir da ALN 300lux, apenas os modelos do pavimento superior com componente de condução saliente têm iluminação natural suficiente.