• Sonuç bulunamadı

Diskinizin yalnızca belirli bir bölümünü taramak istiyorsanız Özel tarama'yı seçip virüsler için taranacak olan hedefleri belirleyin

7.6.6.2.4.3 Executing Service scripts

4. Diskinizin yalnızca belirli bir bölümünü taramak istiyorsanız Özel tarama'yı seçip virüsler için taranacak olan hedefleri belirleyin

Tradicionalmente, antes da difusão da Internet, o direito ao esquecimento correspondia somente ao direito subjetivo de não ver publicada alguma notícia sobre eventos que, embora já tivessem sido legitimamente noticiados, o foram há bastante tempo, e transcorreu um longo lapso temporal de sua inicial publicação (FINOCCHIARO, 2015). A acepção tradicional do direito ao esquecimento correlaciona-se principalmente ao que Terwangne (2012) explanou quando tratou do direito ao esquecimento do passado judicial, embora não se limite a essa temática, que é o ponto de origem desse direito. Nesses casos, quando ocorreu o fato, sua publicação era lícita e não violava a esfera privada ou a honra do noticiado. O problema central consiste em saber se a pessoa e o evento legitimamente publicado podem ser sempre alvo de republicação ou se o transcurso do tempo e a mudança da situação retratada pode tornar a publicação ilícita (FINOCCHIARO, 2015).

Nesse aspecto tradicional, o direito ao esquecimento pertence ao âmbito da privacidade, consistindo naquela parte intangível da vida que a pessoa deseja que seja resguardada de intromissões alheias, ainda que já tenha sido exposta no passado. Nesse âmbito de análise surge um conflito entre o direito à informação86 e o direito ao esquecimento.

Em se tratando de fato contemporâneo à publicação, o direito à informação tende a ter um peso maior e a prevalecer em relação a não publicação do fato, mas com o passar do tempo, a publicação do ocorrido vai perdendo a razão de ser, não mais atrai atenção como uma notícia nova que merece conhecimento, justificando, dessa maneira, uma sobreposição do direito ao esquecimento em relação ao direito à informação. Entretanto, duas situações justificam a continuidade do interesse em publicar uma notícia, apesar do transcurso temporal do fato noticiado. A primeira delas é quando se trata de fatos históricos ou marcadores de algum momento histórico importante87; a segunda situação é quando os fatos se relacionam ao

exercício de atividade pública88 por uma pessoa pública (TERWANGNE, 2012).

No Brasil não há previsão legal para o direito ao esquecimento, mas existe um crescente desenvolvimento jurisprudencial acerca da temática. Dois casos emblemáticos retratam a importância desse direito e exaltam situações que envolvem um passado judicial.

O primeiro deles é o caso que foi analisado no REsp 1.334.097 – RJ. A ação foi ajuizada por Jurandir Gomes de França. O autor foi indiciado como coautor da Chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, sequência de homicídios que ocorreu em julho de 1993. Em processo criminal, submetido ao júri, o autor foi absolvido por maioria diante de sua alegação de negativa de autoria (BRASIL, 2012). Uma emissora de televisão procurou Jurandir com o intuito de entrevistá-lo para um programa televisivo que contaria a história da chacina. O mesmo recusou a entrevista e disse que não tinha interesse em ver sua imagem associada ao acontecimento, já que havia sido considerado inocente das acusações.

Entretanto, em 2006, a emissora veiculou o programa e o representou como um dos envolvidos no evento, embora tenha feito a ressalva de que ele fora absolvido. Inconformado com a divulgação de sua imagem, Jurandir demandou judicialmente requerendo uma indenização devido ao uso não autorizado de sua imagem e o direito de ser esquecido, devido ao dano que o programa televisivo lhe causou ao retratá-lo como

86

Artigo 5º, inciso XIV da Constituição Federal: “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional” (BRASIL, 1988).

87

“A História auxilia a humanidade a compreender seus erros, superá-los e não os repetir. Ela é a lupa que nos faz descobrir quem somos, de onde viemos e para onde vamos. É o elo indissolúvel que liga passado, presente e futuro” (CHEHAB, 2015, p. 96).

88

“Também não se aplica o esquecimento sobre os fatos relacionados à atividade pública de uma pessoa pública, em face do interesse coletivo existente. Na vida pública de um ex-governante de um país, por exemplo, prepondera o interesse social e o da História” (CHEHAB, 2015, p. 96).

participante de um evento criminoso do qual havia sido declarado inocente pela justiça, e por ter sido exposto ao público fato que “já havia superado, reacendendo na comunidade onde reside a imagem de chacinador e o ódio social, ferindo, assim, seu direito à paz, anonimato e privacidade pessoal, com prejuízos diretos também a seus familiares” (BRASIL, 2012).

O juízo de primeiro grau denegou o pedido indenizatório do autor por entender que merecia valor maior o direito de informação, pois se trata de evento traumático na história do País e que havia projetado uma imagem negativa do Brasil na comunidade internacional. Em grau de apelação a sentença foi reformada e houve a condenação da emissora de televisão ao pagamento de indenização ao autor da ação.

Posteriormente foi impetrado Recurso especial e Recurso extraordinário pela emissora. No Recurso especial o impetrado, em sua defesa, alega a ausência de contemporaneidade dos fatos narrados, o que reabriu “antigas feridas já superadas e reacendeu a desconfiança da sociedade quanto a sua índole” (BRASIL, 2012). Essa ausência de contemporaneidade de informações acerca de alguém é uma das formas de se deturpar a identidade pessoal, uma vez que se exige, para a fiel representação da identidade, que o que se alega acerca de alguém corresponda com sua imagem social atual.

Por fim, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou provimento ao recurso, decidiu pela possibilidade da aplicação do direito ao esquecimento no Direito brasileiro e determinou que “permitir nova veiculação do fato com a indicação precisa do nome e imagem do autor, significaria a permissão de uma segunda ofensa à sua dignidade, só porque a primeira já ocorrera, porquanto, como bem reconheceu o acórdão recorrido, além do crime em si, o inquérito policial consubstanciou uma reconhecida ‘vergonha" nacional’ (BRASIL, 2012).

O segundo caso de grande relevo foi o “Caso Doca Street”, em que o rapaz que nomeia o caso foi condenado a uma pena de 15 anos pelo assassinato de sua namorada, a socialite Ângela Diniz, em 1976. Após o cumprimento da pena o autor teve o caso exposto e noticiado por emissora de televisão, razão pela qual pleiteou na justiça danos morais, uma vez que já tinha sua vida restabelecida. A justiça entendeu que houve abuso na publicação da notícia e condenou a emissora a pagar 250 mil reais de indenização ao réu.

Percebe-se, por meio dessas duas decisões, que a jurisprudência brasileira está caminhando na direção de proteger a identidade pessoal móvel do indivíduo, por meio do direito ao esquecimento, assegurando que a imagem individual que se deseja retratar seja condizente com a realidade atual e levando em consideração que a pessoa pode mudar e

adotar uma vida diferente. Nesses casos, a lembrança de um passado que não corresponde às suas novas escolhas de vida pode atrapalhar e causar danos à nova identidade pessoal.