3. FİKİRLERİNİ KALEME ALDIĞI YAYINLAR
3.3. DEVLET GAZETESİ YAZILARI
Conhecida também como esquistossomose, esquistossomíase, bilharziose ou bilharziase mansônica, mansoni ou intestinal ou doença de Manson-Pirajá da Silva, a esquistossomose mansônica é uma parasitose transmitida durante contato com água, causada pelo helminto trematódeo Schistosoma mansoni (LAMBERTUCCI, 2005; PRATA, 2009). No homem, o sistema venoso mesentérico é seu habitat preferencial. O S. mansoni assume várias formas durante seu ciclo de vida, dependendo do hospedeiro e de suas fases de evolução, como miracídio (forma infectante do molusco presente nos ovos férteis), cercária (forma infectante humana ), esquistossômulo e verme adulto.
No ciclo da doença, é necessária a presença de um hospedeiro intermediário, um caramujo do gênero Biomphalaria (UTZINGER, 2011). Os moluscos preferem locais onde a água é pouca e parada, com luz solar e substâncias orgânicas, como plantas e lama (BRASIL, 2007). Geralmente, seu habitat não apresenta correnteza, ondas ou muita poluição, que é prejudicial aos caramujos. Contudo, quaisquer coleções de água podem ser consideradas adequadas para a criação de caramujos transmissores, e a presença de fezes humanas proporciona condições para a transmissão da esquistossomose (PRATA, 2009; SOUZA, MARCO, 2006).
A pessoa torna-se infectada quando a forma larval do parasita, a cercária, penetra em sua pele durante o contato com água contaminada (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013a). Os focos de transmissão apresentam características ecológicas semelhantes, localizados próximos aos domicílios de comunidades urbanas ou rurais desprovidas de saneamento e esgoto. A transmissão da doença depende dos hábitos das pessoas, pois é determinada pelo contato com águas infestadas. Assim, os grupos de risco para infecção por esquistossomose são crianças em idade escolar (seis a 15 anos), mulheres em idade fértil e profissionais que
trabalham em contato com água, como pescadores, agricultores, mineradores, garimpeiros (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002). Nas áreas endêmicas, o contato com focos de infecção se inicia logo após o nascimento, e na idade escolar a maioria das crianças já pode estar infectada (LAMBERTUCCI, 2005; PRATA, 2009; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002). Também fator importante na transmissão da doença estão as atividades de recreação em coleções de águas naturais, como cachoeiras e lagos, principalmente entre os jovens (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013a).
2.2.2 Epidemiologia
A esquistossomose mansônica é considerada pela OMS uma das doenças tropicais negligenciadas, que tendem a coexistir em áreas de precárias condições de vida, associadas à pobreza, e cujas proliferações ocorrem em ambientes tropicais em que os indivíduos podem apresentar infecções múltiplas (BRASIL, 2012; FENWICK, 2008; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013a, 2013b). É doença social, encontrada em regiões rurais pobres e periferias das cidades (SARVEL, 2011), relacionada a acesso insuficiente à água para beber, a saneamento básico, à habitação adequada, à educação e aos serviços de saúde (SCHNEIDER, 2011).
Doença crônica insidiosa, dificilmente reconhecida em seus estágios iniciais, pode afetar o desenvolvimento cognitivo e gerar incapacidade durante os anos mais produtivos da vida do indivíduo afetado, reduzindo capacidades de aprendizagem e produtividade, sendo tanto consequência como causa de pobreza (FENWICK, 2008; SCHNEIDER, 2011). É considerada a segunda doença infecciosa de importância socioeconômica no mundo pela OMS, atrás somente da malária, e a terceira em importância de saúde pública (SARVEL, 2011; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002, 2013a).
Segundo a OMS, no ano de 2011 pelo menos 243 milhões de pessoas necessitaram de tratamento para esquistossomose, 90% dessas na África Subsaariana. A transmissão da esquistossomose tem sido documentada em 78 países, sendo que a maioria das pessoas que precisaram de tratamento vive em 52 países de alto risco de infecção (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013a). No Brasil, segundo Ministério da Saúde, de 1995 a 2011 foram confirmados mais de dois milhões de casos de esquistossomose (BRASIL, 2013c), sendo metade desses na região Nordeste do País. O Estado de Minas Gerais contabilizou o maior
número de casos confirmados dentre as Unidades Federadas, mais de 780 mil. O percentual de positividade, ou seja, percentual de indivíduos positivos para S. mansoni dentro de uma amostra, no período de 1990 a 2010, no país, foi de 8%, com tendência de decréscimo de 0,25% ao ano (BRASIL, 2012), sendo essa prevalência considerada maior que a da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana(HIV) (LAMBERTUCCI, 2010).
Áreas endêmicas e focais abrangem 19 unidades federadas, sendo que cerca de 70% dos casos estão concentrados nos estados de Minas Gerais e Bahia (DRUMMOND, 2010), onde a prevalência da esquistossomose situa-se próxima de 10% (COURA, 2004). Em Minas Gerais, as zonas do Alto e Médio São Francisco, Mucuri, Rio Doce, Alto Jequitinhonha, Metalúrgica e da Mata são as mais atingidas (PRATA, 2009). A figura 4 ilustra a distribuição da esquistossomose no Brasil e no Estado de Minas Gerais.
Figura 4- Distribuição da esquistossomose por município no Brasil, 2012 (A) e por região no Estado de Minas Gerais, 2010 (B).
A B
Figura A: Distribuição da prevalência da esquistossomose por município no país. Fonte: Ministério da Saúde, Vigilância Epidemiológica (BRASIL, 2012). Figura B: Regiões endêmicas para esquistossomose em Minas Gerais (DRUMMOND,
2010).
A OMS classifica as comunidades ou áreas em risco de esquistossomose conforme prevalências encontradas por avaliação parasitológica, sendo consideradas áreas em alto risco de infecção as que apresentam prevalência igual ou maior que 50%, áreas com moderado risco as com prevalência igual ou maior que 10% mas menor que 50%, e áreas em baixo risco de infecção, as que tem prevalência abaixo de 10% (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013a). Área endêmica corresponde a um conjunto de localidades contínuas ou adjacentes em que a transmissão da esquistossomose está plenamente estabelecida (BRASIL, 2008).
A esquistossomose é distribuída de forma focal, com prevalência variável dentro de uma Unidade Federada, de um município ou mesmo num bairro, dependendo das condições de saneamento, da presença dos caramujos vetores e das atividades de contato com águas contaminadas, característica que dificulta as medidas de controle e prevenção (BRASIL, 2012; FENWICK, 2008; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002).
A ocorrência e instalação de focos de transmissão da doença no país podem ser favorecidas pela grande área geográfica de distribuição dos caramujos hospedeiros intermediários, pelos movimentos migratórios de pessoas oriundas das áreas endêmicas, pela deficiência de saneamento domiciliar e ambiental e carência de educação em saúde das populações sob risco (BRASIL, 2008).
Não há dúvida de que a esquistossomose seja fruto da pobreza e da ignorância, mas, também o progresso pode agravá-la, como no caso de desenvolvimento de hidroelétricas (LIU, 2013; PRATA, 2009; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2002).