• Sonuç bulunamadı

B. Siyasi Partilerin Seçim Harcamalarının Denetimine Đlişkin Esaslar

3) Denetim Otoritesinin Görev ve Yetkileri

Diferentemente do que aconteceu com a comemoração a Nossa Senhora de Aparecida, a qual se moveu no calendário até estabelecer-se por força de lei, a data da festa das Meninas das Covinhas não sofre alterações, independente do dia da semana em que o 12 de outubro coincida cair. O sucesso da data da festa não se dá apenas pela exitosa escolha do dia, um feriado nacional, mas pelo cruzamento entre as disposições populares da piedade e o desenvolvimento de algumas estratégias eficazes de divulgação e adesão ao culto. Ambos os fatores contribuem decisivamente para a projeção da festa como referência no calendário da região onde o santuário está situado.

Ao longo do capítulo apresentei o fluxo e a dinâmica das atividades ordinárias nas Covinhas, as táticas de divulgação do culto, as formas de captação de recursos, os modos de organização dos romeiros, além das disposições que se ativam para motivar os sujeitos a participar da romaria ou para deslocar-se junto dela. Evidencio que tal como são múltiplos os sujeitos, são também diversos seus interesses e seus olhares sobre o santuário, as Meninas e a festa em si. Mas como explicar a constituição de um santuário popular que, com pouco mais de 20 anos, gozando apenas dos recursos que seus pobres59 romeiros oferecem sob a forma de esmolas e sem quaisquer apoios do poder público ou eclesiástico, conseguiu se projetar num cenário relativamente abrangente a partir da liderança e das estratégias de um camponês?

58 A exemplo do que acontece hoje em Patos, no Estado vizinho da Paraíba, onde o investimento público em associação com os interesses diocesanos transformou uma pequena devoção marginal em uma referência cultural. O caso da Cruz da Menina é excepcional nesse sentido. Construído em 1993 com recursos da prefeitura, atualmente o santuário conta com uma infra- estrutura grandiosa, com um parque coberto, sala de ex-votos, sala de velas, lanchonete, teatro de arena, loja de souvenires, um cruzeiro de 10 metros de altura, além de área de circulação com jardins. Afora a estrutura, o local costuma abrigar festas e eventos religiosos que atraem para o lugar milhares de pessoas. Sobre a emergência desse santuário ver Nóbrega (2000).

59 Alguns não são tão pobres. Embora a massa dos romeiros seja composta de pessoas de segmentos mais populares, há a presença ocasional de romeiros de classe média, em geral advindos de Fortaleza, Mossoró ou Natal.

Fernandes (1994) oferece uma pista interessante para pensar essa questão quando apresenta a noção de policentrismo, que para ele sintetiza o caráter segmentador do catolicismo brasileiro. A partir dessa idéia, Fernandes defende que o catolicismo brasileiro se projeta num movimento de regionalização dos seus santuários, os quais exercem inconteste influência em suas áreas de abrangência. Com esse argumento, se explicaria, por exemplo, como o “título de „Rainha do Brasil‟, que pertence a Nossa Senhora de Aparecida do Norte, é afirmado pelo clero e reconhecido pelo Estado, mas não tem penetração maior na consciência dos fiéis. O domínio de Aparecida é profundo apenas em sua própria região60” (FERNANDES R. C., 1994, p. 42).

Compartilhando essa perspectiva, é possível dizer que o dilema de Aparecida é a alternativa das Covinhas, ainda que o último não tenha envergadura nem mesmo interesse para disputar com o primeiro ou com outros grandes santuários mais próximos. Todavia, é pela lógica da regionalização que é possível encontrar uma das possibilidades explicativas para o que acontece em Rodolfo Fernandes, embora esse não seja um critério exclusivo de seu sucesso. Na abertura de Os cavaleiros do Bom Jesus essa segmentação está assim sistematizada:

O romeiro cumpre a devoção fazendo uma viagem, e, de romaria em romaria, os devotos desenham um círculo imaginário em torno de determinado santuário. Há círculos de alcance internacional, como os traçados pelos peregrinos que vão à Roma ou a Jerusalém, há os nacionais, como o de St. Patrick, na Irlanda, Czestochowa, na Polônia, ou de Guadalupe, no México; os regionais como o do Pe. Cícero, em Juazeiro, ou do Bom Jesus da Lapa, nas margens do São Francisco, e há uma infinidade de círculos locais, em torno ao santuário de uma vila, ou mesmo em capelas de beira de estrada. (FERNANDES R. C., 1982, p. 9)

A capilaridade desses santuários se processa em razão da centralidade que eles ocupam na vivência das práticas religiosas populares e de toda uma rede de relações sociais e sociabilidade que elas repercutem. O que acontece na preparação para a ida às Covinhas se replica em outras datas de um calendário de romarias e festas que articulam romeiros e outros interessados de modo a constituir uma espécie de circuito desses deslocamentos, naquilo que compõem o que DaMatta (1990, p. 39) chamou de

60 A realidade de Aparecida mudou razoavelmente desde a época em Fernandes proferiu sua conferência (1986), contudo, a meu ver, o núcleo da idéia que ele defende ainda permanece atual.

extraordinário construído pela e para a sociedade. Assim, comunidades e romeiros que vão a Rodolfo Fernandes, também costumam ir ao Santuário do Lima, em Patu – RN, no período da Festa dos Impossíveis, ou se organizam para participar das festas de padroeiros locais, sobretudo a partir da lógica de alguns votos domésticos, ou ainda se programam para as tradicionais romarias do Juazeiro e do Canindé61, em uma espécie de hadj62 nordestina.

Enquanto os demais santuários costumam contar com uma estrutura e articulação institucional, contando com mecanismos de divulgação e de participação tradicionais, as Covinhas inovam em suas formas de mobilizar e atrair, convencionando estratégias profusas ao mesmo tempo em que localizadas, mas que enfim suscitam um efeito desejado. Além disso, as atividades que se realizam no santuário são capazes de atrair um público diferenciado, o qual, a partir de demandas distintas, vê nas Covinhas um espaço interessante para se estar no dia 12 de outubro.

61 Juazeiro do Norte – CE e São Francisco do Canindé – CE.

62 O hadj consiste na peregrinação à cidade santa de Meca e sua obrigatoriedade é um princípio inscrito entre os deveres rituais dos mulçumanos. Todos os crentes que professam o islamismo são convocados a empreender pelo menos uma vez o hadj, mas só se forem capazes de arcar com a viagem e puderem garantir que a família estará provida durante sua ausência (COOGAN, 2007, p. 117)

5. EM DIAS DE FESTA: ETNOGRAFIA DOS USOS SOCIAIS DO