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değeri p değeri Sonuç** ∆ gsmh ∆enerjinin nedenidir

ENERJİ TÜKETİMİ EKONOMİK BÜYÜME İLİŞKİSİ

F- değeri p değeri Sonuç** ∆ gsmh ∆enerjinin nedenidir

Historicamente, medidas que visam a sanar as dificuldades de acesso ao crédito pela população de mais baixa renda se fortaleceram vinculadas à iniciativa privada e à prática do microcrédito – que consiste no financiamento de pessoas físicas e jurídicas empreendedoras de pequeno porte e distingue-se do crédito tradicional pela dispensa de garantias reais e pelo estabelecimento de prazos curtos para o pagamento, associado ao empréstimo de valores crescentes.

A experiência em microcrédito mais conhecida internacionalmente é a do Grameen Bank, fundado em Bangladesh, em 1976, pelo economista Muhammad Yunus, com o objetivo de fornecer empréstimos a pessoas carentes que, sem acesso aos bancos, recorriam à agiotagem e acabavam se endividando. O Grameen se desenvolveu fornecendo ferramentas autoassistência que permitiram que 12 milhões de pessoas saíssem da pobreza, o que rendeu ao seu fundador o prêmio Nobel da Paz em 2006, dando visibilidade ao microcrédito e consolidando-o como importante instrumento na luta contra a pobreza.170

       

cumprimento. Além disso, o Estado pode fomentar a transparência na atividade financeira, de modo a ampliar o diálogo e a confiança entre as instituições financeiras e a população em geral.

2. Medidas impostas aos bancos públicos e instituições especiais, como instrumento de planejamento econômico, nos termos do art. 174 da Constituição Federal. É o que se verifica, por exemplo, quando se determina que os bancos públicos prestem determinados serviços direta e especialmente à população excluída do sistema financeiro. Da mesma forma, ao realizar o pagamento de pensões e benefícios estatais diretamente em contas bancárias, o Estado é capaz de obrigar seus beneficiários a um contato mínimo com o sistema financeiro, combatendo a auto-exclusão.

3. Medidas direcionadas às organizações da sociedade civil e entidades sem fins lucrativos dispostas a prestar serviços financeiros à população de baixa renda excluída do mercado financeiro.

Com o objetivo de identificar medidas políticas que podem ser adotadas para lidar com a problemática da exclusão financeira, pode ser interessante que o Estado financie pesquisas e/ou promova debates públicos que permitam um mapeamento das suas causas e da sua extensão. Nesse sentido, é importante destacar a iniciativa do Banco Central do Brasil que, em 2009, lançou o seu “projeto estratégico Inclusão Financeira” (Feltrim et. al., 2009), com o objetivo de identificar os desafios e propostas para a inclusão financeira no país, aproximando atores envolvidos com as microfinanças a fim de viabilizar parcerias, pesquisas e projetos de políticas públicas. Assim, desde 2009 vem sendo promovidos fóruns anuais do Banco Central sobre o tema, com a publicação, a partir de 2010, de relatórios que objetivam traçar diagnósticos e metas, e criar parâmetros e indicadores que permitam a comparação e a avalição das políticas públicas (BCB, 2010; BCB, 2011).

170

Soares el. al. (2008, pp. 18-19). O Grameen concede empréstimos para a população que vive na extrema pobreza, estabelecendo critérios claros de qualificação para o recebimento de empréstimo. Concentra sua atuação junto às mulheres, que além de sofrerem mais com a exclusão financeira, investem mais fortemente no desenvolvimento de toda a família (http://bit.ly/10A3b5o [último acesso em 20.06.2013]). O microcrédito realizado pelo Grameen baseia-se em uma metodologia específica: os empréstimos são pequenos e as prestações devem ser pagas semanalmente, no prazo de até de um ano. Os funcionários do banco vão até as casas dos clientes para recolher as parcelas e, uma vez quitado o empréstimo, a pessoa pode se candidatar para receber outro. Não existem contratos legalmente vinculantes entre o banco e os seus clientes e nem são exigidas garantias. Antes, o pagamento dos empréstimos é estimulado pelo mecanismo do aval solidário: os tomadores de empréstimo são organizados em pequenos grupos de cinco pessoas e os empréstimos aos membros do grupo são

Inicialmente, o Grameen recebeu apoio financeiro do Banco Central de Bangladesh e de bancos comerciais estatais, o que permitiu a ampliação do projeto a diversos distritos. A partir de 1983, o Grameen tornou-se um banco independente, em virtude de uma lei aprovada pelo governo de Bangladesh. Desde 1995, deixou de receber recursos de organizações de ajuda multilaterais ou bilaterais e, hoje, os recursos do banco são obtidos comercialmente, junto ao Banco Central de Bangladesh, a instituições financeiras e ao mercado de valores.171 Atualmente, o Grameen alcançou um patamar de sustentabilidade financeira e cobra juros próximos aos juros de mercado.172

Trata-se de uma empresa cujos excedentes são revertidos para os próprios clientes, uma vez que cerca de 90% das ações do banco pertencem aos tomadores de crédito do Grameen – os 10% restantes pertencem ao governo de Bangladesh.173 Dados do ano de 2010 indicam que o Grameen atendia a 8,35 milhões de pessoas, em 81.379 aldeias, desembolsando uma média mensal de US$ 123,38 milhões.174

Com o sucesso do Grameen Bank, o microcrédito passou a ser mundialmente considerado um instrumento para enfrentar a exclusão financeira e a pobreza. Importante ressaltar outras experiências internacionais de microcrédito também paradigmáticas, como o Bank Rakyat Indonésia (BRI), banco estatal que presta serviços financeiros à população de baixa renda e o Banco Solidario S.A. (BancoSol),

       

condicionados aos pagamentos realizados pelos outros membros. A pressão social e o estímulo à solidariedade conduzem ao controle das taxas de inadimplência: com efeito, a taxa de inadimplência informada pelo Grameen Bank é menor do que 5% (http://bit.ly/10A3b5o [último acesso em 20.06.2013]). O microcrédito do Grameen é acompanhado de programas de estímulo à poupança, na busca pela criação de uma rede de proteção à população carente por ele atendida, em casos de necessidades urgentes decorrentes de eventos extraordinários. Além disso, o banco estimula seus clientes a empregarem os seus talentos e habilidades no desenvolvimento de atividades individuais geradoras de renda. Trabalha, ainda, para estimular o desenvolvimento social, ampliando a consciência social e política dos seus beneficiários e incentivando projetos de infraestrutura física e social – ligados à habitação, saneamento básico, água potável, planejamento familiar, educação, etc. Informações sobre o Grameen Bank podem ser encontradas no site oficial do banco e em Yunus (2008).

171

Ver http://bit.ly/10A3b5o [último acesso em 20.06.2013]. 172

Disponível em http://bit.ly/1awCgbT [último acesso em 20.06.2013]. A sustentabilidade do Grameen Bank, no entanto, já foi alvo de questionamento e polêmicas acerca dos seus impactos sociais vêem sendo suscitadas por alguns autores.

173

Disponível em http://bit.ly17pg5pq [último acesso em 20.06.2013]. Segundo Soares et. al. (2008, p. 19), “o conjunto de acionistas [do Grameen] já́ soma 3,8 milhões de pessoas, das quais 98% são mulheres”.É importante ressaltar que o microcrédito tem se revelado um instrumento eficaz para a libertação feminina em sociedades marcadas por desigualdades de gênero.

174

da Bolívia, o primeiro banco comercial focado exclusivamente em microcrédito, criado a partir de uma ONG.175

Os programas de microcrédito podem variar bastante conforme a metodologia empregada. Podem ser conduzidos, por exemplo, por ONGs, por ONGs em parcerias com bancos comerciais ou estatais, por cooperativas de crédito, ou por bancos especializados. Podem ainda focar um determinado público, como profissionais de uma determinada área ou em habitantes da zona rural. Podem, também, ter por finalidade financiar o consumo ou investimento em atividade produtiva.176

Hoje, no Brasil, o microcrédito pode ser ofertado por três tipos de instituições: (i) as instituições da sociedade civil, ou seja, pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, organizadas segundo as regras do Código Civil, e as OSCIPs, organizadas nos termos da Lei no 9.790/99; (ii) as cooperativas de crédito; (iii) o Poder Público, que atua diretamente no microcrédito, por meio de Bancos Públicos, e de maneira indireta, por meio da regulação das instituições financeiras privadas, da criação de políticas públicas e do estabelecimento de parcerias com entidades da sociedade civil; e (iv) a iniciativa privada, sobretudo por meio das Sociedades de Crédito ao Microempreendedor (SCM), criadas pela Lei no 10.194/01,177 atualmente denominadas Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte (SCMEPP).

Todas estas modalidades de microcrédito consistem em programas que visam à realização de empréstimos de pequena monta a pessoas de baixa renda, com o intuito de lhes garantir recursos que viabilizem a melhora na sua qualidade de vida. Os programas de microcrédito se baseiam na crença no potencial empreendedor das pessoas. Pressupõem que o acesso ao crédito proporciona a oportunidade de liberação da energia e da criatividade das pessoas, que investem as suas habilidades em atividades geradoras de recursos, criando, assim, as condições necessárias para a superação da pobreza.178

      

175

Barone et. al. (2002, p. 14). Para mais informações acerca do BancoSol, acesse http://bit.ly/19zzVyo [último acesso em 31.07.2013].

176

A classificação aqui proposta não pretende ser exaustiva, mas apenas evidenciar que a proposta de microcrédito do Grameen Bank é apenas uma das formas organizacionais possíveis para programas desse tipo. Com efeito, programas de microcrédito, assim como as microfinanças em geral, são bastante heterogêneos.

177

Barone et. al. (2002, pp. 23-25). 178

Nesse sentido, a posição institucional do Grameen Bank, segundo informações disponíveis em http://bit.ly/14kKu2e [último acesso em 20.06.2013].

Baseiam-se, além disso, na noção de que existe muita riqueza na base da pirâmide social: contrariando o pressuposto dominante de que “os pobres não têm dinheiro para gastar e, portanto, não são um mercado viável”, é possível encará-los como uma parcela significativa da humanidade, detentora de um grande poder de compra latente.179

Quadro 5 – Microfinanças e microcrédito

Extraído e adaptado de Soares et.al. (2008, p. 25)

O sucesso desses programas enquanto mecanismos de inclusão financeira, e consequentemente de promoção da cidadania, depende em grande medida do modo como esses programas são administrados, planejados, geridos e implementados, bem       

179

Prahalad (2010, pp. 49-67). No mesmo sentido, Soares et. al. (2008, p. 15): “a maioria dos pobres, geralmente excluídos do financiamento formal pode, de fato, representar um nicho de mercado rentável para serviços bancários, com benefícios para a sociedade”. Nesse sentido, o atendimento das necessidades das camadas de mais baixa renda da sociedade pode ser visto como uma oportunidade comercial. Com o desenvolvimento de modelos empresariais inovadores, indústrias, lojas e serviços podem se especializar em atender essa camada da população. É o caso emblemático, no Brasil, do sucesso de lojas como as Casas Bahia, cujos carnês de compra a crédito permitem que os clientes paguem pequenas e numerosas parcelas na compra de produtos como eletrodomésticos, além de empregar uma metodologia diferenciada no relacionamento com o cliente. Um estudo interessante a respeito do caso das Casas Bahia pode ser encontrado em Prahalad (2010). Por outro lado, autores como Yunus se colocam frontalmente contra a combinação entre exploração lucrativa, de um lado, e o objetivo do benefício social de erradicar da pobreza, de outro. Para o autor, mesmo que uma organização com perspectiva lucrativa tenha potencial para fazer o seu negócio crescer e se expandir mais rapidamente, em situações nas quais seja necessário equilibrar os lucros e os benefícios sociais, o lucro tenderá a prevalecer. Dessa forma, o autor propõe a criação de um novo tipo de empreendimento, voltado para a obtenção de benefícios sociais, mas sem finalidade lucrativa – os negócios sociais. Os negócios sociais diferenciar-se-iam, assim, das empresas, que tem finalidade lucrativa, e das ONGs, fundações e outras organizações não lucrativas existentes, as quais não conseguem alcançar sustentabilidade financeira por dependerem de doações e não realizarem negócios como a criação e venda de produtos e serviços. Para tanto, poderiam ser organizados de duas maneiras: como empresas que reinvestem a totalidade dos seus lucros na expansão e melhoria do negócio, ou como empresas com finalidade lucrativa, cujos lucros são revertidos em favor das pessoas pobres, seja em virtude de serem elas as proprietárias do negócio, seja por meio da destinação dos lucros a uma causa social predefinida. (Yunus, 2010, pp. 10-11 e 20).

1. Microcrédito produtivo orientado: crédito para micro e pequenas atividades produtivas com metodologia de agentes de crédito

2. Microcrédito: crédito para micro e pequenas atividades produtivas formais e informais

3. Microfinanças: serviços financeiros especializados para a população de baixa renda – poupança, crédito, seguro etc.

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como do tipo de apoio institucional que recebem.180 Nesse sentido, as normas estatais desempenham um papel fundamental, uma vez que são capazes tanto de fomentar quanto de reprimir este tipo de iniciativa.

O microcrédito é apenas uma modalidade de solução financeira inclusiva, que pode ser inserida no âmbito mais amplo das políticas de microfinanças. 181 Como ilustra o Quadro 5, as microfinanças são mais abrangentes e incluem todos os tipos de serviços financeiros prestados à população de baixa renda, desde as políticas de inclusão bancária e estímulo à poupança ao fornecimento crédito para consumo ou para investimento em atividade produtiva. Estima-se que cerca de 70 milhões de brasileiros com renda até três salários mínimos compõem o público-alvo das microfinanças no país.182