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Dırâr Mescidi’nin Yaktırılması

A- HZ PEYGAMBER’İN TEBÛK’TEN DÖNÜŞÜ SIRASINDA VUKU BULAN

1- Dırâr Mescidi’nin Yaktırılması

Pensar o desenvolvimento conduz a uma reflexão em torno da sustentabilidade, ainda mais se for considerada a atual condição de vida nos centros urbanos brasileiros, marcados pela degradação contínua do meio ambiente e pelo desequilíbrio ambiental. Em função do aumento da degradação ambiental, a busca pela sustentabilidade passou a guiar os posicionamentos em favor da proteção da natureza, existindo uma cobrança sobre o poder público em prol da preservação e conservação dos recursos naturais.

No Brasil, em razão do histórico dos comportamentos destoantes dessa proteção, que eram regra nas atividades de produção, foi necessário dotar a ordem legal com instrumentos que amparassem a busca pelo equilíbrio ecológico. A Constituição Federal de 1988 dedica o seu art. 225 à proteção do

meio ambiente, dispondo acerca da necessidade de se buscar o equilíbrio ambiental, tratado como direito de todos e bem de uso comum do povo. Trata- se de um direito fundamental, impondo-se ao poder público e à coletividade sua defesa e preservação. Assim, resta configurada a obrigação constitucional do Estado de exercer suas funções pautado na tutela ecológica.

O dever de buscar o equilíbrio ambiental vincula o poder público e retira a discricionariedade estatal em tal aspecto. O Estado deve, ainda, criar normas que visam à uniformidade de condutas em prol deste equilíbrio e da ampliação da proteção ao meio ambiente. Com isso, surgem leis no Brasil, dentre as quais se destacam a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/1981), a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), a Política Nacional de Saneamento Básico (Lei 11.445/2007) e a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) – que será estudada nesse trabalho –, dentre outras leis, buscando-se coibir comportamentos destoantes da busca pelo equilíbrio ambiental.

No entanto, a proteção legal destinada ao meio ambiente no Brasil originou-se de um debate internacional mais abrangente, o qual se deu em função de constantes abusos que, em prol do crescimento econômico das nações, causavam deteriorações desmedidas ao meio natural. Conforme Horacio Capel (2002), a intensificação da ação humana contribuiu para gerar graves problemas ambientais, os quais resultam de múltiplos processos de decisões individuais e de intervenções planificadas pelos poderes políticos.

Seguindo esse pensamento, percebe-se a existência de uma contradição entre a lógica do crescimento econômico desmedido e a manutenção do meio ambiente. Passou-se a ser necessário que a forma de desenvolvimento fosse mudada, em razão do que se propôs o conceito de desenvolvimento sustentável.

Para Nascimento (2012), a noção de sustentabilidade possui duas origens. A primeira se aproxima dos preceitos da Biologia, relacionada à Ecologia e à capacidade de resiliência dos ecossistemas; já a segunda, relaciona-se à Economia, objetivando o desenvolvimento em função da percepção da finitude dos recursos naturais frente ao padrão de produção e consumo em vigor.

Após o surgimento das discussões em torno da ideia de desenvolvimento sustentável, teóricos, empresários e ambientalistas perceberam a possibilidade de aliar os lados opostos em um só termo. Assim, o antagonismo entre crescimento econômico e meio ambiente seria minimizado.

Contudo, mais antiga do que os debates acerca do meio ambiente é a busca do capital pelo crescimento econômico. Este último foi perseguido a todo custo, principalmente em função da adoção do modo de produção capitalista, o qual, desde o início, não poupava esforços ao crescimento. Porém, aos poucos, percebeu-se que a busca desmedida pelo lucro traria problemas não somente relacionados aos aspectos sociais de desigualdade de renda, mas igualmente quanto à garantia do equilíbrio ambiental do planeta.

As primeiras preocupações evidenciaram-se na medida em que ocorria o aumento do ritmo da produção capitalista, já que os problemas ambientais se tornaram mais presentes na sociedade. As atividades industriais aumentaram o ritmo da produção e, consequentemente, a quantidade de insumos necessários para suprir as necessidades do capital, o que trouxe risco e até mesmo contaminações efetivas ao meio ambiente.

No século XX, as indústrias começam a se distribuir pelo globo, de maneira que os problemas ambientais das primeiras nações a se industrializar chegaram aos países tardiamente industrializados, disseminando-se os males trazidos pelo mau uso da tecnologia e produção desmedida (RIBEIRO, 2001).

Houve, então, a necessidade de equilibrar dois opostos: o crescimento econômico das nações e a preservação do meio ambiente. No início, as discussões ambientais ficavam restritas à academia, não havendo debate político forte. Nos anos de 1960, iniciaram-se movimentos de oposição a essas práticas degradantes do ambiente e, como os problemas ambientais passaram a ser significativos, o meio ambiente e a qualidade ambiental começaram a ser discutidos em nível mundial.

Inicialmente, a ideia que surge para o combate às práticas predatórias de produção é o Ecodesenvolvimento. Esse conceito, primeiramente relacionado à zona rural e, só depois, estendido para áreas urbanas, caracterizava-se pela definição de um novo estilo de vida que se baseava na

utilização criteriosa dos recursos locais, sem um comprometimento do meio natural. Nos anos de 1980, o autor Ignacy Sachs deu continuidade ao estudo desta ideia, propondo um quadro de estratégias para o alcance do ecodesenvolvimento, fundamentando o conceito em três aspectos: eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica (LAYRARGUES, 1997). Assim, tinha-se um comprometimento sincrônico (com a geração presente) e diacrônico (com as futuras gerações) que requeria, para sua operacionalização, o envolvimento da população e a compreensão da cultura e realidade local.

Ainda na década de 1980, destacam-se os trabalhos da Comissão Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, presidida pela primeira ministra da Noruega Gro Brundtland. O documento de destaque da comissão foi o relatório Nosso Futuro Comum (1987), produzido com o objetivo de fundamentar as discussões que ocorreriam na Eco 92 (BURSZTYN e BURSZTYN, 2006). É neste relatório que se encontra a definição de desenvolvimento sustentável, compreendido como aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as gerações futuras.

Em pouco tempo, o conceito ganhou visibilidade e seus desdobramentos foram além das esferas diplomática, acadêmica e do movimento ambientalista. A mídia ajudou na disseminação da ideia, que se tornou uma panaceia, como se, ao ser evocado, todos os males do mundo pudessem ser resolvidos (BURSZTYN e BURSZTYN, 2006).

De acordo com essas discussões, a tecnologia deveria ser gerida para a melhoria das condições do crescimento econômico (LAYRARGUES, 1997). Outro ponto essencial era a necessidade de redução e da erradicação das situações de pobreza, pois no mundo em que a pobreza é endêmica haveria permanente ameaça de catástrofes. O texto do relatório enfocou a relação próxima existente entre a pobreza e o meio ambiente, afirmando que essa é uma das principais causas e efeitos da problemática ambiental. Assim, o problema não seria o crescimento econômico, mas a ausência dele, devendo este manter-se no mesmo ritmo, com alterações no que tange à tecnologia utilizada para fomentar o crescimento.

Pelo exposto, pode-se perceber que ecodesenvolvimento e desenvolvimento sustentável são ideias próximas, visto que indicam a

necessidade de compatibilização dos componentes ambiental e econômico, mediados pela tecnologia. Porém, o diferencial entre ambos são as estratégias para o alcance da sociedade sustentável. Para os que apoiam o desenvolvimento sustentável, o foco não estaria na redução do consumo, mas na modificação deste. Conforme Layrargues (1997, p.6):

Enfim, enquanto o ecodesenvolvimento postula com relação à justiça social, que seria necessário estabelecer um teto de consumo, com um nivelamento médio entre o Primeiro e Terceiro Mundo, o desenvolvimento sustentável afirma que seria necessário estabelecer um piso de consumo, omitindo o peso da responsabilidade da poluição da riqueza.

Percebe-se, portanto, na ideia de desenvolvimento sustentável a manutenção dos interesses capitalistas sob uma perspectiva ecológica. Layrargues (1997) afirma que se trata de um projeto ecológico do neoliberalismo, permanecendo a busca pela reprodução como prioridade, mas agora sob uma nova roupagem. Nesse mesmo sentido, Bursztyn e Bursztyn (2006), ao demonstrar o contexto em que surgiu a ideia de desenvolvimento sustentável, afirmam que a maré neoliberal que se consolidava no Hemisfério Norte nos anos de 1980, e que se alastrava ao Sul, era favorável à divisão de tarefas entre entes governamentais e não governamentais, de forma que, era responsabilidade de todos o cuidado com o meio ambiente.

Nesse ponto cabe destacar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Esta recente e inovadora legislação brasileira, sob o fundamento da sustentabilidade, estabelece a responsabilidade compartilhada pela gestão dos resíduos urbanos, compreendida como o conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas que envolvem agentes diversos como fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, além dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos. A lei objetiva minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental (art. 3º, XVII, PNRS). Nesse viés, para Layrargues (1997, p. 7), “O problema é acreditar que a proposta do desenvolvimento sustentável pretende preservar o meio ambiente, quando na verdade preocupa-se tão somente em preservar a ideologia hegemônica”.

Ao refletir de acordo com essa perspectiva, percebe-se que a sustentabilidade pregada na letra da legislação ambiental brasileira, como a lei 12.305/2010 enfocada neste estudo, pode revelar sua face de sustentáculo do modo de produção capitalista, distanciando-se, a depender da forma como essa ideia é utilizada, do pensamento inicial referente ao ecodesenvolvimento. Dessa forma, as ações sustentáveis nem sempre se consubstanciam na busca pela preservação e conservação da natureza, mas na possibilidade de manutenção dos interesses capitalistas.

O exemplo do uso da sustentabilidade na temática dos resíduos é esclarecedor: diante do antigo problema da destinação incorreta dos resíduos, principalmente em lixões a céu aberto e, em contraponto à ideia da redução do consumo, surge o incentivo ao consumo sustentável, baseado no desenvolvimento de produtos verdes, que reduziriam o impacto ao meio ambiente. Tal exemplificação demonstra como a sustentabilidade manteve a reprodução do capital, de forma a introduzir novos produtos, por vezes mais caros, como forma de modificar o consumo já existente sem, contudo, reduzi- lo, visto que o consumo desses produtos e a prática da reciclagem são amplamente divulgados em detrimento das ideias de redução e de reutilização de materiais.

Nesse sentido, Veiga (2008) afirma que o adjetivo sustentável transformou-se em modismo, sendo utilizado sem considerar seu significado e as demais implicações dessa ideia. De certa forma, isso corrobora com o pensamento de Bursztyn e Bursztyn (2006), quando afirmam o distanciamento entre o discurso em favor da proteção ambiental e a manutenção de práticas de degradação. Conforme asseguram, “(...) em geral, discursos são expressões que se dão formalmente. Mas apenas manifestações discursivas não asseguram comprometimento efetivo com as ações” (BURSZTYN e BURSZTYN, 2006, p. 54). Para os autores, na sociedade atual, vigoram as leis e essas definem os comportamentos em detrimento da moral, de maneira que se cumpre o que está escrito e o que determina a letra fria de uma legislação.

De acordo com essa compreensão, é possível refletir que a lei, embora elaborada com fundamento em ideias como o desenvolvimento sustentável, pode ser utilizada como forma de legitimação de práticas e ideais

hegemônicos. É importante compreender que nem tudo que se transveste de ambiental carrega em si, de forma pura, a preocupação com o meio ambiente. Deve-se observar com bastante cautela os discursos que se camuflam de sustentáveis, buscando muito mais a reprodução do capital do que o bem estar ambiental.

Além dessa questão ambiental, em meio aos debates internacionais sobre o desenvolvimento sustentável, já em 1987 o relatório Nosso Futuro Comum havia afirmado que a pobreza era “uma das principais causas e um dos principais efeitos dos problemas ambientais no mundo” (ONU, 1991, p.4). A exemplo dessa constatação, em 2002, durante a Conferência de Johanesburgo, reafirmou-se que a problemática social se agravava, enfatizando-se a necessidade de erradicação da pobreza, juntamente com o trato das questões ambientais.

Dessa forma, viu-se a necessidade de adoção de duas condutas, a saber: a reversão de práticas incompatíveis com a preservação do meio ambiente e o apoio a iniciativas economicamente viáveis, socialmente justas e ecologicamente equilibradas (BURSZTYN e BURSZTYN, 2006). No mesmo sentido, Nascimento (2012) ressalta que nos debates internacionais acerca da sustentabilidade nasce uma noção de que o desenvolvimento possui, além da questão ambiental, um aspecto social, sendo a pobreza a geradora de danos ambientais, o que requer a adoção de ações em favor da equidade social.

No Brasil, o desafio de concretização da sustentabilidade continua presente. É perceptível o crescimento urbano insustentável em razão da ausência ou inadequação de políticas urbanas, o que possibilita a ocorrência de ocupações e de práticas informais. As cidades brasileiras ainda convivem com esgotos a céu aberto, lixões, falta de abastecimento de água e enchentes. As disparidades que caracterizam as cidades obrigam parte da população a buscar sua sobrevivência por meio de práticas clandestinas as quais, ao mesmo tempo em que podem causar prejuízos à saúde humana, são potenciais causadores de degradação ambiental. A construção da sustentabilidade no Brasil deve, portanto, contar com ações que minimizem as diferenças sociais que marcam a sociedade brasileira. Nesse sentido, para Jacobi (1999, p.42):

O desenvolvimento sustentável somente pode ser entendido como um processo onde, de um lado, as restrições mais relevantes estão relacionadas com a exploração dos recursos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e o marco institucional. De outro, o crescimento deve enfatizar os aspectos qualitativos, notadamente aqueles relacionados com a eqüidade, o uso de recursos- em particular da energia -, e a geração de resíduos e contaminantes. Além disso, a ênfase no desenvolvimento deve fixar-se na superação dos déficits sociais, nas necessidades básicas e na alteração de padrões de consumo, principalmente nos países desenvolvidos, para poder manter e aumentar os recursos base, sobretudo os agrícolas, energéticos, bióticos, minerais, ar e água.

Vislumbra-se, portanto, que a sustentabilidade não está pautada puramente em aspectos ambientais, mas em múltiplas dimensões apresentadas, conforme Sachs (2008, p. 85), no quadro que segue:

Quadro 2: Dimensões da sustentabilidade de acordo com Sachs

Dimensão Aspectos perquiridos

Social

- alcance de um patamar razoável de homogeneidade social; - distribuição de renda justa;

- emprego pleno e/ou autônomo com qualidade de vida decente; - igualdade no acesso aos recursos e serviços sociais.

Cultural

- equilíbrio entre respeito à tradição e inovação;

- capacidade de autonomia para elaboração de um projeto nacional integrado e endógeno;

- autoconfiança combinada com abertura para o mundo. Ecológica

- preservação do potencial do capital natureza na sua produção de recursos renováveis;

- limitação do uso dos recursos não renováveis

Ambiental - respeito e realce da capacidade de autodepuração dos ecossistemas naturais Territorial

- eliminação das inclinações urbanas nas alocações do investimento público; - melhoria do ambiente urbano;

- superação das disparidades inter-regionais;

- conservação da biodiversidade pelo ecodesenvolvimento Econômico

- desenvolvimento econômico intersetorial equilibrado; - segurança alimentar;

- capacidade de modernização contínua dos instrumentos de produção; - razoável nível de autonomia na pesquisa científica e tecnológica. Política

(nacional)

- democracia definida em termos de apropriação universal dos direitos humanos; - desenvolvimento da capacidade do Estado para implementar o projeto nacional, em parceria com todos os empreendedores;

- coesão social.

Política (internacional)

- eficácia do sistema de prevenção de guerras da ONU;

- um pacote Norte-Sul de co-desenvolvimento, baseado no princípio da igualdade;

- controle institucional efetivo do sistema internacional financeiro e de negócios; - controle institucional efetivo da aplicação do Princípio da Precaução na gestão do meio ambiente e dos recursos naturais; prevenção das mudanças globais negativas; proteção da diversidade biológica; e gestão do patrimônio global; - sistema efetivo de cooperação científica e tecnológica internacional.

Como se observa por meio da leitura do quadro, a percepção de Sachs traduz-se em uma ampliação da ideia do desenvolvimento sustentável, prevendo-se aspectos ambientais, ecológicos, sociais, políticos e culturais como conformadores do que se denomina sustentabilidade. Trata-se, conforme, Nascimento (2012), da percepção de que a sustentabilidade não deve ter apenas “três folhas”. Para Sachs (2008), o desenvolvimento sustentável deveria ser desdobrado em socialmente includente, ambientalmente sustentável e economicamente sustentado no tempo, visto que esses elementos são indissociáveis em sua conformação.

A seguir, serão estudados os enfoques acerca do desenvolvimento – utilizando-se as ideias de Sachs e Amartya Sen para a compreensão desse conceito que, juntamente com a sustentabilidade, compõe uma nova visão do desenvolvimento almejado.