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1. ÂLEVİ-BEKTAŞİ KÜLTÜRÜNDE İNANÇ VE GELENEKLER

1.5. Dört Kapı Kırk Makam

teórico, passaremos a levantar as questões mais detalhadamente do campo da educação especial contemporâneo, em que o discurso (psico)pedagógico ganha hegemonia (LAJONQUIÈRE, 1999), propondo uma reflexão a respeito dos impasses e entraves que podem se apresentar na escolarização especial, sobretudo das crianças e jovens aqui pensados.

3.1. A EDUCAÇÃO PASSA PARA A ALÇADA DA PEDAGOGIA, “CIÊNCIA DA EDUCAÇÃO”

Como o caminho até agora trilhado nos mostrou, a educação escolar, com a passagem do tempo e, principalmente, com o advento da ciência, passa a ser gerida pela pedagogia, passando, na Modernidade, a buscar consolidar-se como “Ciência da Educação”, ou como um conjunto de ciências para melhor criar, adaptar e sistematizar a aprendizagem, sempre na busca dos melhores métodos e técnicas. Aquilo que antes era transmitido pelas gerações sem

qualquer pretensão científica, passa a ser o “conteúdo” de extensos planejamentos escolares,

com previsões, estratégias, métodos e formas avaliativas, sempre em nome da ciência. Jerusalinsky, A. (1999c, p. 13-23), em um belo texto em que discorre sobre a transmissão na educação, conta-nos a respeito de um objeto com o qual se deparou no Museu do Louvre. Trata-se de um brinquedo etrusco datado de 2300 a.C., um porquinho. Tal

35“[...] não é possível confundir educação com pedagogia. A educação é um campo e a ciência pedagógica constitui um saber sobre esse campo” (HENNING, 2009, p. 61)

porquinho, com uma série de pequenas folhas que recobriam grande parte de seu corpo, chamava a atenção justamente por não representar uma tentativa fiel de reproduzir o animal em questão, ou seja, seu aspecto pouco lembrava um porquinho “de verdade”. O que o autor infere, a partir do aspecto pouco fiel desse porquinho, é justamente que a transmissão – muito além do ensino - parecia estar em primeiro plano ali, tanto para quem dava, tanto para quem recebia tal brinquedo. Com tal brinquedo, algo da ordem do “dom” estava em jogo, muito além daquilo da ordem do real. Ou seja, uma inscrição num tempo, numa cultura, numa filiação, era transmitida por esse brinquedo:

Com efeito, a principal conseqüência desse presente ter chegado às mãos dessa criança terá sido, seguramente, a de amarrá-la, enodá-la à rede de usos, costumes, leis e direitos, modos de gozar, limites e possibilidades, próprios do conjunto social simbolizado nessas pequenas folhas com seu arbitrário ponto central. (JERUSALINSKY, 1999, p. 16)

O que esse porquinho permite ao autor pensar é que o que se buscava ali, ao se dar um brinquedo como esse a uma criança, não era que ela pudesse apreender o real, ou seja, que aprendesse as características físicas do animal em questão, ou as relações lógicas dele possíveis de serem abstraídas. O que parecia estar em jogo era justamente o registro simbólico, a amarragem na cultura e a relação com o Outro que, por meio daquele pequeno objeto, se faziam representar. Estava em jogo, pois, o Saber (inconsciente, envolvendo a transmissão de símbolos da cultura) e não o Conhecimento (com pretensão deliberada de ensinar algo a alguém).

O autor parte dessas reflexões para, então, tecer importantes considerações a respeito da educação que hoje se tem como ideal, que é justamente a educação que inverte a equação ali inferida. Na contemporaneidade, está em jogo justamente a apreensão do real, em

operações pedagógicas que buscam anular o “dom” em nome da Ciência. Como ele mesmo afirma: “hoje em dia um método pedagógico é considerado bom simplesmente quando aponta na direção das relações lógicas do real” (op. cit., p. 17). Ou seja, a educação passa a ser

baseada no real, buscando-se omitir tudo aquilo que seria da ordem do dom, e os pais (e aqui podemos pensar também nos educadores) renunciam a falarem em nome próprio, sustentados

pelo desejo, sendo devastados “[...] pelo atropelo que este saber científico opera contra qualquer saber paterno”. (op. cit. p. 22).

A educação contemporânea, passando para a alçada da ciência, tem, portanto, o poder de destituir o saber paterno (aquele inconsciente, que vetoriza toda a constituição subjetiva, como abordado anteriormente), colocando em seu lugar o conhecimento das mais diversas

áreas, alicerçado não em marcas culturais, significações construídas pelo “conjunto social

simbolizado” (op. cit., p. 16), e sim no poder real do objeto, sendo o porquinho apenas um

porquinho, sem mais nem menos. E mais: sendo um porquinho substituído por outro, outro e mais outro, de preferência sem intervalo para qualquer demanda. Como afirma Cirino (2001, p. 42, 43,),

sabemos que uma das maneiras de se caracterizar a contemporaneidade, em termos socioeconômicos, é falar em um mundo globalizado, movido pela lógica do mercado e pela sociedade de consumo. Sumariamente, este último termo designa uma nova formação social que se solidificou no final do século XX, na qual a lógica dominante já não é mais determinada pela produção de objetos, serviços e bens materiais e culturais, mas por seu consumo acelerado. Em suma, o mercado é a lei dessa sociedade. (grifos do autor)

[...] os homens não se cercam prioritariamente de outros homens, mas sim de informações e bens (celulares, computadores, carros, objetos virtuais...), que se tornam rapidamente obsoletos. Promete-se que na relação com esses objetos de consumo, esses gadgets, produzidos graças ao discurso da ciência, o sujeito encontrará a satisfação. Além disso, dá-se a garantia de que se ela não for obtida,

teremos “nosso dinheiro de volta”. (grifos do autor)

E, dessa forma, a educação passa a ser regida pela ciência, passando de algo da ordem da transmissão ao acúmulo de informação, valendo-se da produção tecnológica e informatizada da vida social, sendo regulada pelo consumo. O acúmulo, nas escolas, passa a ser não só o de informações e dizeres da ciência, como também de tecnologias que minimizem ou neutralizem as variáveis das relações humanas, o que, por estrutura, é impossível.

Como afirma Voltolini36 (2008):

Como investir planejadamente numa criança, de modo a fazê-la "render" seu máximo, é o espírito da pedagogia contemporânea, seja aquela que alimenta os pais em suas dúvidas inseguras com os filhos, seja aquela que alimenta os professores em sua formação, já governada pelas ciências da educação. Como se sabe, a lei de diretrizes e bases da educação brasileira ressalta como principal objetivo educativo o

"desenvolvimento das potencialidades do aluno”.

36

VOLTOLINI, R. A escola e os profissionais d'A criança.. In: FORMACAO DE PROFISSIONAIS E A CRIANCA- SUJEITO, 7., 2008, São Paulo. Anais eletronicos. Disponível em:

<http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=MSC0000000032008000100012&lng=es&nrm=abn >. Acesso em: 01 Mai. 2009

3.2. A DUPLA ALIENAÇÃO: O CIENTISTA DA EDUCAÇÃO E O OBJETO A SER