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1.6. Araştırmanın Planı

2.1.2. Dönüşümsel Liderlik

2.1.2.3. Dönüşümsel Liderlik Ve Çok Faktörlü Liderlik Modeli

2.1.2.3.2. Dönüşümsel Liderlik ve Boyutları

Dando um salto no tempo, chega-se às últimas décadas do século XX e início do século XXI, quando a cidade de Belo Horizonte vem passando por uma expansão de suas fronteiras, constituindo uma Região Metropolitana expressiva geográfica, demográfica e economicamente. Esse processo de expansão tem sido conduzido pelos conceitos do planejamento estratégico, termo desenvolvido a partir das técnicas do planejamento empresarial, sistematizado pela Harvard Business School (ARANTES; VAINER; MARICATO, 2013). Neste tipo de planejamento, a cidade é considerada uma mercadoria, adentra um mercado global extremamente competitivo e é amparada por um marketing urbano que, antes de mais nada, gerencia a venda da cidade em função dos atributos mais valorizados pelo capital transnacional (ARANTES; VAINER; MARICATO, 2013).

É por esse motivo que os planos estratégicos são, geralmente, tão semelhantes quanto ao que propõem entre si. No fim das contas, buscam todos vender a mesma coisa – a cidade – aos mesmos vendedores – os capitalistas – com suas necessidades imutáveis – o lucro, a acumulação de capital. A cidade deve ser produtiva, competitiva, subordinar-se ao mercado: é a cidade-mercadoria que se torna cidade-empresa (ARANTES; VAINER; MARICATO, 2013).

Para competir, a cidade deve se utilizar de certos artifícios, sempre à guisa do que institui o

marketing urbano. Ela deve sempre estar se “modernizando”, termo que corresponde menos à

inovação social e mais à constituição de verdadeiras obras high tech que transpareçam uma atmosfera de vanguarda, de tecnologia de ponta, e possam ir gradativamente ofuscando as arquiteturas de outras localidades (ARANTES; VAINER; MARICATO, 2013). Esse empresariamento das cidades abarca a estratégia de instituição dessas parcerias público- privadas – como as que deram origem às obras belorizontinas anteriormente citadas – de modo a aumentar a competitividade destas no mercado, deixando à iniciativa privada a responsabilidade de inserir a mercadoria no eixo especulativo, jogando com ela ao seu bel prazer (BESSA, ÁLVARES, 2014).

Nas últimas décadas – após a Terceira Revolução Industrial, a internacionalização dos mercados, o desenvolvimento dos meios de transporte, de comunicação e da informática, gerando a diminuição das distâncias em todos os âmbitos –, os megaeventos tornaram-se um “símbolo máximo da expansão virtual do capital [e], quando momentaneamente

materializados e reterritorializados em algum local, assumem o papel de templo do consumo intangível de uma cultura cosmopolita” (BESSA, ÁLVARES, 2013, p. 19). Ou seja, as cidades passaram a ter sua estrutura e imagem urbanas constantemente criadas e recriadas para poder receber esses espetáculos que, embora efêmeros, são bastante lucrativos para as empresas, embora não o sejam necessariamente nem para os cofres públicos, nem para os interesses sociais, mitigados pelo jogo de interesses desbalanceado que se observa (BESSA, ÁLVARES, 2014).

Este é o contexto político-econômico em que a cidade de Belo Horizonte se encontra atualmente. A expansão para o Vetor Norte diz respeito a uma estratégia do município de se inserir no contexto de venda das cidades a nível global, especialmente com a recente figuração de Belo Horizonte entre as cidades-sede que alocaram jogos da Copa do Mundo da FIFA de 2014. Este diz respeito a um dos megaeventos da atualidade – tais como os Jogos Olímpicos de Verão, as Feiras Mundiais, entre outros – que, como afirmado anteriormente, mobilizam capital transnacional de fluxo rápido, sendo bastante almejados por diversos países que desejam sediá-lo.

Em conjunto com a captação de megaeventos, a construção de ícones arquitetônicos para a cidade consiste em outra estratégia no processo de empresariamento das cidades. Hazan (2003, p. 2) afirma que:

[...] os ícones da contemporaneidade são construídos a partir de uma concepção política, que visa atingir objetivos próprios da realidade em que estão inseridos. Eles não surgem por acaso, e sim para alterar os espaços, causar polêmica, valorizar a área em que se situam, dinamizar a cidade em que se encontram. Se, em outros momentos, eles possuíam um significado e uma aparência condizentes com a sociedade local, eles agora pertencem à sociedade global [...].

Assim, nos primeiros anos do século XXI, vêm sendo realizadas muitas obras, especialmente com investimentos de parcerias público-privadas, que envolvem não apenas Belo Horizonte, mas grande parte da Região Metropolitana. Entre estas obras, tem-se a Linha Verde, os edifícios da Cidade Administrativa Tancredo Neves, o Shopping Estação, entre outros empreendimentos (Figura 23).

A Linha Verde é um projeto lançado pelo Governo do Estado de Minas Gerais no dia 24 de maio de 2005, durante o governo de Aécio Neves. Considerado o maior conjunto de obras viárias realizado no estado nas últimas décadas, o projeto previu o desenvolvimento de

Figura 23: Localização das grandes obras no Vetor Norte de Belo Horizonte.

uma via de fluxo rápido, com 35,4 km (trinta e cinco quilômetros e quatrocentos metros) de extensão, ligando o Centro de Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves. O principal objetivo da obra consistiu de requalificar a área próxima à Rodoviária e ao Parque Municipal, bem como desafogar o trânsito ao longo da Avenida Cristiano Machado, um dos principais acessos às Regionais Nordeste, Venda Nova e Norte do município.

As obras foram feitas em três fases: a cobertura do Ribeirão Arrudas, entre alameda Ezequiel Dias e rua Rio de Janeiro, numa extensão de 1,4 km (um quilômetro e quatrocentos metros); a intervenção na avenida Cristiano Machado, entre o túnel Tancredo Neves e o término da rodovia MG-010, numa extensão de 12 km (doze quilômetros); e a duplicação e restauração da pista da rodovia MG-010 entre o viaduto sobre a avenida Pedro I (Belo Horizonte) e o acesso ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em extensão de 22 km (vinte e dois quilômetros). Os investimentos totais foram de R$ 483.000.000,00 (quatrocentos e oitenta e três milhões de reais) de recursos exclusivos do Tesouro Estadual (DEPARTAMENTO, 2016).

A Cidade Administrativa diz respeito a um projeto inaugurado em 4 de março de 2010 pelo Governo do Estado de Minas Gerais, durante o mandato de Aécio Neves, tendo sido encomendado por este ao arquiteto Oscar Niemeyer ainda no ano de 2003. O centro institucional conta com 265.000 m² (duzentos e sessenta e cinco mil metros quadrados) de área construída em um lote com dimensões superiores a 800.000 m² (oitocentos mil metros quadrados) de extensão, em local antes pertencente ao Jóquei Clube de Minas Gerais. O complexo é constituído pelo Palácio Tiradentes, pelos edifícios Minas e Gerais (que abrigam as Secretarias do Estado), por um centro de convivência, pelo Auditório Juscelino Kubitschek e demais instalações de apoio. Com custo estimado de R$ 1.200.000.000,00 (um bilhão e duzentos milhões de reais), a obra não apresenta apenas grandes números em suas cifras: com uma arquitetura monumental, o Palácio Tiradentes possui o título de maior prédio suspenso do mundo, com seu vão medindo 147,0 m (cento e quarenta e sete metros) de comprimento por 26,0 m (vinte e seis metros) de largura (MELENDEZ, 2016).

Enfim, o Shopping Estação é um projeto dos escritórios Ivan Rezende Arquitetura, Botti Rubin Arquitetos e Projeto Alpha Engenharia de Estruturas Ltda., consistindo de fruto de uma concessão da Companhia Brasileira de Transporte Urbano (CBTU) vencida pelas empresas BR Malls e Cyrela Commercial Properties (CCP). Inaugurado em 23 de maio de 2012, o

Shopping consiste em um complexo com duzentas opções de compras, lazer e serviços que se interliga à estação de metrô e terminal de ônibus Vilarinho. Apresenta uma área total de 36.000 m² (trinta e seis mil metros quadrados), com quatro pavimentos de shopping mais outros seis níveis para estacionamento (COMPLEXO, 2016).

São estes, assim, alguns dos projetos que irão compor essa nova configuração de uma Belo Horizonte conurbada com seus municípios vizinhos, e em cujos moldes não se pode mais pensar em uma expansão urbana municipal, porém metropolitana. E é nesse contexto que, novamente, a ideia de uma Catedral para a cidade de Belo Horizonte irá ressurgir, durante o atual Arcebispado de Dom Walmor. Será notável o fato de que algumas das premissas pensadas para a construção do projeto de Holzmeister irão se manter – como ecos de uma paisagem que se construiu in visu – enquanto algumas questões novas irão despontar, alinhadas com o desenvolvimento metropolitano da região mineira.