1.2. LĠDERLĠK YAKLAġIMLARI
1.2.1. Yakın Yüzyıldan Günümüze Liderlik YaklaĢımları
1.2.1.4. Modern YaklaĢım ( 1990 Günümüz )
1.2.1.4.2. DönüĢümsel (Transformasyonel) ya da DönüĢtürücü Liderlik
Os três elementos apresentados até aqui (religião, família e relações de gênero) são elementos importantes na formação do estilo de vida renovado. Nas discussões que serão apresentadas daqui em diante, eles aparecerão como fundantes daquilo chamarei de identidade renovada.
No que se refere ao gênero como elemento constituinte da identidade, Louro (2010) parte do conceito de que os sujeitos têm identidades plurais. E afirma que “identidades se transformam, que não são fixas ou permanentes; que podem, até mesmo, ser contraditórias” (LOURO, 2010, p. 24). Perceber gênero como elemento de formação do sujeito é “perceber o gênero fazendo parte do sujeito, constituindo-o” (LOURO, 2010, p. 25). Abordar a temática como um dos elementos constitutivos do estilo de vida renovado é trazer, para esta discussão, como estas representações de gênero, que estão baseadas nas experiências e práticas de mulheres e homens, se estabelecem na comunidade religiosa.
Há necessidade de identificação com o público alvo, tanto por parte da pastora, quanto do pastor da IPRA. O público deve perceber que há na liderança um comportamento semelhante ao dele, comportamento de alegria e satisfação, pois isso também é doutrinador. É como se esta fosse uma mensagem silenciosa, mas enfaticamente comunicada neste momento.
Como já foi dito, a presença feminina durante os cultos é marcante. Tanto na recepção dos visitantes, como na própria plateia. Ao ouvir os depoimentos de pessoas que iriam se batizar no telão, e depois em vídeos postados na internet, percebi não só a presença feminina, como a influência delas no processo de captação de novos membros. Dois dos depoimentos observados no telão e apresentados no dia do culto de batismo em que estava presente mostraram que os maridos foram levados para a igreja pelas suas esposas, durante uma crise no casamento. É o foco na reestruturação familiar.
E esta é uma tônica muito forte no discurso da pastora da Igreja. Em entrevista cedida a um programa de televisão local41, ela fala da sabedoria da mulher em “construir sua casa”, colocando nas mãos da própria mulher a responsabilidade de manutenção do casamento. Ela afirma falando diretamente a mulheres: “Busque em Deus o seu bem estar, você está completa, por que aí você vai fazer do seu casamento não uma rotina, mas uma novidade diária” (JOSEPETTI ANDRADE, 2010).
Stein42 (1999, p. 57) afirma que “o corpo e a alma da mulher foram formados para uma finalidade específica [...]. Cuidar, velar, conservar, alimentar e promover o crescimento; esse é seu desejo natural, genuinamente maternal”. É esta a concepção de mulher presente na IPR e, em específico, no desenvolver das atividades da pastora. Ainda Stein (1999, p. 58) diz
41 Entrevista já citada no Capítulo 3.
42 Edith Stein, com formação em filosofia, foi assistente de Husserl, converteu-se ao cristianismo, tornou-se irmã
que “esta predisposição maternal se junta a de companheira. Seu dom e sua felicidade consistem em dividir a vida com outra pessoa”. O que referenda a fala de Áquila ao afirmar que se “ensina respeito”.
A presença nos cultos como auxiliar revela este lado “genuinamente maternal”. A atitude de companheira presente que está sempre disposta a servir seu marido. Como mulher, “serve por amor a ele, e assim é adequado que ela o faça sob a orientação dele” (STEIN, 1999, p. 58). A justificativa de Stein é de que a mulher tem uma natureza, uma vocação natural. Esta posição é assumida para justificar as chamadas profissões femininas.
O interessante é notar que, mesmo sendo a teoria defendida por Stein de base católica romana, e enquanto reflexão acadêmica desconhecida nas igrejas pentecostais, o exercício de sua prática é marcante nestas comunidades. Surge com Stein a concepção de um
ethos profissional feminino, pois cabem à mulher devido a sua natureza, as profissões do
cuidado. Na Igreja Presbiteriana Renovada de Aracaju a responsabilidade de coordenar o ensino é da pastora. Ela é a coordenadora dos cursos oferecidos pela igreja aos seus membros e simpatizantes (membros em potencial). Há pelo menos três cursos: o de Verdades Bíblicas, feito para iniciantes, que pretendem assumir um compromisso maior com a igreja e o curso
Agora sou Membro, para os que já passaram pelo curso básico, já se batizaram e necessitam
de uma maior compreensão da rotina da igreja. E os grupos de comunhão, estudos bíblicos regulares focados em interesses específicos: casais com e sem filhos, jovens e pessoas que querem se tornar líderes. Estes cursos são para aqueles que já passaram pelas etapas anteriores, e agora estudam a Bíblia para manutenção de sua fé e de vínculos afetivos com a comunidade religiosa. Estes cursos têm duração média de 5 meses e são ofertados uma vez por semana, em turmas variadas.
As chamadas em vídeo para a participação nos cursos, a fala da pastora durante os cultos, a indicação de que as pessoas devem procurá-la para ter maiores informações, revelam a vocação feminina para a educação. Mendonça (1995, p. 100), referindo-se à educação protestante, afirma que “o primeiro aspecto interessante dessa educação protestante é o caráter feminino. Os historiadores [...] registram a chegada anual de várias missionárias educadoras”. E fala do “aspecto naturalmente maternal desse magistério feminino”. As igrejas evangélicas mantêm esta concepção de que a educação dos filhos é de responsabilidade da mulher.
Além da educação há um discurso direcionado para a mulher como a cuidadora do lar. Não só no sentido de alguém que zela por uma organização doméstica, que inclui a limpeza da casa, o controle dos horários, da educação dos filhos, mas também da manutenção do vinculo matrimonial. Em entrevista já citada, a pastora, que também é identificada como
conferencista para casais, afirma a necessidade de a mulher manter sua autoestima elevada
para garantir a estabilidade do seu casamento.
Durante um dos cultos que assisti a pastora se aproximou do seu marido para arrumar a sua roupa (gravata). Confirmando, com sua ação, o que havia afirmado na entrevista dada a um programa local de televisão (entrevista citada anteriormente); que há uma necessidade da mulher cuidar da sua casa, o que a faz sábia; e cuidar da aparência do marido faz parte desta sabedoria. Foi uma manifestação de carinho e cuidado com o esposo em público, o que revela a “sabedoria da mulher”. Este modelo construído de mulher líder (ideia de chefia) passa a ser observado pela comunidade e, de alguma forma, é reproduzido por outras mulheres (SCOTT, p. 2002).
Rocha (2007, p. 61-62), ao se referir sobre a condição de mulher de pastor, diz: “as mulheres que não trabalham fora da igreja, mas que se dedicam exclusivamente ao
ministério integral juntamente com seus maridos, afirmam que o papel da mulher foi claramente instituído por Deus”.
Mesmo que a pastora da comunidade estudada tenha funções próprias dentro do ordenamento religioso da igreja, com atividades bem definidas, ela ainda é citada como
esposa do pastor, o que a coloca numa condição de ser “construída pelo e para o outro”
(ROCHA, 2007, p. 67). Isto significa que sua identidade enquanto mulher está condicionada a sua condição de esposa. As atividades desenvolvidas na comunidade são identificadas como da esposa do pastor. O modelo que ela representa é o modelo hegemônico da dominação masculina. Mas também de um lugar que se ocupa. Pois, ao lado do pastor, é ela que se faz presente, é ela que auxilia, cuida e possibilita que tudo esteja a contento para o seu sucesso; demarca seu espaço e sua função.
Deste modo, o papel é o de resistência e, seu lugar, ao lado do esposo, mantendo as estruturas de poder. Já o homem, na IPRA, mantém seu lugar de dominação e de agente perpetuador de uma estrutura eclesiástica e familiar que o põe (ou o mantém) no lugar central.
Perguntado sobre a questão da submissão da mulher, o Pastor da IPRA afirmou:
Um princípio cristão que é bíblico e que Paulo [referindo-se ao apóstolo em uma das suas cartas que se encontra no texto bíblico] coloca e que está associado ao princípio do amor. O homem é o cabeça[...] Essa submissão acontece naturalmente e é conhecimento. Quando o homem aprende a amar, ele também a respeita e ela se sente tão respeitada que não vê nenhuma dificuldade de ser submissa a este homem que a ama. [...] Quem ama não vai colocar jugo. A autoridade e o cabeça é o marido. Ele é o sacerdote de sua casa. Um sacerdote sábio jamais toma uma atitude de desrespeito. [...] Mas até a mulher se não tiver um homem ao lado que seja o seu cabeça, ela vai ser prejudicada. Ela precisa de alguém ao lado para ter voz de comando. (ANDRADE, 2012).
Fundamentados numa leitura bíblica direcionada, o discurso é que estes lugares são determinados pelo Deus que naturaliza as relações. O quê justifica, para os seguidores do pentecostalismo (o qual a IPRA se enquadra), que este modelo vai ser o norte para o
estabelecimento de um projeto ético-político, a ser discutido e apresentado no capítulo seguinte.