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Cumhurbaşkanlığı Kararnamesinin Denetimi

2.4. YÜRÜTME, CUMHURBAŞKANI VE CUMHURBAŞKANLIĞ

2.4.4. Cumhurbaşkanlığı Kararnamesinin Denetimi

As tabelas completas, das variáveis quali e quantitativas, geradas na análise univariada para a investigação dos fatores de risco associados com a ocorrência de diarreia são apresentadas nos Apêndices N e O. Abaixo são mostradas apenas as variáveis selecionadas a 20% de significância, e que, portanto, foram consideradas para a realização da análise multivariada.

Tabela 5.37 – Variáveis qualitativas selecionadas na análise univariada para a ocorrência de

diarreia

Variável S( ) p-valor Exp( )

Abastecimento de água Tipo de abastecimento de água Intercepto -4,541 0,148 0,00 - Sem cisterna 0,355 0,192 0,06 1,43 Estrutura Familiar Tempo que o pai passa

fora de casa

Intercepto -4,703 0,187 0,00 -

De 1 a 12 meses 0,447 0,214 0,04 1,56

Quem passou maior tempo cuidando da criança no último ano

Intercepto -4,260 0,094 0,00 -

Outra pessoa -1,118 0,453 0,01 0,33

Hábitos higiênicos Frequência de banho das

crianças

Intercepto -4,283 0,099 0,00 -

Uma vez ao dia -0,570 0,328 0,08 0,57

Como é feita a higienização dos alimentos antes de

consumir

Intercepto -4,263 0,223 0,00 -

Lavados com água sem

tratamento -0,016 0,252 0,95 0,98

Lavados e desinfetados com

água sanitária ou vinagre -0,405 0,334 0,23* 0,67

Características socioeconômicas Material de cobertura da

casa

Intercepto -4,242 0,108 0,00 -

Telha de barro (antiga) -0,341 0,214 0,11 0,71

Material do piso da casa Intercepto -4,397 0,103 0,00 -

Terra batida 0,332 0,243 0,17 1,39

A família recebe algum auxílio do governo

Intercepto -4,471 0,119 0,00 -

Não 0,397 0,197 0,04 1,49

Renda familiar total

Intercepto -3,689 0,257 0,00 -

101 a 500 reais -0,724 0,284 0,01 0,48

Acima de 500 reais -0,742 0,314 0,02 0,48

Esgotamento sanitário Destino das fezes e da

urina do banheiro

Intercepto -4,419 0,117 0,00 -

Terreno/rio próximo a casa 0,248 0,202 0,22* 1,28

Destino da água do banho

Intercepto -3,887 0,225 0,00 -

Terreno/rio próximo a casa -0,530 0,247 0,03 0,59

Tem rio ou córrego perto da casa e as crianças tem contato

com a água

Intercepto -4,682 0,160 0,00 -

Sim e as crianças tem contato

com a água 0,635 0,220 0,00 1,89

Sim, mas as crianças não tem

contato com a água 0,451 0,223 0,04 1,57

Resíduos sólidos e vetores São observados

mosquitos/moscas na casa durante o ano

Intercepto -4,290 0,095 0,00 -

Não -0,859 0,467 0,07 0,42

* Apesar da ausência de significância de acordo com critério adotado, considerando a proximidade dos p-valores obseravdos e a importância para o desfecho analisado, essas variáveis foram incluídas no modelo multivariado.

Tabela 5.38 – Variáveis quantitativas selecionadas na análise univariada para a ocorrência

de diarreia

Variáveis quantitativas S( ) p-valor Exp( )

Idade das crianças (meses)

Intercepto -3,538 0,154 0,00 -

-0,035 0,006 0,00 0,97

Idade das mães (anos) Intercepto -3,531 0,363 0,00 -

-0,028 0,013 0,03 0,97

Nota-se que a variável “A criança teve Giardia em alguma das três etapas?” não foi selecionada na análise univariada (exp(β)= 1,14; p= 0,57) indicando, portanto, para a amostra analisada, a ausência de associação significativa entre o número médio de dias de diarreia e a infecção pelo protozoário. Outros pesquisadores também verificaram que, muitas vezes, em situações de diarreia, a Giardia não foi o principal agente etiológico responsável. Fraser et al. (1998) constataram, por exemplo, maior ocorrência de G. lambliaem amostras coprológicas não-diarreicas do que nas diarreicas e por isso, questionaram a importância etiológica desse protozoário, em áreas onde a diarreia é endêmica. Em alguns países desenvolvidos também foram observadas elevadas prevalências de giardíase para crianças que frequentam creches, embora a incidência de diarreia dentre elas fosse baixa (PICKERING et al., 1984 apud PRADO et al., 2003).

As variáveis selecionadas no modelo final para a ocorrência de diarreia podem ser visualizadas na Tabela 5.39.

Tabela 5.39 – Modelo final para a análise da ocorrência de diarreia

S( ) p-valor Exp( ) IC

Intercepto -3,702 0,327 < 2e-16 0,02 0,01 - 0,05

Tipo de abastecimento

Com cisterna - - - - -

Sem cisterna 0,368 0,177 0,038 1,45 1,02 - 2,05

Tempo que o pai passa fora de casa

Nenhum mês - - - - -

De 1 a 12 meses 0,468 0,205 0,023 1,60 1,07 - 2,38

A família recebe algum auxílio do governo

Sim - - - - -

Não 0,387 0,182 0,034 1,47 1,03 - 2,10

Renda familiar total

0 a 100 reais - - - - -

De 101 a 500 reais -0,752 0,250 0,003 0,47 0,29 - 0,77

Acima de 500 reais -0,610 0,286 0,033 0,54 0,31 - 0,95

São observados mosquitos/moscas na casa durante o ano

Sim - - - - -

Não -1,164 0,474 0,014 0,31 0,12 - 0,79

Assim como reportado por Marcynuk et al. (2009) e Luna et al. (2011), no presente estudo a presença das cisternas para armazenamento da água de chuva também mostrou efeito protetor em relação à ocorrência de diarreia. Foi estatisticamente comprovado, a 4% de significância, que a ausência das cisternas aumentou em 45% a média de dias de diarreia nas crianças.

Mais uma vez, outra hipótese anteriormente levantada para esse trabalho foi confirmada e provavelmente isso está relacionado ao fato de as cisternas proporcionarem mais fácil acesso a 16 mil litros de água, o que permite a manutenção de hábitos higiênicos mais adequados, além de reduzir o desgaste físico necessário quando a fonte de água está afastada de casa. Possivelmente, os benefícios observados estão mais relacionados com a quantidade de água do que com a sua qualidade, pois, como mostrado na Seção 5.2 desta pesquisa, não foram verificadas diferenças significativas ao comparar a qualidade da água consumida por famílias que têm acesso às cisternas com a daquelas que dependem de outras fontes. Em um trabalho de revisão, abrangendo 67 estudos em 28 países, Esrey, Feachem e Hughes (1985) também concluem que, nos países pobres – com condições de abastecimento de água e esgotamento sanitário inadequadas –, a quantidade de água disponível e a destinação correta dos esgotos sanitários têm mais impacto sobre a diarreia endêmica, do que a qualidade da água acessível.

No entanto, vale comentar interessante ocorrido durante a seleção das variáveis para o modelo final. A variável “Tem rio ou córrego perto da casa e as crianças tem contato com a água” apresentou forte colinearidade com a questão-chave do estudo que é o “Tipo principal de abastecimento de água”. Isso porque, mantendo a primeira variável no estudo, o p-valor para cada uma das categorias de resposta (“Sim e as crianças tem contato com a água” ou “Sim, mas as crianças não tem contato com a água”) foi inferior (0,056 e 0,112, respectivamente) ao p-valor para a categoria “Sem cisterna” da outra variável (0,218). Mas, ao descartar a questão relacionada ao rio31, o p-valor para o Grupo 2 cai abruptamente para 0,038, como mostrado na Tabela 5.39. Provavelmente, isso ocorreu pois a maioria (77%) das famílias do Grupo 2 tinha acesso a algum curso d’água perto de suas casas, enquanto a maioria das famílias do Grupo 1 (54%) não usufruía dessa comodidade. Afinal, o principal critério para receber a cisterna é não ter fonte de água potável nas proximidades da casa. Essa pergunta, contudo, ficou muito vaga pois não definiu o critério de “proximidade”.

Outras variáveis também foram independentemente associadas com a ocorrência de diarreia, como por exemplo, aquelas relacionadas à situação econômica da família. Foi confirmado um

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No modelo multivariado o descarte sucessivo das variáveis (backward) é realizado até que todas as variáveis apresentem o nível de significância considerado (5%, no caso).

aumento de 47% no número médio de dias de diarreia vivenciados pelas crianças, para as famílias que não recebem auxílio do Governo (na maioria das vezes o “Bolsa Família”). Além disso, com o aumento da renda familiar total, foram verificados decréscimos de 46 a 53% na resposta investigada. Supõe-se que um padrão de vida mais elevado favorece melhores condições higiênicas e também permite, por exemplo, o consumo de maior variedade de alimentos, que mantém as crianças com condições nutricionais adequadas. O acesso aos serviços de saúde e medicamentos também é facilitado.

Na região estudada é frequente os “homens da casa” permanecerem longos períodos afastados para trabalhar nas colheitas de cana e café, em outros estados. Muitas vezes, é com a renda adquirida nesse época que suas famílias são sustentadas ao longo de todo o ano. Foram detectados acréscimos de 60% na média de dias de diarreia para as crianças cujos pais passam de um a 12 meses fora de casa, o que reflete a importância do cuidado parental para a redução dos riscos à saúde da criança.

A redução de 69% na média de dias de diarreia para as casas onde os mosquitos ou moscas não são frequentemente observados pode ser explicada pelas menores chances de contaminação dos alimentos por agentes patogênicos carreados por esses vetores. Nesses casos, provavelmente, a redução observada se aplica para episódios de diarreia advindos de infecções alimentares. Chavasse et al. (1999) verificaram uma redução de 23% (95% IC: 11- 33; p= 0,007) na incidência de diarreia em vilas paquistanesas onde inseticidas foram aplicados.

Por último, também foi constatado que para cada um mês de acréscimo na idade das crianças ocorreu uma redução de 3% na resposta em análise. Pesquisadores comprovaram que crianças menores de dois anos são mais acometidas por diarreia devido à imaturidade do sistema imunológico (CORREIA; McAULIFFE, 1999; QUEIROZ et al., 2009). Exceção pode ser verificada para aquelas que estão sob aleitamento materno exclusivo, por contarem com a imunidade passiva e, além disso, por estarem menos propícias às infecções por patógenos pela via oral.