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BULGULAR, TARTIŞMA VE SONUÇ HAREKETLERİNİN YER ALDIĞI TEZ SAYIS

Analisa-se, agora, como variações na temperatura afetam o consumo

residencial de energia elétrica. Na Tabela 13 e na Figura 9, mostram-se os

parâmetros estimados da equação (26). Os coeficientes das variáveis TMEAN

j

indicam o impacto estimado de um mês adicional com temperaturas medias na faixa j

sobre o consumo residencial anual per capita de energia elétrica, relativo ao

consumo de um mês com temperaturas na faixa 21-24ºC.

Tabela 13 – Coeficientes estimados para o impacto da temperatura sobre o consumo

per capita de energia elétrica no setor residencial

Variável Coeficiente estimado t

TMEAN

1

-20,492 -3,08***

TMEAN

2

-7,804 -1,46

TMEAN

3

0,357

0,11

TMEAN

5

4,965

2,95***

TMEAN

6

5,300

2,41**

PIB

6,372

3,42***

Constante 282,715 11,42***

R

2

within = 0,880

R

2

between = 0,000

R

2

overall = 0,199

F = 100,760***

Fonte: Resultado da pesquisa.

Notas: Para resultados mais detalhados, ver o Apêndice A.

TMEAN

1

= número de meses, por ano, com temperatura média abaixo de 15ºC.

TMEAN

2

= número de meses, por ano, com temperatura média entre 15 e 18ºC.

TMEAN

3

= número de meses, por ano, com temperatura média entre 18 e 21ºC.

TMEAN

5

= número de meses, por ano, com temperatura média entre 24 e 27ºC.

TMEAN

6

= número de meses, por ano, com temperatura média acima de 27ºC.

Inicialmente, cumpre destacar que, mantendo-se as demais variáveis

constantes, o aumento do PIB anual per capita em R$ 1.000,00 eleva o consumo

residencial anual per capita de energia elétrica em 6,4 kWh, em média. A

elasticidade-renda é igual a 0,107, indicando que um aumento de 10% no PIB per

capita provoca um aumento de 1,07% no consumo.

-40

-30

-20

-10

0

10

20

<15

15-18

18-21

21-24

24-27

>27

Temperatura (ºC)

kW

h

Consumo per capita

-2 EP

+2 EP

Figura 9 – Coeficientes estimados para o impacto da temperatura sobre o consumo

per capita de energia elétrica no setor residencial

Fonte: Resultado da pesquisa.

Nota: EP é erro-padrão.

A Figura 9 mostra que a relação entre temperatura e consumo de energia

elétrica no Brasil é positiva e quase linear, tal que baixas temperaturas reduzem o

consumo e altas temperaturas o elevam. Assim, no Brasil não ocorre o mesmo que

em países que experimentam temperaturas mais frias no inverno, como os Estados

Unidos. Deschênes e Greenstone (2007), por exemplo, encontraram uma relação em

forma de U para os Estados Unidos, de modo que o consumo de energia aumenta

tanto em dias muito frios quanto naqueles mais quentes. Oliveira, Silveira e Braga

(2000), ao analisarem a sazonalidade do consumo de energia elétrica no Brasil para o

período 1976-1997, encontraram que o setor residencial apresenta maiores consumos

no verão e menores no inverno, corroborando que a relação entre consumo e

temperatura é relativamente linear.

Os resultados indicam que um mês com a temperatura média abaixo de 15ºC

provoca, em média, uma redução no consumo residencial anual per capita de energia

elétrica de 20,5 kWh. No outro extremo, um mês com a temperatura média acima de

27ºC eleva o consumo em 5,3 kWh (aumento de 1,4% em relação consumo

residencial anual per capita médio do período 1985-2002, que é de 376,6 kWh).

Como a relação entre temperatura e consumo de energia é relativamente

linear e os Modelos de Circulação Geral prevêem uma redução na frequência de

meses frios e um aumento concomitante na de meses quentes, a tendência será haver

um aumento do consumo em todo o território brasileiro. A Tabela 14 mostra, por

Unidade da Federação, qual será o impacto estimado das mudanças climáticas sobre

o consumo residencial anual per capita de energia elétrica nos períodos 2010-2039,

2040-2069 e 2070-2099.

Tabela 14 – Estimativa do impacto das mudanças climáticas sobre o consumo

residencial anual per capita de energia elétrica, segundo as Unidades

da Federação (variação percentual em relação ao consumo anual per

capita médio do período 1985-2002)

2010-2039 2040-2069 2070-2099

UF

A1B A2 A1B A2 A1B A2

Rondônia

1,0 1,0 1,4 1,4 1,4 1,4

Acre

1,1 1,1 1,7 1,7 1,7 1,7

Amazonas

1,3 1,3 1,3 1,3 1,3 1,3

Roraima

0,8 0,8 1,1 1,1 1,1 1,1

Pará

0,9 0,7 1,4 1,4 1,4 1,4

Amapá

0,1 0,1 0,8 0,8 0,8 0,8

Maranhão

1,8 1,8 1,8 1,8 1,8 1,8

Piauí

1,5 1,5 1,5 1,5 1,5 1,5

Ceará

0,4 0,4 1,3 1,3 1,3 1,3

Rio Grande do Norte 0,5 0,5 1,0 1,0 1,0 1,0

Paraíba

9,3 9,3 9,9 9,9 10,3 10,7

Pernambuco

6,7 6,7 7,0 7,0 7,3 7,6

Alagoas

5,6 5,6 5,9 5,9 6,3 6,5

Sergipe

2,5 2,5 5,1 5,1 5,2 5,4

Bahia

2,8 2,8 9,0 9,0 9,7 9,9

Minas Gerais

2,9 2,9 5,6 5,6 7,3 9,1

Espírito Santo -0,1 -0,1 1,5 1,5 3,0 6,0

Rio de Janeiro

-0,1

-0,1

1,4

1,4

2,3

2,4

São Paulo

0,8 0,8 3,2 3,2 3,2 4,1

Paraná

4,4 4,5 12,2 12,2 18,0 18,0

Santa Catarina 3,0 3,1 6,0 6,0 15,4 16,6

Rio Grande do Sul

3,1

3,1

10,3

8,4

15,5

15,5

Mato Grosso do Sul

3,0

3,0

4,4

4,4

7,1

7,1

Mato Grosso

3,7 3,6 3,9 3,9 4,0 4,0

Goiás

1,9 1,9 2,7 2,7 2,9 2,9

Distrito Federal 3,5 3,5 7,1 7,1 8,1 10,1

Brasil

1,8 1,8 4,6 4,4 6,0 6,6

Fonte: Resultado da pesquisa.

No período 2010-2039, prevê-se que os estados da Paraíba, Pernambuco e

Alagoas apresentarão o maior crescimento anual do consumo residencial per capita

de energia elétrica: 9,3%, 6,7% e 5,6%, respectivamente. Isso ocorre porque os

Modelos de Circulação Geral projetam uma redução no número de meses com

temperaturas médias na faixa 21-24ºC e um aumento no número daqueles com

temperaturas acima de 27ºC para estes estados. Espírito Santo e Rio de Janeiro se

depararão com uma pequena queda anual de 0,1% no consumo, por conta da redução

do número de meses com temperaturas na faixa 18-21ºC.

No período 2040-2069, Paraná e Rio Grande do Sul enfrentarão o maior

aumento anual do consumo de energia por causa do aquecimento global (12,2% e

10,3%, respectivamente, pelo cenário A1B). Isso se deve principalmente à redução

no número de meses mais frios, ao mesmo tempo em que haverá um aumento na

frequência de meses com temperaturas médias na faixa 24-27ºC. Além desses dois

estados, Bahia e Distrito Federal apresentarão um aumento considerável no consumo

em relação ao do período 2010-2039.

Entre 2070-2099, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentarão as

maiores variações anuais no consumo residencial per capita de energia elétrica:

18,0%, 16,6% e 15,5%, respectivamente, pelo cenário A2. Isso se deve à

intensificação da substituição do número meses com temperaturas baixas por meses

mais quentes. Para os estados do Norte, o aumento do consumo de energia será

pouco expressivo. Isso ocorre porque eles observação uma substituição de meses

com temperaturas entre 24-27ºC por meses com temperaturas acima de 27ºC, ou seja,

na parte mais plana da curva de impulso-resposta.

O consumo residencial per capita de energia elétrica no Brasil como um todo

deve crescer cerca de 1,8% ao ano entre 2010-2039, entre 4,4 e 4,6% no período

2040-2069 e de 6 a 6,6% entre 2070 e 2099. Esse aumento, cumpre enfatizar, se deve

apenas às variações no clima. Novamente, os impactos são maiores no cenário A1B

para os períodos 2010-2039 e 2040-2069 e no cenário A2 para o período 2070-2099.

Ressalta-se que estas previsões podem estar superestimando o consumo futuro, pois

não levam em considerações alterações que possivelmente ocorrerão, como a

construção de casas mais eficientes em consumo de energia ou o surgimento de

novas tecnologias de arrefecimento que consomem menos energia por unidade de

tempo.

Portanto, confirma-se a hipótese de que as mudanças climáticas afetarão o

consumo residencial de energia elétrica e a previsão é de um importante aumento

anual causado pela mudança de temperatura. Cabe lembrar que, entre 1985 e 2002, o

consumo residencial per capita de energia elétrica cresceu, em média, 3,84% ao ano

no Brasil. Desse modo, para que o bem-estar econômico e social não seja

comprometido pela inconstância no fornecimento de energia elétrica, o estado deve

estar atento, buscando tanto promover o aumento de sua oferta quanto implantar

políticas de gestão da demanda.