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No que diz respeito à pausa e à recursividade por segmento, ao longo da fase de redação, configuram-se os seguintes valores médios e desvios padrões, dispostos na TAB. 5.

TABELA 5

Médias e desvios padrões de recursividade e pausa totais por sujeito e por tarefa tradutória

Sujeito Tarefa Recursividade1 Pausa2

S1 TCorr Média 4,39 55,34 Desvio Padrão 5,967 120,464 TNCorr Média 3,39 39,62 Desvio Padrão 5,158 78,083 Total Média 3,88 47,26 Desvio Padrão 5,573 100,966 S2 TCorr Média 7,33 23,34 Desvio Padrão 13,266 27,141 TNCorr Média 2,76 22,69 Desvio Padrão 4,415 29,904 Total Média 4,74 22,97 Desvio Padrão 9,570 28,653 S3 TCorr Média 8,32 21,42 Desvio Padrão 15,311 36,548 TNCorr Média 8,68 22,53 Desvio Padrão 17,632 28,580 Total Média 8,51 22,01 Desvio Padrão 16,526 32,504 S4 TCorr Média 21,66 10,78 Desvio Padrão 28,956 10,558 TNCorr Média 10,47 11,25 Desvio Padrão 14,307 8,006 Total Média 14,36 11,09 Desvio Padrão 21,143 8,920

Total TCorr Média 8,36 31,86

Desvio Padrão 15,767 75,134

TNCorr Média 5,94 25,37

Desvio Padrão 11,957 47,718

Total Média 7,02 28,27

Desvio Padrão 13,833 61,547

Nota: TCorr = Tarefa cujo conhecimento de domínio demandado é correlata à subárea de atuação do sujeito; TNCorr = Tarefa cujo conhecimento de domínio demandado não corresponde à subárea de atuação do sujeito.

1. Recursividade por segmento dada em número de teclas de eliminação e de cursor bem como movimentos de “mouse” acionados.

2. Pausa por segmento mensurada em segundos.

A TAB. 5 mostra que o tempo médio das pausas encontradas ao longo dos segmentos corresponde a 31,86s, quando os sujeitos realizaram a TCorr, e 25,37s, quando da realização da TNCorr. Aparentemente, os dados sugerem que o conhecimento de domínio teve impacto

sobre as pausas por segmento. Entretanto, a ANOVA revela que essa diferença não é significativa (p=0,199). Isso enseja que a alocação das pausas não é uma questão meramente quantitativa, mas, sobretudo, uma questão qualitativa. Em outras palavras, parece importar mais o que o sujeito faz com suas pausas (e.g., identifica problema, toma decisão, busca apoio interno e/ou externo, automonitora seu processo tradutório) do que o tempo que ele(a) destina para a pausa em um dado segmento. O Exemplo 4 aponta alguns aspectos esclarecedores da pausa de S2 para o item “evolução” encontrado na realização de sua TCorr.

Exemplo 4

TP: O estudo eletrofisiológico (EEF) e a angiografia do ventrículo esquerdo realizados em pacientes sintomáticos ou não, e com ou sem distúrbios da condução, mostraram pior evolução em chagásicos crônicos. Essa evolução esteve relacionada com disfunção miocárdica e, em menor proporção, pela presença de distúrbios de condução [5], provavelmente pelo fato de a primeira estar associada à presença de arritmias ventriculares complexas [6]. [Grifo do(a)s autore(a)s]

TC: Electricalphysiologic study and left ventricular angiography in symptomatic or asymptomatic patients evinced worse prognosis in chronic chagasic patients. This [Evolution] have been mostly associated with myocaridal dysfunction and also with conduction disturbances. [Grifo do(a)s autore(a)s]

Protocolo linear:

ElectricalphysiologicThestudyandth evleftventricularangiography[][][][][][ ] insymptomaticorassymptomaticpatientsevincedworseprognosisinchro nicchagasicpatients.[]a[]Evolution][Thishavebee nassociatedwithmyocaridaldisfunctionyandlessen most[]mostlyalsowithconductiondisturbance s.[:01.27.06][]carriedout.

Relato retrospectivo:

S2: Evolução: eu não gosto de evolution, mas não é development. Eu não acho uma boa palavra para evolution . Então, essa evolução em termos de prognóstico quer dizer a evolução em termos de piora.

No Exemplo 4, o relato de S2 evidencia que o item lexical “evolução” (sublinhado no TP) constituiu um problema de tradução para o sujeito, que afirma não gostar da tradução “evolution”, mas tampouco encontrar uma solução mais adequada. A observação do protocolo linear obtido por meio do Translog© evidencia que não houve pausa (igual ou superior a 5s) para a primeira ocorrência do item “evolução”, que foi traduzido por “prognosis”, e que houve uma pausa de apenas 5s para a segunda ocorrência do item, que foi traduzido por “Evolution”, entre colchetes, o que, possivelmente, sinaliza uma solução parcial ou provisória de S2. Atente-se que, a despeito da ausência de pausa (na primeira instância) ou do seu baixo valor (na segunda instância), a capacidade de automonitoramento do sujeito foi bastante

representativa. S2 foi capaz não somente de relatar uma outra possibilidade para a tradução do item lexical (“development”) como também, com base em seu conhecimento de domínio, explicitar o significado do termo.

A recursividade, por sua vez, foi de 5,94 e 8,36 teclas ou movimentos de “mouse” acionados, respectivamente, para a realização da TNCorr e da TCorr, sendo que a ANOVA revela uma significância para associação desses dados (p=0,033). Em outras palavras, o conhecimento de

domínio aumentou a recursividade dos sujeitos de forma significativa. Tece-se uma única

observação a respeito de S3, para o qual as médias estiveram bastante próximas (8,32 para TCorr e 8,68 para a TNCorr), sendo maior aquela verificada na TNCorr.

Esses dados sobre a recursividade e as pausas indicam que o fato de estar diante de uma TCorr, por um lado, não necessariamente implica apresentar pausas de menor duração (tal qual se esperaria e tal qual se observa nas médias da TAB. 5), mas, por outro, implica, sim, aumento na recursividade. Uma das verbalizações de S2 parece prover uma justificativa subjacente a esse fenômeno, conforme se pode observar no Exemplo 5.

Exemplo 5

S2: Eu fiquei um pouco inibido com a outra [a tradução envolvendo texto demandando conhecimento de domínio de sua subárea, doença de Chagas], porque a outra é a minha área.

Note-se que, segundo S2, a realização da TCorr o inibiu. Pode-se inferir que, em função de sua condição ou status de experto na sua subárea de atuação (doença de Chagas), esse sujeito se sentiu compelido a fazer uma tarefa que fosse apropriada aos propósitos da tradução e, ao mesmo tempo, não comprometesse o seu reconhecimento como de fato experto. Desse modo, o sujeito aumentou, inconscientemente, seu automonitoramento e, consequentemente, sua recursividade ao longo da fase de redação, numa tentativa de cumprir satisfatoriamente um compromisso maior que ele assumiu existir diante daquela tarefa em particular.

Novamente, cabe enfatizar que S3 e S4 se encontram em extremidades opostas da amostra. Enquanto S4 apresentou grande variação na recursividade (21,66 movimentos de cursor, teclas de eliminação ou “mouse” para a TCorr; e 10,47 movimentos para a TNCorr), S3 apresentou a menor variação entre os sujeitos (8,68 movimentos para a TCorr; 8,51

movimentos de recursividade para a TNCorr). Mais uma vez, os dados revelam um comportamento mais uniforme de S3 para a realização das duas tarefas tradutórias.